{"id":1088,"date":"2009-08-24T10:55:08","date_gmt":"2009-08-24T10:55:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1088"},"modified":"2009-08-24T10:55:08","modified_gmt":"2009-08-24T10:55:08","slug":"o-assassinato-do-colono-em-sao-gabriel-e-suas-consequencias-politicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1088","title":{"rendered":"O assassinato do colono em S\u00e3o Gabriel e suas conseq\u00fc\u00eancias pol\u00edticas"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/eltombrum21.jpg\" title=\"O corpo do agricultor leva as marcas dos balins da escopeta 12 que o assassinou. Arma alguma atira sozinha e a autoria dos disparos tem de ser conhecida.  - Foto:rsurgente\" alt=\"O corpo do agricultor leva as marcas dos balins da escopeta 12 que o assassinou. Arma alguma atira sozinha e a autoria dos disparos tem de ser conhecida.  - Foto:rsurgente\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O corpo do agricultor leva as marcas dos balins da escopeta 12 que o assassinou. Arma alguma atira sozinha e a autoria dos disparos tem de ser conhecida. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:rsurgente<\/small><\/figure>\n<p>24 de agosto de 2009, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>S&atilde;o Gabriel, por volta de 10 horas da manh&atilde;. Fazenda Southall, um complexo latifundi&aacute;rio totalizando 14.000 hectares, alvo de disputa entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o ex-propriet&aacute;rio, Alfredo Southall. O cen&aacute;rio &eacute; o de batalha campal &agrave; vista. S&atilde;o 230 brigadianos de distintas unidades contra cerca de 270 colonos ocupantes, a metade deles mulheres e crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>O desfecho pol&iacute;tico para o governo que desse ato &eacute; respons&aacute;vel, at&eacute; o momento &eacute; este. O sub-comandante geral da Brigada Militar (BM), coronel Lauro Binsfeld, ap&oacute;s sair-se muito mal com os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o foi responsabilizado pela trag&eacute;dia e afastado. Em seu lugar, o coronel Jo&atilde;o Carlos Trindade Lopes, comandante-geral da BM, indica o ex-comandante do Comando de Policiamento da Capital, coronel Jones Calixtrato. Acima deles paira o <a href=\"http:\/\/www.ssp.rs.gov.br\/portal\/principal.php?action=imp_noticias&amp;cod_noticia=14198\">secret&aacute;rio da Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, o general do Ex&eacute;rcito Brasileiro, Edson Gourlarte. <\/a>Assim, disputas da caserna policial refletem uma interna mal digerida na forma de reposi&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as. O detalhe &eacute; que a pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples e menos ainda as formas de se fazer pol&iacute;tica para assegurar um direito constitucional. O assassinato de Eltom &eacute; o come&ccedil;o de outra escala de lutas reivindicativas. <\/p>\n<p>Na cidade da Fronteira Oeste do Rio Grande onde em 1756 ca&iacute;ra peleando o Corregedor do Cabildo da redu&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Miguel, o Estado assassina um colono sem terra. Sep&eacute; Tiaraju faleceu de lan&ccedil;a em riste perto do Arroio Caiboat&eacute;. Peleou, viveu, morreu e voltou defendendo sua terra e povo a quem servia como uma lideran&ccedil;a obediente da vontade popular. Eltom Brum da Silva era um agricultor do interior de Cagu&ccedil;u e que peleava por um peda&ccedil;o de terra. Sua morte foi com chumbo e pelas costas. Os balins da escopeta calibre 12 que assassinaram Eltom deram um exemplo de como o aparato repressivo recorda suas origens e fun&ccedil;&otilde;es quando o tema &eacute; a propriedade. <\/p>\n<p>O colono n&atilde;o caiu por acaso e menos ainda &ldquo;mal s&uacute;bito&rdquo; como foi a vers&atilde;o da BM noticiada pelos meios de sempre com a cobertura horrorosa de todos os dias. Ele caiu porque era parte de uma medida de luta direta, a forma de