{"id":1153,"date":"2010-01-31T02:08:17","date_gmt":"2010-01-31T02:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1153"},"modified":"2010-01-31T02:08:17","modified_gmt":"2010-01-31T02:08:17","slug":"o-conflito-na-venezuela-uma-mirada-mais-a-esquerda-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1153","title":{"rendered":"O conflito na Venezuela: uma mirada mais \u00e0 esquerda &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/muralAlexisVive.jpg\" title=\"noticias24.com - Foto:Os murais de grupos n\u00e3o-oficias e mais radicalizados, como o Alexis Vive, com base no indom\u00e1vel 23 de Enero, s\u00e3o parte essencial de uma capacidade de fazer pol\u00edtica para al\u00e9m de Ch\u00e1vez, Miraflores e apostando no descontrole da direita end\u00f3gena. \" alt=\"noticias24.com - Foto:Os murais de grupos n\u00e3o-oficias e mais radicalizados, como o Alexis Vive, com base no indom\u00e1vel 23 de Enero, s\u00e3o parte essencial de uma capacidade de fazer pol\u00edtica para al\u00e9m de Ch\u00e1vez, Miraflores e apostando no descontrole da direita end\u00f3gena. \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">noticias24.com<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Os murais de grupos n\u00e3o-oficias e mais radicalizados, como o Alexis Vive, com base no indom\u00e1vel 23 de Enero, s\u00e3o parte essencial de uma capacidade de fazer pol\u00edtica para al\u00e9m de Ch\u00e1vez, Miraflores e apostando no descontrole da direita end\u00f3gena. <\/small><\/figure>\n<p>A partir desse texto, inicio uma pequena s&eacute;rie de artigos (dos que saem no IHU) abordando o conflito pol&iacute;tico venezuelano e seus poss&iacute;veis significados e desdobramentos para a esquerda latino-americana e os processos de retomada da coisa p&uacute;blica no per&iacute;odo p&oacute;s-neoliberal. A luta com a oposi&ccedil;&atilde;o escualida na Venezuela nos d&aacute; a oportunidade de fazer um debate de fundo. Com mod&eacute;stia me aproximo do tema, explicitando que n&atilde;o sou um especialista no pa&iacute;s embora o conhe&ccedil;a e a seu processo. Do ponto de vista pol&iacute;tico, por suposto que defendo o protagonismo dos sujeitos sociais organizados na terra de Ezequiel Zamora. Para n&oacute;s, vizinhos, aliados e hermanos da Am&eacute;rica Latina, entendo que cabe a cr&iacute;tica, a autocr&iacute;tica e o posicionamento firme pelo aprofundar do processo de c&acirc;mbio social, entrando de vez nas estruturas fundamentais da sociedade que ainda padece sob a heran&ccedil;a do famigerado Pacto de Punto Fijo. Nesse sentido, a lideran&ccedil;a carism&aacute;tica pode ser uma solu&ccedil;&atilde;o de curto prazo, mas &eacute; sempre um problema no m&eacute;dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Desde que fora eleito em 1998 vindo a assumir o poder presidencial em 1999, o governo de Hugo Rafael Ch&aacute;vez Fr&iacute;as j&aacute; passara por altos e baixos. No momento, o choque entre os poderes constitu&iacute;dos consolidados no Estado &ndash; atrav&eacute;s de Governo Central democraticamente reeleito por 11 anos consecutivos &ndash; se d&aacute; contra uma oposi&ccedil;&atilde;o vi&uacute;va do pacto olig&aacute;rquico gestor junto aos poderes externos da plataforma de exporta&ccedil;&atilde;o petroleira. Antes, 80% do PIB nacional advindo do petr&oacute;leo ficavam com n&atilde;o mais que 20% da popula&ccedil;&atilde;o. Em uma d&eacute;cada, embora ainda tenha disparidades, aumenta a divis&atilde;o de renda e o financiamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos atrav&eacute;s do com&eacute;rcio