{"id":1120,"date":"2009-11-11T17:10:14","date_gmt":"2009-11-11T17:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1120"},"modified":"2009-11-11T17:10:14","modified_gmt":"2009-11-11T17:10:14","slug":"o-muro-caiu-e-deixou-sua-heranca-maldita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1120","title":{"rendered":"O Muro caiu e deixou sua heran\u00e7a maldita"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/muroberlim.jpg\" title=\"O Muro representou o absurdo de uma pot\u00eancia imperial que, em nome de alguma forma de Capitalismo de Estado mal apelidado de Socialismo, haver desenvolvido um mecanismo de sociedade de controle acima dos direitos de toda e qualquer forma de manifesta\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. As id\u00e9ias de justi\u00e7a social e liberdade pol\u00edtica est\u00e3o sendo reinventadas e redescobertas, superando as premissas fracassadas da autoridade inquestion\u00e1vel.  - Foto:troll-urbano\" alt=\"O Muro representou o absurdo de uma pot\u00eancia imperial que, em nome de alguma forma de Capitalismo de Estado mal apelidado de Socialismo, haver desenvolvido um mecanismo de sociedade de controle acima dos direitos de toda e qualquer forma de manifesta\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. As id\u00e9ias de justi\u00e7a social e liberdade pol\u00edtica est\u00e3o sendo reinventadas e redescobertas, superando as premissas fracassadas da autoridade inquestion\u00e1vel.  - Foto:troll-urbano\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O Muro representou o absurdo de uma pot\u00eancia imperial que, em nome de alguma forma de Capitalismo de Estado mal apelidado de Socialismo, haver desenvolvido um mecanismo de sociedade de controle acima dos direitos de toda e qualquer forma de manifesta\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. As id\u00e9ias de justi\u00e7a social e liberdade pol\u00edtica est\u00e3o sendo reinventadas e redescobertas, superando as premissas fracassadas da autoridade inquestion\u00e1vel. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:troll-urbano<\/small><\/figure>\n<p>&nbsp;4&ordf;, 11 de novembro de 2009, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Na segunda-feira dia 09 de novembro cumprem vinte anos da derrubada, a marretadas, do Muro de Berlim, erguido as pressas em 1961. A atual gera&ccedil;&atilde;o de jovens (entre dezoito e vinte e cinco anos) tem pouca ou nenhuma no&ccedil;&atilde;o desses significados para a pol&iacute;tica contempor&acirc;nea. Afirmo isso baseado em minha pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia recente na doc&ecirc;ncia universit&aacute;ria, trabalhando tamb&eacute;m com especializa&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. <\/p>\n<p>O t&eacute;rmino da URSS veio ap&oacute;s a rea&ccedil;&atilde;o popular ao &uacute;ltimo suspiro stalinista na forma de golpe militar em agosto 1991. Com o fim da Guerra Fria, a derrota e a dissolu&ccedil;&atilde;o da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica (URSS), concretizada entre agosto e dezembro de 1991, jogaram na vala comum as id&eacute;ias de igualdade e durante uma d&eacute;cada, foi associada a democracia liberal como &uacute;nica forma de regime democr&aacute;tico. A partir da derrota e posterior dissolu&ccedil;&atilde;o da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica culmina um processo onde propositadamente se confunde a plataforma da igualdade com inefici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e id&eacute;ias ultrapassadas.<\/p>\n<p>Muita besteira foi dita, como o Fim da Hist&oacute;ria e a irredut&iacute;vel marcha da humanidade rumo &agrave; mundializa&ccedil;&atilde;o do capitalismo. Nem tudo foi ou &eacute; t&atilde;o simplista, sendo que a Queda do Muro foi comemorada por v&aacute;rios setores da esquerda, cr&iacute;ticos contumazes daquele Estado totalit&aacute;rio. <\/p>\n<p>O senso comum, bombardeado pelas ind&uacute;strias de bens simb&oacute;licos (m&iacute;dia corporativa) em geral, percebe apenas o efeito da chamada Globaliza&ccedil;&atilde;o das Corpora&ccedil;&otilde;es, como a materializa&ccedil;&atilde;o da vit&oacute;ria pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e militar dos EUA e o bloco da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (OTAN). Isto gera uma s&eacute;rie