{"id":1108,"date":"2009-10-15T11:11:50","date_gmt":"2009-10-15T11:11:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1108"},"modified":"2009-10-15T11:11:50","modified_gmt":"2009-10-15T11:11:50","slug":"a-analise-estrategica-e-o-jogo-real-da-politica-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1108","title":{"rendered":"A an\u00e1lise estrat\u00e9gica e o Jogo Real da Pol\u00edtica \u2013 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/honduras_golpe_de_estado_jogo_real.jpg\" title=\"Quando o que est\u00e1 em disputa \u00e9 a ordem social, o reparto de poder e uma a\u00e7\u00e3o distributivista de longo prazo, as margens do Jogo da Pol\u00edtica se expandem para al\u00e9m dos procedimentos olig\u00e1rquicos. \u00c9 o que passa agora em Honduras.  - Foto:librered\" alt=\"Quando o que est\u00e1 em disputa \u00e9 a ordem social, o reparto de poder e uma a\u00e7\u00e3o distributivista de longo prazo, as margens do Jogo da Pol\u00edtica se expandem para al\u00e9m dos procedimentos olig\u00e1rquicos. \u00c9 o que passa agora em Honduras.  - Foto:librered\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Quando o que est\u00e1 em disputa \u00e9 a ordem social, o reparto de poder e uma a\u00e7\u00e3o distributivista de longo prazo, as margens do Jogo da Pol\u00edtica se expandem para al\u00e9m dos procedimentos olig\u00e1rquicos. \u00c9 o que passa agora em Honduras. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:librered<\/small><\/figure>\n<p>15 de outubro de 2009, da Vila Setembrina, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Inicio com este texto mais uma trilogia de curto alcance, abordando os conceitos de An&aacute;lise Estrat&eacute;gia e de Jogo Real da Pol&iacute;tica. Considero a ambos essenciais para operar na grande arena das lutas e disputas em sociedade. Ao mesmo, sinto que ambos padecem de ataques de tipo te&oacute;rico e de defini&ccedil;&atilde;o. O primeiro sofre de mal tautol&oacute;gico, j&aacute; que hoje &ldquo;estrat&eacute;gia&rdquo; &eacute; vista como mais uma palavra de moda do que como conceito operacional. J&aacute; o substantivo an&aacute;lise n&atilde;o anda t&atilde;o capenga das pernas, mas perde poder de fogo ao n&atilde;o se vincular com o pensamento estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao Jogo Real da Pol&iacute;tica, este conceito luta para sobreviver entre os formuladores de teoria pol&iacute;tica, em especial aqueles dedicados aos estudos de teorias democr&aacute;ticas. Os reprodutores da corrente hoje hegem&ocirc;nica &ndash; defensores da democracia de ritos e procedimentos &#8211; insistindo em pelear contra o mundo das rela&ccedil;&otilde;es existentes, predicam de forma supostamente erudita algo inexeq&uuml;&iacute;vel nas sociedades latino-americanas. O conceito de Jogo Real vem a preencher esta lacuna te&oacute;rica e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, apresenta um grande problema a ser resolvido. De que democracia e de que regra de pol&iacute;tica est&aacute;-se falando? Vamos ao debate. <\/p>\n<p><strong>De onde vem esta abordagem <br \/>\n<\/strong><br \/>\nExplicito a aspira&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica dentro das ci&ecirc;ncias humanas, especificamente na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica (ou politologia, termo que prefiro), para demonstrar a leitores e cr&iacute;ticos qual a intencionalidade pol&iacute;tica e te&oacute;rica destas palavras articuladas na forma de artigo de difus&atilde;o cient&iacute;fica. Este trabalho visa tamb&eacute;m &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o de duas &aacute;reas aparentemente distintas, ou ao menos afastadas, dentro da politologia. Mais precisamente, trata-se do debate a respeito da aus&ecirc;ncia de objetivos finalistas (estrat&eacute;gicos) como forma de derrota e\/ou enfraquecimento do movimento popular e das organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas inseridas nestes setores de classe organizada. <\/p>\n<p>Parto da premissa que uma acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando existem os recipientes para este ac&uacute;mulo, ou