internacional do combust&iacute;vel f&oacute;ssil. <\/p>\n<p>Na Am&eacute;rica Latina, disputar o projeto de sociedade passa pela desconstru&ccedil;&atilde;o do Estado olig&aacute;rquico e cujos mandat&aacute;rios s&atilde;o dotados de mentalidade entreguista. Na defesa incondicional desse ponto de vista de tipo patria contratista, se localizam os empres&aacute;rios mais ferrenhos e militantes, o t&iacute;pico empreendedor e pol&iacute;tico &eacute; o que toma &agrave; frente e participa ativamente em Fedec&aacute;maras (Federa&ccedil;&atilde;o de C&acirc;maras e Associa&ccedil;&otilde;es de Com&eacute;rcio e Produ&ccedil;&atilde;o da Venezuela) &ndash; o equivalente ao organismo macro dos agentes econ&ocirc;micos privados venezuelanos. Em abril de 2002, foi o seu ent&atilde;o presidente Pedro Carmona que assume o poder temporariamente em Miraflores. O atual l&iacute;der Executivo da Federa&ccedil;&atilde;o patronal, Jos&eacute; Manoel Gonz&aacute;lez, clamara abertamente por uma rebeli&atilde;o empresarial, levando ao clima pr&oacute;-golpe de Estado. Diante desse tipo de inimigo direto, a d&uacute;vida n&atilde;o seria se &eacute; l&iacute;cito ou n&atilde;o expropriar uma empresa privada de um setor cartelizado, mas sim quando e como deve ser tomada essa medida. <\/p>\n<p>O mesmo vale para o setor central do capitalismo cognitivo e simb&oacute;lico, seu porta-voz e corredor de transporte de signos, ou seja, a m&iacute;dia privada. O grupo controlador da R&aacute;dio Caracas TV (RCTV) &eacute; respons&aacute;vel por convocat&oacute;rias pr&oacute;-golpe abertas. N&atilde;o se trata mais de um agente de m&iacute;dia que estaria sendo censurado, mas sim de um operador pol&iacute;tico que substitui a lideran&ccedil;a de partidos de intermedia&ccedil;&atilde;o fracos e desprestigiados. O fen&ocirc;meno pode ser novo em propor&ccedil;&atilde;o, mas nunca em ess&ecirc;ncia. Se conferirmos os editoriais dos maiores jornais do Brasil na primeira metade da d&eacute;cada de 1960, os textos publicados na semana antecedente do 1&ordm; de abril de 1964 convocam o Golpe de Estado de forma aberta e expl&iacute;cita. A hist&oacute;ria se repete, e agora que Lincoln Gordon arde nas profundezas, o papel de pr&oacute;-c&ocirc;nsul do Imp&eacute;rio cabe a advogada Hillary &ldquo;Whitewater&rdquo; Rodham Clinton. <\/p>\n<p>Ainda nesse sentido, da an&aacute;lise comparativa a partir de exemplos hist&oacute;ricos do s&eacute;culo XX, o tema do desabastecimento &eacute; igualmente preocupante. Antes da dissemina&ccedil;&atilde;o dos manuais de &ldquo;revolu&ccedil;&otilde;es de veludo&rdquo;, o movimento cl&aacute;ssico da direita era promover os locautes patronais e esvaziar a sensa&ccedil;&atilde;o de consumo pleno. O caso chileno durante o governo Allende foi exemplar. Isto vem a funcionar &ndash; a da crise por inefici&ecirc;ncia &#8211; quando a vers&atilde;o circulante hegem&ocirc;nica pertence aos meios privados e n&atilde;o existe eco social retumbado atrav&eacute;s de m&iacute;dia popular e comunit&aacute;ria. Assim como o Estado sob o comando de Ch&aacute;vez toma &agrave; frente e antecipa a luta direta fechando o canal RCTVI &ndash; como antes o fizera no sinal aberto, e ainda mais para tr&aacute;s a pugna se deu com o Grupo Cisneros, hoje posando de oficialista &ndash; opera como interventor das grandes plataformas de distribui&ccedil;&atilde;o, antecipando-se aos poss&iacute;veis saques de supermercados, prevendo a conseq&uuml;&ecirc;ncia e os efeitos de mobiliza&ccedil;&atilde;o e horror social (horrorizando a direita propriet&aacute;ria por