{"id":1118,"date":"2009-11-06T14:54:52","date_gmt":"2009-11-06T14:54:52","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1118"},"modified":"2009-11-06T14:54:52","modified_gmt":"2009-11-06T14:54:52","slug":"a-repressao-contra-a-fag-yeda-acerta-no-que-ve-e-atinge-o-que-nao-conseguia-enxergar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1118","title":{"rendered":"A repress\u00e3o contra a FAG. Yeda acerta no que v\u00ea e atinge o que n\u00e3o conseguia enxergar!"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/logo_fag.jpg\" title=\"A repress\u00e3o do governo neoliberal do estado do RS n\u00e3o impediu o contra-ataque p\u00fablico e pol\u00edtico da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha. A repercuss\u00e3o superou as expectativas e aponta um crescimento ainda maior a partir do in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano.  - Foto:anarkismo.net\" alt=\"A repress\u00e3o do governo neoliberal do estado do RS n\u00e3o impediu o contra-ataque p\u00fablico e pol\u00edtico da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha. A repercuss\u00e3o superou as expectativas e aponta um crescimento ainda maior a partir do in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano.  - Foto:anarkismo.net\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A repress\u00e3o do governo neoliberal do estado do RS n\u00e3o impediu o contra-ataque p\u00fablico e pol\u00edtico da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha. A repercuss\u00e3o superou as expectativas e aponta um crescimento ainda maior a partir do in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:anarkismo.net<\/small><\/figure>\n<p>06 de novembro de 2009, da Vila Setembrina da fra&ccedil;&atilde;o do Rio Grande que nunca se rende, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>A tarde de 5&ordf; feira, dia 29 de outubro de 2009, marcou a hist&oacute;ria recente da pol&iacute;tica do Rio Grande do Sul. Neste dia, a sede da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Ga&uacute;cha (FAG) em Porto Alegre foi alvo de uma batida policial civil, que devidamente munida de mandado de Justi&ccedil;a (estadual, por suposto), partira em dilig&ecirc;ncia para este endere&ccedil;o. O motivo, uma entrada de queixa crime por cal&uacute;nia, inj&uacute;ria e difama&ccedil;&atilde;o de parte da pr&oacute;pria governadora de estado, a economista Yeda Rorato Crusius (PSDB), que entrara como pessoa f&iacute;sica. As p&aacute;ginas que seguem expressam o ocorrido se aproximando do ponto de vista dos atacados e apresenta uma das interpreta&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de serem aceitas para explicar o porqu&ecirc; de procedimento discricion&aacute;rio. O foco &eacute; a batalha pelos direitos pol&iacute;ticos de um coletivo contra o resguardo da imagem pessoal, alvo prim&aacute;rio das batalhas pol&iacute;tico-midi&aacute;ticas da contemporaneidade. Por suposto, a liberdade de express&atilde;o e a pol&iacute;tica como ferramenta de mobiliza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o em jogo tamb&eacute;m. O neoliberalismo selvagem que vem tomando conta das entranhas do aparelho de Estado no Rio Grande necessita de um Executivo forte, autorit&aacute;rio e discricion&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>O ocorrido <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNaquela tarde foi deflagrada a execu&ccedil;&atilde;o pela Pol&iacute;cia Civil do Rio Grande do Sul de dois mandados judiciais de busca e apreens&atilde;o em dois lugares simult&acirc;neos. Uma equipe da Civil &ndash; que nos estados oficia de pol&iacute;cia judici&aacute;ria &#8211; foi em dilig&ecirc;ncia contra a sede p&uacute;blica da FAG (na Cidade Baixa, bairro bo&ecirc;mio pr&oacute;ximo do Centro de Porto Alegre) e, outra, partiu rumo ao endere&ccedil;o de hospedagem do portal vermelhoenegro.org (onde se congregam as federa&ccedil;&otilde;es e grupos estaduais aliados no Foro do Anarquismo Organizado, FAO) localizado na cidade de Gravata&iacute;, Regi&atilde;o Metropolitana da capital ga&uacute;cha. Em tais ordens judiciais constava a autoriza&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio Estadual de recolhimento de material impresso de propaganda, computador (CPU), mem&oacute;ria (back up) e demais objetos relacionados &agrave; queixa criminal. Ressalte-se que a queixa, segundo o apurado, foi da pr&oacute;pria governadora como pessoa f&iacute;sica. <\/p>\n<p>O motivo, segundo a ordem judicial, foi a campanha de cartazes colados nas ruas do estado do Rio Grande do Sul e de difus&atilde;o eletr&ocirc;nica atrav&eacute;s de um portal de internet, cujo mote deriva do assassinato do colono sem-terra Eltom Brum da Silva. Yeda se sentira