{"id":1139,"date":"2009-12-21T16:32:33","date_gmt":"2009-12-21T16:32:33","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1139"},"modified":"2009-12-21T16:32:33","modified_gmt":"2009-12-21T16:32:33","slug":"a-estrutura-de-estado-de-pinochet-permanece-por-isso-a-direita-ve-o-caminho-livre-pela-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1139","title":{"rendered":"A estrutura de Estado de Pinochet permanece. Por isso a direita v\u00ea o caminho livre pela frente"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/chicagoboyschilenos.jpg\" title=\"A estrutura de mercado, a partir da a\u00e7\u00e3o da quadrilha acima (Piranhas Vorazes ou Chicago Boys chilenos), abala as identidades sociais de um Chile profundo e que chegara a tomar parte do poder no governo de Allende. A tropa, a saber (da esq. para a dir.): Sergio de Castro, Sergio de La Cuadra, Pablo Baraona e \u00c1lvaro Bard\u00f3n \u2013 \u00e9 parte do esfor\u00e7o de guerra social para ganhar cora\u00e7\u00f5es e mentes ap\u00f3s o terror de Estado. O resultado eleitoral de 2009 \u00e9, em parte, fruto de seu trabalho de largo prazo. Friedman sorri nas profundezas.  - Foto:que pasa.cl\" alt=\"A estrutura de mercado, a partir da a\u00e7\u00e3o da quadrilha acima (Piranhas Vorazes ou Chicago Boys chilenos), abala as identidades sociais de um Chile profundo e que chegara a tomar parte do poder no governo de Allende. A tropa, a saber (da esq. para a dir.): Sergio de Castro, Sergio de La Cuadra, Pablo Baraona e \u00c1lvaro Bard\u00f3n \u2013 \u00e9 parte do esfor\u00e7o de guerra social para ganhar cora\u00e7\u00f5es e mentes ap\u00f3s o terror de Estado. O resultado eleitoral de 2009 \u00e9, em parte, fruto de seu trabalho de largo prazo. Friedman sorri nas profundezas.  - Foto:que pasa.cl\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A estrutura de mercado, a partir da a\u00e7\u00e3o da quadrilha acima (Piranhas Vorazes ou Chicago Boys chilenos), abala as identidades sociais de um Chile profundo e que chegara a tomar parte do poder no governo de Allende. A tropa, a saber (da esq. para a dir.): Sergio de Castro, Sergio de La Cuadra, Pablo Baraona e \u00c1lvaro Bard\u00f3n \u2013 \u00e9 parte do esfor\u00e7o de guerra social para ganhar cora\u00e7\u00f5es e mentes ap\u00f3s o terror de Estado. O resultado eleitoral de 2009 \u00e9, em parte, fruto de seu trabalho de largo prazo. Friedman sorri nas profundezas. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:que pasa.cl<\/small><\/figure>\n<p>21 de dezembro de 2009, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Diante do retorno do fantasma do fantasma do ditador, este sendo poss&iacute;vel e n&atilde;o se sabe se prov&aacute;vel em fun&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia de votos do PS chileno para a coaliz&atilde;o da direita pinochetista, uma s&eacute;rie de d&uacute;vidas abalam a cren&ccedil;a dos analistas pol&iacute;ticos mais &agrave; esquerda do Continente. O lado de l&aacute; comemora diante da demonstra&ccedil;&atilde;o de vigor e presen&ccedil;a social da &ldquo;op&ccedil;&atilde;o chilena&rdquo; (tortura e restaura&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-mercado a todo o custo), mas do lado de c&aacute; talvez n&atilde;o tenhamos a real dimens&atilde;o do papel do Estado de exce&ccedil;&atilde;o como aut&ecirc;ntica ditadura neoliberal (inspiradora para a China, por exemplo) p&ocirc;de ter gerado nas camadas sociais mais humildes do Chile.