{"id":1096,"date":"2009-09-14T14:53:51","date_gmt":"2009-09-14T14:53:51","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1096"},"modified":"2009-09-14T14:53:51","modified_gmt":"2009-09-14T14:53:51","slug":"a-ideia-de-processo-e-a-acumulacao-de-forcas-necessaria-para-a-radicalizacao-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1096","title":{"rendered":"A id\u00e9ia de processo e a acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as necess\u00e1ria para a radicaliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/greveusp.jpg\" title=\"A democracia direta acumula for\u00e7as radicalizando as lutas sociais e democratizando a vida interna dos movimentos em luta.  - Foto:quiprona.files\" alt=\"A democracia direta acumula for\u00e7as radicalizando as lutas sociais e democratizando a vida interna dos movimentos em luta.  - Foto:quiprona.files\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A democracia direta acumula for\u00e7as radicalizando as lutas sociais e democratizando a vida interna dos movimentos em luta. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:quiprona.files<\/small><\/figure>\n<p>13 de setembro de 2009, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Neste artigo de difus&atilde;o cient&iacute;fica na forma de an&aacute;lise pol&iacute;tica com inten&ccedil;&atilde;o de c&acirc;mbio, vou tentar expor algumas perguntas b&aacute;sicas que apontam o conhecimento do terreno, das perspectivas de desenvolvimento organizativo e de inser&ccedil;&atilde;o social com vistas &agrave; radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia e do ac&uacute;mulo de for&ccedil;as para a transforma&ccedil;&atilde;o social no longo prazo. O sujeito coletivo na fala (n&oacute;s) se posiciona como este que aqui escreve est&aacute; simplesmente aportando um gr&atilde;o de areia a &aacute;rea da teoria para a ruptura e entende que quem concorda com as premissas deste texto assim tamb&eacute;m se posiciona. Vem da&iacute; a primeira pessoa do plural aqui proferida.<\/p>\n<p>Vou expor aqui dois teoremas do processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, afirma&ccedil;&otilde;es estas que balizam estas palavras em forma de artigo de opini&atilde;o e todos os demais textos que eu venha a escrever ou sub-escrever. S&atilde;o estes: <\/p>\n<p>Teorema 1: A aplica&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia possibilita o conflito social atrav&eacute;s da luta popular. Sem organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica finalista n&atilde;o h&aacute; possibilidade de estrat&eacute;gia permanente, portanto n&atilde;o h&aacute; planejamento estrat&eacute;gico e nem conceito estrat&eacute;gico. O inverso tamb&eacute;m &eacute; verdadeiro. <\/p>\n<p>Teorema 2: A luta popular constr&oacute;i Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e acumula Poder Popular. A democracia se torna substantiva &agrave; medida que serve como valor organizacional na acumula&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pelas maiorias (Poder Popular) e o avan&ccedil;o nas conquistas de direitos, redistribui&ccedil;&otilde;es, soberania, garantias e liberdades s&atilde;o obtidas atrav&eacute;s do conflito social organizado. <\/p>\n<p>Um processo n&atilde;o se resume aos epis&oacute;dios isolados <\/p>\n<p>Sigo ressaltando assim a id&eacute;ia de processo e n&atilde;o de epis&oacute;dio. O processo social &eacute; permanente e sist&ecirc;mico, e &eacute; a partir dele que operam as distintas for&ccedil;as antag&ocirc;nicas de uma sociedade. Os marcos vis&iacute;veis ou discretos do conflito s&atilde;o manifestados dentro do processo o qual o mesmo est&aacute; inserido. &Eacute; por isso que afirmo e reafirmo que, no que diz respeito &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es intelectuais no &acirc;mbito da incid&ecirc;ncia pol&iacute;tica, fora da luta e da proje&ccedil;&atilde;o da mesma luta, n&atilde;o h&aacute; teoria e sim fantasia <\/p>\n<p>Partindo desta id&eacute;ia de processo de longo prazo, temos as mesmas perguntas e hip&oacute;teses que as institui&ccedil;&otilde;es hegem&ocirc;nicas fazem. Tomamos como premissa que o processo de c&acirc;mbio social que queremos e compreendemos como o &uacute;nico v&aacute;lido tem o movimento popular (o povo