{"id":1150,"date":"2010-01-26T17:10:17","date_gmt":"2010-01-26T17:10:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1150"},"modified":"2010-01-26T17:10:17","modified_gmt":"2010-01-26T17:10:17","slug":"a-ajuda-humanitaria-que-chega-com-a-4a-frota-do-imperio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1150","title":{"rendered":"A \u201cajuda humanit\u00e1ria\u201d que chega com a 4\u00aa Frota do Imp\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/un-haiti.jpg\" title=\"Ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio ou da ONU, o uso da for\u00e7a contra civis e suspeitos em geral \u00e9 a marca. Os assassinados pelos capacetes azuis sob comando militar do Ex\u00e9rcito Brasileiro, os periquitos de Caxias, fortaleceram a condi\u00e7\u00e3o de poder sem governo da oligarquia herdeira dos Duvalier.  - Foto:isiria-files\" alt=\"Ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio ou da ONU, o uso da for\u00e7a contra civis e suspeitos em geral \u00e9 a marca. Os assassinados pelos capacetes azuis sob comando militar do Ex\u00e9rcito Brasileiro, os periquitos de Caxias, fortaleceram a condi\u00e7\u00e3o de poder sem governo da oligarquia herdeira dos Duvalier.  - Foto:isiria-files\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio ou da ONU, o uso da for\u00e7a contra civis e suspeitos em geral \u00e9 a marca. Os assassinados pelos capacetes azuis sob comando militar do Ex\u00e9rcito Brasileiro, os periquitos de Caxias, fortaleceram a condi\u00e7\u00e3o de poder sem governo da oligarquia herdeira dos Duvalier. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:isiria-files<\/small><\/figure>\n<p>23 de janeiro de 2010, de S&atilde;o Sebasti&atilde;o do Rio de Janeiro, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>No momento em que este artigo &eacute; lido, &eacute; poss&iacute;vel que o presidente Obama e a pr&oacute;-c&ocirc;nsul do Imp&eacute;rio Hillary Diane Rodham Clinton j&aacute; tenham consolidado o pa&iacute;s chamado Ayit&iacute; no idioma kreyol (cr&eacute;ole franc&ecirc;s) como campo de provas para mais uma ocupa&ccedil;&atilde;o de tipo protetorado. Toda compara&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica &eacute; meio for&ccedil;osa, mas n&atilde;o h&aacute; como negar a vis&atilde;o do Caribe como o atual Mare Nostrum estadunidense. Os EUA operam nas &aacute;guas antilhanas e caribenhas como os romanos operaram com suas gal&eacute;s no Mediterr&acirc;neo.<\/p>\n<p>A declara&ccedil;&atilde;o de 21 de janeiro de 2010, vinda da Casa Branca, alocaria uma Divis&atilde;o inteira de armas combinadas do Comando Sul para a &ldquo;ajuda&rdquo; humanit&aacute;ria do Haiti. O contingente anunciado chegaria a 20.000 homens e mulheres em armas ou no apoio ao combate. Mesmo se considerarmos as estat&iacute;sticas mais apavorantes, de 1 milh&atilde;o e meio a 2 milh&otilde;es de haitianos sem casa, ou seja, 1 em cada 4 moradores do pa&iacute;s vivendo nas ruas, a presen&ccedil;a de tropas leais a Washington (ainda que sob contrato mercen&aacute;rio) j&aacute; &eacute; por si s&oacute; um exagero. <\/p>\n<p>De sua parte, o secret&aacute;rio-geral da ONU Ban Ki-Moon convocara os pa&iacute;ses que comp&otilde;em as for&ccedil;as conjuntas de ocupa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s mais pobre das Am&eacute;ricas, MINUSTAH, a receberem o refor&ccedil;o de mais 3.500 soldados profissionais (entre combatentes e policiais). Assim, a ONU que em tese promove uma &ldquo;ocupa&ccedil;&atilde;o do Bem na terra dos Duvalier (o finado Papa Doc e seu filho Baby Doc), estaria tentando ampliar o volume de tropas para continuar fazendo a sua fun&ccedil;&atilde;o pela metade. <\/p>\n<p>Mesmo n&atilde;o podendo comparar a a&ccedil;&atilde;o unilateral dos EUA, que a nada respeitam, nem sequer aos organismos multilaterais globalizados os quais eles fazem parte, com a MINUSTAH, &eacute; preciso repetir que n&atilde;o h&aacute; ocupa&ccedil;&atilde;o militar boa no mundo! A ONU entrou para evitar tamb&eacute;m o desgaste do Imp&eacute;rio que promovera a invas&atilde;o em 1994, com o pretexto de restaura&ccedil;&atilde;o de ordem constitucional que o pr&oacute;prio Imp&eacute;rio ajudara a derrubar. &Eacute; a ONU que desde 2004 ocupa o pa&iacute;s ap&oacute;s um golpe de tipo institucional haver derrubado novamente e evadido do pa&iacute;s ao ex-padre e ent&atilde;o presidente Jean Bertrand Aristide. <\/p>\n<p>Sejamos francos, o absurdo da ocupa&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas cujo comando militar ao Brasil pertence est&aacute; em consolidar uma oligarquia herdeira pol&iacute;tica dos Duvalier isto implicando em todas as suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. At&eacute; o