{"id":1199,"date":"2010-03-18T15:25:01","date_gmt":"2010-03-18T15:25:01","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1199"},"modified":"2010-03-18T15:25:01","modified_gmt":"2010-03-18T15:25:01","slug":"debatendo-um-modelo-de-organizacao-politica-como-forca-motriz-para-o-processo-de-radicalizacao-democratica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1199","title":{"rendered":"Debatendo um modelo de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como for\u00e7a motriz para o processo de radicaliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/resistencia.gif\" title=\"A espinha dorsal de qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a organicidade das entidades de base, preenchendo o v\u00e1cuo do senso comum com uma perspectiva de horizonte e metas de longo prazo tornadas palp\u00e1veis atrav\u00e9s de conquistas concretas e vit\u00f3rias relevantes sobre a direita  - Foto:sacoyvanzetti_colectivo\" alt=\"A espinha dorsal de qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a organicidade das entidades de base, preenchendo o v\u00e1cuo do senso comum com uma perspectiva de horizonte e metas de longo prazo tornadas palp\u00e1veis atrav\u00e9s de conquistas concretas e vit\u00f3rias relevantes sobre a direita  - Foto:sacoyvanzetti_colectivo\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A espinha dorsal de qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a organicidade das entidades de base, preenchendo o v\u00e1cuo do senso comum com uma perspectiva de horizonte e metas de longo prazo tornadas palp\u00e1veis atrav\u00e9s de conquistas concretas e vit\u00f3rias relevantes sobre a direita <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:sacoyvanzetti_colectivo<\/small><\/figure>\n<p>18 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina de um Rio Grande antes platense do que chauvinista e vende-p&aacute;tria, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Neste texto, dou seq&uuml;&ecirc;ncia ao esfor&ccedil;o de difus&atilde;o cient&iacute;fica, retomando o debate a respeito de um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que n&atilde;o tenha como atividade-meio a representa&ccedil;&atilde;o e a intermedia&ccedil;&atilde;o profissional. Como no artigo anterior, o mesmo consta de bibliografia ao final para melhor situar o leitor no debate acad&ecirc;mico e de rigor.<\/p>\n<p><strong>O ambiente macro e uma generaliza&ccedil;&atilde;o palp&aacute;vel de democracia<\/strong> <\/p>\n<p>Entendo que &eacute; fundamental, antes de seguir na tipifica&ccedil;&atilde;o do partido pol&iacute;tico, entrar no tema do ambiente macro onde o mesmo est&aacute; inserido. Na hip&oacute;tese de trabalho aqui argumentada, a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; necessariamente de tipo partido competidor, partido eleitoral. E, n&atilde;o se trata necessariamente de fortalecer ou n&atilde;o a sa&iacute;da de tipo insurgente, mas de aprofundar a capacidade de avan&ccedil;o democr&aacute;tico no interior das lutas e disputas pela amplia&ccedil;&atilde;o de direitos coletivos e individuais. Por suposto que o modelo advoga uma base societ&aacute;ria ditributivista e por racioc&iacute;nio l&oacute;gico, a mesma &eacute; imposs&iacute;vel sem disputa em distintos n&iacute;veis. Mas, antes de entrar nesse m&eacute;rito, faz-se necess&aacute;rio o debate a respeito da democracia. <\/p>\n<p>Tal como a maioria dos cientistas pol&iacute;ticos, entendo que n&atilde;o h&aacute; uma teoria unit&aacute;ria de democracia e que a mesma est&aacute; em disputa. Tamb&eacute;m compreendo como v&aacute;lida a afirma&ccedil;&atilde;o de que a vida em sociedade atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio de liberdade de express&atilde;o, de reuni&atilde;o, de organiza&ccedil;&atilde;o e de manifesta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os pr&eacute;-requisitos b&aacute;sicos