lesada em sua imagem porque se lhe atribu&iacute;a o termo de &ldquo;assassina&rdquo;, como sendo respons&aacute;vel pol&iacute;tica pela viol&ecirc;ncia promovida pela Brigada Militar (BM, pol&iacute;cia militar do Rio Grande do Sul) quando na manh&atilde; de 21 de agosto, um sem-terra foi alvejado com tiros de balins pelas costas. A dilig&ecirc;ncia seria ent&atilde;o para se municiar de provas materiais, corroborando a queixa, e justificando assim o processo contra os respons&aacute;veis de dita campanha. Como j&aacute; disse acima, na era da pol&iacute;tica midi&aacute;tica, uma arte final de cartaz tem um peso consider&aacute;vel. <\/p>\n<p>De acordo com testemunho de vizinhos da rua, os agentes do Estado inicialmente tentaram arrombar o port&atilde;o, j&aacute; que a sede estava fechada naquele momento. Ap&oacute;s a entrada no local, mediante a leitura do mandado, iniciaram a busca no interior do im&oacute;vel por cartazes, boletins informativos e demais documentos ao mesmo tempo em que desligaram o telefone, alegando que durante aquela execu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se pode usar tal meio. Um dos fatos relevantes &eacute; que, al&eacute;m do cartaz requerido pela ordem judicial, teriam sido levados os arquivos de outras produ&ccedil;&otilde;es impressas de opini&atilde;o pol&iacute;tica e informa&ccedil;&atilde;o assim como um arquivo de cartazes outros. Um deles reivindicava a sa&iacute;da da governadora, cujo mandato est&aacute; atravessado por casos de den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o e situa&ccedil;&otilde;es limite, como a da morte de seu ex-representante em Bras&iacute;lia, Marcelo Cavalcante. Ao mesmo tempo, o impresso, associava a imagem e gest&atilde;o da economista neocl&aacute;ssica (neoliberal e neoinstitucionalista por tabela) denunciando-a por entreguista, devido &agrave; inger&ecirc;ncia do Banco Mundial no seu projeto pol&iacute;tico. <\/p>\n<p>Assim, se o problema fosse buscar provas de campanhas injuriosas contra o governo constitu&iacute;do atrav&eacute;s de uma margem de votos de cerca de 5% no segundo turno de 2006, o recolhimento de impressos j&aacute; bastaria. Mas, conforme foi amplamente divulgado pelos meios alternativos do sul do Brasil, a dilig&ecirc;ncia levara, al&eacute;m de material de gr&aacute;fica e serigrafia, tamb&eacute;m a documentos internos da FAG, atas de reuni&otilde;es e documenta&ccedil;&atilde;o em geral da vida interna da Federa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m daquilo que constava no mandado, foram apreendidos outros documentos n&atilde;o relacionados ao fato, assim como discos de arquivo de backup e do pr&oacute;prio CPU. Perguntavam por armas e drogas, numa tentativa de criminaliza&ccedil;&atilde;o. Nem a lixeira escapou. Teriam inquirido aos militantes ali presentes sobre quem toma as decis&otilde;es, quem s&atilde;o os respons&aacute;veis, como funciona a FAG, se tem registro jur&iacute;dico formal enquanto associa&ccedil;&atilde;o ou entidade. Para uma a&ccedil;&atilde;o de danos morais, a opera&ccedil;&atilde;o est&aacute; mais para pol&iacute;cia pol&iacute;tica, ainda que (por enquanto) de intimida&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o de repress&atilde;o f&iacute;sica. <\/p>\n<p>Simultaneamente, buscaram tamb&eacute;m, com um segundo mandado semelhante, o endere&ccedil;o e o respons&aacute;vel pela p&aacute;gina da internet. Parece evidente que a pe&ccedil;a jur&iacute;dica tentava criminalizar o encarregado t&eacute;cnico da p&aacute;gina, um trabalhador aut&ocirc;nomo que simplesmente presta servi&ccedil;os para o coletivo gestor da p&aacute;gina. Como o mesmo n&atilde;o foi localizado, foi levado &agrave; 17&ordf; delegacia da capital o titular do endere&ccedil;o do portal. Este tampouco &eacute; membro ativo da Federa&ccedil;&atilde;o, mas ainda assim foi apreendido neste local em Gravata&iacute; tamb&eacute;m o CPU do seu computador e um palm-top de uso pessoal. E, tal e como em Porto Alegre, a pol&iacute;cia judici&aacute;ria apreendeu arquivos de documentos hist&oacute;ricos da FAG, que permaneciam l&aacute; guardados ao longo dos anos, tais como cartazes, revistas e informativos diversos. Qual o intuito? Procedimento de rotina ou a determina&ccedil;&atilde;o superior de conseguir dados e controle interno de uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que joga por fora da disputa parlamentar? <\/p>\n<p>Ap&oacute;s as dilig&ecirc;ncias e apreens&otilde;es foram ent&atilde;o identificadas e levadas quatro pessoas para interrogat&oacute;rio na 17&ordf; delegacia de Pol&iacute;cia Civil em Porto Alegre. Outros testemunhos ainda ficaram de comparecer de modo que o delegado titular do inqu&eacute;rito