{"id":1145,"date":"2010-01-14T11:23:17","date_gmt":"2010-01-14T11:23:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1145"},"modified":"2010-01-14T11:23:17","modified_gmt":"2010-01-14T11:23:17","slug":"bases-da-teoria-da-interdependencia-estrutural-das-esferas-a-atualidade-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1145","title":{"rendered":"Bases da Teoria da Interdepend\u00eancia Estrutural das Esferas \u2013 a atualidade &#8211; 5"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sementes de milho.jpg\" title=\"Tal como o milho para os povos originais do Continente, as forma\u00e7\u00f5es sociais concretas e suas rebeldias latentes s\u00e3o sementes e mat\u00e9rias-primas da contesta\u00e7\u00e3o organizada, terreno f\u00e9rtil para a aplicabilidade de nossa Teoria.  - Foto:bentogon\u00e7alves.rs.gov\" alt=\"Tal como o milho para os povos originais do Continente, as forma\u00e7\u00f5es sociais concretas e suas rebeldias latentes s\u00e3o sementes e mat\u00e9rias-primas da contesta\u00e7\u00e3o organizada, terreno f\u00e9rtil para a aplicabilidade de nossa Teoria.  - Foto:bentogon\u00e7alves.rs.gov\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Tal como o milho para os povos originais do Continente, as forma\u00e7\u00f5es sociais concretas e suas rebeldias latentes s\u00e3o sementes e mat\u00e9rias-primas da contesta\u00e7\u00e3o organizada, terreno f\u00e9rtil para a aplicabilidade de nossa Teoria. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:bentogon\u00e7alves.rs.gov<\/small><\/figure>\n<p>14 de janeiro de 2010, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Neste quinto e &uacute;ltimo artigo da seq&uuml;&ecirc;ncia, concluo a s&eacute;rie apresentando os tr&ecirc;s n&iacute;veis de representa&ccedil;&atilde;o. Antes de seguir ressalto que &eacute; importante n&atilde;o confundir com os n&iacute;veis de incid&ecirc;ncia, que s&atilde;o seis, e que decupados das Esferas Interdependentes, assim se apresentam em ordem alfab&eacute;tica: direito-jur&iacute;dico; econ&ocirc;mico; ideol&oacute;gico; militar; pol&iacute;tico e social. A inten&ccedil;&atilde;o desta parte do trabalho &eacute; apresentar em forma discursiva o modelo geral de an&aacute;lise. Para isso, recorro aos t&oacute;picos e a representa&ccedil;&atilde;o geom&eacute;trica, por consider&aacute;-la didaticamente superior &agrave;s demais.<\/p>\n<p><u>Inicio apontando os tr&ecirc;s n&iacute;veis de representa&ccedil;&atilde;o: <br \/>\n<\/u><br \/>\na) N&uacute;cleo duro do capitalismo &#8211; corresponde ao n&iacute;vel sist&ecirc;mico. Compreendemos por &ldquo;n&uacute;cleo duro&rdquo; os elementos te&oacute;ricos (entendendo-os como elementos constitutivos de uma teoria de m&eacute;dio alcance) o que d&aacute; sentido de exist&ecirc;ncia e de car&aacute;ter fundacional ao capitalismo. &Eacute; parte deste n&uacute;cleo constitutivo a propriedade privada; a explora&ccedil;&atilde;o; o disciplinamento dos corpos; a modalidade de representa&ccedil;&atilde;o, administra&ccedil;&atilde;o e justi&ccedil;a; um sistema coercitivo e repressivo; e a exist&ecirc;ncia de classes sociais. Ou seja, uma burguesia (em seu sentido gen&eacute;rico; neste caso a generaliza&ccedil;&atilde;o que me parece mais apropriada &eacute; a do termo em ingl&ecirc;s <em>ruling class<\/em>), trabalhadores (tamb&eacute;m em seu sentido gen&eacute;rico) e a distribui&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero cada vez maior de pessoas no mundo do trabalho informal e na exclus&atilde;o social. Esta exclus&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es formais de trabalho e emprego gera no&ccedil;&otilde;es e costumes distintos no consumo, na sa&uacute;de, na educa&ccedil;&atilde;o, nas moradias e nos demais aos itens essenciais da sociedade contempor&acirc;nea; a cada falta destes, sempre se vai produzindo subgrupos ideol&oacute;gicos. <\/p>\n<p>b) Forma&ccedil;&otilde;es sociais concretas. S&atilde;o as forma&ccedil;&otilde;es sociais concretas que coexistem em uma mesma regi&atilde;o, na&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o