{"id":1143,"date":"2010-01-07T23:38:46","date_gmt":"2010-01-07T23:38:46","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1143"},"modified":"2010-01-07T23:38:46","modified_gmt":"2010-01-07T23:38:46","slug":"a-criminosa-tragedia-urbana-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1143","title":{"rendered":"A criminosa trag\u00e9dia urbana brasileira"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/morro da carioca.jpg\" title=\"A a\u00e7\u00e3o criminosa do Estado em Angra perpassa por governos municipais de turno e pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o para a opini\u00e3o de engenheiros e t\u00e9cnicos. Morar em \u00e1rea de risco nunca foi escolha, e sim falta de op\u00e7\u00e3o. Preservar a Mata Atl\u00e2ntica resulta em evitar deslizamentos de encostas e promover uma nova ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio que privilegie quem necessita e n\u00e3o a ind\u00fastria do lazer e turismo de luxo.  - Foto:Danielle Viana Bartholomeu\/VC no G1\" alt=\"A a\u00e7\u00e3o criminosa do Estado em Angra perpassa por governos municipais de turno e pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o para a opini\u00e3o de engenheiros e t\u00e9cnicos. Morar em \u00e1rea de risco nunca foi escolha, e sim falta de op\u00e7\u00e3o. Preservar a Mata Atl\u00e2ntica resulta em evitar deslizamentos de encostas e promover uma nova ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio que privilegie quem necessita e n\u00e3o a ind\u00fastria do lazer e turismo de luxo.  - Foto:Danielle Viana Bartholomeu\/VC no G1\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A a\u00e7\u00e3o criminosa do Estado em Angra perpassa por governos municipais de turno e pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o para a opini\u00e3o de engenheiros e t\u00e9cnicos. Morar em \u00e1rea de risco nunca foi escolha, e sim falta de op\u00e7\u00e3o. Preservar a Mata Atl\u00e2ntica resulta em evitar deslizamentos de encostas e promover uma nova ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio que privilegie quem necessita e n\u00e3o a ind\u00fastria do lazer e turismo de luxo. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Danielle Viana Bartholomeu\/VC no G1<\/small><\/figure>\n<p>07 de janeiro de 2010, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Pode-se afirmar que a regi&atilde;o da Ba&iacute;a da Ilha Grande &eacute; uma s&iacute;ntese do Brasil. Boa parte da cidade favelizada convive como m&atilde;o de obra para resorts, marinas particulares, grande circula&ccedil;&atilde;o de lanchas e at&eacute; ilhas privadas. Como h&aacute; pelo menos 40 anos existe essa conviv&ecirc;ncia, mesmo com a retra&ccedil;&atilde;o do p&oacute;lo naval, teria sido poss&iacute;vel a urbaniza&ccedil;&atilde;o ordenada mediante pol&iacute;tica distributiva. Seria racional prever a taxa&ccedil;&atilde;o de empreendimentos imobili&aacute;rios com fins tur&iacute;sticos e de lazer e com isso financiar uma ocupa&ccedil;&atilde;o urbana sem resid&ecirc;ncias em &aacute;reas de risco. Ocorreu o oposto.<\/p>\n<p>A mesma &ldquo;l&oacute;gica&rdquo; nacional entende a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, como expans&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o civil, servindo como term&ocirc;metro da economia. &Eacute; uma invers&atilde;o do conceito de economia como utiliza&ccedil;&atilde;o racional de recursos finitos. Em obedecendo uma racionalidade m&iacute;nima, programas como Minha Casa Minha Vida n&atilde;o alimentariam o oligop&oacute;lio das empreiteiras e sim, primeiro, a urbaniza&ccedil;&atilde;o de favelas, a remo&ccedil;&atilde;o indenizada de &aacute;reas de risco e o aproveitamento de todos os im&oacute;veis parados. Ao mesmo tempo, exigiria a universaliza&ccedil;&atilde;o de esgotamento sanit&aacute;rio e tratamento de &aacute;guas. &Eacute; um contra senso debater a sustentabilidade em Copenhaguen e n&atilde;o prever que qualquer edifica&ccedil;&atilde;o privada necessita de saneamento urbano para al&eacute;m dos muros do condom&iacute;nio. <\/p>\n<p>No quesito meio ambiente, o absurdo estrutural continua. Temos a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental mais avan&ccedil;ada do mundo e o discurso de agentes econ&ocirc;micos e operadores pol&iacute;ticos &eacute; que &ldquo;tanta lei&rdquo; trava o progresso. Pura fal&aacute;cia. Preservar a Mata Atl&acirc;ntica, no caso de Ilha Grande, &eacute; sempre mais importante do que erguer um empreendimento imobili&aacute;rio de resid&ecirc;ncia ou turismo. De eufemismo em eufemismo, &ldquo;flexibilizam&rdquo; a defesa dos recursos naturais coletivos e n&atilde;o renov&aacute;veis em prol do interesse particular de alguns oligop&oacute;lios. Quando a trag&eacute;dia humana &eacute; fruto da omiss&atilde;o e mau governo por d&eacute;cadas a fio, o fato al&eacute;m de tr&aacute;gico &eacute; ato criminoso. <\/p>\n<p>Os argumentos acima n&atilde;o implicam em cair na tenta&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria. Muito pelo contr&aacute;rio. Entre qualquer sentido de ordem e o exerc&iacute;cio do direito a moradia, morar &eacute; prioridade. N&atilde;o se pode responsabilizar a popula&ccedil;&atilde;o carente, que ergue sua resid&ecirc;ncia onde d&aacute; e n&atilde;o onde quer. Tampouco &eacute; l&iacute;cito exigir disciplinamento de favelas e liberar o apetite sem fim de incorporadoras e grandes obras residenciais. <\/p>\n<p>O problema &eacute; pol&iacute;tico. Como j&aacute; constatei em artigos anteriores, a atividade fim dos mandat&aacute;rios &eacute; a acumula&ccedil;&atilde;o de poder e a atividade meio &eacute; a proje&ccedil;&atilde;o da auto-imagem no exerc&iacute;cio de mandatos. A preocupa&ccedil;&atilde;o com o bem comum est&aacute; atr&aacute;s do atendimento aos investidores do cons&oacute;rcio pol&iacute;tico-eleitoral e da sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>Neste ambiente, o ato de governar fica soterrado s&oacute; existindo na base da press&atilde;o direta de agentes sociais organizados. Neste caso, &eacute; urgente aumentar o poder cidad&atilde;o pelo controle social do Estado e o decorrente disciplinamento do agente econ&ocirc;mico do setor da constru&ccedil;&atilde;o civil. Se no m&eacute;dio prazo n&atilde;o resolvermos a urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira, ent&atilde;o todo in&iacute;cio de ver&atilde;o teremos criminosas trag&eacute;dias como a de Angra dos Reis.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/01\/06\/a-criminosa-tragedia-urbana-brasileira-254982.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A a\u00e7\u00e3o criminosa do Estado em Angra perpassa por governos municipais de turno e pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o para a opini\u00e3o de engenheiros e t\u00e9cnicos. Morar em \u00e1rea de risco nunca foi escolha, e sim falta de op\u00e7\u00e3o. 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