possa conclu&iacute;-lo em curto tempo. Pela l&oacute;gica, alguns indiv&iacute;duos podem vir a ser acusados. Resta saber a dimens&atilde;o e a caracteriza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do processo. O resultado pol&iacute;tico &eacute; multiplicado, isto porque o r&eacute;u num caso desses, ao contr&aacute;rio de boa parte do secretariado e dos ocupantes de postos de 1&ordm;, 2&ordm; e 3&ordm; escal&atilde;o que passou pelo Piratini neste governo e no anterior, n&atilde;o se trata de r&eacute;u por corrup&ccedil;&atilde;o e sim por expressar uma opini&atilde;o pol&iacute;tica. Com toda certeza, se isto vier a ocorrer, Yeda ter&aacute; fomentado uma campanha de tipo solidariedade militante sem precedente na hist&oacute;ria contempor&acirc;nea do estado ga&uacute;cho. <\/p>\n<p><strong>Yeda atirou no que viu e acertou no que n&atilde;o enxergou <br \/>\n<\/strong><br \/>\nUma vez que a governadora se livrara da fun&ccedil;&atilde;o de r&eacute; no processo de investiga&ccedil;&atilde;o federal da Opera&ccedil;&atilde;o Rodin (corrup&ccedil;&atilde;o do Detran-RS), conseguira manter a maioria para o abafa e engavetamento do Relat&oacute;rio do Impeachment e ao mesmo tempo, desempodera e esvazia a CPI da Corrup&ccedil;&atilde;o, viu-se desimpedida e apta para a contra-ofensiva. Safou-se no Judici&aacute;rio Federal e usou da maioria para ganhar na &ldquo;mui nobre, leal e valorosa&rdquo; Assembl&eacute;ia Legislativa do RS. Estava na hora do troco. Um bom come&ccedil;o seria atacar uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica menos midi&aacute;tica, de tipo n&atilde;o parlamentar, e com menos visibilidade por n&atilde;o contar com postos de governo ou representa&ccedil;&atilde;o, fruto de sua linha ideol&oacute;gica e op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica. Bem, uma organiza&ccedil;&atilde;o desse tipo no RS &eacute; a FAG. &Eacute; o alvo perfeito, considerando inclusive aspectos hist&oacute;ricos de divis&atilde;o no pensamento socialista que remontam &agrave; 1&ordf; Associa&ccedil;&atilde;o Internacional dos Trabalhadores (AIT, reivindicada pelos anarquistas). <\/p>\n<p>O poss&iacute;vel erro de c&aacute;lculo da parte dela e de sua assessoria (ao menos aqueles que ainda conseguem aconselh&aacute;-la) foi pressupor que o tamanho e a op&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica desta organiza&ccedil;&atilde;o implicassem em isolamento e poucos v&iacute;nculos. Justo se deu ao rev&eacute;s. Fruto da inser&ccedil;&atilde;o social e de uma pol&iacute;tica n&atilde;o sect&aacute;ria, embora radical e intolerante com a intermedia&ccedil;&atilde;o parlamentar, sobrou solidariedade para com a FAG. Entidades de ponta como o sindicato de trabalhadores da educa&ccedil;&atilde;o estadual (Cpers-sindicato) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), al&eacute;m da Associa&ccedil;&atilde;o Ga&uacute;cha de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (Abra&ccedil;o-RS), passando pela p&aacute;gina de oposi&ccedil;&atilde;o e de alternativa midi&aacute;tica mais lida do estado (RSurgente.org) imediatamente come&ccedil;aram a mover-se, articular apoios jur&iacute;dicos, chegando at&eacute; a deslocar gente para o local sob dilig&ecirc;ncia. Tal foi o caso da presidenta e vice do Cpers, que se dirigiram &agrave; sede da Federa&ccedil;&atilde;o (pr&oacute;ximo ao Centro de Porto Alegre) e logo ap&oacute;s acompanharam os militantes anarquistas &agrave; 17&ordf; delegacia. N&atilde;o se trata de pouca monta, considerando que o Cpers tem mais de 90 mil afiliados e &eacute; o maior sindicato do Rio Grande. <\/p>\n<p>O maior movimento popular da Am&eacute;rica Latina tamb&eacute;m se moveu. O MST divulgou nota oficial de rep&uacute;dio ao atropelo e solidariedade, e p&ocirc;s o seu jur&iacute;dico &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o (assim como a banca de advocacia que atende o sindicato de educa&ccedil;&atilde;o foi acionada). As r&aacute;dios comunit&aacute;rias acionaram seu correspondente em Porto Alegre, que se dirigira &agrave; DP; e, no caso do RS Urgente, seu editor entrou em contato telef&ocirc;nico com uma das acusadas e postou em sua p&aacute;gina a nota da organiza&ccedil;&atilde;o atacada. Esse foi apenas o come&ccedil;o, sendo enviadas dezenas de notas de solidariedade e gestos de apoio, inclusive em outros pa&iacute;ses, como nos vizinhos Uruguai e Argentina, onde organiza&ccedil;&otilde;es afins em linha pol&iacute;tica tomaram as r&eacute;deas da rede de solidariedade e fizeram circular informa&ccedil;&atilde;o e acionar outros apoios. Do exterior, o ato mais &aacute;gil e not&oacute;rio ocorreu na Espanha, onde a Confedera&ccedil;&atilde;o Geral do Trabalho (CGT) logo um dia depois, realizou um breve ato de protesto na frente da embaixada do Brasil em Madrid. Em uma semana, a lista de solidariedade cresceu de forma espiral, atingindo a pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, Europa, Autr&aacute;lia e EUA. Definitivamente, Yeda errou o alvo. <\/p>\n<p><strong>A l&oacute;gica invertida &ndash; a acusadora passa a perseguir politicamente, o argumento &eacute; a cal&uacute;nia <br \/>\n<\/strong><br \/>\nEntendo que o caso caracteriza uma amea&ccedil;a direta de cerceamento da liberdade de express&atilde;o do jornalismo em seu tom mais pol&iacute;tico e do emprego da comunica&ccedil;&atilde;o alternativa, que vai do muralismo, passando pela agita&ccedil;&atilde;o e propaganda at&eacute; chegar &agrave; internet. Ao cercear a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o por fora dos canais oficiosos (a m&iacute;dia corporativa, palangrista como dizem os venezuelanos), Yeda imagina for&ccedil;ar um consenso constru&iacute;do na base da espiral do sil&ecirc;ncio e do silenciar da oposi&ccedil;&atilde;o diante de repress&atilde;o policial e de certa cumplicidade dos poderes n&atilde;o eleitos mediante a urna da democracia representativa. Assim, sem certo grau de domestica&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio estadual e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do RS, jamais haveria tamanha sanha e auto-confian&ccedil;a no ato de reprimir. Seu governo, seus assessores e aliados pol&iacute;ticos est&atilde;o marcados como alvos de investiga&ccedil;&atilde;o de tipo policial por locupletar-se atrav&eacute;s do controle de partes do aparelho de Estado. A t&iacute;pica P&aacute;tria Contratista como afirma os brilhantes jornalistas de investiga&ccedil;&atilde;o argentinos. Se inverte a l&oacute;gica, como o foi no caso do banqueiro bandido, Daniel Dantas. A persegui&ccedil;&atilde;o passa a ser ao perseguidor, no caso do Opportunity, o alvo passa a ser o jacobino idealista (delegado Prot&oacute;genes) que pensou poder mudar a sociedade brasileira atrav&eacute;s do Estado que a oprime. Deu no que deu. <\/p>\n<p>No caso da avan&ccedil;ada neoliberal selvagem no Rio Grande, tenho a certeza de que esta campanha p&uacute;blica deflagrada pela FAG dentro do contexto de mobiliza&ccedil;&atilde;o sindical e popular ampla que vem se desenvolvendo h&aacute; pelo menos 1 ano neste estado, irrita profundamente a governadora Yeda Crusius (PSDB). Tanto ela como o seu per&iacute;metro de apoio direto operam &ndash; literalmente &#8211; como bra&ccedil;o pol&iacute;tico-econ&ocirc;mico e &#8211; por for&ccedil;a dos patroc&iacute;nios &#8211; midi&aacute;tico do capital financeiro, s&atilde;o executores de um acordo entreguista; rifando os destinos dos trabalhadores do servi&ccedil;o p&uacute;blico do RS aos desmandos e as pr&aacute;ticas pouco ou nada republicanas das &ldquo;consultorias&rdquo; contratadas para executar este mesmo contrato. Tudo isso a organiza&ccedil;&atilde;o reprimida, a FAG vem denunciando publicamente por todos os meios que lhe s&atilde;o poss&iacute;veis, incluindo a colagem de cartazes nas ruas da capital Porto Alegre e de algumas cidades-p&oacute;lo do estado. Na era da pol&iacute;tica midiatizada, era quase &ldquo;natural&rdquo; a rea&ccedil;&atilde;o do Executivo com ares discricion&aacute;rios. Demorou, mas chegou. <\/p>\n<p>Alega-se, de parte da governadora, que a a&ccedil;&atilde;o de queixa crime e a conseq&uuml;ente interven&ccedil;&atilde;o policial foram motivadas pela defesa da honra. Levanto outra hip&oacute;tese. A meta era responsabilizar um coletivo ou alguns indiv&iacute;duos organizados na Federa&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s a entrada na sede e a apreens&atilde;o de material, tanto o inqu&eacute;rito e posterior processo judicial s&atilde;o contra os indiv&iacute;duos identificados e responsabilizados pela referida campanha p&uacute;blica de difus&atilde;o de opini&atilde;o em nome da FAG sobre o fato do colono sem-terra Eltom Brum da Silva ter sido assassinado por operadores da Brigada Militar, em agosto na fazenda Southall em S&atilde;o Gabriel, na Fronteira Oeste. Neste caso, paira uma suspeita inicial e at&eacute; hoje mal explicada. Segundo o apurado pelo movimento de r&aacute;dios comunit&aacute;rias, recai sobre um oficial de alta patente a poss&iacute;vel autoria dos disparos. Essa desconfian&ccedil;a, a de que o soldado que confessara n&atilde;o &eacute; o verdadeiro autor dos disparos, &eacute; uma hip&oacute;tese refor&ccedil;ada pela carta do Grupo Tortura Nunca Mais de S&atilde;o Paulo dirigida aos ministros Tarso Genro (da Justi&ccedil;a) e Vanucchi (dos Direitos Humanos). Se a a&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria