{"id":1117,"date":"2009-11-05T16:02:56","date_gmt":"2009-11-05T16:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1117"},"modified":"2009-11-05T16:02:56","modified_gmt":"2009-11-05T16:02:56","slug":"a-matriz-estruturalista-na-ciencia-social-aplicada-para-a-america-latina-atual-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1117","title":{"rendered":"A matriz estruturalista na ci\u00eancia social aplicada para a Am\u00e9rica Latina atual &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/foucault_palestra.jpg\" title=\"Michel Foucault (1926-1984) e a Matriz de pensamento onde este se situa, nos aponta a dimens\u00e3o estrat\u00e9gica do conhecimento, proporcionando para a an\u00e1lise pol\u00edtica aplicada nos terrenos latino-americanos, a liberdade de pensamento e a operacionalidade de conceitos anos luz \u00e0 frente da panac\u00e9ia auto-referenciada e pouca ou nenhuma capacidade de incid\u00eancia a n\u00e3o ser como doutrina reificante da domina\u00e7\u00e3o.    - Foto:nndb\" alt=\"Michel Foucault (1926-1984) e a Matriz de pensamento onde este se situa, nos aponta a dimens\u00e3o estrat\u00e9gica do conhecimento, proporcionando para a an\u00e1lise pol\u00edtica aplicada nos terrenos latino-americanos, a liberdade de pensamento e a operacionalidade de conceitos anos luz \u00e0 frente da panac\u00e9ia auto-referenciada e pouca ou nenhuma capacidade de incid\u00eancia a n\u00e3o ser como doutrina reificante da domina\u00e7\u00e3o.    - Foto:nndb\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Michel Foucault (1926-1984) e a Matriz de pensamento onde este se situa, nos aponta a dimens\u00e3o estrat\u00e9gica do conhecimento, proporcionando para a an\u00e1lise pol\u00edtica aplicada nos terrenos latino-americanos, a liberdade de pensamento e a operacionalidade de conceitos anos luz \u00e0 frente da panac\u00e9ia auto-referenciada e pouca ou nenhuma capacidade de incid\u00eancia a n\u00e3o ser como doutrina reificante da domina\u00e7\u00e3o.   <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:nndb<\/small><\/figure>\n<p>05 de novembro de 2009, por Bruno Lima Rocha<\/p>\n<p>Com essa nova seq&uuml;&ecirc;ncia da difus&atilde;o cient&iacute;fica, apresento outra trilogia, onde se verifica o di&aacute;logo e a aproxima&ccedil;&atilde;o da Matriz Estruturalista onde se nutre a Teoria de M&eacute;dio Alcance da Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e sua base epistemol&oacute;gica. A linha de apoio destes tr&ecirc;s textos tem a capacidade auto-explicativa e de suporte do t&iacute;tulo: <u>Os primeiros passos na defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; ci&ecirc;ncia e o enfoque realista<\/u> . Considero essencial este enfoque porque o mesmo nos possibilita debater e combater a importa&ccedil;&atilde;o de tipos ideais de institui&ccedil;&otilde;es ou mesmo padr&otilde;es de qualidade de lideran&ccedil;a pol&iacute;tica &#8211; como quando a vari&aacute;vel &ldquo;habilidade&rdquo; &eacute; propositadamente confundido com esquivar-se dos problemas centrais &ndash; com a aplica&ccedil;&atilde;o de conceitos macro-estruturados sobrepostos nos relevos sociais e territ&oacute;rios complexos de nosso Continente. Isto tem v&aacute;rias raz&otilde;es de ser e todas coincidem com o fato de que a ci&ecirc;ncia social deve complexificar suas quest&otilde;es n&atilde;o com o intuito diletante, mas com &ecirc;nfase na incid&ecirc;ncia e n&atilde;o na predi&ccedil;&atilde;o est&eacute;ril. Como j&aacute; afirmei antes, a an&aacute;lise pol&iacute;tica &ldquo;n&atilde;o &eacute; um faz de conta ou um domingo no parque&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Ci&ecirc;ncia &ldquo;humana&rdquo;? <br \/>\n<\/strong><br \/>\nConforme viemos demonstrando, esta aproxima&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise estrat&eacute;gica com um posicionamento anal&iacute;tico a favor da Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e fundamentado na