terremoto os capacetes azuis eram o Ex&eacute;rcito do pa&iacute;s, e a pol&iacute;cia local um bra&ccedil;o auxiliar. O controle pol&iacute;tico era dividido com a presen&ccedil;a dos descendentes dos Makoutes (em seus escal&otilde;es mais baixos), reciclados como gangues de favelas tomando a noite os bairros empobrecidos. Enfim, uma ocupa&ccedil;&atilde;o militar cujo modelo de estabilidade foi manter as estruturas centrais em seu lugar e n&atilde;o abrir margem para a contesta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O Brasil foi e &eacute; c&uacute;mplice disso. Embora de forma menos brutal que o extinto Ex&eacute;rcito do pa&iacute;s, as tropas da ONU chegaram a reprimir protestos estudantis, sindicais e camponeses, inclusive com mortos. O fuzil azul do multilateralismo opera de forma a evitar o &ldquo;banho de sangue&rdquo; da rebeli&atilde;o popular, e com isso, assegura a elite mulata &#8211; porque no Haiti a pobreza &eacute; de pigmenta&ccedil;&atilde;o mais intensa, de pele mais escura &ndash; a sua forma de vida e o comportamento de predador e sanguessuga para com os aportes que v&ecirc;m de fora. <\/p>\n<p>\n<strong>A &ldquo;nova era&rdquo; chegou na 4&ordf; Frota <br \/>\n<\/strong><br \/>\nAgora isso mudou. Ap&oacute;s o terremoto de 13 de janeiro, logo seguido de outro em escala menor, a prepot&ecirc;ncia estadunidense e as pretens&otilde;es pol&iacute;ticas de Hillary Clinton diante de um Barack Obama mais enfraquecido, elevam a temperatura na regi&atilde;o e, de fato, subordinam &agrave;s demais for&ccedil;as estrangeiras ali presentes. Os absurdos narrados pelos M&eacute;dicos Sem Fronteiras no controle do aeroporto e nas aterrisagens frustradas de avi&otilde;es lotados de equipamentos hospitalares e pessoal especializado revelam o in&iacute;cio da &ldquo;nova era&rdquo;. Nesta era, retornamos a 1915, quando os EUA tamb&eacute;m ocupam a parcela franc&oacute;fona da Ilha de Hispaniola e de l&aacute; saem somente em 1934, deixando a sociedade tradicional em frangalhos. <\/p>\n<p>Entendo que o m&iacute;nimo a ser feito &eacute; condenar tanto a ocupa&ccedil;&atilde;o dos estadunidenses como a da MINUSTAH e, refor&ccedil;ar de todas as formas poss&iacute;veis o que restar de auto-organiza&ccedil;&atilde;o social haitiana. Neste item, a retomada da produtividade no setor agr&iacute;cola do pa&iacute;s &eacute; fundamental, e neste quesito, por sorte, &eacute; poss&iacute;vel uma a&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria entre camponeses. Se aceitarmos, ao menos como opini&atilde;o p&uacute;blica latino-americana, a ocupa&ccedil;&atilde;o da ONU antes e dos EUA a partir de agora, ideologicamente estaremos naturalizando a presen&ccedil;a da 4&ordf; Frota nos portos e costas do Continente. <\/p>\n<p>Pouco importa se o Big Stick veio travestido de &ldquo;ajuda&rdquo; humanit&aacute;ria, &eacute; ocupa&ccedil;&atilde;o militar e repress&atilde;o sobre os civis do mesmo jeito. Os navios de guerra dos EUA tanto transportam pessoal e equipamentos (como o hospital embarcado); como protegem os cruzeiros tur&iacute;sticos nas &aacute;guas do Mar do Caribe e asseguram o espalhar do medo e da sensa&ccedil;&atilde;o de ordem vindo de fora para os fam&eacute;licos haitianos. <\/p>\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o para o Haiti e para qualquer povo sob flagelo &eacute; a reorganiza&ccedil;&atilde;o social e identit&aacute;ria de si mesmo. Assim, o orgulho kreyol e afro-caribenho da independ&ecirc;ncia de 1804 &eacute; a arma mais perigosa para as gangues de Tonton Makoutes, para a oligarquia mulata e corrupta e para os dois ex&eacute;rcitos invasores (da ONU sob comando brasileiro e estadunidense respondendo a Obama e Hillary). Um exemplo disso &eacute; a coaliz&atilde;o denominada de Plataforma Haitiana pela Defesa de um Desenvolvimento Alternativo &ndash; PAPDA (Plateforme Ha&iuml;tienne de Plaidoyer pour un D&eacute;veloppement Alternatif &ndash; www.papda.org. Parte de seu programa (encontrado no portal de internet), difundido pelo membro e professor Camille Chalmers e enviado a mim pelo brilhante historiador e ativista libert&aacute;rio chileno Jos&eacute; Antonio Guti&eacute;rrez D. &eacute; a prova viva dos argumentos expostos acima. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=29190\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio ou da ONU, o uso da for\u00e7a contra civis e suspeitos em geral \u00e9 a marca. Os assassinados pelos capacetes azuis sob comando militar do Ex\u00e9rcito Brasileiro, os periquitos de Caxias, fortaleceram a condi\u00e7\u00e3o de poder sem governo da oligarquia herdeira dos Duvalier. 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