{"id":1091,"date":"2009-09-08T12:39:57","date_gmt":"2009-09-08T12:39:57","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1091"},"modified":"2009-09-08T12:39:57","modified_gmt":"2009-09-08T12:39:57","slug":"aracruz-e-a-incorporacao-pela-votorantim-a-compra-da-vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1091","title":{"rendered":"Aracruz e a incorpora\u00e7\u00e3o pela Votorantim \u2013 a compra da vergonha"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Votorantim_Celulose_e_Papel.gif\" title=\"A Votorantim Celulose e Papel \u00e9 mais um exemplo de como os interesse corporativos s\u00e3o atendidos, sem quase nenhum pudor em transferir renda e recurso para m\u00e3os privadas, pelo Estado Capitalista.  - Foto:Rafael Costa - Vento de Liberdade\" alt=\"A Votorantim Celulose e Papel \u00e9 mais um exemplo de como os interesse corporativos s\u00e3o atendidos, sem quase nenhum pudor em transferir renda e recurso para m\u00e3os privadas, pelo Estado Capitalista.  - Foto:Rafael Costa - Vento de Liberdade\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A Votorantim Celulose e Papel \u00e9 mais um exemplo de como os interesse corporativos s\u00e3o atendidos, sem quase nenhum pudor em transferir renda e recurso para m\u00e3os privadas, pelo Estado Capitalista. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Rafael Costa &#8211; Vento de Liberdade<\/small><\/figure>\n<p>por Bruno Lima Rocha, cientista pol&iacute;tico <\/p>\n<p>O Grupo Votorantim que j&aacute; detinha 84% das a&ccedil;&otilde;es da empresa conhecida como Aracruz Celulose e Papel, oficializa a incorpora&ccedil;&atilde;o e chama a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia de sempre que louva a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova empresa. Sim, o nome da gigante da celulose e derivados &eacute; Fibria e orgulhosamente as f&aacute;bricas de sentido desassociados de uma sociedade justa (a chamada m&iacute;dia corporativa) seguem exaltando a &ldquo;maior empresa de celulose do mundo&rdquo;. Nada mal. Para consumir boa parte da &aacute;gua dispon&iacute;vel no segundo maior manancial de &aacute;guas do planeta, teremos sobre o Cone Sul uma malha de deserto verde com voca&ccedil;&atilde;o para usurpar os recursos naturais n&atilde;o renov&aacute;veis do Aq&uuml;&iacute;fero Guarani.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o beiraria o absurdo se n&atilde;o fosse uma constru&ccedil;&atilde;o de discurso que abafa o volume do problema. Sob o manto das premissas capitalistas mascaradas com valores socialmente constru&iacute;dos a partir da l&oacute;gica do sistema, vivemos o mundo das hipocrisias e da invers&atilde;o conceitual. Vejamos o porqu&ecirc; de tanta ira. A Aracruz totaliza uma d&iacute;vida de R$ 12 bilh&otilde;es. A desculpa esfarrapada vem sob o eufemismo da &ldquo;exposi&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos riscos que a empresa correra ao ver-se diante de um cen&aacute;rio inseguro no mercado dos derivativos e do d&oacute;lar futuro. Pura balela! Compraram pap&eacute;is podres, jogaram em pir&acirc;mides digitais, apostaram em cima de recurso oriundo do financiamento produtivo e aumentaram a quebradeira! Assim como no Congresso Nacional tem ac&oacute;rd&atilde;o para todos os tipos de crime de colarinho branco, no mundo dos neg&oacute;cios em geral e das finan&ccedil;as em espec&iacute;fico, vale tudo desde que ningu&eacute;m fale um idioma compreens&iacute;vel pelos mortais. <\/p>\n<p>O Grupo Lorentzen, o Grupo Safra atrav&eacute;s de sua Arainvest, a VCP (subsidi&aacute;ria do grupo econ&ocirc;mico da fam&iacute;lia Erm&iacute;rio de Moraes) foram para a