exerc&iacute;cio de direitos constitucionais que jamais s&atilde;o garantidos a n&atilde;o ser que as parcelas de povo organizado consigam exercer a sua vontade independente de intermedi&aacute;rios profissionais. Desta forma, ao mesmo tempo em que os partidos de tipo burgu&ecirc;s (de &ldquo;esquerda&rdquo; ou n&atilde;o) perdem seu sentido, os &oacute;rg&atilde;os de Estado se v&ecirc;em na obriga&ccedil;&atilde;o de ao menos se posicionar. O mesmo se d&aacute; no quesito ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p><strong>As vers&otilde;es da m&iacute;dia comunit&aacute;ria e do maior conglomerado da Prov&iacute;ncia <br \/>\n<\/strong><br \/>\nDe tudo o que li, a vers&atilde;o mais correta da circunst&acirc;ncia da morte de Eltom foi dada pelo movimento de r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Pe&ccedil;o um pouco de paci&ecirc;ncia para quem l&ecirc; o artigo para postar na &iacute;ntegra a vers&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria &ndash; estadual do RS (Abra&ccedil;o-RS): <\/p>\n<p>Agress&atilde;o verbal teria motivado PM a matar sem terra no RS, 21\/08\/2009 <\/p>\n<p>A tarde de sexta-feira (21) culminou com a morte do agricultor sem terra Elton Brum da Silva em uma a&ccedil;&atilde;o da Brigada Militar do Rio Grande do Sul durante a desocupa&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea no munic&iacute;pio de S&atilde;o Gabriel. Fotos mostram que o agricultor foi atingido por uma arma calibre 12. A suspeita recai sobre o comandante do 2&ordm; RPMon de Livramento, Ten. Coronel Fl&aacute;vio da Silva Lopes, que respondeu com o tiro a uma agress&atilde;o verbal do agricultor. O ouvidor agr&aacute;rio do Minist&eacute;rio de Desenvolvimento Agr&aacute;rio, Gercino Jos&eacute; da Silva Filho desembarcou no Estado no final da tarde e j&aacute; se dirigiu para S&atilde;o Gabriel com a promessa de buscar puni&ccedil;&atilde;o aos respons&aacute;veis. A Brigada Militar deu a primeira vers&atilde;o afirmando que o agricultor teria morrido de um &ldquo;mau s&uacute;bito&rdquo;. Horas depois o hospital local desmentia. <\/p>\n<p>O MST responsabiliza a pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a do governo Estadual e a Justi&ccedil;a por postergar o processo de assentamento das fam&iacute;lias. <br \/>\nA ocupa&ccedil;&atilde;o reivindicava a aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos para sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e infra-estrutura nos assentamentos da regi&atilde;o e desapropria&ccedil;&atilde;o do restante da Fazenda Southall e a libera&ccedil;&atilde;o imediata, na Justi&ccedil;a, das fazendas Antoniazzi e 33, em S&atilde;o Gabriel, para o assentamento das fam&iacute;lias acampadas no Estado. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.abracors.org.br\/detalhe_info.php?id=297\">Link para a Abra&ccedil;o-RS \/ Jornal dos Trabalhadores<\/a><\/p>\n<p>Se compararmos a nota acima com a cobertura da m&iacute;dia corporativa veremos a diferen&ccedil;a de fundo. Esta abordagem teve a apura&ccedil;&atilde;o detalhada resguardando o sigilo de fontes que se arriscaram para passar esta informa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o responsabiliza o protesto social pela repress&atilde;o sofrida e sim os repressores. J&aacute; a mat&eacute;ria de Zero Hora (Grupo RBS), assinada por Humberto Trezzi, tem um t&iacute;tulo que fala por si s&oacute;: <\/p>\n<p>&ldquo;Campos conflagrados: MST ganha seu m&aacute;rtir&rdquo; (<a href=\"http:\/\/zerohora.clicrbs.com.br\/zerohora\/jsp\/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a2627013.