{"id":10895,"date":"2018-08-03T09:11:44","date_gmt":"2018-08-03T12:11:44","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=1642"},"modified":"2018-08-03T09:11:44","modified_gmt":"2018-08-03T12:11:44","slug":"o-centrao-da-direita-artigo-de-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10895","title":{"rendered":"O Centr\u00e3o da direita &#8211; artigo de an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p>03 de agosto de 2018, <em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>Aproximam-se as candidaturas definitivas \u00e0 Presid\u00eancia e parece que h\u00e1 um enorme vazio pol\u00edtico mais \u00e0 direita no Brasil. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), campe\u00e3o da \u201cnova-velha\u201d direita nas redes sociais, baluarte das posi\u00e7\u00f5es retr\u00f3gradas e reacion\u00e1rias, chegando ao ponto de ser um conservador social, simplesmente n\u00e3o emplaca nos palanques. Nota-se a dificuldade em fechar o nome do candidato \u00e0 vice, e a causa \u00e9 simples. A primeira meta dos operadores pol\u00edticos profissionais \u00e9 seguir nos mandatos, conseguindo o acesso aos postos de poder dentro do aparelho de Estado e aos recursos coletivos. Ainda que no Brasil existam medidas legais, pesos, contrapesos e formas de controle cada vez mais r\u00edgidas, ainda assim h\u00e1 uma razo\u00e1vel margem de manobra para o Poder Executivo e suas maiorias parlament\u00e1rias, tribut\u00e1rias do semiparlamentarismo e da composi\u00e7\u00e3o de governo no terceiro turno sem o escrut\u00ednio popular.<\/p>\n<p>Por outro lado, se o \u201cmito\u201d da direita saudosa da ditadura e defensora de gestos que atentam contra os direitos humanos e valores democr\u00e1ticos n\u00e3o emplacam, reconhecemos, n\u00e3o foi por falta de tentativa. Bolsonaro e seus parcos aliados formais votaram em un\u00edssono com o governo ileg\u00edtimo de Michel Temer (ex-vice eleito e reeleito com Dilma Rousseff), Henrique Meirelles (ex titular da Fazenda de Temer e por oito anos presidente do Banco Central com Lula) e Ilan Goldfajn (\u00e0 frente da autoridade monet\u00e1ria sem haver recebido voto algum a n\u00e3o ser a sabatina do Senado que apoiou o golpe). Assim, um pacto de classes e ac\u00f3rd\u00e3o de governabilidade rompido resultou no golpe com apelido de impeachment entre os tortuosos meses de abril e agosto de 2016. E justamente a dificuldade de refazer este pacto mantendo um m\u00ednimo de legitimidade \u00e9 o que est\u00e1 minando as candidaturas mais \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Assim, o abra\u00e7o dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de op\u00e7\u00f5es, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de S\u00e3o Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado \u201cCentro Democr\u00e1tico\u201d seria a continuidade do Centr\u00e3o da Constituinte, d\u00e9cadas ap\u00f3s veio a ser chamado de Bloc\u00e3o na Era Cunha e retornando ao nome de Centr\u00e3o no Brasil p\u00f3s-golpe. Se formos avaliar a condi\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a, al\u00e9m de razo\u00e1vel conson\u00e2ncia program\u00e1tica \u2013 que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro \u2013 significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na Uni\u00e3o como nos estados.<\/p>\n<p>Parece que teremos consolidadas disputas. Uma, dentro do legado do lulismo e tendo como favorito o poss\u00edvel indicado do ex-presidente, que j\u00e1 larga com 15% das inten\u00e7\u00f5es de voto. Este \u201ccampo\u201d vai do trabalhismo (com Ciro Gomes que insiste em n\u00e3o decolar) ao reformismo radicalizado, ocupando um espa\u00e7o no sistema pol\u00edtico que seria do PT nos anos \u201980 e no s\u00e9culo XXI passa a ser do PSOL, ainda que a legenda e sua organicidade sejam muito distintas do que se apresenta com densidade eleitoral. Assim, o \u201ccentro\u201d da centro-esquerda \u00e9 o pr\u00f3prio ex-presidente preso sem demonstra\u00e7\u00f5es cabais de provas materiais contundentes. Ele seria o conciliador dos interesses embora polarize os afetos. Neste \u00faltimo quesito, a nova-velha direita cibern\u00e9tica aproveita-se para fazer seu proselitismo pol\u00edtico em cima de uma moralidade seletiva. Como afirmei em textos anteriores, continua sendo a Bala de Prata da campanha.<\/p>\n<p>J\u00e1 a outra disputa se d\u00e1 dentro da direita com chances eleitorais e alguma base definida. H\u00e1 um embate, onde Geraldo Alckmin insiste em apresentar-se como \u201cmoderado\u201d diante da falta de pudor de Jair Bolsonaro. N\u00e3o seria exagero afirmar que o conservantismo social do ex-capit\u00e3o reformado da for\u00e7a terrestre (e pol\u00edtico profissional de seguidos mandatos) chega a ser obscena. Aproveitando esta fragilidade composta de falta de apoio de oligarquias estaduais; aus\u00eancia de organicidade e instrumento partid\u00e1rio (Bolsonaro favoreceu sua prole e n\u00e3o um instrumento pol\u00edtico neofascista de massas) e, por fim, a alt\u00edssima rejei\u00e7\u00e3o superior ao apoio virtual do \u201cmito\u201d, criaram as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que a base do governo Temer visse na criatura pol\u00edtica do ex-governador M\u00e1rio Covas sua sa\u00edda de tipo \u201cmal menor\u201d.