{"id":1121,"date":"2009-11-14T23:53:20","date_gmt":"2009-11-14T23:53:20","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1121"},"modified":"2009-11-14T23:53:20","modified_gmt":"2009-11-14T23:53:20","slug":"a-matriz-estruturalista-na-ciencia-social-aplicada-na-america-latina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1121","title":{"rendered":"A Matriz Estruturalista na ci\u00eancia social aplicada na Am\u00e9rica Latina \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mujereszapatistas.jpg\" title=\"O levante dos povos origin\u00e1rios de Chiapas, M\u00e9xico; caracteriza a nova etapa de luta e resist\u00eancia dos sujeitos sociais latino-americanos, e demarca o terreno onde esta Matriz Estruturalista, renovada e contempor\u00e2nea, se aplica no Continente.  - Foto:mujeresporlademocracia\" alt=\"O levante dos povos origin\u00e1rios de Chiapas, M\u00e9xico; caracteriza a nova etapa de luta e resist\u00eancia dos sujeitos sociais latino-americanos, e demarca o terreno onde esta Matriz Estruturalista, renovada e contempor\u00e2nea, se aplica no Continente.  - Foto:mujeresporlademocracia\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O levante dos povos origin\u00e1rios de Chiapas, M\u00e9xico; caracteriza a nova etapa de luta e resist\u00eancia dos sujeitos sociais latino-americanos, e demarca o terreno onde esta Matriz Estruturalista, renovada e contempor\u00e2nea, se aplica no Continente. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:mujeresporlademocracia<\/small><\/figure>\n<p>14 de novembro de 2009, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Neste segundo artigo, aponto a materialidade das experi&ecirc;ncias inaugurais que marcam, segundo minha an&aacute;lise, um novo per&iacute;odo na luta social latino-americana e onde pode ser perfeitamente localizada a base da Matriz Estruturalista aplicada na Teoria da Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica. <\/p>\n<p>Para aplicar esta proposta, a de um estudo estrat&eacute;gico embasado em uma nova teoria de m&eacute;dio alcance, &eacute; necess&aacute;rio um <u>terreno.<\/u> Entendemos que n&atilde;o se faz pol&iacute;tica nem tampouco se analisa a pol&iacute;tica fora do mundo real e concreto. Para isto, s&atilde;o necess&aacute;rios quatro elementos que comp&otilde;em o terreno: sociedades concretas; um recorte de espa&ccedil;o geogr&aacute;fico; linha de tempo (para infer&ecirc;ncia) e experi&ecirc;ncias formuladoras de id&eacute;ias-guia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O recorte propriamente dito &eacute; onde se aplicam as hip&oacute;teses e infer&ecirc;ncias apontadas ao longo do texto. Isto &eacute;, o continente chamado de Am&eacute;rica Latina e especificamente nas experi&ecirc;ncias de supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo e do Consenso de Washington. Este recorte tem como bases de in&iacute;cio das experi&ecirc;ncias &ndash; arbitr&aacute;rio por suposto, como todo corte &ndash; a duas passagens do cen&aacute;rio pol&iacute;tico latino-americano dos anos 1990. Uma &eacute; o chamado Levante Zapatista ocorrido no estado de Chiapas, sul do M&eacute;xico, em 1&ordm; de janeiro de 1994. Outra experi&ecirc;ncia marcante &eacute; a derrubada do presidente equatoriano Abdala Bucaram Ortiz em 5 de fevereiro de 1997, com apenas seis meses de mandato.