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=12968&amp;section=1015\">para seguir neste link, de 22 de agosto de 2009<\/a>)<\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio e a falta de imagens s&atilde;o a constante. O ineditismo est&aacute; na possibilidade de reagir na batalha da m&iacute;dia e de furar o bloqueio da produ&ccedil;&atilde;o de sentido que visa tornar sem sentido uma luta milenar como a da posse da terra. Nesta frente, a possibilidade de ofensiva pelos movimentos populares do RS est&aacute; assegurada. Vejamos o que antecede ao assassinato e como este gesto se localiza dentro da crise pol&iacute;tica pela poss&iacute;vel corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica no governo neoliberal de Yeda Crusius. <\/p>\n<p>\n<strong>A repress&atilde;o adiou sua sanha para a Fronteira. <br \/>\n<\/strong><br \/>\nUm dos dilemas cl&aacute;ssicos na pol&iacute;tica &eacute; a equa&ccedil;&atilde;o entre a legitimidade de um governo com sua capacidade de reprimir. N&atilde;o estou discutindo necessariamente o poder de pol&iacute;cia, que &eacute; uma das atribui&ccedil;&otilde;es do Estado, n&atilde;o importando o n&iacute;vel de governo, seja a Uni&atilde;o, estadual ou municipal. Mas sim, a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as que vai al&eacute;m dos formalismos institucionais. Por vezes, um gesto repressivo causa uma como&ccedil;&atilde;o tamanha, que o respaldo de um mandato cambaleante pode se perder. Em junho de 2008, mesmo bombardeada pela CPI do DETRAN-RS, com a grava&ccedil;&atilde;o de conversas privadas entre seu vice-governador rebelde Paulo Afonso Feij&oacute; (DEM) com o ent&atilde;o chefe da Casa Civil, C&eacute;zar Busatto (PPS), a governadora do Rio Grande, Yeda Crusius (PSDB), n&atilde;o titubeou em mandar as for&ccedil;as da ordem se impor a qualquer custo. Na semana passada, a aposta de boa parte da esquerda ga&uacute;cha era essa. Que a repress&atilde;o desenfreada fosse coibir uma marcha aparentemente pac&iacute;fica e assim aumentar a como&ccedil;&atilde;o interna na Prov&iacute;ncia. N&atilde;o foi o que se sucedeu, n&atilde;o dessa vez. <\/p>\n<p>A crise pol&iacute;tica fratura lealdades pol&iacute;ticas e sociais de h&aacute; muito constitu&iacute;das na sociedade rio-grandense. Sendo ou n&atilde;o culpada, vindo a ser condenada pela a&ccedil;&atilde;o de improbidade administrativa ou inocentada, a governadora Yeda Crusius e sua base aliada consolidaram nos &uacute;ltimos anos algumas quebras de paradigma no Rio Grande do Sul. Uma delas diz respeito &agrave; toler&acirc;ncia t&iacute;pica do estilo social-democrata, onde as ruas s&atilde;o palcos de manifesta&ccedil;&otilde;es e h&aacute; toler&acirc;ncia no quesito repress&atilde;o para assegurar a rela&ccedil;&atilde;o de legitimidade do governo constitu&iacute;do. Quando um governo &eacute; acusado de corrup&ccedil;&atilde;o e se v&ecirc; na berlinda, em geral n&atilde;o se d&aacute; o luxo de reprimir quem est&aacute; organizado. No ano de 2008, em seu primeiro semestre, diante do mesmo esc&acirc;ndalo que agora enfrenta, Yeda Crusius, Paulo Roberto Mendes e a m&iacute;dia de sempre distribu&iacute;ram repress&atilde;o sem d&oacute; nem piedade. <\/p>\n<p>Se apostava que, durante os atos pol&iacute;ticos contra seu governo, a sanha repressiva se encontraria de novo com a parcela de popula&ccedil;&atilde;o organizada. N&atilde;o ocorreu o pior como no ano anterior porque o n&uacute;cleo duro Pal&aacute;cio das Hort&ecirc;nsias preservara Porto Alegre para matar em S&atilde;o Gabriel. Se fosse reprimir na capital, o palco ideal seria no dia 14 de agosto. <\/p>\n<p>Duas colunas significativas se formaram. Uma sa&iacute;ra da Escola Estadual J&uacute;lio de Castilhos, o Julinho, lugar de romaria da esquerda desde os anos &rsquo;60. Outra coluna se dirigiu de &ocirc;nibus at&eacute; a Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), retornando para o Centro rumo &agrave; Pra&ccedil;a da Matriz, onde a Prov&iacute;ncia concentra seus poderes oficiais. <\/p>\n<p>Na &uacute;ltima sexta-feira dia 14 de agosto a cidade de Porto Alegre viveu uma manh&atilde; de protestos. A data fazia parte da jornada nacional de lutas promovida por diversas entidades, centrais sindicais e movimentos populares. A chamada para todo o pa&iacute;s se pautava na cr&iacute;tica a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, a &uacute;nica pauta que ainda unifica a fragmentada esquerda brasileira ap&oacute;s quase sete anos do governo de Luiz In&aacute;cio. <\/p>\n<p>A marcha originalmente fora convocada para atender essa agenda transformou-se no ato ecum&ecirc;nico das esquerdas ga&uacute;chas, convocadas a partir da consigna de &ldquo;Fora Yeda!