<\/p>\n<p>Mas, cabe uma ressalva. A \u201cmodera\u00e7\u00e3o\u201d de Alckmin n\u00e3o coaduna com sua conduta \u00e0 frente do Pal\u00e1cio dos Bandeirantes em v\u00e1rias oportunidades. Tanto em \u201csuposta participa\u00e7\u00e3o\u201d de esc\u00e2ndalos vultosos como o Trensal\u00e3o, DERSA\/Rodoanel e Merend\u00e3o; passando por fechamento de escolas em 2015 e garantindo a \u201cpax paulista p\u00f3s-2006\u201d exemplarmente retratada pelo jornalista Luis Nassif. Iniciada a campanha os embates n\u00e3o ser\u00e3o cordiais e submissos como a vergonhosa \u201centrevista\u201d realizada em 23 de julho para o moribundo programa Roda Viva, outrora orgulho do telejornalismo nacional. Se algu\u00e9m quiser observar a \u201cmodera\u00e7\u00e3o\u201d de \u201cGeraldo\u201d, basta observar tanto sua pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica como a m\u00e3o de ferro sobre a Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta, especificamente no setor de jornalismo.<\/p>\n<p>Como na Assembleia Nacional Constituinte, a direita articula uma sa\u00edda poss\u00edvel e pragm\u00e1tica. Na d\u00e9cada de \u201980 do s\u00e9culo passado, ningu\u00e9m queria estar associado \u00e0 ditadura, ainda que o ent\u00e3o vice de Tancredo, que viria a tomar posse, era o ex-presidente nacional da ARENA quando esta se transforma em PDS ap\u00f3s a reorganiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria promovida por Golbery do Couto e Silva. A partir do terceiro turno \u201cvenezuelizado\u201d de 2014 \u2013 porque antes o terceiro turno era a composi\u00e7\u00e3o de maioria e da tal da governabilidade \u2013 o Brasil virou \u00e0 direita nas redes sociais e no proselitismo primeiro golpista, e depois entreguista e antipovo. Isso pode servir para derrubar governo eleito, iniciado o desastre j\u00e1 na administra\u00e7\u00e3o de Joaquim Levy como timoneiro do austericidio, mas n\u00e3o opera para convencer o eleitorado para cargos majorit\u00e1rios. Assim, toda a direita olig\u00e1rquica e neopentecostal \u201cvirou ao centro\u201d magicamente embora tanto a base de Alckmin como a de Bolsonaro, tenha apoiado o governo Temer e votado nas retiradas de direitos coletivos. E, para n\u00e3o tergiversar, nunca \u00e9 demais lembrar que metade desta base ou mais compuseram as maiorias parlamentares dos tr\u00eas governos e meio de Lula e Dilma. Logo, seria um pacto de classes e elites conservadoras reconstru\u00eddo, mas sem o elemento gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda da era anterior.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que a \u201cmodera\u00e7\u00e3o\u201d de Geraldo Alckmin \u00e9 de forma e n\u00e3o de conte\u00fado. Se nas rela\u00e7\u00f5es sociais o PSDB flerta com a p\u00f3s-modernidade l\u00facida de estilo europeu, na pol\u00edtica econ\u00f4mica \u00e9 puro neocolonialismo entreguista, sem tirar nem por com Bolsonaro e adjac\u00eancias. O cen\u00e1rio \u00e9 interessante. Podemos ver o engajamento das hordas virtuais com o \u201coutsider\u201d confrontando as c\u00fapulas partid\u00e1rias do Centr\u00e3o da Direita. No segundo turno, possivelmente ser\u00e1 o \u201ccentro\u201d da centro-esquerda versus o \u201ccampe\u00e3o da direita\u201d.\u00a0 O desconforto do PSDB \u00e9 um pouco maior do que os defensores da \u201clinha chilena\u201d, a que vai mesclando um protofascismo social e a aplica\u00e7\u00e3o de medidas neoliberais selvagens. A alta c\u00fapula tucana alinha-se com uma subordina\u00e7\u00e3o incondicional ao Partido Democrata, mas entra em crise quando nos EUA tem uma pol\u00edtica protecionista, isolacionista e sem a eleg\u00e2ncia do multilateralismo aparente de Clinton e Obama. Enfim, ambas as chapas, Bolsonaro (simulando ser um Trump subalterno) e Alckmin (a continuidade do colonialismo \u201crespons\u00e1vel\u201d) concordam com a pauta econ\u00f4mica entreguista, mas distanciam-se nas condi\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o de governo. O troglodita pode ganhar na urna, mas n\u00e3o governa. J\u00e1 o \u201cponderado\u201d conseguir\u00e1 governar at\u00e9 o fim do mandato e executa o mesmo programa econ\u00f4mico do rival.<\/p>\n<p>Triste escolha que n\u00e3o se soluciona nem com sa\u00eddas de tipo mal menor e menos ainda desorganizando a popula\u00e7\u00e3o para assegurar a tal da governabilidade a qualquer custo, como ocorreu at\u00e9 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>03 de agosto de 2018, Bruno Lima Rocha Aproximam-se as candidaturas definitivas \u00e0 Presid\u00eancia e parece que h\u00e1 um enorme vazio pol\u00edtico mais \u00e0 direita no Brasil. 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