conseguir reabrir o inqu&eacute;rito ou federalizar a investiga&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o o efeito contr&aacute;rio ser&aacute; total. Pessoalmente, em fun&ccedil;&atilde;o de interesses eleitorais na corrida ao Piratini em 2010, duvido que Tarso meta a m&atilde;o nesta seara. Mas, a cancha est&aacute; aberta. <\/p>\n<p>Outro tema complementar &eacute; a responsabiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Uma a&ccedil;&atilde;o da envergadura do despejo do MST na Fazenda Southall n&atilde;o &eacute; de rotina e passa por uma equipe de acompanhamento e gest&atilde;o de crise a servi&ccedil;o do Executivo. Todo ato repressivo desta dimens&atilde;o tem um n&iacute;vel de responsabiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Se os agentes de pol&iacute;cia estadual agem sob orienta&ccedil;&atilde;o do governo de turno, a chefe do Executivo &eacute;, por tanto, a respons&aacute;vel pol&iacute;tica pelo que vier a ocorrer de a&ccedil;&otilde;es derivadas por seus comandados. Este racioc&iacute;nio, exposto na forma de slogan de campanha pol&iacute;tica, embora bastante aplicado nos pa&iacute;ses hermanos, n&atilde;o tem esse costume no Brasil. Por fora da cultura pol&iacute;tica brasileira, que &eacute; conivente com a corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica e estrutural, mas n&atilde;o com as palavras duras do jogo real vindo debaixo, ficou mais f&aacute;cil para Yeda conseguir a ordem judicial para a dilig&ecirc;ncia. A acusa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;assassina&rdquo; ficou forte demais. Passou a valer a pena reprimir. E foi o que aconteceu. <\/p>\n<p>\n<strong>Os poderes estaduais temem a luta pol&iacute;tica dos anarquistas <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO processo por parte da governadora Yeda Crusius contra a FAG tem sua origem por tanto no conte&uacute;do de materiais de comunica&ccedil;&atilde;o visual, ou melhor, de opini&atilde;o e propaganda, os quais ela considera caluniosos, especificamente o termo &ldquo;assasina&rdquo;. Neste caso trata-se de cartazes, panfletos e conte&uacute;do do site da internet narrando os fatos pol&iacute;ticos e opinando sobre uma realidade espec&iacute;fica, a pol&iacute;tica deste governo de turno do Rio Grande do Sul, suas conseq&uuml;&ecirc;ncias e a responsabiliza&ccedil;&atilde;o destas, conforme as pr&oacute;prias regras jur&iacute;dicas vigentes do Estado. <\/p>\n<p>O que pode t&ecirc;-la deixada inquieta &eacute; saber que uma for&ccedil;a pol&iacute;tica extra-parlamentar, consegue apontar com precis&atilde;o os mandantes e respons&aacute;veis dos crimes contra o povo e sua propaganda tem efeitos superiores aos de grupos tamb&eacute;m radicalizados, mas isolados socialmente. Especificamente o epis&oacute;dio do assassinato do sem-terra Eltom Brum da Silva e as an&aacute;lises divulgadas pela FAG sobre os fatos motivaram a queixa de inj&uacute;ria, cal&uacute;nia e difama&ccedil;&atilde;o, da qual se desenrolou mandado judicial de busca e apreens&atilde;o na sede publica da Federa&ccedil;&atilde;o referente aos cartazes ent&atilde;o produzidos e divulgados na semana seguinte ao 21 de Agosto de 2009. Do que ela acusa? De defender com id&eacute;ias e trabalho de base a mem&oacute;ria e o sentido do mart&iacute;rio de mais um sem-terra. Dessa vez o morto foi no estado onde o agro-neg&oacute;cio responde por quase 40% do PIB, tem press&atilde;o de m&iacute;dia favor&aacute;vel, bancada parlamentar pr&oacute;pria e consegue extrair fundo do dinheiro p&uacute;blico estadual sem maiores dificuldades. Uma das micro-regi&otilde;es onde o conflito de terras &eacute; mais acirrado &eacute; justamente na Fronteira Oeste, onde se localiza o munic&iacute;pio de S&atilde;o Gabriel. Al&eacute;m do embate hist&oacute;rico contra o latif&uacute;ndio, o agro-neg&oacute;cio se coloca a servi&ccedil;o da ind&uacute;stria verde, como a da cana de a&ccedil;&uacute;car transg&ecirc;nica no norte do Rio Grande, ou do Deserto Verde &ndash; plantations de eucalipto em escala absurdamente grande. <\/p>\n<p>Quando uma for&ccedil;a pol&iacute;tica que atua por fora do jogo eleitoral de tipo democr&aacute;tico-burgu&ecirc;s consegue fazer parte das pautas generaliz&aacute;veis no estado, j&aacute; demonstra o tamanho suficiente que justifique a sua repress&atilde;o. O mote foi a suposta cal&uacute;nia, e o fato estrutural foi o posicionamento a respeito do futuro do Rio Grande, a soberania popular e seu Bioma Pampa. Vale lembrar, no sul do pa&iacute;s, o trabalhador rural foi covardemente morto com um tiro de calibre 12 pelas costas, havendo inclusive relatos discordantes quanto ao respons&aacute;vel direto pelo