&rdquo;. E, ap&oacute;s alguns anos com certo vazio pol&iacute;tico na capital rio-grandense, neste dia realmente o ato concentrou todos os matizes. O protesto se constitu&iacute;ra desde a extrema-esquerda n&atilde;o eleitoral que se localizara no final da coluna que sa&iacute;ra do Julinho, passando pelas bases sindicais de servidores p&uacute;blicos at&eacute; a bancada estadual do PT que confortavelmente aguardava o cortejo chegar &agrave; Matriz. <br \/>\nOutra novidade ocorrera naquele dia, agu&ccedil;ando o c&eacute;rebro dos marchantes. Pela primeira vez, o n&uacute;cleo duro de Yeda, resolvera reagir e convocou aos CCs, estagi&aacute;rios, FGs e militantes tucanos a se posicionar na Esplanada da Assembl&eacute;ia. Houve por tanto, dois atos, de dimens&otilde;es distintas, embora antag&ocirc;nicos. <\/p>\n<p>Na aus&ecirc;ncia de repress&atilde;o ao longo do trecho, outra conjectura atravessava a todas as agrupa&ccedil;&otilde;es e movimentos ali presentes. Haveria ou n&atilde;o conflito com a centena de manifestantes a favor da governadora ali presentes? Com a despropor&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica de mais de 3.000 protestantes contra menos de duas centenas pr&oacute;-Yeda, a Brigada teria obriga&ccedil;&atilde;o de intervir. O &ldquo;duelo&rdquo; n&atilde;o houve, mas ficou o fato pol&iacute;tico e a possibilidade de repress&atilde;o policial. Na mesma sexta-feira, o protesto estadual ganhou relev&acirc;ncia nacional ao ser midiatizado pelo Jornal Nacional. Nesta semana, o dilema entre protesto e repress&atilde;o foi alimentado pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o do estado. Quem est&aacute; na lida pol&iacute;tica sabe ler estes sinais. Nenhum tema dessa ordem &eacute; pautado por acaso e a vari&aacute;vel repress&atilde;o n&atilde;o foi descartada pelo ainda cambaleante governo da economista neocl&aacute;ssica. Aquilo que n&atilde;o passou de xingamentos e alguns ovos atirados pelos marchantes, veio a se manifestar no assassinato de Eltom Brum da Silva. <\/p>\n<p>\n<strong>Concluindo. Op&ccedil;&otilde;es na pol&iacute;tica ga&uacute;cha na perspectiva dos movimentos populares ap&oacute;s o assassinato na Fazenda Southaal. <br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Entendo que o assassinato do colono sem terra Eltom Brum da Silva, ocorrido no dia 21 de agosto de 2009, na cidade de S&atilde;o Gabriel, fronteira oeste, obriga as for&ccedil;as vivas da esquerda ga&uacute;cha a se colocarem de prontid&atilde;o. Tudo indica ter sido o ato premeditado, uma a&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a do aparelho repressivo do governo ga&uacute;cho abalado pelas den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o. Como quase sempre ocorre, o Corpo Auxiliar de Pol&iacute;cia Imperial, criado para combater a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha, depois batizada de Brigada Militar durante a ditadura positivista, demonstrou sua efici&ecirc;ncia na defesa de interesses olig&aacute;rquicos. Tampouco se trata do primeiro ato de brutalidade do governo da economista neoliberal Yeda Crusius e n&atilde;o ser&aacute; o &uacute;ltimo. Nessas horas, &eacute; preciso ter o m&iacute;nimo de unidade t&aacute;tica entre o conjunto de movimentos populares para frear o avan&ccedil;o repressivo. Matar um militante, de base ou de coordena&ccedil;&atilde;o, &eacute; algo que n&atilde;o deve ficar impune. Mesmo dentro da democracia liberal burguesa existem limites que, uma vez cruzados, abrem