identidade e na import&acirc;ncia do componente ideol&oacute;gico tem uma similitude com o corpo conceitual do &ldquo;estruturalismo&rdquo; que chegara &agrave; Am&eacute;rica Latina a partir da segunda metade da d&eacute;cada de 1960 do s&eacute;culo XX. Veremos nesta trilogia a relev&acirc;ncia desta matriz de pensamento cient&iacute;fico para a constru&ccedil;&atilde;o desta Teoria de M&eacute;dio Alcance. Para fins did&aacute;ticos, apresento um livro que considero como de estudos b&aacute;sicos ou de Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Matriz Estruturalista. <\/p>\n<p>Trata-se da colet&acirc;nea portuguesa organizada por Eduardo Prado Coelho em Lisboa, em agosto de 1967. Na Introdu&ccedil;&atilde;o, de sua autoria, Coelho tr&aacute;s o interessante subt&iacute;tulo: &ldquo;<u>Introdu&ccedil;&atilde;o a um pensamento cruel: estruturas, estruturalidade e estruturali<\/u>smos.&rdquo; Este livro tr&aacute;s o recorte necess&aacute;rio para a compreens&atilde;o dos paradigmas que esta gera&ccedil;&atilde;o de pensadores franceses se prop&otilde;e e todo o rigor necess&aacute;rio para romper com as regras de disciplinas pr&eacute;-estabelecidas de forma administrativas. <\/p>\n<p>Retornando &agrave; chegada e incorpora&ccedil;&atilde;o dos ditos &ldquo;estruturalistas&rdquo; por organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda latino-americanas e insurgentes na segunda metade dos anos 1960, desta aproxima&ccedil;&atilde;o com o &ldquo;estruturalismo&rdquo; decorrem posi&ccedil;&otilde;es e postulados filos&oacute;ficos e epistemol&oacute;gicos. O primeiro deles diz respeito justamente &agrave; concep&ccedil;&atilde;o do surgimento, de como aparece uma <u>ci&ecirc;ncia humana<\/u>. Vou ao encontro de Michel Foucault quando este afirma que: &ldquo;<em>N&atilde;o oferece d&uacute;vidas que cada uma das ci&ecirc;ncias humanas se tenha feito por ocasi&atilde;o de um problema, de um obst&aacute;culo de ordem te&oacute;rica ou pr&aacute;tica<\/em>&rdquo; (Foucault in Coelho, 1968, p.46). Portanto, vemos o surgir de uma ci&ecirc;ncia, de uma disciplina, se uma subdisciplina, subcampo ou novo campo de saberes como um problema a ser resolvido e um desafio a ser transposto. <\/p>\n<p>No caso destes artigos de difus&atilde;o cient&iacute;fica aqui no portal do IHU, os mesmos s&atilde;o o espelho nada retorcido de um desafio. A solu&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica para uma possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o do Poder Popular como uma nova forma de institucionalidade constitu&iacute;da em confronto e como forma de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as para superar o pacto liberal-democr&aacute;tico-burgu&ecirc;s de democracia indireta e elitista. Sabemos que o car&aacute;ter de &ldquo;novidade&rdquo; deste tipo de abordagem, ou mesmo de redescoberta, sofrer&aacute; as mais variadas cr&iacute;ticas. Nada que n&atilde;o passe pelo debate acad&ecirc;mico de bom n&iacute;vel, e tamb&eacute;m pelas idiossincrasias do campo. Vemos o fen&ocirc;meno novo, ou &ldquo;ressuscitado&rdquo;, como algo positivo em todas as circunst&acirc;ncias. <\/p>\n<p>Nas ra&iacute;zes daquilo que estudamos, sendo a pr&oacute;pria &aacute;rea de saberes e disciplinas cumulativas conhecidas como &ldquo;ci&ecirc;ncias humanas&rdquo;, surgem como algo distinto e um fen&ocirc;meno inaugural. Ainda segundo Foucault (idem ao anterior, p.46): &ldquo;<em>o fato de pela primeira vez desde que existem seres humanos e que vivem em sociedade, o homem isolado ou em grupo, se ter tornado objeto de ci&ecirc;ncia &ndash; isso n&atilde;o pode ser considerado nem tratado como um fen&ocirc;meno de opini&atilde;o: &eacute; um acontecimento da ordem do saber<\/em>&rdquo;. <\/p>\n<p>Esta abordagem de &ldquo;acontecimento da ordem do saber&rdquo; implica em reconhecer os quesitos necess&aacute;rios para um estudo de rigor (vamos expor logo em seguida) e ao mesmo tempo refutar