jogatina descontrolada apostando na roleta com o d&oacute;lar futuro. O resultado foi igual o da Sadia do ministro Furlan. Veio a quebradeira e os arig&oacute;s pagaram o pato, entrando por tabela na opera&ccedil;&atilde;o salva vidas atrav&eacute;s do dinheiro do BNDES, ou do BNDES participa&ccedil;&otilde;es, subsidi&aacute;ria do maior banco de fomento do mundo e especialista em praticar a vers&atilde;o tupiniquim da Reaganomics &ndash; Tirar dos pobres para dar aos ricos! Nada disso &eacute; novidade e em mat&eacute;ria da excelente Eco Ag&ecirc;ncia (N&uacute;cleo de Ecojornalistas do RS, NEJ\/RS), datada de 25 de janeiro de 2009 j&aacute; se expunha o volume da transfer&ecirc;ncia para fins privados do recurso coletivo. Ou seja, do ROUBO por vias legais! <\/p>\n<p>Segundo a Ecoag&ecirc;ncia, a VCP p&ocirc;s no neg&oacute;cio o valor de R$ 4,5 bilh&otilde;es que obviamente estavam subsidiados. Da parte da Uni&atilde;o, o BNDES entrou com R$ 2,4 bilh&otilde;es de subs&iacute;dio &ndash; sabe-se l&aacute; as condi&ccedil;&otilde;es de pagamento, se &eacute; que n&atilde;o acabar&aacute; indo tudo a fundo perdido depois de v&aacute;rias renegocia&ccedil;&otilde;es &ndash; para que um gigante adquirisse a maior empresa &ldquo;brasileira&rdquo; de celulose e que estava &agrave; beira da fal&ecirc;ncia total. De sua parte, o Banco Safra tirava da frente, informando que n&atilde;o tinha rela&ccedil;&atilde;o direta com a empresa. Quem sim tinha eram apenas os dois irm&atilde;os fundadores da casa banc&aacute;ria mui peculiar e outras passagens nebulosas a mais. O Safra, segundo o Valor Econ&ocirc;mico de 10 de outubro de 2008 (no olho do furac&atilde;o de derivativos), este banco de &ldquo;investimentos&rdquo; estaria com imagem abalada pela perda da Aracruz de R$ 1,95 bilh&atilde;o com os ativos t&oacute;xicos e outros derivados. <\/p>\n<p>O que a nota do Valor esqueceu de relacionar foi a participa&ccedil;&atilde;o do Safra nas pir&acirc;mides do Sr. Madoff, o autor da maior estafa individual da hist&oacute;ria da humanidade. Luis Nassif nos apresenta a p&eacute;rola do fundo Safra Zeus (nome inspirador para financistas levantinos), Segundo o Nassif, nem todos dos cerca de uma centena de investidores podem apresentar a origem dos recursos aplicados, que extrapolam e muito qualquer razoabilidade de comprova&ccedil;&atilde;o de gastos. Enfim, este dinheiro que sumira, tem boa dose de chances de ser do contribuinte e n&atilde;o dos titulares das contas. <\/p>\n<p>Agora o cen&aacute;rio est&aacute; completo. Sai de vez a Lorentzen e o Banco Safra, entra com tudo a VCP (Votorantim, fam&iacute;lia Erm&iacute;nio de Moraes), assume o controle e muda o nome. Isso, mais a ajuda de sempre do BNDES, prova que as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas do Capitalismo financiado por seu Estado seguem vivas e fortes no governo de Lula, o ex-dirigente sindical que nunca foi de esquerda. Percebam que eu sequer mencionei at&eacute; agora detalhes mais t&eacute;cnicos da desertifica&ccedil;&atilde;o de cor verde e outras mazelas. A pr&oacute;pria natureza das opera&ccedil;&otilde;es j&aacute; atesta nosso fundo te&oacute;rico. O botim se organiza na composi&ccedil;&atilde;o de seu Conselho Diretor, entrando os homens de confian&ccedil;as de Ant&ocirc;nio Erminio com quatro vagas de sete, o BNDESPar com dois assentos e o restante bem que poderia ficar para o governo do estado do RS, que tanta for&ccedil;a fez para assegurar a incorpora&ccedil;&atilde;o na base do financiamento estatal e cuja orienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica passa pela derrubada da legisla&ccedil;&atilde;o ambiental