para uma sociedade democr&aacute;tica. Embora sejam essenciais, tais direitos n&atilde;o s&atilde;o fins em si mesmos. E, a garantia da estabilidade destes direitos n&atilde;o pode existir excluindo a dimens&atilde;o social, distributiva, jur&iacute;dica e econ&ocirc;mica da democracia. Assim, n&atilde;o compreendo como &ldquo;democr&aacute;tica&rdquo; uma sociedade plena de direitos, mas onde as maiorias n&atilde;o influem de forma direta sobre e a respeito das decis&otilde;es fundamentais. <\/p>\n<p>Abordando este tema atrav&eacute;s da unidade de an&aacute;lise partidos pol&iacute;ticos, nos encontramos com um debate de fundo. O mesmo trata das regras e condutas pelas quais o trabalho se posiciona. Para isso, necessita-se debater qual o conceito de democracia estamos adotando? Para Baquero 2000 (p.17), &ldquo;[&#8230;] <em>apesar de todas as categoriza&ccedil;&otilde;es conceituais de democracia que se encontram na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, dois tipos de orienta&ccedil;&atilde;o tem se sobressa&iacute;do. Por um lado a democracia liberal e, por outro, a democracia social<\/em>.&rdquo; Para Baquero (id), embora seja fruto de pol&ecirc;mica, diverg&ecirc;ncias, debates e embates na bibliografia no interior do campo, ambas as concep&ccedil;&otilde;es tem como pontos comuns de converg&ecirc;ncia: &ldquo;<em>soberania popular, direitos humanos, igualdade de oportunidades e livre express&atilde;o<\/em>.&rdquo; <\/p>\n<p>Fa&ccedil;o acordo com esta defini&ccedil;&atilde;o generaliz&aacute;vel de democracia e vejo que no avan&ccedil;o da democracia liberal, pois &agrave; medida que os pressupostos neoliberais ampliam sua gravita&ccedil;&atilde;o e o peso relativo, &eacute; onde a soberania popular perde espa&ccedil;o para os agentes que operam na l&oacute;gica de mercado, e por conseq&uuml;&ecirc;ncia vem sendo retirado conte&uacute;do dos regimes democr&aacute;ticos. Simultaneamente devido a perda de regula&ccedil;&atilde;o social e a concomitante estabilidade procedimental do regime pol&iacute;tico, outras formas de express&atilde;o pol&iacute;ticas v&ecirc;m ganhando terreno. <\/p>\n<p><strong>A quebra da exclusividade da representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e o problema de modelagem <br \/>\n<\/strong><br \/>\nH&aacute; uma extensa bibliografia abordando o tema dos movimentos populares, dos &ldquo;novos movimentos&rdquo; e da rela&ccedil;&atilde;o destes com os partidos pol&iacute;ticos. Ao mesmo tempo, segundo Offe (1992, p. 164) &ldquo;<em>h&aacute; um aumento de ideologias e atitudes &lsquo;participativas&rsquo; que levam as pessoas a se servirem cada vez mais do repert&oacute;rio de direitos democr&aacute;ticos existentes<\/em>&rdquo;. Esta caracter&iacute;stica agrava o distanciamento entre os partidos constitu&iacute;dos, operando dentro do jogo eleitoral e a partir dos procedimentos formais e evitando o conflito para o aumento destes mesmos direitos. Ainda para Offe (id) outros fatores que fortalecem este hiato de &ldquo;representa&ccedil;&atilde;o formal&rdquo;, seriam &ldquo;<em>o uso crescente de formas n&atilde;o formais de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<\/em>&rdquo; (obs: como as j&aacute; por mim retratadas, as que fortalecem as modalidades de protesto atrav&eacute;s de mobiliza&ccedil;&atilde;o e gera&ccedil;&atilde;o de fatos pol&iacute;ticos); e &ldquo;as exig&ecirc;ncias e conflitos pol&iacute;ticos de temas que conseguem se &lsquo;politizar&rsquo;&rdquo;. <\/p>\n<p>Entendo que isto se d&aacute;, porque fruto da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, h&aacute; a capacidade de um setor da sociedade, sujeito social organizado [atrav&eacute;s de um(s) agente(s) dotado deste prop&oacute;sito] ou fra&ccedil;&atilde;o de classe, de conseguir tornar politicamente aceit&aacute;veis temas que em uma etapa anterior eram vistos como de &ldquo;ordem