{"id":1156,"date":"2010-02-09T16:48:27","date_gmt":"2010-02-09T16:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1156"},"modified":"2010-02-09T16:48:27","modified_gmt":"2010-02-09T16:48:27","slug":"o-conflito-na-venezuela-uma-mirada-mais-a-esquerda-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1156","title":{"rendered":"O conflito na Venezuela: uma mirada mais \u00e0 esquerda \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Marea_roja.jpg\" title=\"A mar\u00e9 vermelha \u2013 marea roja \u2013 n\u00e3o ganha a organicidade necess\u00e1ria para superar o est\u00e1gio de v\u00ednculos com um Estado em reconstru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o dotado de regras universais de acesso; nesse contexto a presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o al\u00e9m do PSUV \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio processo bolivariano. - Foto:el pais\" alt=\"A mar\u00e9 vermelha \u2013 marea roja \u2013 n\u00e3o ganha a organicidade necess\u00e1ria para superar o est\u00e1gio de v\u00ednculos com um Estado em reconstru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o dotado de regras universais de acesso; nesse contexto a presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o al\u00e9m do PSUV \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio processo bolivariano. - Foto:el pais\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A mar\u00e9 vermelha \u2013 marea roja \u2013 n\u00e3o ganha a organicidade necess\u00e1ria para superar o est\u00e1gio de v\u00ednculos com um Estado em reconstru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o dotado de regras universais de acesso; nesse contexto a presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o al\u00e9m do PSUV \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio processo bolivariano.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:el pais<\/small><\/figure>\n<p>08 de fevereiro de 2010, do espelho d&rsquo;&aacute;gua da Lagoa mais sure&ntilde;a do Rio Grande, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Sigo esta semana no tema da conjuntura que aborda o conflito pol&iacute;tico e social na Venezuela. Neste texto, encaramos o tema dos estudantes como for&ccedil;a de protesto e da guerra de 4&ordf; gera&ccedil;&atilde;o como arena priorit&aacute;ria do choque e da promo&ccedil;&atilde;o destas lutas. Para come&ccedil;ar, &eacute; preciso compreender de que tipo de estudantes n&oacute;s estamos classificando como de oposi&ccedil;&atilde;o e seus porqu&ecirc;s.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que seria um exagero afirmar que toda a oposi&ccedil;&atilde;o venezuelana &eacute; fomentada pela CIA, n&atilde;o &eacute; errado dizer que a dividida e mal organizada oposi&ccedil;&atilde;o tanto ao processo bolivariano como ao governo Ch&aacute;vez tem um grau de articula&ccedil;&atilde;o com as ag&ecirc;ncias estadunidenses operadoras da pol&iacute;tica imperialista do Big Stick (porrete grande). Dentre elas est&aacute; a CIA, e vem da&iacute; a refer&ecirc;ncia para os protestos da juventude &agrave; direita. Um enlace da Ag&ecirc;ncia que dera certo foi no movimento de oposi&ccedil;&atilde;o s&eacute;rvio datado de 2000. Com grande criatividade e frescor juvenil, uma gama de universit&aacute;rios do pa&iacute;s que fora l&iacute;der da extinta Iugosl&aacute;via conseguiu derrubar o governo alimentado do discurso chauvinista e herdeiro das estruturas de Estado p&oacute;s-Tito. Nessa luta de ares c&iacute;vicos, o Imp&eacute;rio operou com desenvoltura, mesmo porque a defesa daquele governo era um absurdo. <\/p>\n<p>Nada disso se parece com o governo Ch&aacute;vez. Os estudantes da Venezuela que entraram no ensino superior do