organizado por interesse, programa e defesa) como protagonista. Este posicionamento j&aacute; de cara aponta a nega&ccedil;&atilde;o de vanguardas auto-esclarecidas e a prefer&ecirc;ncia pelo conceito de minoria ativa com inten&ccedil;&atilde;o militante; a rejei&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a carism&aacute;tica como condutoras de &ldquo;massas&rdquo; embora se reconhe&ccedil;a a exist&ecirc;ncia factual de referentes pol&iacute;ticos e a necessidade de obrigar a lideran&ccedil;a a obedecer organicamente &agrave;s vontades coletivas (o mandar obedecendo que afirmam os zapatistas chiapanecos) e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia das duas premissas anteriores, a op&ccedil;&atilde;o anti-estatista e que compreende o Poder Popular como alternativa a qualquer tipo de constru&ccedil;&atilde;o de Estado. Isto se afirma ainda que se reconhe&ccedil;a que taticamente &eacute; importante defender o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico das privatiza&ccedil;&otilde;es e que &eacute; necess&aacute;rio obrigar o Estado a ser responsivo e atender &agrave;s demandas sociais por bem ou por mal. Dito isso, apontando o processo de longo prazo, cabem por tanto os seguintes questionamentos: <\/p>\n<p>&#8211; Quais s&atilde;o os setores sociais das classes oprimidas cuja organiza&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima &eacute; uma exig&ecirc;ncia para ter no processo uma representatividade popular de todas as fra&ccedil;&otilde;es de classe? <br \/>\n&#8211; Dentro do mundo do trabalho formal, quais s&atilde;o as categorias de trabalhadores essenciais de serem organizadas? Quais j&aacute; est&atilde;o organizadas? <br \/>\n&#8211; Quais setores sociais, grupos de identidade e\/ou trabalhadores formais t&ecirc;m experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica recente de luta e quais sequer tem esta experi&ecirc;ncia? <br \/>\n&#8211; Destas com experi&ecirc;ncia recente, a serem organizadas ou a buscar incid&ecirc;ncia, quais est&atilde;o sob hegemonia de qual Central Sindical ou setor de movimento popular e quais n&atilde;o? <\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvio que estas e as demais perguntas n&atilde;o se esgotam por si s&oacute;. S&atilde;o uma orienta&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es necess&aacute;rias de serem respondidas e o quanto antes. O mesmo tipo de pergunta tem de ser feita e refeita em rela&ccedil;&atilde;o aos chamados setores sociais, n&atilde;o organizados necessariamente como categoria de trabalhadores, mas onde exista uma lat&ecirc;ncia de rebeldia ou ao menos, tenham causas justas e organiz&aacute;veis a partir dos agentes sociais a&iacute; inseridos. Partindo de algumas observa&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas, podemos ver as respostas v&aacute;lidas. Vamos tomar as observa&ccedil;&otilde;es acima apenas como exemplos. <\/p>\n<p>Estas e outras informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o essenciais para compormos uma hip&oacute;tese de processo de longo prazo. A quest&atilde;o acima &eacute; apenas um recorte do tipo de pergunta a ser respondida. Uma vez alimentados das informa&ccedil;&otilde;es e da viv&ecirc;ncia real (no terreno social que se quer incidir para organizar), podemos passar ao segundo momento, o de iniciar o desenho de uma hip&oacute;tese de longo prazo. Iniciamos por aquilo que vemos como necessidade j&aacute; constitu&iacute;da, que podem ser consideradas tamb&eacute;m como premissas. No que diz respeito da organiza&ccedil;&atilde;o para a luta, estas s&atilde;o as premissas revisitadas: <\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio um conjunto de agentes organizadores, que tenham interesses irreconcili&aacute;veis com a sociedade de classes e de exclus&atilde;o. A isto se denomina organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica finalista. Portanto, sem organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (uma ou mais) com a inten&ccedil;&atilde;o de construir um processo de c&acirc;mbio n&atilde;o h&aacute; possibilidade alguma. <\/p>\n<p>S&oacute; h&aacute; processo de Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica, permitindo um c&acirc;mbio social profundo atrav&eacute;s