moral, privada ou confessional&rdquo;. Tal &eacute; o caso, dentre v&aacute;rios, dos direitos reprodutivos (quest&atilde;o do aborto), do ass&eacute;dio moral (humaniza&ccedil;&atilde;o do trabalho), dos temas da sexualidade (homossexualismos como disparadores de outras vers&otilde;es de g&ecirc;neros), &eacute;tnico-culturais (combatendo id&eacute;ias arraigadas de supremacia e da pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a) e das causas vinculadas direta ou indiretamente &agrave; ecologia (passando por demandas ambientalistas, preservacionistas, indigenistas, camponesas, dentre outras tantas). <\/p>\n<p>&Eacute; neste cen&aacute;rio de quebra do monop&oacute;lio da representa&ccedil;&atilde;o, fazendo a cr&iacute;tica da intermedia&ccedil;&atilde;o profissional e sendo obrigado a operar num terreno de identidades fragmentadas e multiplicadas que est&aacute; sendo proposta e desenvolvida &ndash; aqui e fruto de tese de doutoramento na &aacute;rea &#8211; a modelagem de &ldquo;partido&rdquo;. Isto &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o aqui empregada, a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica espec&iacute;fica, neste caso, de matriz e orienta&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria. O enfoque organizativo desta s&eacute;rie que debate um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; visto como um foco de debates, um eixo de an&aacute;lise. N&atilde;o se v&ecirc; como &uacute;nico, mas compreende que as formas de funcionamento refletem o projeto pol&iacute;tico em si, na forma viva por estar sendo exposto e reproduzido em meio das rela&ccedil;&otilde;es sociais e em cen&aacute;rios cada vez mais complexos. <\/p>\n<p>Sua modelagem se d&aacute; atrav&eacute;s da an&aacute;lise e proposi&ccedil;&atilde;o organizativa da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, isto porque &ldquo;<em>s&atilde;o os conceitos essenciais a ser desenvolvidos<\/em>&rdquo; (Panebianko, 1982, p.17) para analisar o partido pol&iacute;tico. Para Panebianko (p.15), &ldquo;<em>naturalmente as organiza&ccedil;&otilde;es, e por tanto, tamb&eacute;m os partidos, tem um <u>conjunto de caracter&iacute;sticas que obedecem a imperativos t&eacute;cnicos<\/u>: exig&ecirc;ncias derivadas da divis&atilde;o do trabalho, de coordena&ccedil;&atilde;o entre distintos &oacute;rg&atilde;os, da necessidade de desenvolver certa especializa&ccedil;&atilde;o em suas rela&ccedil;&otilde;es com o entorno, dentre outras exig&ecirc;ncias<\/em>.&rdquo; (obs: o grifo &eacute; meu) <\/p>\n<p><strong>O estudo da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e a car&ecirc;ncia na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica atual <br \/>\n<\/strong><br \/>\nEste trabalho apresenta a teoria de m&eacute;dio alcance onde o recipiente de longo prazo para a acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as na interdepend&ecirc;ncia &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e as institui&ccedil;&otilde;es sociais (com perfil de movimentos populares), adentro dos quais esta institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica tem penetra&ccedil;&atilde;o e est&aacute; inserida. Para tanto, utilizaremos alguns dos conceitos recorrentes na literatura contempor&acirc;nea, recortando as ferramentas de utilidade explicativa independente de escola ou matriz te&oacute;rica. <\/p>\n<p>No tema espec&iacute;fico desta s&eacute;rie, o objeto de estudo &eacute; o treinamento de quadros de organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas com inten&ccedil;&otilde;es de ruptura. Este &eacute;, em nosso ver, secund&aacute;rio na literatura pol&iacute;tica contempor&acirc;nea. Em especial se tratando dos autores e escolas cujas origens est&atilde;o nos pa&iacute;ses centrais e consagradas nas universidades de pa&iacute;ses perif&eacute;ricos como o Brasil. Esta falta de