formas de vida, mas sobre um sistema de domina&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica. Como uma contra cara dos elementos te&oacute;ricos do capitalismo, &eacute; o conhecimento pragm&aacute;tico que n&atilde;o chega a ter um grande n&iacute;vel de abstra&ccedil;&atilde;o, mesmo porque na realidade n&atilde;o se encontram &ldquo;modelos puros&rdquo;. Os elementos constitutivos do capitalismo operam sobre todas estas forma&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>c) Elementos gerais das conjunturas (e vida-cotidiana-social). &Eacute; o momento atual, um tempo social determinado. Toma a mesma defini&ccedil;&atilde;o da conjuntura. <\/p>\n<p>Este sistema de domina&ccedil;&atilde;o capitalista, constitu&iacute;do pela explora&ccedil;&atilde;o, a domina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-burocr&aacute;tica e a opress&atilde;o (onde se inclui a discrimina&ccedil;&atilde;o, a exclus&atilde;o e a repress&atilde;o) estaria composto por distintas esferas. Neste modelo, apresentamos tr&ecirc;s, que consideramos essenciais para a exist&ecirc;ncia do sistema e que geram a interdepend&ecirc;ncia entre elas. De modo transversal atua, no m&iacute;nimo, mais uma esfera. As esferas de interdepend&ecirc;ncia estrutural s&atilde;o: econ&ocirc;mica; pol&iacute;tico-jur&iacute;dico-militar; ideol&oacute;gica-cultural com o conseq&uuml;ente disciplinamento dos corpos e indiv&iacute;duos (id&eacute;ias-representa&ccedil;&otilde;es- comportamento- &ldquo;modo&rdquo; de informa&ccedil;&atilde;o e as tecnologias de poder a ela unida). A esfera que &eacute; transversal e &ldquo;atravessa&rdquo; a todas as demais &eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o generalizada das Tecnologias Informacionais e Comunicacionais (TICs).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Forma&ccedil;&atilde;o social concreta e ideologia com mentalidade de c&acirc;mbio: as mat&eacute;rias-primas da transforma&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p><\/strong>Toda esta constela&ccedil;&atilde;o de esferas onde se localizam as estruturas de domina&ccedil;&atilde;o que circulam pelo corpo social se encontra (&eacute; verific&aacute;vel) no que denominaremos vida-cotidiana-social. Como o prop&oacute;sito desta s&eacute;rie e seu conte&uacute;do &eacute; operacionalizar as potencialidades de incid&ecirc;ncia para acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as a partir de um trabalho pol&iacute;tico cotidiano, &eacute; necess&aacute;ria uma pr&eacute;via an&aacute;lise das for&ccedil;as sociais que possuem graus de antagonismo. Este grau de antagonismo latente &eacute; a mat&eacute;ria prima para o trabalho de qualquer organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com inten&ccedil;&otilde;es de mudan&ccedil;a. Dessa constela&ccedil;&atilde;o, a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica advogada nesse trabalho prioriza as que pare&ccedil;am poder constituir for&ccedil;as sociais que tem graus de enfrentamento pontual ou geral com o sistema de domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>J&aacute; a esfera ideologia requer um desenvolvimento determinado de sua an&aacute;lise para que n&atilde;o fique delimitada na constru&ccedil;&atilde;o da figura de linguagem de super-estrutura e infra-estrutura. J&aacute; afirmamos antes em distintos textos desta difus&atilde;o cient&iacute;fica repito aqui a afirma&ccedil;&atilde;o de que &eacute; o inconsciente (mat&eacute;ria prima do ideol&oacute;gico) como um objeto pr&oacute;prio, portanto &uacute;nico e indivis&iacute;vel. Assim estamos afirmando que a esfera ideol&oacute;gica n&atilde;o deve estar adjudicada na vis&atilde;o de que a mesma tem como &ldquo;fun&ccedil;&atilde;o&rdquo; t&atilde;o comumente de distorcer, mascarar a &ldquo;realidade&rdquo;, da &ldquo;racionalidade&rdquo;. Estamos em contra esse tipo de afirma&ccedil;&atilde;o, e a vemos como falsa e perfeitamente falsific&aacute;vel conforme j&aacute; demonstramos em diversos artigos do mesmo g&ecirc;nero neste mesmo portal. Compreendemos que as