{"id":1101,"date":"2009-09-25T00:43:07","date_gmt":"2009-09-25T00:43:07","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1101"},"modified":"2009-09-25T00:43:07","modified_gmt":"2009-09-25T00:43:07","slug":"honduras-e-sua-bomba-relogio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1101","title":{"rendered":"Honduras e sua bomba rel\u00f3gio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/honduras en resistencia.jpg\" title=\"Se os hondurenhos se puserem em marcha, este acontecimento pode vir a implicar num grande salto da hist\u00f3ria daquele pa\u00eds.  - Foto:honduras en resistencia \" alt=\"Se os hondurenhos se puserem em marcha, este acontecimento pode vir a implicar num grande salto da hist\u00f3ria daquele pa\u00eds.  - Foto:honduras en resistencia \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Se os hondurenhos se puserem em marcha, este acontecimento pode vir a implicar num grande salto da hist\u00f3ria daquele pa\u00eds. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:honduras en resistencia <\/small><\/figure>\n<p>25 de setembro de 2009, da Vila Setembrina do Continente de Tiaraju, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>H&aacute; momentos na trajet&oacute;ria de um pa&iacute;s que a tomada de decis&atilde;o &eacute; fundamental. No caso de Honduras, apesar e al&eacute;m de todas as alian&ccedil;as e manobras diplom&aacute;ticas realizadas pelo presidente deposto Jos&eacute; Manuel Zelaya Rosales, havia um fator estrat&eacute;gico. O pa&iacute;s sofreu um golpe, atrav&eacute;s de um ex&eacute;rcito fiel e leal a Escola das Am&eacute;ricas que o treinou, e subordinado aos poderes institu&iacute;dos sob controle da oligarquia local. Todo golpe de Estado &eacute; sin&ocirc;nimo de viol&ecirc;ncia e perigo. Para recuperar partes de este poder, havia que correr riscos, inclusive de vida. E, Zelaya, quando cruzou a fronteira e refugiou-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa, chamou para si esta carga.<\/p>\n<p>Muitos analistas duvidavam da capacidade do pol&iacute;tico de carreira do Partido Liberal de Honduras (PLH) em aceitar o desafio que lhe fora imposto. Os dois primeiros blefes de que retornaria ao pa&iacute;s sem sequer passar da fronteira com a Nicar&aacute;gua refor&ccedil;aram este ponto de vista. Confesso que estava c&eacute;tico tamb&eacute;m, e errei. <\/p>\n<p>Em situa&ccedil;&otilde;es limite, a qualidade da lideran&ccedil;a pol&iacute;tica tamb&eacute;m implica em sua pr&eacute;-disposi&ccedil;&atilde;o pessoal para jogar duro. N&atilde;o tenhamos ilus&otilde;es, ningu&eacute;m faz pol&iacute;tica no ex&iacute;lio sem infra-estrutura, recursos e seguran&ccedil;a individual. Dada a proced&ecirc;ncia dos militares hondurenhos, a possibilidade de ser assassinado era e &eacute; uma constante. Durante os oitenta e seis dias que peregrinou pela Am&eacute;rica Central e indo aos foros diplom&aacute;ticos adequados, Zelaya contou com log&iacute;stica e um aparato de intelig&ecirc;ncia operando para ele. Mesmo um ex-presidente deposto passa dificuldades e todo aparelho pol&iacute;tico &ndash; ainda mais no ex&iacute;lio &ndash; custa caro. Essa constata&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a a tese do apoio direto ou indireto de governos e administra&ccedil;&otilde;es latino-americanas. Certamente para isso, contou com aliados diversos e muitas vezes disputando lideran&ccedil;a na mesma regi&atilde;o. Tal &eacute; o caso entre Brasil e Venezuela. <\/p>\n<p>Oscilando entre grupos, Zelaya joga um pouco como franco-atirador na pol&iacute;tica, embora pare&ccedil;a mais fanfarr&atilde;o do que &eacute;. Primeiro sinalizou estar favor&aacute;vel ao Acordo de San Jos&eacute;, coordenado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Neste texto, constava a anistia para os golpistas e o abandono da convocat&oacute;ria de uma Assembl&eacute;ia Constituinte. Logo ap&oacute;s, vociferou estar contra o texto e o &ldquo;consenso&rdquo; para o retorno. <\/p>\n<p>Na maioria das vezes, l&iacute;deres de tradi&ccedil;&atilde;o olig&aacute;rquica, mesmo com apoio popular, n&atilde;o arriscam a desintegra&ccedil;&atilde;o da ordem social para recuperar uma parcela do poder pol&iacute;tico. A pauta central das entidades e organiza&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em a Frente Nacional de Resist&ecirc;ncia Contra o Golpe &eacute; a nova constitui&ccedil;&atilde;o e a pulveriza&ccedil;&atilde;o do poder concentrado na oligarquia hondurenha e as suas s&oacute;cias majorit&aacute;rias, transnacionais de minera&ccedil;&atilde;o ou bananeiras como a estadunidense Chiquita, ex- United Fruit (leia aqui as den&uacute;ncias). Manuel Zelaya sabe que est&aacute; sentado sobre uma bomba rel&oacute;gio. <\/p>\n<p>O fato &eacute; que Honduras est&aacute; pr&oacute;ximo de um conflito em larga escala, podendo resultar numa rebeli&atilde;o popular sem precedentes. E, milagrosamente, dessa vez o Brasil e sua diplomacia se comportaram a altura de quem quer ser l&iacute;der na regi&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se os hondurenhos se puserem em marcha, este acontecimento pode vir a implicar num grande salto da hist\u00f3ria daquele pa\u00eds. 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