pa&iacute;s atrav&eacute;s de novas institui&ccedil;&otilde;es de 3&ordm; grau criadas a partir de 1999 superam em 6 por 1 aos alunos de universidades privadas ou os membros da oligarquia presentes nas universidades p&uacute;blicas. Assim, estamos falando que a oposi&ccedil;&atilde;o estudantil manobra potencialmente a no m&aacute;ximo 1\/6 dos potenciais participantes de protestos. Se fosse mais organiz&aacute;vel a massa de estudantes com v&iacute;nculos ou identidades bolivarianas aconteceria simplesmente um massacre num&eacute;rico e a quebra da legitimidade dos escu&aacute;lidos juvenis ou pitiyankees. <\/p>\n<p>No quesito n&iacute;vel de viol&ecirc;ncia o contradit&oacute;rio &eacute; ainda mais gritante. Nas quatro d&eacute;cadas anteriores durante a vig&ecirc;ncia do Pacto de Punto Fijo (1958-1998), era comum a exist&ecirc;ncia de mortos (assassinados pelas for&ccedil;as da ordem olig&aacute;rquica) durante as marchas ou persegui&ccedil;&otilde;es e desapari&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas ap&oacute;s os protestos pontuais. E, nesse ponto a oligarquia fora razoavelmente salom&ocirc;nica, matando tanto a moradores das barriadas populares como a ferrenha oposi&ccedil;&atilde;o presente na Universidade Central da Venezuela (UCV). Para fazer pol&iacute;tica em Caracas e ter algum grau de presen&ccedil;a, &eacute; necess&aacute;rio que cada agrupa&ccedil;&atilde;o tenha certa inser&ccedil;&atilde;o em ambos os espa&ccedil;os. Os mortos, at&eacute; 1999, eram conseq&uuml;&ecirc;ncia da repress&atilde;o da democracia representativa na terra de Ribas e Boves. Como dizia o ex-presidente olig&aacute;rquico R&ocirc;mulo Betancourt, &ldquo;tem que atirar primeiro e perguntar depois!&rdquo;. <\/p>\n<p>Para esta cultura pol&iacute;tica e m&eacute;dia de incid&ecirc;ncia repressiva, as for&ccedil;as policiais com lealdade aos n&iacute;veis de governo sob comando de chavistas (porque as pol&iacute;cias tamb&eacute;m s&atilde;o estaduais e municipalizadas) incorreram em poucas mortes nos &uacute;ltimos 11 anos. Em sendo a pol&iacute;cia do governo populista pouco violenta (repito: para os &iacute;ndices do pa&iacute;s), e tendo Ch&aacute;vez uma base popular mais ampla do que os setores organizados, &eacute; quase que uma conseq&uuml;&ecirc;ncia de que seus eleitores queiram mais palo y polvo (cacetete e g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo) nos jovens opositores. O problema que aqui apresento deriva justamente desse sentimento de respaldar um governo que lhes oferece melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. <\/p>\n<p>Vejamos. Ao defender maior repress&atilde;o, se refor&ccedil;a tamb&eacute;m a linha mais oficialista, mais chavista do que bolivariana, mais do PSUV com cara de com&iacute;cio de campanha do que a constela&ccedil;&atilde;o de partidos e agrupa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o nesta acumula&ccedil;&atilde;o desde 1992 que ap&oacute;iam ou participam desse processo. Muitas destas, inclusive, s&atilde;o anteriores aos dois intentos de golpes &ndash; um militar e outro c&iacute;vico &#8211; que lan&ccedil;aram Ch&aacute;vez para a arena principal. O mesmo vale ao rev&eacute;s. Quando se nota um apoio aos &iacute;ndices repressivos, diminuem as poss&iacute;veis chancelas de a&ccedil;&otilde;es e atos pela via direta e por esquerda. Basta ver o esc&acirc;ndalo que foi o ato dos partid&aacute;rios de Lina Ron (UPV) contra as instala&ccedil;&otilde;es da RCTV antes de seu fechamento. &Agrave; medida que os grupos por fora do PSUV v&atilde;o minguando, pela pr&oacute;pria distribui&ccedil;&atilde;o de cores se ausentam das ruas e da luta direta, assim se delega para o Estado (que n&atilde;o tem concurso