premissas de antem&atilde;o. A forma escolhida de faz&ecirc;-lo &eacute; a declara&ccedil;&atilde;o inicial do marco de inten&ccedil;&otilde;es, da vontade de incid&ecirc;ncia e da necessidade de buscar uma episteme pr&oacute;pria para o tema. N&atilde;o ser&aacute; com premissas ocultas de &ldquo;<u>maximiza&ccedil;&atilde;o de ganhos e diminui&ccedil;&atilde;o de perdas<\/u>&rdquo; e nem tampouco com &ldquo;<em>exemplifica&ccedil;&otilde;es oriundas da econometria<\/em>&rdquo; que iremos debater e propor um encadeamento conceitual para acumula&ccedil;&atilde;o de poder e democracia substantiva. Nenhuma id&eacute;ia pr&eacute;-concebida de jogo de soma zero pode ser distributivista e participativa. Nenhuma ci&ecirc;ncia social ou humana honesta pode se realizar sem expor sua dimens&atilde;o ontol&oacute;gica de antem&atilde;o. <\/p>\n<p>Assim, com a mod&eacute;stia e a tenacidade de sempre, explicito o que me move em coletivo e em que marco de id&eacute;ias as palavras aqui expressas se encontram. O debate aqui tra&ccedil;ado visa o empoderamento dos operadores reais da pol&iacute;tica, conceituados por n&oacute;s como <u>agentes sociais<\/u>. O artigo e o conjunto da obra (da trilogia, da difus&atilde;o e das an&aacute;lises) visa aproximar nossa vis&atilde;o a partir das realidades apreendidas (real experimentado e j&aacute; pr&eacute;-formado pelas identidades e alteridades coletivas) pelas classes mais pobres da sociedade &#8211; cuja defini&ccedil;&atilde;o geral, segundo nossa caracteriza&ccedil;&atilde;o &eacute; de classes oprimidas &ndash; e cujos setores de classe com possibilidade de serem organizados conceituamos como <u>sujeitos sociais<\/u>. Eis a assertiva (de minha autoria): <\/p>\n<p>&ldquo;<u>Sujeitos sociais s&atilde;o Agentes (operando no n&iacute;vel de incid&ecirc;ncia pol&iacute;tico, pol&iacute;tico-social ou social) organizam e incidem sobre Sujeitos. Na aus&ecirc;ncia destes agentes concretos e sem um sujeito realmente existente, n&atilde;o h&aacute; nada que se organize<\/u>.&rdquo; <\/p>\n<p>Ou seja, &eacute; necess&aacute;rio ter uma forma&ccedil;&atilde;o social concreta, historicamente constitu&iacute;da, dotada de identidade e sentido coletivo (mesmo que latente) para que possa ser organizada no sentido da acumula&ccedil;&atilde;o de parcelas de poder pr&oacute;prio. Eis o porqu&ecirc; desta Teoria necessariamente atravessar o debate da cultura pol&iacute;tica e da composi&ccedil;&atilde;o do tecido social organizado, e para tal, passa pelo conceito de capital social. <\/p>\n<p>Procura-se dar um combate franco e em campo aberto. Vai-se de encontro do c&iacute;rculo &ldquo;virtuoso&rdquo; e auto referenciado pelos pr&oacute;prios pares dentro do campo universit&aacute;rio. Repetimos que, a busca &eacute; pela formula&ccedil;&atilde;o de um entramado te&oacute;rico que seja operacional a partir da posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica das classes oprimidas. Assim, contribui-se para aproximar a academia para com as realidades subalternas, ajudando na diminui&ccedil;&atilde;o do hiato no centro de saber para com a sociedade. Esta Teoria (a da Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica) e o esfor&ccedil;o do qual ela &eacute; parte visa tornar acess&iacute;veis conceitos operacionais, municiadores de capacidades para o processo de decis&atilde;o daqueles que operam a pol&iacute;tica de dentro das classes oprimidas. <\/p>\n<p>\nEste artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michel Foucault (1926-1984) e a Matriz de pensamento onde este se situa, nos aponta a dimens\u00e3o estrat\u00e9gica do conhecimento, proporcionando para a an\u00e1lise pol\u00edtica aplicada nos terrenos latino-americanos, a liberdade de pensamento e a operacionalidade de conceitos anos luz \u00e0 frente da panac\u00e9ia auto-referenciada e pouca ou nenhuma capacidade de incid\u00eancia a n\u00e3o ser como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}