seja, institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais que operem nessa l&oacute;gica e com objetivos finalistas de largo prazo. Entendo que neste campo &eacute; perfeitamente aplic&aacute;vel um desenvolvimento dos estudos estrat&eacute;gicos, a partir de uma leitura cr&iacute;tica &#8211; e oposta &#8211; de Golbery do Couto e Silva e Carl von Clausewitz. Vale a ressalva que o estudo destes dois te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos da guerra em seus distintos n&iacute;veis n&atilde;o implica nenhuma aproxima&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica dos mesmos. Vejo a Golbery como um dos art&iacute;fices do golpe e da ditadura, e Clausewitz, por mais precisas que sejam as suas an&aacute;lises, foi e &eacute; (na perenidade de sua obra) um general prussiano. Por me posicionar no outro extremo da pol&iacute;tica, &eacute; &oacute;bvio que esta abordagem aqui &eacute; te&oacute;rica e n&atilde;o tr&aacute;s de reboque nenhum contrabando ideol&oacute;gico. Bem longe disso. <\/p>\n<p>\nO que se apresenta aqui &eacute; um extrato de teoria que parte da reflex&atilde;o e da posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o diletante. Portanto, quem faz este tipo de trabalho se coloca como analista estrat&eacute;gico; formulador e participante, criando hip&oacute;teses e operacionalizando-as no real. Desde o princ&iacute;pio operando e analisando para um dos lados (v&aacute;rios) do(s) conflito(s) de classes e projetos de p&aacute;tria, povo, terra e sociedade. <\/p>\n<p><strong>A correla&ccedil;&atilde;o entre analista simb&oacute;lico e analista estrat&eacute;gico <br \/>\n<\/strong><br \/>\nDe um ponto de vista estritamente acad&ecirc;mico, reconhe&ccedil;o que o termo analista estrat&eacute;gico tem a correla&ccedil;&atilde;o com analista simb&oacute;lico, como que uma vers&atilde;o polivalente e civil do analista estrat&eacute;gico. O que muda tamb&eacute;m &eacute; a premissa ontol&oacute;gica, que subordina a epistemologia empregada, localizando a produ&ccedil;&atilde;o de pensamento e diagn&oacute;sticos do analista simb&oacute;lico com a inten&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio entre Estado, Mercado e os diversos agentes coletivos da Sociedade Civil. Ou seja, o analista simb&oacute;lico &eacute; a vers&atilde;o socialmente palat&aacute;vel para os poderes constitu&iacute;dos, do analista estrat&eacute;gico. <\/p>\n<p>Reconhe&ccedil;o que este perfil se contextualiza com a aloca&ccedil;&atilde;o de verbas para demandas que passam pelos saberes das ci&ecirc;ncias humanas e sociais, e da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica em espec&iacute;fico, mas n&atilde;o necessariamente passam por mais recursos para as universidades. Ou seja, o trabalho de tipo consultoria tira o poder pol&iacute;tico da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria. Isto porque a demanda crescente &eacute; de pessoal especializado e polifuncional com capacidade para solucionar problemas reais e concretos, em geral, no menor espa&ccedil;o de tempo poss&iacute;vel. Temas como desenvolvimento organizacional, planejamento estrat&eacute;gico, desenho de sistemas, forma&ccedil;&atilde;o e reorienta&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, marketing e publicidade, sub-contrata&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, avalia&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e &aacute;reas correlatas; est&atilde;o dentre as &aacute;reas para as quais se pode prestar algum tipo de consultoria e\/ou projetos de assessoria de m&eacute;dio e longo prazo. <\/p>\n<p><strong>Indo al&eacute;m da premissa oculta <\/p>\n<p><\/strong>Sempre quando se aborda esse tema a pol&ecirc;mica salta. Entendo que &eacute; necess&aacute;rio ir al&eacute;m das premissas ocultas e sempre explicitar o universo ontol&oacute;gico (equivalente ao ideol&oacute;gico) a partir de onde se formula. Por isso, vejo que tamb&eacute;m exerce o analista simb&oacute;lico, ou o estrat&eacute;gico, o necess&aacute;rio dom&iacute;nio das teorias dominantes e com maior peso gravitacional em cada um dos campos onde este