<\/p>\n<p>Se o estudo das mentalidades &eacute; um desafio de f&ocirc;lego (mas n&atilde;o intang&iacute;vel como querem os prepotentes deterministas), uma aproxima&ccedil;&atilde;o com as bases sociais e de apoio &agrave; transi&ccedil;&atilde;o tardia chilena podem nos dar pistas do cansa&ccedil;o da alian&ccedil;a de governo (La Concertaci&oacute;n) que gerara situa&ccedil;&otilde;es limite e esp&uacute;rias. A dura verdade &eacute; que o ceticismo do chileno m&eacute;dio se d&aacute; tamb&eacute;m pela manuten&ccedil;&atilde;o das estruturas de poder de Pinochet. Todos os governos ap&oacute;s 1990 mantiveram alto n&iacute;vel repressivo aos movimentos sociais, com foco especial na esquerda social e no Movimento Mapuche (ind&iacute;gena). J&aacute; as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas foram igualmente conservadoras (neoliberais) sem aumentar o n&iacute;vel de emprego formal e menos ainda o poder aquisitivo. Com o terreno preparado, a heran&ccedil;a pol&iacute;tica do ditador j&aacute; pode reencarnar. <\/p>\n<p>Particularmente, desde 1996 tenho contato semanal com militantes chilenos e os relatos de repress&atilde;o e por vezes de morte, al&eacute;m de pris&atilde;o arbitr&aacute;ria, criminaliza&ccedil;&atilde;o das marchas e atos, todos abundantes. Isto sem falar em um ambiente pol&iacute;tico coalhado de espionagem e infiltra&ccedil;&atilde;o estatal, eis a base para um sentido de perman&ecirc;ncia da sociedade vigiada. A pr&oacute;pria corpora&ccedil;&atilde;o dos Carabineros &eacute; o exemplo mais bem acabado, materializando o conceito de que os pilares da ditadura continuam. O corpo policial militarizado, que seguiu operando nos anos da Concerta&ccedil;&atilde;o seguindo a disciplina prussiana, manteve a voca&ccedil;&atilde;o de colonialismo interno e repress&atilde;o social do per&iacute;odo Pinochet. O caldo de cultura colonial se manifesta no confronto com lutas ancestrais como a do povo Mapuche, colocando o Estado como vigilante das parcelas mais organizadas do povo chileno. Com este tipo de representa&ccedil;&atilde;o de valores, estava pavimentado para um poss&iacute;vel retorno dos herdeiros pol&iacute;ticos de Pinochet. <\/p>\n<p>O eleitor m&eacute;dio chileno de pensamento democr&aacute;tico ou com tend&ecirc;ncias de centro-esquerda teve como op&ccedil;&atilde;o a partir de 1990 uma alian&ccedil;a entre advers&aacute;rios hist&oacute;ricos (PS e PDC), unidos no processo de abertura e transi&ccedil;&atilde;o da ditadura. O momento em que essa alian&ccedil;a n&atilde;o pode mais expressar-se em conjunto foi justo quando um candidato da direita tinha (e tem) mais chances de ganhar. A t&atilde;o elogiada &ldquo;op&ccedil;&atilde;o chilena&rdquo;, menina dos olhos dos neoliberais da Am&eacute;rica Latina, permanecera quase intocada nos quase vinte anos de governos recentes. Com o terreno econ&ocirc;mico preparado, a cultura pol&iacute;tica autorit&aacute;ria preservada (n&atilde;o est&aacute; intacta, mas se mant&eacute;m e conta com adeptos na &ldquo;esquerda&rdquo;) est&aacute; dada a atmosfera prop&iacute;cia para p&ocirc;r uma p&aacute; de cal na alian&ccedil;a entre democrata-crist&atilde;os e &ldquo;socialistas&rdquo;, recebendo a democracia liberal-representativa de bra&ccedil;o abertos uma alian&ccedil;a de direita, com um partido pr&oacute;-Pinochet e outro bastante pr&oacute;ximo do genocida na cabe&ccedil;a de chapa. <\/p>\n<p>Para aqueles que apostam na via eleitoral, ainda &eacute; cedo para jogar a toalha. H&aacute; uma probabilidade de Frei ganhar. Mas, as chances de haver uma mudan&ccedil;a substantiva da rela&ccedil;&atilde;o do Estado com movimentos populares, esquerda social e povos origin&aacute;rios, s&atilde;o m&iacute;nimas. Com ou sem um Chicago Boy remodelado (Pi&ntilde;era e seu campo), continuar&aacute; a haver repress&atilde;o social no pa&iacute;s de Victor Jara. &Eacute; gra&ccedil;as a esta perman&ecirc;ncia das bases pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas, policiais e sociais de Pinochet, que na arena das ruas (e n&atilde;o nas urnas) a coisa deve esquentar ainda mais depois da posse do novo presidente eleito. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=28473\">A vers&atilde;o completa deste artigo foi publicada originalmente no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estrutura de mercado, a partir da a\u00e7\u00e3o da quadrilha acima (Piranhas Vorazes ou Chicago Boys chilenos), abala as identidades sociais de um Chile profundo e que chegara a tomar parte do poder no governo de Allende. 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