de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as (Poder Popular) de longo prazo com o povo organizado. &Eacute; fundamental o protagonismo do povo em luta. As organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas t&ecirc;m de impulsionar as lutas do povo, superando suas necessidades imediatas. Assim, sem movimento popular em condi&ccedil;&otilde;es de combatividade nos seis n&iacute;veis de incid&ecirc;ncia (pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico, jur&iacute;dico, social, cultural, e de defesa) tampouco h&aacute; possibilidade de processo e acumula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>\nPara conquistar o apoio das maiorias &eacute; fundamental que o conjunto das organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e movimentos populares (o povo organizado dentro do limite de cada conjuntura) sejam identificados como confi&aacute;veis e indo ao encontro com os interesses e imagin&aacute;rio do povo. Portanto a hegemonia de inten&ccedil;&atilde;o de Poder Popular implica em inser&ccedil;&atilde;o social no tecido social e produtivo, aumentando o volume de cultivo social nas rela&ccedil;&otilde;es horizontais. <\/p>\n<p>Das formas de organiza&ccedil;&atilde;o popular, ainda pelo &acirc;ngulo da luta e do enfrentamento, passamos a algumas certezas aprendidas com a hist&oacute;ria do Continente. Considerando que a contesta&ccedil;&atilde;o &eacute; parte da luta popular, mas tem a fun&ccedil;&atilde;o de apoiar a luta, tomamos como premissa que: <\/p>\n<p>1) Se houver desvio e determina&ccedil;&atilde;o de excesso de conflito (militarista ou movimentista), o processo de acumula&ccedil;&atilde;o est&aacute; natimorto. <\/p>\n<p>2) S&oacute; a acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as por parte dos agentes sociais organizados pode definir o grau de ades&atilde;o das maiorias. <\/p>\n<p>3) N&atilde;o h&aacute; qualquer previsibilidade do n&iacute;vel de repress&atilde;o a ser empreendido pelos operadores da classe dominante. Se levarmos em conta o n&iacute;vel repressivo em plena democracia representativa, os cen&aacute;rios s&atilde;o previs&iacute;veis embora n&atilde;o pr&eacute;-determinados. <\/p>\n<p>4) &Eacute; necess&aacute;rio um conjunto de movimentos populares demandando para o Estado e construindo alternativas complementares e paralelas a este. A capacidade responsiva ou n&atilde;o do Estado &eacute; o que marca a etapa do processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. <\/p>\n<p>Para tomar uma conclus&atilde;o <\/p>\n<p>O que chamamos neste texto e em outros mais de Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; um invento nosso e sim a formaliza&ccedil;&atilde;o de um modelo j&aacute; em voga por minorias ativas latino-americanas e de inten&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria. Este conceito, o de expandir a democracia e a participa&ccedil;&atilde;o ao m&aacute;ximo toler&aacute;vel pela tal da governabilidade conservadora e olig&aacute;rquica, equivale para as lutas sociais e o n&iacute;vel pol&iacute;tico-social ao de etapa de resist&ecirc;ncia e de coes&atilde;o em contra da fragmenta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Na peleia pela amplia&ccedil;&atilde;o dos direitos, deve-se passar para o exerc&iacute;cio de uma forma de democracia sem representa&ccedil;&atilde;o profissional. Ou seja, a id&eacute;ia de democratizar a democracia passa por romper com o pacto pol&iacute;tico liberal-burgu&ecirc;s, exigindo do Estado Capitalista, mas ao mesmo tempo, gerando formas de democracia direta, tendo como eixo organizativo o federalismo pol&iacute;tico. Para isso &eacute; imprescind&iacute;vel a incid&ecirc;ncia e inser&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas finalistas no interior dos movimentos constitu&iacute;dos. Do contr&aacute;rio, n&atilde;o h&aacute; planejamento estrat&eacute;gico que sobreviva ao curto prazo das demandas setoriais. Esta &eacute; a forma de gerar uma luta e processo de longo prazo. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=25558\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A democracia direta acumula for\u00e7as radicalizando as lutas sociais e democratizando a vida interna dos movimentos em luta. 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