atua. Reconhe&ccedil;o esta fun&ccedil;&atilde;o e venho buscando nesse esfor&ccedil;o de difus&atilde;o, tanto uma exposi&ccedil;&atilde;o tanto deste dom&iacute;nio, como da capacidade de utilizar parcelas de teorias adjacentes. Estas entram como complemento de &aacute;reas de estudo que a Teoria da Interdepend&ecirc;ncia Estrutural das Esferas, aplicada na an&aacute;lise do papel da Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica no processo de constru&ccedil;&atilde;o do processo de Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica deve dialogar e problematizar. <\/p>\n<p>Voltando &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o do analista simb&oacute;lico, reconhe&ccedil;o esta correla&ccedil;&atilde;o com a do analista estrat&eacute;gico, admito toda esta funcionalidade e a partir dela me posiciono em condi&ccedil;&otilde;es e fun&ccedil;&otilde;es dentro das sociedades de classes existentes na Am&eacute;rica Latina. Conforme j&aacute; disse antes, a frieza da an&aacute;lise tamb&eacute;m implica o posicionamento pr&eacute;vio, o que ir&aacute; definir se uma predi&ccedil;&atilde;o est&aacute; antecipadamente correta ou n&atilde;o. &Eacute; a forma de racionaliza&ccedil;&atilde;o usada por Golbery do Couto e Silva (nos livros Planejamento Estrat&eacute;gico e Geopol&iacute;tica do Brasil) para a planifica&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de uma m&aacute;xima. Eis a assertiva: <\/p>\n<p><em>&ldquo;O objetivo subordina o m&eacute;todo, conforme as condicionalidades.&rdquo; <\/p>\n<p><\/em><strong>Explicitando premissas e definindo as margens de confronto pol&iacute;tico <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO que vemos hoje como norma hegem&ocirc;nica e muitas vezes n&atilde;o dita, &eacute; a premissa oculta, de um &uacute;nico e pretenso objetivo que se universaliza pela pr&oacute;pria prepot&ecirc;ncia do chamado &ldquo;pensamento &uacute;nico&rdquo;. Em outras ocasi&otilde;es nesse mesmo portal me dediquei de forma lateral a abordar a cr&iacute;tica ao pensamento &uacute;nico e a premissa oculta. Expomos tr&ecirc;s cl&aacute;ssicos do neoinstitucionalismo e vemos como a premissa destes autores n&atilde;o est&aacute; nada oculta. O ocultamento destas sob um suposto jogo de tabuleiro de soma zero poli&aacute;rquica &eacute; fruto da hegemonia do pensamento neoliberal e neoinstitucional cl&aacute;ssico do p&oacute;s-guerra sobre a deforma&ccedil;&atilde;o do campo da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Dentro do universo mais estrito da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, tamb&eacute;m fiz um debate com certo f&ocirc;lego, polemizando com as concep&ccedil;&otilde;es de Estado e democracia constrangidos pelo peso gravitacional das teorias econ&ocirc;micas, particularmente o neoliberalismo, operando como p&oacute;lo de for&ccedil;a por sobre a pol&iacute;tica e a ideologia declaradas. O problema da premissa oculta &eacute; permanente nestas abordagens. <\/p>\n<p>Voltando &agrave; urgente necessidade de exposi&ccedil;&atilde;o das premissas do analista, digo que esta premissa n&atilde;o &eacute; total e menos ainda absoluta. Inicio usando o exemplo do analista simb&oacute;lico como muito pr&oacute;ximo do analista estrat&eacute;gico porque entendo ser este o of&iacute;cio e a fun&ccedil;&atilde;o de tornar tang&iacute;vel a imensa massa de conhecimento cient&iacute;fico e acad&ecirc;mico de modo a poder incidir na realidade. Portanto, cabe ao analista ir al&eacute;m da premissa oculta (no momento, ainda a neoliberal) e das regras aparentes e formais e incidir com todos os meios coerentemente articulados com suas finalidades diante do desafio de formular e incidir para transformar. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=26595\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o que est\u00e1 em disputa \u00e9 a ordem social, o reparto de poder e uma a\u00e7\u00e3o distributivista de longo prazo, as margens do Jogo da Pol\u00edtica se expandem para al\u00e9m dos procedimentos olig\u00e1rquicos. \u00c9 o que passa agora em Honduras. 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