margem para outra escala de a&ccedil;&otilde;es. Em n&atilde;o havendo resposta de mobiliza&ccedil;&atilde;o, a m&aacute;quina reacion&aacute;ria por dentro do Estado abalado por eventos de corrup&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o vai mais parar. <\/p>\n<p>Mas, ao contr&aacute;rio de outros colegas analistas, em geral perfilados com o reformismo, tanto o que est&aacute; no governo Lula assim como o da oposi&ccedil;&atilde;o de esquerda-parlamentar, n&atilde;o consigo recomendar algo que vejo como falsific&aacute;vel. Vejo que n&atilde;o h&aacute; sa&iacute;da pol&iacute;tica de longo prazo dentro da democracia dos oligarcas, banqueiros e transnacionais. E, tampouco h&aacute; possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade ao agir por dentro do aparelho de Estado. Mas, isso n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o exista momento t&aacute;tico de luta. Este, por exemplo, &eacute; um momento. Na hora da crise pol&iacute;tica, o povo tem de se aperceber da exist&ecirc;ncia de alternativas por fora dos espa&ccedil;os viciados de participa&ccedil;&atilde;o oficial. &Eacute; preciso retirar poder simb&oacute;lico e pol&iacute;tico dos intermedi&aacute;rios profissionais e recriar a rela&ccedil;&atilde;o direta com as entidades de base e os movimentos com autonomia decis&oacute;ria. E, sabemos que isso n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. <\/p>\n<p>Uma sa&iacute;da que me parece &oacute;bvia &eacute; a unifica&ccedil;&atilde;o de lutas e pautas. Nas semanas ap&oacute;s o ASSASSINATO DE ELTOM BRUM DA SILVA por parte da Brigada Militar sob comando de Yeda Crusius (PSDB), vejo como imprescind&iacute;vel a uni&atilde;o das for&ccedil;as populares em torno de um objetivo comum, mas fortalecendo a auto-representa&ccedil;&atilde;o popular, atrav&eacute;s de inst&acirc;ncias de coordena&ccedil;&atilde;o entre movimentos e entidades de base. A unidade das pautas e lutas precisa apontar para as reivindica&ccedil;&otilde;es imediatas e o objetivo geral comum de assegurar uma vit&oacute;ria contundente contra um governo estadual acusado de corrupto e com postura repressora! Sinceramente, n&atilde;o resta mais o que fazer al&eacute;m do &oacute;bvio. Do contr&aacute;rio, o custo pol&iacute;tico de um morto ser&aacute; baixo demais, abrindo precedente para outros assassinatos, neste e nos governos de turno que vir&atilde;o. <\/p>\n<p>Para esta finalidade, agora j&aacute; n&atilde;o basta a luta reivindicativa. O momento &eacute; de derrubar Yeda Crusius e assegurar que o vice tamb&eacute;m neoliberal nem chegue a ter as condi&ccedil;&otilde;es de legitimidade para governar. Com esse ac&uacute;mulo de for&ccedil;as, haver&aacute; condi&ccedil;&otilde;es de enfrentar o acionar dos aparelhos de intermedia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica profissional e o uso errado que as siglas far&atilde;o do mart&iacute;rio de mais um campon&ecirc;s. <\/p>\n<p>O momento &eacute; de assegurar a vit&oacute;ria t&aacute;tica, no desmonte do governo baseado em rela&ccedil;&otilde;es patrimonialistas, sob suspeita de corrup&ccedil;&atilde;o estrutural e sendo repressor ao extremo. E, o momento tamb&eacute;m &eacute; o de derrotar o projeto do neoliberalismo no Rio Grande, especificamente para n&atilde;o permitir a conclus&atilde;o do empr&eacute;stimo entreguista vende p&aacute;tria com o Banco Mundial. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=25117\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas do Unisinos (IHU). <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O corpo do agricultor leva as marcas dos balins da escopeta 12 que o assassinou. Arma alguma atira sozinha e a autoria dos disparos tem de ser conhecida. Foto:rsurgente 24 de agosto de 2009, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha S&atilde;o Gabriel, por volta de 10 horas da manh&atilde;. 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