de equ&iacute;vocos e d&eacute;ficits na forma&ccedil;&atilde;o daqueles que est&atilde;o na lida pol&iacute;tica cotidiana e a cidadania brasileira paga o pre&ccedil;o por esta lacuna. O problema se nota em dois exemplos. Um, confundir a pol&iacute;tica de esquerda essencialmente com a maior interven&ccedil;&atilde;o do Estado na economia. Outro relaciona este campo do pensamento apenas com totalitarismo e partido &uacute;nico. Traduzem-se conceitos mal explicados em chav&otilde;es e r&oacute;tulos de pouca ou nenhuma profundidade. Apenas para exemplificar o volume das bobagens, tem muito analista pol&iacute;tico por a&iacute; dizendo que &ldquo;tal pol&iacute;tico &eacute; de esquerda porque defende maior interven&ccedil;&atilde;o do Estado na economia capitalista&rdquo;. Bem, por esse conceito torto, Franklin Delano Roosevelt tamb&eacute;m seria de &ldquo;esquerda&rdquo;. <\/p>\n<p>Estes equ&iacute;vocos s&atilde;o uma parte da heran&ccedil;a maldita da Cortina de Ferro. O senso comum associa ao pensamento distributivista e igualit&aacute;rio &agrave;s caracter&iacute;sticas de uma sociedade governada sob ditaduras de inspira&ccedil;&atilde;o marxista. Esta &eacute; uma verdade apenas parcial. Nem todo socialismo &eacute; ditatorial e menos ainda marxista. &Eacute; certo que o marxismo &#8211; com todas as suas deriva&ccedil;&otilde;es &#8211; foi o pensamento majorit&aacute;rio nas esquerdas. Mas est&aacute; longe de ser o &uacute;nico. Os embates no interior do campo socialista come&ccedil;am em 1848 e culminam no racha entre federalistas (anarquistas) e centralistas (marxistas) na 1&ordf; Associa&ccedil;&atilde;o Internacional dos Trabalhadores (AIT, 1864-1871). <\/p>\n<p>J&aacute; no s&eacute;culo XIX o problema da liberdade e da via estatal dividia &aacute;guas. E, justi&ccedil;a seja feita, tudo o que aconteceu nas sociedades governadas pela Nomenklatura como classe dominante foi previsto pelos opositores de Marx dentro da AIT. Dito e feito. Ao desdenhar do problema da liberdade e centralizar as decis&otilde;es em gestores profissionais baseados em uma doutrina com pretens&atilde;o &ldquo;cient&iacute;fica&rdquo;, a sociedade passa a ser apenas um objeto de controle e n&atilde;o sujeitos a serem emancipados atrav&eacute;s da gest&atilde;o direta no mundo do trabalho, da cultura, da pol&iacute;tica e do lazer. <\/p>\n<p>Entendo que &eacute; urgente resgatar a cr&iacute;tica ao totalitarismo por esquerda para se contrapor a sua falsa alternativa, o pensamento &uacute;nico de base neoliberal. A associa&ccedil;&atilde;o vulgar dissemina a cren&ccedil;a de que &ldquo;concorr&ecirc;ncia&rdquo; de mercado &eacute; sin&ocirc;nimo de liberdade pol&iacute;tica. N&atilde;o &eacute;. O primeiro Estado que a ortodoxia neoliberal toma de assalto &eacute; o Chile de Pinochet. Os economistas chilenos formados por Milton Friedman, apelidados de Chicago Boys, tornaram real o autoritarismo de mercado. <\/p>\n<p>Em parte o problema continua. O regime ditatorial da China comprova que a ditadura de partido &uacute;nico e controle da sociedade entram em &ldquo;harmonia&rdquo; perfeita com as grandes transnacionais. Sua classe dominante, os mandarins do Partido, s&atilde;o dubl&ecirc;s de empres&aacute;rios e interdependentes economicamente dos Estados Unidos. Isso pode ser tudo, menos a express&atilde;o societ&aacute;ria da liberdade pol&iacute;tica com distribui&ccedil;&atilde;o de renda e poder. <\/p>\n<p>Est&aacute; mais do que provado. Uma sociedade justa n&atilde;o pode ser baseada nem na competi&ccedil;&atilde;o e tampouco em nenhuma forma de pensamento &uacute;nico. Vejo dois desafios fundamentais para as esquerdas atuais. Um &eacute; aprofundar as formas de democracia social com participa&ccedil;&atilde;o direta nas decis&otilde;es fundamentais. Outro &eacute; livrar-se de vez de toda a heran&ccedil;a maldita do extinto Bloco Sovi&eacute;tico e suas deriva&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Muro representou o absurdo de uma pot\u00eancia imperial que, em nome de alguma forma de Capitalismo de Estado mal apelidado de Socialismo, haver desenvolvido um mecanismo de sociedade de controle acima dos direitos de toda e qualquer forma de manifesta\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. 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