id&eacute;ias t&ecirc;m um tipo pr&oacute;prio de materialidade, s&atilde;o tang&iacute;veis e palp&aacute;veis. S&atilde;o t&atilde;o contundentes quanto uma medida econ&ocirc;mica ou uma decis&atilde;o pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><strong>A aplica&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o do conceito estrat&eacute;gico centrado no acionar da pol&iacute;tica <\/p>\n<p><\/strong>Apontamos ao longo do trabalho uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre a episteme estruturalista, a dimens&atilde;o ontol&oacute;gica libert&aacute;ria e anal&iacute;tica dos estudos estrat&eacute;gicos. Esse arsenal te&oacute;rico-epistemol&oacute;gico &eacute; aplicado como ferramentaria conceitual a partir de um objetivo dado: a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo organizativo e de processo pol&iacute;tico onde a luta reivindicativa ganha contornos de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, obrigando o Estado a ser responsivo e ao mesmo tempo acumulando for&ccedil;a social organizada para um poss&iacute;vel c&acirc;mbio estrutural. Esse &eacute; um vi&eacute;s de estudo da mesma rela&ccedil;&atilde;o vista como objeto. A rela&ccedil;&atilde;o complexa &eacute; organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &ndash; movimento popular &ndash; sociedade civil organizada &ndash; radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica &ndash; poder do povo organizado. <\/p>\n<p>Em nenhum momento esgotamos as possibilidades e necessidades de outros tipos de trabalho e estudo, como por exemplo, um vi&eacute;s especificamente institucionalista para, de forma preditiva, apontar um desenho pol&iacute;tico que contemple esta multiplicidade de representa&ccedil;&otilde;es dentro de uma sociedade distributivista. O que apontamos sim foi uma proposta de n&uacute;cleo duro de uma teoria centrada no objeto da pol&iacute;tica e da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica: as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre institui&ccedil;&otilde;es, ambientes e indiv&iacute;duos. Neste trabalho, embora seja um sub-campo reconhecido da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, a an&aacute;lise estrat&eacute;gica perdera sua centralidade e entra como suporte do acionar pol&iacute;tico. <\/p>\n<p>Isto se deu porque, estas s&atilde;o as necessidades vistas para construir uma teoria de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, atrav&eacute;s da amplia&ccedil;&atilde;o da democracia de forma substantiva, com possibilidade de ruptura partindo da ideologia e doutrina libert&aacute;ria aplicada no terreno social latino-americano. Tamb&eacute;m &eacute; preciso conhecer e interpretar com precis&atilde;o e rigor a forma de funcionamento da sociedade de controle, as resist&ecirc;ncias di&aacute;rias e aspira&ccedil;&otilde;es do inconsciente coletivo.<\/p>\n<p><u>Como modo operacional cotidiano, &eacute; necess&aacute;rio apontar para isto: <\/p>\n<p><\/u>&#8211; resist&ecirc;ncia de base <\/p>\n<p>&#8211; acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pelo povo organizado <\/p>\n<p>&#8211; projeto de Poder Popular atrav&eacute;s da Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica<\/p>\n<p><u>Havendo esta compreens&atilde;o no dia a dia, este processo para ser de longo prazo necessita obedecer a seguinte l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o: <\/p>\n<p><\/u>&#8211; Flex&iacute;vel o bastante para suportar altera&ccedil;&otilde;es de conjuntura (aplicando vari&aacute;veis t&aacute;ticas). <\/p>\n<p>&#8211; Inflex&iacute;vel o suficiente para manter os interesses e objetivos estrat&eacute;gicos. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=28928\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal como o milho para os povos originais do Continente, as forma\u00e7\u00f5es sociais concretas e suas rebeldias latentes s\u00e3o sementes e mat\u00e9rias-primas da contesta\u00e7\u00e3o organizada, terreno f\u00e9rtil para a aplicabilidade de nossa Teoria. 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