{"id":1090,"date":"2009-08-28T11:36:55","date_gmt":"2009-08-28T11:36:55","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1090"},"modified":"2009-08-28T11:36:55","modified_gmt":"2009-08-28T11:36:55","slug":"lula-e-os-poderes-de-veto-partidario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1090","title":{"rendered":"Lula e os poderes de veto partid\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/suplicy_cartaovermelho.jpg\" title=\"O senador Eduardo Suplicy aponta o cart\u00e3o vermelho para o ex-presidente nacional da Arena, mas n\u00e3o relaciona este seu veto simb\u00f3lico aos poderes de veto do secretariado-executivo de facto que nunca abandonara as lealdades pol\u00edticas para com Luiz In\u00e1cio e Jos\u00e9 Dirceu. Sarney e Cia. agradecem e mandam a fatura. A conta \u00e9 bem alta. - Foto:ag\u00eancia estado\" alt=\"O senador Eduardo Suplicy aponta o cart\u00e3o vermelho para o ex-presidente nacional da Arena, mas n\u00e3o relaciona este seu veto simb\u00f3lico aos poderes de veto do secretariado-executivo de facto que nunca abandonara as lealdades pol\u00edticas para com Luiz In\u00e1cio e Jos\u00e9 Dirceu. Sarney e Cia. agradecem e mandam a fatura. A conta \u00e9 bem alta. - Foto:ag\u00eancia estado\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O senador Eduardo Suplicy aponta o cart\u00e3o vermelho para o ex-presidente nacional da Arena, mas n\u00e3o relaciona este seu veto simb\u00f3lico aos poderes de veto do secretariado-executivo de facto que nunca abandonara as lealdades pol\u00edticas para com Luiz In\u00e1cio e Jos\u00e9 Dirceu. Sarney e Cia. agradecem e mandam a fatura. A conta \u00e9 bem alta.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:ag\u00eancia estado<\/small><\/figure>\n<p>26 de agosto de 2009, da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos em Porongos e entregues para o Imp&eacute;rio em Ponche Verde, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do que o t&iacute;tulo possa dar a entender, este texto n&atilde;o trata dos poderes constitucionais do presidente da rep&uacute;blica. Menos ainda das formas de governar por decreto, ou quase, usando e abusando de sua vers&atilde;o eufem&iacute;stica, a Medida Provis&oacute;ria. O foco desse artigo &eacute; outro e toma Lula apenas como um exemplo de descolamento entre lideran&ccedil;a pol&iacute;tica e a organicidade que o gerou.<\/p>\n<p>O que abordamos aqui n&atilde;o &eacute; novidade no fazer pol&iacute;tico e menos ainda em sua &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o de estudos acad&ecirc;micos, a chamada &ldquo;ci&ecirc;ncia&rdquo; pol&iacute;tica (eu prefiro o termo politologia). O dilema &eacute; simples. At&eacute; que ponto um l&iacute;der carism&aacute;tico e popular ter&aacute; disciplina partid&aacute;ria? Ou ser&aacute; que a popularidade e o controle de recursos v&atilde;o fazer com que sua vontade se imponha sobre as inst&acirc;ncias org&acirc;nicas? No caso do presidente Luiz In&aacute;cio, qualquer observador isento vai considerar que o maior partido da Am&eacute;rica Latina (o PT, ao menos em tamanho) hoje est&aacute; ref&eacute;m dos c&aacute;lculos pragm&aacute;ticos do titular do Planalto. <\/p>\n<p>Percebam. Isso n&atilde;o implica afirmar nenhum tipo de manique&iacute;smo onde uma suposta &ldquo;base&rdquo; do PT teria algum grau de coer&ecirc;ncia pol&iacute;tica e os chefes em Bras&iacute;lia, a come&ccedil;ar pelo chefe dos chefes, abandona ser coerente em busca da sobreviv&ecirc;ncia atrav&eacute;s da indica&ccedil;&atilde;o da sucessora. O que afirmo com todas as letras &eacute; que &eacute; imposs&iacute;vel haver coer&ecirc;ncia pol&iacute;tica em qualquer legenda se n&atilde;o houver democracia interna. Isso se refere diretamente ao poder de veto dos operadores pol&iacute;ticos (veto players) na interna partid&aacute;ria. Se estes poderes n&atilde;o forem dilu&iacute;dos pela press&atilde;o da milit&acirc;ncia, &eacute; certo que a participa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; tolhida e a maior parte de afiliados ter&atilde;o seus v&iacute;nculos mantidos por interesses diretos de ordem material. <\/p>\n<p>Essa queixa eu j&aacute; escutei de v&aacute;rios militantes, alguns com fun&ccedil;&otilde;es de dirigentes em n&iacute;vel estadual. A fala &eacute; sintoma da crise interna de um partido que nasce de esquerda e troca seu programa por parcelas de governabilidade no &ldquo;centro da pol&iacute;tica&rdquo;. Segundo esses veteranos, no in&iacute;cio dos anos &rsquo;80, seu partido organizava uma parte da for&ccedil;a de trabalho. Na metade da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, esta base &ldquo;militante&rdquo; v&ecirc; no seu partido a possibilidade de ter um trabalho. Isso por si s&oacute; refor&ccedil;a o poder de veto do chefe pol&iacute;tico. N&atilde;o h&aacute; democracia quando o dirigente pol&iacute;tico &eacute; o chefe que assina ou demite o cargo em comiss&atilde;o (CC). Essa &ldquo;legitimidade pragm&aacute;tica&rdquo; influencia toda a vida partid&aacute;ria e, quando este partido est&aacute; no Poder Executivo, chega a determinar a capacidade de discordar ou n&atilde;o das decis&otilde;es do presidente. <\/p>\n<p>A democracia numa interna partid&aacute;ria est&aacute; vinculada a capacidade dos afiliados poderem exercer seu direito pol&iacute;tico sem serem coagidos pela sobreviv&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. Onde a pol&iacute;tica &eacute; puro pragmatismo, a tal da governabilidade se transforma em escola de arrivistas. Qualquer semelhan&ccedil;a com a conduta pol&iacute;tica de Lula e a deforma&ccedil;&atilde;o da esquerda eleitoral brasileira n&atilde;o &eacute; nenhuma coincid&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>\nEste artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O senador Eduardo Suplicy aponta o cart\u00e3o vermelho para o ex-presidente nacional da Arena, mas n\u00e3o relaciona este seu veto simb\u00f3lico aos poderes de veto do secretariado-executivo de facto que nunca abandonara as lealdades pol\u00edticas para com Luiz In\u00e1cio e Jos\u00e9 Dirceu. Sarney e Cia. agradecem e mandam a fatura. A conta \u00e9 bem alta. 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