ainda vigente no estado do Rio Grande do Sul e no Brasil. <\/p>\n<p><strong>Para concluir <br \/>\n<\/strong><br \/>\nGostaria de me permitir uma ila&ccedil;&atilde;o, apenas uma. Na 5&ordf; anterior ao assassinato do colono sem terra Eltom Brum da Silva na cidade de S&atilde;o Gabriel (fronteira oeste do RS), a chiadeira geral do latif&uacute;ndio sob a bandeira de plataforma de exporta&ccedil;&otilde;es de bens prim&aacute;rios com tecnologia transg&ecirc;nica era quanto ao aumento do &iacute;ndice de produtividade. Absurdo todos eles gritavam (incluindo na grita os editoriais e falas dos &acirc;ncoras das m&iacute;dias corporativas), assim como gritam e esperneiam diante da proposta de aumento da reserva legal. Um dia depois, em 21 de agosto de 2009, Eltom &eacute; assassinado com tiros de 12 com balins de chumbo nas costas. Uma semana depois, no s&aacute;bado 29 de agosto se consuma a alian&ccedil;a financiada com dinheiro do FGTS e outros recursos p&uacute;blicos. A Fibria, que j&aacute; nasce devendo a R$ 12 bi &eacute; isso. <\/p>\n<p>Uma po&ccedil;a de suspeita coletiva cai sobre o modo transacional, sobre os benef&iacute;cios dados aos CEOs com cargo na nova empresa e a m&aacute;cula de tentar (seguir tentando) derrubar o c&oacute;digo de legisla&ccedil;&atilde;o ambiental mais respeitado do planeta. &Eacute; &oacute;bvio que esta agenda n&atilde;o &eacute; marcada por uma conspira&ccedil;&atilde;o em escala nacional (ainda que esta hip&oacute;tese nunca pode deixar de ser levada em conta), mas sim por um poder de agendamento e demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as dos gigantes corporativos. <\/p>\n<p>Mais do que xingar (embora este recurso sempre seja v&aacute;lido), entendo que o dever de of&iacute;cio dos que vivem para analisar &eacute; retirar o v&eacute;u das premissas e descortinar tanto as ind&uacute;strias predat&oacute;rias (como na celulose) como o linguajar supostamente t&eacute;cnico e que atenta contra nossos ouvidos. Esta &ldquo;compra&rdquo; de capital da Aracruz por parte da Votorantim &eacute; uma vergonha nacional por ter sido financiada pelo BNDES e sem consulta de nenhum tipo para a popula&ccedil;&atilde;o contribuinte (e que no fundo sustenta a todo o aparelho de exerc&iacute;cio das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas). <\/p>\n<p>Temos de abrir a agenda corporativa, traduzir o linguajar &ldquo;t&eacute;cnico&rdquo; e pautar o debate em cima das decis&otilde;es pol&iacute;ticas que atravessam nossa vida e pelas quais nunca somos consultados. No que depender deste modesto analista, esse tipo de compra jamais ter&aacute; exist&ecirc;ncia e conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica. <\/p>\n<p>Nota final <br \/>\nEste artigo vai em homenagem ao companheiro libert&aacute;rio venezuelano Jos&eacute; Mauricio Torres, falecido de um c&acirc;ncer no 19 de agosto de 2009. O que a Disip (pol&iacute;cia pol&iacute;tica) dos escu&aacute;lidos do per&iacute;odo da vergonha de Ponto Fixo n&atilde;o fez, uma maldita doen&ccedil;a conseguiu. Eu o conheci em Caracas no &uacute;ltimo janeiro, apresentado por gente maravilhosa e que, junto de Mauricio, me ensinaram o significado mesmo de que um compa &eacute; um pana. Jos&eacute; Mauricio Torres, at&eacute; sempre!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=25330\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Votorantim Celulose e Papel \u00e9 mais um exemplo de como os interesse corporativos s\u00e3o atendidos, sem quase nenhum pudor em transferir renda e recurso para m\u00e3os privadas, pelo Estado Capitalista. 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