p&uacute;blico para entrar no servi&ccedil;o) a &uacute;nica legitimidade para levar adiante o processo de c&acirc;mbio, agora abertamente proclamado &ldquo;rumo ao socialismo do s&eacute;culo XXI&rdquo;, seja l&aacute; o destino que a consigna ir&aacute; implicar. <\/p>\n<p>Neste e em qualquer processo de c&acirc;mbio ou conflito, ganhar as ruas &eacute; condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para as for&ccedil;as sociais ou pol&iacute;tico-sociais se imporem diante do governo Ch&aacute;vez e se legitimarem perante a popula&ccedil;&atilde;o interessada no processo bolivariano. Isto foi o que ocorreu em abril de 2002 e possivelmente voltar&aacute; a ocorrer caso se d&ecirc;em abertos novos intentos de golpe para al&eacute;m dos estudantes de direita e da midiatiza&ccedil;&atilde;o de Globovisi&oacute;n e RCTV liderando o Bloco de Imprensa Venezuelana e sua vontade proclamada de manter a m&iacute;dia como neg&oacute;cio, incluindo audi&ecirc;ncia significada como opini&atilde;o p&uacute;blica ou poss&iacute;vel base eleitoral. Nunca &eacute; demais lembrar o epis&oacute;dio da Faculdade de Servi&ccedil;o Social (Trabajo Social) da UCV, de maioria de mulheres e que chegou a ser cercada por universit&aacute;rios da oposi&ccedil;&atilde;o. No epis&oacute;dio, a direita imberbe ateou fogo de fora do edif&iacute;cio de quatro andares, dispararam tiros para dentro e amea&ccedil;avam linchar as pessoas que se encontravam dentro do pr&eacute;dio. Como a pol&iacute;cia metropolitana &ndash; ent&atilde;o j&aacute; sob ordens do governo central &ndash; foi impedida pelo vice-reitor de entrar no Campus (em defesa da autonomia universit&aacute;ria), coube &agrave;s forma&ccedil;&otilde;es especiais do bairro 23 de Enero &ndash; a saber, militantes populares organizados para o conflito com esta mesma direita e as pol&iacute;cias &ndash; retirarem a maioria de mulheres presentes no recinto. Ou seja, se n&atilde;o fosse pela a&ccedil;&atilde;o direta popular (organizada e com dispositivo a ser mobilizado atrav&eacute;s de motocicletas) e na ocasi&atilde;o se produziria um massacre, com mortos, linchamentos e viola&ccedil;&otilde;es de mulheres. Claro, tudo em nome da liberdade! <\/p>\n<p>Nada disso &eacute; fantasia. A Telesur exp&otilde;e estas imagens gravadas ao vivo, de dentro e de fora da Faculdade, e aquilo que se mostra &eacute; irrepar&aacute;vel, n&atilde;o cabendo d&uacute;vidas. E, particularmente, conheci gente que l&aacute; estava nesse dia ao lado dos estudantes de Servi&ccedil;o Social. A narra&ccedil;&atilde;o &eacute; a mesma da Telesur, &aacute; exce&ccedil;&atilde;o de que no texto televisivo, diminuem a relev&acirc;ncia dos militantes populares pr&eacute;-dispostos para a autodefesa. A barriada, quando est&aacute; regularmente matriculada, ressalta o &oacute;dio rec&iacute;proco que se revela na expans&atilde;o do ensino superior. Porque com o aumento da oferta de vagas e institui&ccedil;&otilde;es de 3&ordm; grau, se rompeu um funil de ingresso nas camadas de alta educa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, permitindo que a tomada de decis&otilde;es numa sociedade complexa seja aumentada. <\/p>\n<p>Embora sempre houvesse esquerda aguerrida e inclusive com v&iacute;nculo guerrilheiros nas d&eacute;cadas de 1960 a 1980, a massa universit&aacute;ria era uma elite que se via como tal e reconhecia o modo de vida olig&aacute;rquico e pr&oacute;-Imp&eacute;rio como &ldquo;natural&rdquo;. Ao quebrar o funil, o governo Ch&aacute;vez estoura as paix&otilde;es mais entranhadas dos mantuanos racistas, pretensos de sua hispanidade e com profundo desprezo aos setores populares do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>&Eacute; esta a ira que se