exemplo) advindos da distribui&ccedil;&atilde;o direta dos produtos aliment&iacute;cios e similares. <\/p>\n<p>A vari&aacute;vel n&atilde;o presente e evitada pelo governo de Ch&aacute;vez &eacute; justamente o protagonismo popular nas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es que rendem ao mandat&aacute;rio uma boa dose de sua popularidade. Da&iacute; a condena&ccedil;&atilde;o aberta a a&ccedil;&otilde;es da UPV\/PPT, no ataque direto ao canal golpista. Se a a&ccedil;&atilde;o protagonista fosse comum e corrente, o Estado tentaria antecipar-se aos movimentos das parcelas do povo organizado, e conseq&uuml;entemente, faria o poss&iacute;vel para canalizar tal avan&ccedil;o para dentro das regras pouco formais que regem a cultura pol&iacute;tica daquele pa&iacute;s. Assim, a tarefa de Ch&aacute;vez &ndash; auto-imbu&iacute;da por ele &ndash; &eacute; evitar a a&ccedil;&atilde;o popular para al&eacute;m dos limites de interven&ccedil;&atilde;o do Estado e ao mesmo tempo garantir a peleia direta &ndash; pela for&ccedil;a da lei e de sua maioria pol&iacute;tica, militar e jur&iacute;dica absoluta &#8211; contra o inimigo de classe. <\/p>\n<p>Nesse sentido &eacute; importante ressaltar que a cancha est&aacute; aberta, embora muito centralizada na figura do l&iacute;der carism&aacute;tico e a capacidade de agir do pr&oacute;prio Estado. &Eacute; um equ&iacute;voco te&oacute;rico naturalizar como &uacute;nica forma de democracia a concorr&ecirc;ncia entra partidos olig&aacute;rquicos associados aos oligop&oacute;lios formados pelos cart&eacute;is da m&iacute;dia privada, dos grandes supermercados (que imp&otilde;em uma pol&iacute;tica de pre&ccedil;os) e do sistema banc&aacute;rio. Ao mesmo tempo, o reboquismo quase sempre leva &agrave; derrota pol&iacute;tica no m&eacute;dio ou longo prazo, vide o caso da Argentina na d&eacute;cada de &rsquo;70 e a terr&iacute;vel heran&ccedil;a pol&iacute;tica no conurbano bonaerense at&eacute; os dias de hoje. <\/p>\n<p>Eis a encruzilhada. Dificilmente a direita retoma o poder na Venezuela atrav&eacute;s do voto. E, mais dificilmente ainda o povo de l&aacute; aceitar&aacute; um golpe de Estado de forma passiva. Na resist&ecirc;ncia a esse golpe, tal e como 2002, pode abrir uma janela de oportunidade para amadurecer a cr&iacute;tica por esquerda da chamada direita end&oacute;gena (ou direita vermelha, as cores do PSUV, partido criado por Ch&aacute;vez) e formalizar modelos de gest&atilde;o direta, alguns com formaliza&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica j&aacute; bastante avan&ccedil;ada, como na gest&atilde;o de recursos coletivos atrav&eacute;s de Mesas T&eacute;cnicas (para &aacute;gua, luz, saneamento, cal&ccedil;amento, etc.). Como a pol&iacute;tica &eacute; um jogo de arenas simult&acirc;neas, estes conflitos internos ao movimento bolivariano v&atilde;o se dar simultaneamente aos confrontos com a direita em geral, sendo que no momento a vez &eacute; do combate com a m&iacute;dia privada e com as grandes plataformas de distribui&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;neros de primeira necessidade. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=29416\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>noticias24.com Foto:Os murais de grupos n\u00e3o-oficias e mais radicalizados, como o Alexis Vive, com base no indom\u00e1vel 23 de Enero, s\u00e3o parte essencial de uma capacidade de fazer pol\u00edtica para al\u00e9m de Ch\u00e1vez, Miraflores e apostando no descontrole da direita end\u00f3gena. 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