{"id":1104,"date":"2009-10-02T01:14:14","date_gmt":"2009-10-02T01:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1104"},"modified":"2009-10-02T01:14:14","modified_gmt":"2009-10-02T01:14:14","slug":"o-modelo-agricola-brasileiro-e-a-cpi-do-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1104","title":{"rendered":"O modelo agr\u00edcola brasileiro e a CPI do MST"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/katiaabreu.jpg\" title=\"K\u00e1tia Abreu, senadora pelo DEM do jovem estado de Tocantins \u00e9 uma importante operadora e porta-voz oficial do latif\u00fandio brasileiro. Sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 a contra parte da rea\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da luta camponesa no Brasil.  - Foto:senado\" alt=\"K\u00e1tia Abreu, senadora pelo DEM do jovem estado de Tocantins \u00e9 uma importante operadora e porta-voz oficial do latif\u00fandio brasileiro. Sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 a contra parte da rea\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da luta camponesa no Brasil.  - Foto:senado\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">K\u00e1tia Abreu, senadora pelo DEM do jovem estado de Tocantins \u00e9 uma importante operadora e porta-voz oficial do latif\u00fandio brasileiro. Sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 a contra parte da rea\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o da luta camponesa no Brasil. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:senado<\/small><\/figure>\n<p>01 de outubro de 2009; da Vila Setembrina dos ca&iacute;dos pelos tiros dados pelas costas atrav&eacute;s dos capangas de latifundi&aacute;rios e escravagistas, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Na semana passada a bancada ruralista, comandada pela dubl&ecirc; de presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Agricultura (CNA) e senadora pelo DEM de Tocantins K&aacute;tia Abreu, protocolou o terceiro pedido de CPI sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para compreender o tom do embate, convido a leitura deste <a href=\"http:\/\/www.cna.org.br\/site\/noticia.php?ag=1&amp;n=20991\">artigo assinado pela parlamentar<\/a>. &Eacute; a terceira iniciativa do g&ecirc;nero em menos de cinco anos e tenta atingir um dos poucos setores onde o movimento popular ainda consegue impor alguma agenda ao governo de Luiz In&aacute;cio. A arena antag&ocirc;nica do Planalto reflete dois projetos distintos e opostos. &Eacute; o tipo de conflito que n&atilde;o cessa apesar dos panos quentes de um presidente com livre tr&acirc;nsito entre ambos os setores.<\/p>\n<p>Como era de se esperar o foco da poss&iacute;vel Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito ser&atilde;o os canais de apoio do Movimento, mirando tanto nas ONGs (nacionais e internacionais) e pessoas jur&iacute;dicas de tipo terceiro setor, assim como nos supostos repasses e conv&ecirc;nios do governo central. Este intento de tornar midi&aacute;ticas as formas de financiamento do MST &eacute; o reflexo da ofensiva que o projeto de agricultura camponesa e familiar imp&ocirc;s ao agroneg&oacute;cio nos &uacute;ltimos quarenta e cinco dias. <\/p>\n<p>A amplia&ccedil;&atilde;o da chamada reserva legal e a revis&atilde;o dos &iacute;ndices de produtividade colocou em p&eacute; de guerra os defensores da concep&ccedil;&atilde;o do Brasil como uma mega-plataforma de exporta&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os e bens prim&aacute;rios. Se aprovadas, ambas as medidas v&atilde;o obrigar os representados pela CNA a intensificarem seus &iacute;ndices e revisarem suas pr&aacute;ticas produtivas. Apenas esta amea&ccedil;a j&aacute; &eacute; o suficiente para arrepiar o status quo num pa&iacute;s onde 1% dos brasileiros s&atilde;o detentores da propriedade de 46% do territ&oacute;rio. <\/p>\n<p>Particularmente vejo a tudo isso como um absurdo. O modelo fundi&aacute;rio brasileiro &eacute; excludente e mal direcionado. Apesar de toda tecnologia incorporada pelos brilhantes profissionais das ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias nacionais, tamanho esfor&ccedil;o n&atilde;o retorna para a popula&ccedil;&atilde;o na forma de diversifica&ccedil;&atilde;o da oferta alimentar e menos ainda no desenvolvimento de modelos sustent&aacute;veis. Ao contr&aacute;rio, o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico na agricultura, toda ela financiada pelo Estado, implica em poder plantar soja da Amaz&ocirc;nia &agrave; Campanha ga&uacute;cha. Para piorar, como dependemos de fertilizantes e sementes sob controle de transnacionais, estamos todos pagando royalties nas duas pontas da cadeia produtiva visando &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Os paladinos das plantations contra argumentam afirmando que os assentamentos s&atilde;o tanto improdutivos como dependentes de recursos p&uacute;blicos. Trata-se de falsa pol&ecirc;mica e afirma&ccedil;&atilde;o. Primeiro, porque a produtividade dos assentamentos n&atilde;o se mede pela rela&ccedil;&atilde;o extens&atilde;o de terra e volume absoluto de produ&ccedil;&atilde;o para exportar, e sim por diversifica&ccedil;&atilde;o dos produtos e oferta aos mercados locais. Segundo, porque a agricultura no mundo inteiro &eacute; subsidiada, portanto, todo o setor prim&aacute;rio depende do Estado. <\/p>\n<p>Dever&iacute;amos sim debater com profundidade os conceitos de soberania alimentar, defesa da biodiversidade e modelos ecologicamente sustent&aacute;veis. Tenho certeza que, se for esta a pauta, a balan&ccedil;a vira, e o MST p&aacute;ra de sofrer os intentos de criminaliza&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o debate estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>K\u00e1tia Abreu, senadora pelo DEM do jovem estado de Tocantins \u00e9 uma importante operadora e porta-voz oficial do latif\u00fandio brasileiro. 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