{"id":10928,"date":"2022-10-18T15:08:31","date_gmt":"2022-10-18T18:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=3040"},"modified":"2023-03-13T21:57:50","modified_gmt":"2023-03-14T00:57:50","slug":"a-extrema-direita-normaliza-o-comportamento-abjeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10928","title":{"rendered":"<strong>A extrema direita normaliza o comportamento abjeto<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>18 de outubro de 2022<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bruno Lima Rocha<\/em> (@estanalise)<\/p>\n\n\n\n<p>Faltando menos de duas semanas para o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil, \u00e9 preciso um esfor\u00e7o consider\u00e1vel para n\u00e3o abordar os temas imediatos e buscar ver o que esta campanha aponta de estruturante. O pa\u00eds que corre o risco de ter Jair Bolsonaro reeleito est\u00e1 radicalmente modificado daquele que elegeu Lula pela primeira vez, em outubro de 2002. E, dista s\u00e9culos existenciais da d\u00e9cada de 1980 do s\u00e9culo XX, quando a disputa pelo segundo lugar nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1989 se deu entre Luiz In\u00e1cio e Leonel Brizola.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das vari\u00e1veis marcantes nesses trinta e tr\u00eas anos de diferen\u00e7a entre a primeira campanha presidencial do ex-diretor do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e a atual, \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e o capital pol\u00edtico formado a favor e em contra o personagem e seu campo pol\u00edtico. Nos anos 1980 do s\u00e9culo passado, a for\u00e7a vinha dos movimentos sociais, incluindo uma importante greve geral no primeiro semestre de 1989, naquele ano de elei\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s passar por dois mandatos, eleger e reeleger a sucessora \u2013 depois derrubada em um golpe parlamentar com apelido de \u201cimpeachment\u201d &#8211; Lula \u00e9 um ex-presidente de centro com carisma pol\u00edtico superior ao de seu pr\u00f3prio partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra diferen\u00e7a substantiva neste per\u00edodo hist\u00f3rico remonta a forma\u00e7\u00e3o da nova extrema direita. Nos idos de 2014, me debatia com ide\u00f3logos e coordenadores de campanha do ultraliberalismo, ainda em emissoras de r\u00e1dio com certo prest\u00edgio (hoje chafurdando na lama do bolsonarismo). No segundo turno daquele ano, o senador A\u00e9cio Neves (do PSDB do estado de Minas Gerais) enfrentava Dilma Rousseff (PT do Rio Grande do Sul) comparando modelos de crescimento econ\u00f4mico entre Lula (2003-2010) e seu l\u00edder pol\u00edtico Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora se tratasse de disputa acirrada, constando na chapa de Dilma o ovo da serpente (com o golpista Michel Temer, seu vice que apoiou a queda do governo a partir de dezembro de 2015), os \u201cestrategistas\u201d da extrema direita queriam colocar em um \u00fanico recipiente o que seria o \u201cbloco hist\u00f3rico formado desde o final da d\u00e9cada de 1970, com a luta pela Abertura e Anistia contra a ditadura\u201d. Um destes <strong>gurus ultraliberais e protofascistas<\/strong> dizia com todas as letras: \u201ctem de romper com tudo, dos bispos progressistas da Igreja Cat\u00f3lica \u00e0 hegemonia da ci\u00eancia nas universidades p\u00fablicas, e se n\u00e3o alinhar, s\u00e3o c\u00famplices as teorias cr\u00edticas do Direito e os profissionais da cultura\u201d. Todas as conquistas da Nova Rep\u00fablica, iniciada ap\u00f3s a ditadura militar (1964-1985), tinham de ser cortadas, interrompidas, exorcizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas vari\u00e1veis s\u00e3o centrais para normalizar a regress\u00e3o de direitos coletivos: a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato (Lawfare contra a Petrobr\u00e1s e a economia nacional brasileira) e a coordena\u00e7\u00e3o da extrema direita \u201creligiosa\u201d, de base neopentecostal. Em 2014 esse alinhamento era incipiente. A partir de 2018 uma complementa a outra.<\/p>\n\n\n\n<p>A extrema direita brasileira escolheu montar um bloco hist\u00f3rico opositor e colocar no mesmo saco um espectro pol\u00edtico que vai da social-democracia \u00e0 extrema esquerda. Na campanha de segundo turno, o antifascismo brasileiro ocupa toda essa linha de identifica\u00e7\u00e3o no sistema pol\u00edtico. Mais lavado e brando \u00e9 o leque de alian\u00e7as de Lula e Alckmin que visa chegar ao Pal\u00e1cio do Planalto. Mas um m\u00e9rito o inimigo tem: conseguiu alinhar com Bolsonaro um conjunto de for\u00e7as ign\u00f3beis e normalizar o comportamento abjeto. Desmontar esse monstro, vai muito al\u00e9m da urna.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Lima Rocha \u00e9 cientista pol\u00edtico, jornalista e professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">blimarocha@gmail.com<\/a> \/ estrategiaeanaliseblog.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>18 de outubro de 2022 Bruno Lima Rocha (@estanalise) Faltando menos de duas semanas para o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil, \u00e9 preciso um esfor\u00e7o consider\u00e1vel para n\u00e3o abordar os temas imediatos e buscar ver o que esta campanha aponta de estruturante. 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