v&ecirc; nas ruas, refor&ccedil;ada por ex-militantes jovens dos partidos do Pacto p&oacute;s- P&eacute;rez Jimenez, a saber, PRD, COPEI e URD e incrementada por uma estranha mescla de esquerda (ou ex-esquerda) e de extrema direita desorganizada. A organiza&ccedil;&atilde;o Bandera Roja, antes muito respeitada, veterana de lutas guerrilheiras posteriores ao MIR e a FALN, contempor&acirc;nea da Tend&ecirc;ncia Combativa nos anos 1980 e das Brigadas del Saqueo, se porta e marcha ao lado da direita antes por eles combatida. O mesmo passa com o muito respeitado ex-guerrilheiro Douglas Bravo, reconhecido militante da esquerda do pa&iacute;s, e que atira sua trajet&oacute;ria por caminhos duvidosos, expondo-se ao absurdo para ser midiatizado pelo Bloco liderado por Ravel e outros do &ldquo;Pacto de Puerto Rico&rdquo;. <\/p>\n<p>Falando em conspira&ccedil;&atilde;o de direita, o Pacto de Puerto Rico veio &agrave; tona quando revelado. Na ocasi&atilde;o, em janeiro de 2009, l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o e donos ou diretores de meios de comunica&ccedil;&atilde;o foram flagrados pelo G2 cubano (servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia leal aos veteranos do M26 e a hierarquia das for&ccedil;as armadas lideradas por Ra&uacute;l) em uma reuni&atilde;o promovida pelo Departamento de Estado do Imp&eacute;rio, uma esp&eacute;cie de Cumbre Golpista. Flagrados pela picardia da experimental &Aacute;vila TV em pleno desembarque no aeroporto de La Guaira, o epis&oacute;dio tornou p&uacute;blico algo j&aacute; sabido e reconhecido por quem faz e analisa pol&iacute;tica na Am&eacute;rica Latina. Esta foi uma dentre v&aacute;rias Cumbres Golpistas de distintas categorias e relev&acirc;ncias. <\/p>\n<p>Concluindo o cruzamento de vari&aacute;veis entre estudantes de direita e meios de comunica&ccedil;&atilde;o corporativos, pode-se compreender que um retroalimenta o outro. Os universit&aacute;rios da rea&ccedil;&atilde;o tomam algumas ruas e promovem atos de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo Ch&aacute;vez. Os meios repercutem multiplicam por dez um fato pol&iacute;tico diante da midiatiza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; a receita n&atilde;o se d&aacute; ao inverso. Quando o governo reprime, soa no exterior como viol&ecirc;ncia contra o direito de protestar. E, quando os grupos al&eacute;m do PSUV tomam &agrave; frente e atuam na luta direta, o primeiro que sai declarando em contra e chamando por &ldquo;disciplina&rdquo; &eacute; o pr&oacute;prio Hugo Rafael! Mas, nunca &eacute; exagero lembrar que foram estas mesmas agrupa&ccedil;&otilde;es que tomaram a dianteira em abril de 2002, cercaram o Pal&aacute;cio Miraflores, cortaram as entradas de Caracas, ajudaram a popula&ccedil;&atilde;o dos morros a descerem (literalmente!), transmitiram de forma incessante atrav&eacute;s de r&aacute;dios comunit&aacute;rias e tomaram de assalto a TV estatal. Essas foram as condi&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias que geraram o impasse militar e possibilitou a retomada do governo por Ch&aacute;vez. Foram este setores, chamados de ultra-esquerda, at&eacute; de desleais ou inconseq&uuml;entes e n&atilde;o qualquer outra hierarquia do extinto Movimento 5&ordf; Rep&uacute;blica (MVR, ent&atilde;o a sigla oficial) e nenhum elemento de tipo direita end&oacute;gena ou direita vermelha, hoje abundante no PSUV. <\/p>\n<p>Entendo que a capacidade de p&ocirc;r oxig&ecirc;nio no processo e as garantias de que existe alguma chance do mesmo ser aprofundado para al&eacute;m das inst&acirc;ncias de governo, est&aacute; justamente no caleidosc&oacute;pio de organiza&ccedil;&otilde;es sociais, de base, pol&iacute;tico-sociais e pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas em que, n&atilde;o sendo totalmente subordinadas &agrave; Ch&aacute;vez, garantem a continuidade da luta popular para al&eacute;m das raz&otilde;es de Estado ou do fasc&iacute;nio pela conjun&ccedil;&atilde;o de farda e lideran&ccedil;a carism&aacute;tica. Por mais caricata que muitas vezes possa parecer a situa&ccedil;&atilde;o de l&aacute; para os analistas colonizados por conceitos da Metr&oacute;pole, trata-se de cancha aberta e luta ferrenha. A direita venezuelana, embora desorganizada, n&atilde;o est&aacute; de brincadeira. Menos ainda as fra&ccedil;&otilde;es de jovens que imitam a m&atilde;o branca e depois negra s&eacute;rvia contra os herdeiros de Milosevic. A diferen&ccedil;a &eacute; que os fascistas &ndash; ao menos de inspira&ccedil;&atilde;o &ndash; est&atilde;o do lado escu&aacute;lido da barricada. E, para al&eacute;m da Metropolitana ou da Pol&iacute;cia Nacional, est&atilde;o militantes comprometidos com o processo e em ultrapassar seus limites institucionais. <\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvio que o tema central desta luta vai al&eacute;m da retomada do Estado como ente de servi&ccedil;os p&uacute;blicos e se centra no Poder Popular. Esta nova organiza&ccedil;&atilde;o social vai ao encontro e confronta a concep&ccedil;&atilde;o de democracia representativa, ganha vulto e contorno, e ser&aacute; devidamente abordada posteriormente. O epicentro da luta na atualidade est&aacute; na legitimidade ou n&atilde;o do que &eacute; feito, e se encontra no meio da &ldquo;loucura&rdquo;, na guerra ideol&oacute;gica ou de 4&ordf; gera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>No caso do tema de hoje, se e caso o governo acatasse a reivindica&ccedil;&atilde;o de setores como a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Meios Comunit&aacute;rios, Livres e Alternativos (ANMCLA) e concordasse com a outorga de 33% do espectro radioel&eacute;trico para o controle direto das parcelas de povo organizado para a comunica&ccedil;&atilde;o social e parte desta mesma luta estaria mais avan&ccedil;ada sen&atilde;o conclu&iacute;da. A midiatiza&ccedil;&atilde;o seria o avesso do que se tem hoje com os meios olig&aacute;rquicos referendando a sua parcela da sociedade e a press&atilde;o feita pela hierarquia de turno do Estado sob comando de Ch&aacute;vez, fazendo m&iacute;dia de razo&aacute;vel qualidade, mas com tom oficialista e chapa branca. <\/p>\n<p>A cancha est&aacute; aberta, mas para as propostas mais &agrave; esquerda reconhe&ccedil;o que no exato momento o jogo se complica. A soma de protagonismo de rua e midiatiza&ccedil;&atilde;o independente forma a condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para ultrapassar parte do controle direto de Ch&aacute;vez e seu primeiro escal&atilde;o da vez (sendo que a troca &eacute; constante). Romper ambas as barreiras, dando combate direto aos estudantes de direita e aos meios corporativos &eacute; urgentemente necess&aacute;rio para a seq&uuml;&ecirc;ncia do processo bolivariano com o povo organizado como protagonista. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=29640\">Este artigo foi originalmente escrito no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mar\u00e9 vermelha \u2013 marea roja \u2013 n\u00e3o ganha a organicidade necess\u00e1ria para superar o est\u00e1gio de v\u00ednculos com um Estado em reconstru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o dotado de regras universais de acesso; nesse contexto a presen\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o al\u00e9m do PSUV \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio processo bolivariano. 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