{"id":1110,"date":"2009-10-21T09:01:31","date_gmt":"2009-10-21T09:01:31","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1110"},"modified":"2009-10-21T09:01:31","modified_gmt":"2009-10-21T09:01:31","slug":"no-rio-o-choque-de-ordem-nao-garante-cidadania-plena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1110","title":{"rendered":"No Rio, o choque de ordem n\u00e3o garante cidadania plena"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/narcotrafico_rj_PM.jpg\" title=\"O soldado da PMERJ entra na favela como tropa de ocupa\u00e7\u00e3o; na aus\u00eancia de direitos, fica imposs\u00edvel esperar ades\u00e3o dos moradores que se v\u00eaem sob suspeita de um Estado com corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia end\u00eamica - Foto:passeiweb\" alt=\"O soldado da PMERJ entra na favela como tropa de ocupa\u00e7\u00e3o; na aus\u00eancia de direitos, fica imposs\u00edvel esperar ades\u00e3o dos moradores que se v\u00eaem sob suspeita de um Estado com corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia end\u00eamica - Foto:passeiweb\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O soldado da PMERJ entra na favela como tropa de ocupa\u00e7\u00e3o; na aus\u00eancia de direitos, fica imposs\u00edvel esperar ades\u00e3o dos moradores que se v\u00eaem sob suspeita de um Estado com corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia end\u00eamica<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:passeiweb<\/small><\/figure>\n<p>21 de outubro de 2009, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>A queda do helic&oacute;ptero, fruto do ataque executado por narcotraficantes no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Rio de Janeiro, n&atilde;o &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o &agrave; regra do cotidiano de cariocas e fluminenses. Tanto a capital como sua Regi&atilde;o Metropolitana vive um cotidiano de n&atilde;o-governo em espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos onde o Estado entra de forma negociada. Para desespero coletivo, a situa&ccedil;&atilde;o se agrava desde 1983! No meu entendimento, esta &eacute; a raiz de todos os problemas de ordem p&uacute;blica da &ldquo;Cidade Maravilhosa&rdquo;.<\/p>\n<p>Jos&eacute; Mariano Beltrame &eacute; delegado da PF e atual secret&aacute;rio de seguran&ccedil;a do estado do Rio. Corretamente, como manda o manual, quer recuperar a soberania estatal sobre manchas de territ&oacute;rio urbano. O problema &eacute; de legitimidade. Explico. Se um morador de favela disca o n&uacute;mero 190 e chama o aux&iacute;lio policial para sua integridade f&iacute;sica, &eacute; quase imposs&iacute;vel que uma viatura suba o morro em seu aux&iacute;lio. Ao mesmo tempo, na zona sul carioca, a presen&ccedil;a de policiamento ostensivo &eacute; superior a recomendada pela ONU. Trata-se de dois pesos e duas medidas para quem vive, literalmente, lado a lado. <\/p>\n<p>Quando o Estado n&atilde;o reconhece de fato a cidadania de mais de 2 milh&otilde;es de pessoas, n&atilde;o tem nenhuma condi&ccedil;&atilde;o de agir como repressor. A presen&ccedil;a f&iacute;sica de for&ccedil;as policiais deveria ser obrigatoriamente acompanhada, ou pelo menos precedida, de um esfor&ccedil;o descomunal para integrar estas regi&otilde;es &agrave; cidade. N&atilde;o &eacute; o que ocorre. Entra e sai governo e as medidas s&atilde;o paliativas e pirot&eacute;cnicas. Retomar a soberania do Estado implicaria em regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, policiamento ostensivo e permanente (e n&atilde;o ocupa&ccedil;&atilde;o policial), saneamento b&aacute;sico e ampla oferta de servi&ccedil;os p&uacute;blicos fundamentais, a come&ccedil;ar pela sa&uacute;de p&uacute;blica, incluindo o problem&aacute;tico servi&ccedil;o de ambul&acirc;ncias para atendimentos de emerg&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Se os moradores n&atilde;o t&ecirc;m direito a uma parte significativa de sua cidadania, n&atilde;o se espera que reconhe&ccedil;am a legitimidade de administra&ccedil;&otilde;es que pouco ou nada lhes oferecem. Com esse argumento n&atilde;o afirmo ser prefer&iacute;vel o controle territorial das redes de quadrilha do tr&aacute;fico e menos ainda a tirania de para-policiais atendendo pela alcunha de &ldquo;mil&iacute;cias&rdquo;. Afirmo com todas as letras. Se a viol&ecirc;ncia de narcotraficantes se resumisse &agrave;s &aacute;reas de favela, os governos de turno do Rio e suas elites conviveriam sem problema algum com esse absurdo. Essa opini&atilde;o n&atilde;o &eacute; minha, e sim de H&eacute;lio Luz, delegado de pol&iacute;cia civil e ex-subsecret&aacute;rio de seguran&ccedil;a, com quem modestamente concordo. <\/p>\n<p>Assegurar a plena cidadania nas comunidades implica em pol&iacute;ticas estruturantes ao custo de bilh&otilde;es de reais. Infelizmente, os moradores n&atilde;o devem esperar nada nesse sentido dos governantes de plant&atilde;o. A condi&ccedil;&atilde;o &eacute; outra. Na hist&oacute;ria da democracia liberal, os direitos fundamentais s&atilde;o fruto de conquistas e n&atilde;o de concess&otilde;es. Ou se obriga o Estado a cumprir o seu dever, ou teremos mais helic&oacute;pteros derrubados seguidos de milhares de mortos por ano. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2009\/10\/20\/rio-choque-de-ordem-nao-garante-cidadania-plena-233885.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no Blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soldado da PMERJ entra na favela como tropa de ocupa\u00e7\u00e3o; na aus\u00eancia de direitos, fica imposs\u00edvel esperar ades\u00e3o dos moradores que se v\u00eaem sob suspeita de um Estado com corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia end\u00eamica Foto:passeiweb 21 de outubro de 2009, por Bruno Lima Rocha A queda do helic&oacute;ptero, fruto do ataque executado por narcotraficantes no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}