assassinato. Nada foi investigado, abrindo caminho para a den&uacute;ncia cl&aacute;ssica. Houvesse jornalistas e n&atilde;o palangristas, e Yeda experimentaria um caminho parecido com o de Richard Nixon. Mas, Bob Woodward n&atilde;o trabalha na esquina da &Eacute;rico Ver&iacute;ssimo com a Ipiranga em Porto Alegre. &Eacute; triste, mas &eacute; verdade. <\/p>\n<p>Retornando &agrave; an&aacute;lise pol&iacute;tica estatal, no topo da cadeia hier&aacute;rquica s&atilde;o os governadores dos estados brasileiros os chefes m&aacute;ximos das pol&iacute;cias, tanto a ostensiva (militar) como a judici&aacute;ria (civil) &#8211; portanto &eacute; a governadora Yeda no Rio Grande do Sul, assim como seria em qualquer outro estado do pa&iacute;s. Mas h&aacute; ainda outras considera&ccedil;&otilde;es importantes. Temas de pol&ecirc;mica e conflito de projetos estruturantes est&atilde;o em jogo. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas implementadas pelos governos s&atilde;o tamb&eacute;m responsabilidade de quem as define e executa, mais uma vez representado no seu chefe, o governador. Ent&atilde;o, temos mais fatos. Al&eacute;m do assassinato de um sem-terra, caracterizado pela pr&oacute;pria m&iacute;dia tradicional (corporativa e comercial) como pol&iacute;tico, mas tamb&eacute;m as conseq&uuml;&ecirc;ncias das pol&iacute;ticas para a educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de p&uacute;blicas, da criminaliza&ccedil;&atilde;o da pobreza e da viol&ecirc;ncia policial exercida sobre os pobres, nas periferias urbanas e no campo, assim como sobre os movimentos sociais e sindicatos s&atilde;o bandeiras leg&iacute;timas que v&aacute;rios setores do povo organizado v&ecirc;m levantando ao longo de meses contra este governo. <\/p>\n<p>A mitologia pol&iacute;tica retro alimenta a contesta&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea. O Rio Grande que nascera da Rep&uacute;blica Comuneira Guarani, hoje vive sob um governo atravessado por r&eacute;us em processos federais. N&atilde;o &eacute; apenas mais um governo de tipo burgu&ecirc;s e neoliberal. &Eacute; um governo burgu&ecirc;s e neoliberal sem limites. Para este analista, &eacute; t&atilde;o devastador para a popula&ccedil;&atilde;o ga&uacute;cha como foram os governos Menem (Argentina, 1989-1998) e Bush Jr. (EUA, 2000-2008). E as propostas e decis&otilde;es v&atilde;o al&eacute;m da pr&oacute;pria Yeda. Vale lembrar que o banco estadual (o Banrisul) foi dilapidado com a venda de 47% de suas a&ccedil;&otilde;es preferenciais; j&aacute; o parlamento estadual, onde o Executivo tem maioria, nesta legislatura aprovou, assinando de forma un&acirc;nime, o contrato entreguista do Banco Mundial sem sequer o ler. Para qualquer organiza&ccedil;&atilde;o de esquerda minimamente respons&aacute;vel isto j&aacute; bastaria para convocar uma Pueblada daquelas! No caso espec&iacute;fico dos anarquistas politicamente organizados na FAG tamanha entrega da soberania popular soou como INTOLER&Aacute;VEL. Vem da&iacute; a motiva&ccedil;&atilde;o para a agressiva propaganda p&uacute;blica e o refor&ccedil;o &ndash; atrav&eacute;s de frentes sociais &ndash; da ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o conhecida como Fora Yeda! <\/p>\n<p>Talvez o que falta para a luta popular brasileira &eacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o vinda do M&eacute;xico, onde se prev&ecirc; o direito a lutar contra um mau governo. Neste caso, entendo que a via mais conseq&uuml;ente seria que a contesta&ccedil;&atilde;o ampliada fosse acompanhada de maior democracia interna nos movimentos populares e sindicais e a partir desse novo caldo de cultura, modificar o modelo de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as na sociedade brasileira. Isto passa por um novo pacto de esquerda, onde o dever comum seria construir uma democracia participativa, onde a igualdade social e econ&ocirc;mica seja a base das liberdades pol&iacute;ticas e da participa&ccedil;&atilde;o direta do povo em suas decis&otilde;es fundamentais. Isto &eacute; o que a FAG ajuda a fazer desde que foi fundada em 18 de novembro de 1995. Isto &eacute; o que Yeda teme. Por isso essa senhora, seu ex-marido, seus secret&aacute;rios de estado e o s&eacute;quito que a acompanha tentam criminalizar os militantes anarquistas. <\/p>\n<p><strong>As lutas contempor&acirc;neas do povo organizado no estado mais ao sul do Brasil <\/p>\n<p><\/strong>No Rio Grande do Sul, desde o m&ecirc;s de mar&ccedil;o de 2008 n&atilde;o existem fatos isolados. O que h&aacute; &eacute; um ac&uacute;mulo de tentativas de criminaliza&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o brutal a todos os setores das classes oprimidas organizados, como por