<\/p>\n<p>A relev&acirc;ncia da experi&ecirc;ncia zapatista se d&aacute; por uma s&eacute;rie de fatores. Um deles &eacute; a abordagem de controle do territ&oacute;rio. Outro, que pode ser compreendido como causa deste &eacute; a ancestralidade das popula&ccedil;&otilde;es originais e sua rela&ccedil;&atilde;o com a terra nativa. Isto ocorre num momento em que o uso dos recursos naturais &eacute; visto como commodity e n&atilde;o como patrim&ocirc;nio coletivo n&atilde;o renov&aacute;vel. Interessante tamb&eacute;m &eacute; ressaltar que o uso da for&ccedil;a abriu espa&ccedil;o pol&iacute;tico, levando inclusive a um impasse na pol&iacute;tica tradicional e contribuindo de forma decisiva para dar cabo do regime Priista, levando a uma renova&ccedil;&atilde;o conservadora na pol&iacute;tica profissional mexicana. Por fim, dos elementos que cabe ressaltar, &eacute; o reflexo da n&atilde;o-profissionaliza&ccedil;&atilde;o da maioria dos encarregados pol&iacute;ticos, havendo um bom &iacute;ndice de rotatividade e de aprendizado comum nas fun&ccedil;&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia da rebeli&atilde;o popular que derrubou Abdala Bucaram (presidente equatoriano) em fevereiro de 1997 (com apenas 120 dias de mandato) ganha contornos de relev&acirc;ncia por inaugurar um processo que culmina em uma s&eacute;rie de puebladas onde diversas modalidades de luta e participa&ccedil;&atilde;o tiveram presentes. Elementos ideol&oacute;gicos, incluindo os de motiva&ccedil;&atilde;o republicana incidiram com peso, somadas ao vazio constitucional e a presen&ccedil;a constante da organiza&ccedil;&atilde;o social dos povos originais no formato de confedera&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena (Confedera&ccedil;&atilde;o Nacionalidades Ind&iacute;genas de Equador) como vetor destas lutas. Assim, compreendo que a queda de Bucaram se equipara a uma modalidade inaugural. &Eacute; quando a fragmenta&ccedil;&atilde;o da multiplicidade de sujeitos sociais representados d&aacute; lugar a uma unidade t&aacute;tica (ao menos) gerando uma experi&ecirc;ncia vitoriosa. Tal feito hist&oacute;rico assegura um grau de confian&ccedil;a das maiorias equatorianas que se mobilizavam contra os efeitos da dolariza&ccedil;&atilde;o da economia e dos efeitos do comportamento pol&iacute;tico das elites dirigentes associadas &agrave; presid&ecirc;ncia e ao pr&oacute;prio presidente Bucaram. A derrota do presidente Jamil Mahuad em janeiro de 2000 e do coronel Lucio Guti&eacute;rrez em abril de 2005, entendo que s&atilde;o a culmina&ccedil;&atilde;o do processo iniciado com a rebeli&atilde;o do ver&atilde;o de 1997. <\/p>\n<p>O fato de haver ressaltado estas duas experi&ecirc;ncias n&atilde;o &eacute; para estudo de caso, mas justo o inverso, &eacute; para aproveitar o que h&aacute; de generaliz&aacute;vel e universalizante (para o Continente) destes dois epis&oacute;dios hist&oacute;ricos, e que no momento em que concluo este breve artigo, mant&ecirc;m a sua vitalidade. Tomo estas experi&ecirc;ncias como inauguradoras de um discurso de a&ccedil;&atilde;o direta popular, democracia direta, espa&ccedil;o p&uacute;blico horizontal e decis&atilde;o coletiva mediante amplo debate. <\/p>\n<p>Estas pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas v&atilde;o de encontro e em rep&uacute;dio &agrave;s medidas de governo, necessariamente decis&otilde;es fundamentais para os respectivos pa&iacute;ses, e que n&atilde;o passaram por nenhuma forma de consulta. Entendemos que na Am&eacute;rica Latina, suas sociedades concretas passaram e seguem sofrendo o acionar de duas id&eacute;ias aplicadas sobre dois discursos completamente antag&ocirc;nicos. O primeiro &eacute; o conjunto dos efeitos da desconstru&ccedil;&atilde;o do tecido social a partir das &ldquo;reformas&rdquo; do neoliberalismo. O segundo conforma um conjunto arbitr&aacute;rio (por ser de minha escolha) de pr&aacute;ticas generalizantes que acumulam para o conceito de Poder Popular como forma de organiza&ccedil;&atilde;o dessa mesma sociedade fragmentada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=27440\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O levante dos povos origin\u00e1rios de Chiapas, M\u00e9xico; caracteriza a nova etapa de luta e resist\u00eancia dos sujeitos sociais latino-americanos, e demarca o terreno onde esta Matriz Estruturalista, renovada e contempor\u00e2nea, se aplica no Continente. 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