exemplo, na greve dos banc&aacute;rios e dos professores estaduais em 2008, o que resultou na tentativa de criminaliza&ccedil;&atilde;o do Cpers (sindicato dos trabalhadores em educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica), hoje um dos maiores sindicatos da Am&eacute;rica Latina, com mais de 90 mil afiliados. N&atilde;o bastasse impor ao povo ga&uacute;cho uma secret&aacute;ria de educa&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria e ofensiva a comunidade escolar, a forma de gest&atilde;o &eacute; claramente privatizadora, exaurindo os recursos da educa&ccedil;&atilde;o e entregando o or&ccedil;amento para ser complementado pelas funda&ccedil;&otilde;es educacionais, verdadeiras lavanderias de dinheiro e de desvio de imposto. Tampouco posso omitir o processo pol&iacute;tico deflagrado junto ao minist&eacute;rio p&uacute;blico estadual contra o MST, com a clara inten&ccedil;&atilde;o de criminaliz&aacute;-lo. Esta &eacute; a conspira&ccedil;&atilde;o oficial que deu origem ao assassinato de Eltom Brum e que agora tenta incriminar a FAG. <\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio da m&iacute;dia corporativa tamb&eacute;m &eacute; c&uacute;mplice. O que est&aacute; fora da pauta das lutas e do monop&oacute;lio da m&iacute;dia ga&uacute;cha, capitaneado pelo Grupo RBS (alvo de den&uacute;ncia do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal de Canoas), s&atilde;o os efeitos a curto, m&eacute;dio e longo prazo do empr&eacute;stimo com o Banco Mundial. Neste contrato absurdo e vende p&aacute;tria, endossado pelo governo de Lula, consta, por exemplo, o regime de caixa e a inger&ecirc;ncia de consultores estrangeiros no or&ccedil;amento p&uacute;blico do RS. Outro intento de vender o Rio Grande &eacute; na liquida&ccedil;&atilde;o do Bioma Pampa entregando as terras mais f&eacute;rteis do pa&iacute;s para plantar eucalipto e produzir pasta de celulose destinada a fabricar papel higi&ecirc;nico na Europa! A mesma rela&ccedil;&atilde;o desigual se d&aacute; no tema da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, quando o Estado entra para favorecer o latif&uacute;ndio na forma de &ldquo;agroneg&oacute;cio&rdquo; e relega a agricultura camponesa e familiar &agrave; pen&uacute;ria e a pobreza. J&aacute; os capitais da ind&uacute;stria, liderados pela gigante Gerdau (diversas vezes beneficiada com subs&iacute;dios estatais e estaduais) j&aacute; t&ecirc;m seu plano estrat&eacute;gico no RS, babando para abocanhar os direitos adquiridos pelos trabalhadores e publicamente divulgados na chamada Agenda 2020. <\/p>\n<p>Nesta breve an&aacute;lise n&atilde;o se pode desconsiderar o papel das elites dirigentes e nem da classe de intermedi&aacute;rios pol&iacute;ticos tradicionais como agentes importantes nas decis&otilde;es pol&iacute;ticas e da sua influ&ecirc;ncia no jogo de interesses que caracteriza qualquer governo de qualquer Estado. Aqui no RS, hoje est&atilde;o fundidos os interesses dos latifundi&aacute;rios e do agroneg&oacute;cio e toda sua cadeia depredat&oacute;ria, como a ind&uacute;stria da celulose, o deserto verde, a explora&ccedil;&atilde;o das reservas de &aacute;gua, a tentativa de criminaliza&ccedil;&atilde;o do MST, o fechamento das escolas itinerantes dos assentamentos, etc. Tamb&eacute;m est&atilde;o em jogo os interesses daqueles que vivem do roubo sistem&aacute;tico contra o povo, da corrup&ccedil;&atilde;o institucionalizada, da banca estelionat&aacute;ria e criminosa, da velha ordem de tirar vantagem com o patrim&ocirc;nio coletivo, de desprezar o povo e fundamentalmente seus direitos e sua capacidade de rebelar-se. Afinal s&atilde;o in&uacute;meras as den&uacute;ncias e evid&ecirc;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o escandalosa assim como foram muitas as tentativas de desqualificar e impedir os sindicatos, as categorias e movimentos sociais de manifestarem seu rep&uacute;dio, sua opini&atilde;o. <\/p>\n<p>No que diz respeito aos trabalhadores do servi&ccedil;o p&uacute;blico, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito grave. O gerencialismo &eacute; uma das marcas desse governo que mandou a Pol&iacute;cia Civil invadir a sede da FAG. A pol&iacute;tica de retirada de direitos dos trabalhadores, muitos deles conquistas hist&oacute;ricas e orgulhosamente iniciados nas lutas dos sindicatos de resist&ecirc;ncia h&aacute; mais de cem anos, n&atilde;o &eacute; exclusiva do governo LULA. <\/p>\n<p>No RS o governo Yeda Crusius tomou e vem tomando v&aacute;rias medidas de cerceamento, repress&atilde;o e criminaliza&ccedil;&atilde;o contra os professores estaduais e seu o sindicato (CPERS), assim como de seus dirigentes. As escolas p&uacute;blicas estaduais passaram a ser um neg&oacute;cio entre o governo e organiza&ccedil;&otilde;es privadas, as OSCIPS (organiza&ccedil;&otilde;es sociais de interesse p&uacute;blico; na pr&aacute;tica empresas privadas substituindo o Estado), com sua l&oacute;gica de gest&atilde;o e seus interesses, onde quem ganha s&atilde;o os de sempre e quem perde &eacute; o povo. As conquistas de d&eacute;cadas de lutas das categorias dos trabalhadores da educa&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m sendo combatidas arduamente pela atual pol&iacute;tica para a educa&ccedil;&atilde;o no governo estadual, antes tamb&eacute;m personificado na figura de Mariza Abreu, ex-secret&aacute;ria de educa&ccedil;&atilde;o, logo tamb&eacute;m respons&aacute;vel pelas suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. A meta esta quase por ser aprovada. Rebaixar o sal&aacute;rio base e implantar a remunera&ccedil;&atilde;o por &ldquo;produtividade&rdquo;; medida esta que permite se jogar os trabalhadores uns contra os outros e enfraquece ainda mais a representa&ccedil;&atilde;o sindical. <\/p>\n<p>&Eacute; esta a conjuntura que marca a repress&atilde;o contra a Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Ga&uacute;cha. <\/p>\n<p>\n<strong>O contra-ataque: ato p&uacute;blico na esquina democr&aacute;tica, marcha pela Borges e ato pol&iacute;tico no Quilombo das Artes. E agora? <\/p>\n<p><\/strong>Em meio ao desenrolar do inqu&eacute;rito, nos dias fren&eacute;ticos que se seguiram, deram-se situa&ccedil;&otilde;es interessantes. Analiso que o movimento de solidariedade para com a FAG ultrapassa o rep&uacute;dio que as entidades de movimento popular e a esquerda em geral tem ao governo neoliberal e acusado de corrup&ccedil;&atilde;o e opera como um reconhecimento ao trabalho desta organiza&ccedil;&atilde;o. Tanto no sentido da inser&ccedil;&atilde;o como forma de empoderamento dos sujeitos sociais organizados (retirando assim poder dos intermedi&aacute;rios profissionais) como na efetiva pol&iacute;tica de unidade em luta e n&atilde;o sectarismo est&eacute;ril. <\/p>\n<p>Isto se fez ver na 3&ordf; dia 03 de novembro, quando &agrave;s 18 horas, ap&oacute;s um temporal, quase uma centena de pessoas de distintas agrupa&ccedil;&otilde;es mais &agrave; esquerda, se encontraram na Esquina Democr&aacute;tica, centro de Porto Alegre, para, debaixo de uma garoa incessante, participar de um ato pol&iacute;tico de desagravo a repress&atilde;o sofrida pela FAG. Na seq&uuml;&ecirc;ncia do ato, houve uma breve marcha pela Borges rumo ao Quilombo das Artes, espa&ccedil;o cultural da Comunidade Aut&ocirc;noma Utopia e Luta, onde se realizou o ato pol&iacute;tico. Ao n&atilde;o mudar o estilo de trabalho, se demonstra para os poderes do Estado que a intimida&ccedil;&atilde;o oficial n&atilde;o dera resultado. Se por um lado o titular da 17&ordf; DP ainda n&atilde;o concluiu o inqu&eacute;rito, o que deixa margem para hip&oacute;teses no campo jur&iacute;dico, por outro, no que &eacute; estritamente pol&iacute;tica, a campanha em solidariedade est&aacute; fortalecida e tentando reabrir o inqu&eacute;rito policial da investiga&ccedil;&atilde;o do assassinato do colono sem-terra Eltom Brum. Com certeza, aumentou a legitimidade da FAG e a organiza&ccedil;&atilde;o sai fortalecida do epis&oacute;dio. E agora? <\/p>\n<p>Concluo apontando algumas vari&aacute;veis. E se os ativistas de direitos humanos conseguirem reabrir o inqu&eacute;rito do assassinato de Eltom, como fica a c&uacute;pula da seguran&ccedil;a p&uacute;blica no RS? O que far&aacute; o governo Yeda Crusius? Vai redobrar a aposta? Vai apontar para outro alvo, talvez este n&atilde;o pol&iacute;tico espec&iacute;fico, mas social, e por sua natureza, de maior envergadura? <\/p>\n<p>A &uacute;nica certeza &eacute; de que esta Outra Campanha, por temas estrat&eacute;gicos e de longo prazo, como a defesa do Bioma Pampa e brecar a venda do Rio Grande para o Banco Mundial, n&atilde;o vai cessar nem durante a corrida eleitoral de 2010. Parte disso &eacute; m&eacute;rito pol&iacute;tico da FAG, reconhecido inclusive pela operadora neoliberal, quando esta decide reprimir a organiza&ccedil;&atilde;o. Como disse acima, acerta no que v&ecirc; e atinge aquilo que antes n&atilde;o enxergava. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=27266\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A repress\u00e3o do governo neoliberal do estado do RS n\u00e3o impediu o contra-ataque p\u00fablico e pol\u00edtico da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha. A repercuss\u00e3o superou as expectativas e aponta um crescimento ainda maior a partir do in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano. 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