import&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; por acaso. Cabe a ci&ecirc;ncia social dos pa&iacute;ses centrais tamb&eacute;m formular e servir de laborat&oacute;rio para suas pol&iacute;ticas externas, tratando tanto de a&ccedil;&otilde;es de Estado, como as de tipo mais comum, inserindo os saberes acad&ecirc;micos na divis&atilde;o internacional do trabalho (Santos, 2002). Infelizmente, boa parte dos centros de estudos na &aacute;rea de pol&iacute;tica (e suas deriva&ccedil;&otilde;es) da maior parte das universidades brasileiras, aparentemente termina por se contentar em reproduzir o conhecimento enquanto representa&ccedil;&atilde;o, difundindo as premissas que nos impedem de pensar caminhos aut&ocirc;nomos e independentes para os pa&iacute;ses latino-americanos. <\/p>\n<p>Entendo ser interessante apontar aqui a defini&ccedil;&atilde;o de Baquero (2006, in Baquero &amp; Cremonese, p. 47) a respeito deste fen&ocirc;meno, algumas de suas conseq&uuml;&ecirc;ncias e as poss&iacute;veis contra medidas aplicadas pelos cientistas pol&iacute;ticos latino-americanos: <\/p>\n<p>&ldquo;<em>No caso da Am&eacute;rica Latina, a &ldquo;depend&ecirc;ncia&rdquo; de paradigmas externos tem produzido uma estagna&ccedil;&atilde;o no conhecimento, bem como uma paralisia da criatividade intelectual no sentido de propor alternativas para pensar nossa hist&oacute;ria a partir de construtos aut&oacute;ctones<\/em>.&rdquo; <\/p>\n<p><em>&Eacute; justo no sentido da constata&ccedil;&atilde;o e da cr&iacute;tica acima que se dedica esta Tese como um todo, e em se tratando de modelos de partidos, este cap&iacute;tulo em especial. A pondera&ccedil;&atilde;o que segue, conflui com a reflex&atilde;o que fa&ccedil;o no par&aacute;grafo al&eacute;m da cita&ccedil;&atilde;o. Vejamos: <\/p>\n<p>Isso n&atilde;o significa negligenciar ou n&atilde;o analisar as condi&ccedil;&otilde;es contextuais de pa&iacute;ses com culturas e economias diferentes das nossas, sobre as quais foram elaboradas teorias. Pelo contr&aacute;rio, essas experi&ecirc;ncias devem ser utilizadas para identificar as especificidades dos pa&iacute;ses latino-americanos, por&eacute;m devem ser examinadas como evid&ecirc;ncia contrafactual. Esta pr&aacute;tica, penso eu, poderia ajudar a identificar as &aacute;reas nas quais o cientista pol&iacute;tico poderia atuar, indo al&eacute;m do mero diagn&oacute;stico e descri&ccedil;&atilde;o normativa, pois naturalizar acriticamente as teorias internacionais em nada contribui para vislumbrar estrat&eacute;gias emancipadoras de nossa condi&ccedil;&atilde;o de meros reprodutores de teorias<\/em>. (Baquero 2006, p. 47) <\/p>\n<p>Cabe aqui uma observa&ccedil;&atilde;o minha. Entendo que s&atilde;o teorias internacionais por sua for&ccedil;a e gravita&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de origem, ou seja, dos pa&iacute;ses de capitalismo central. N&atilde;o s&atilde;o &ldquo;teorias internacionais&rdquo; por se aplicarem mundialmente ou por terem conceitos &ldquo;naturalmente&rdquo; internacionaliz&aacute;veis. No caso da Am&eacute;rica Latina, tal postura atinge n&atilde;o somente a ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica stricto sensu, bem como o pr&oacute;prio fazer pol&iacute;tico e seus tipos ideais advogados e defendidos como normativamente positivos. <\/p>\n<p>Voltando ao desenvolvimento argumentativo pr&oacute;prio, ressalto ser a inten&ccedil;&atilde;o aqui o estabelecimento de um di&aacute;logo e de levar ao debate de fundo, incluindo as premissas, de alguns autores que apresentamos ao longo do texto. Para manter certa coer&ecirc;ncia e o tom da pol&ecirc;mica necess&aacute;rio, debatemos utilizando algumas ferramentas necess&aacute;rias que s&atilde;o apresentadas (genericamente) no pr&oacute;prio treinamento de p&oacute;s-graduandos em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Argumentamos ao longo das pr&oacute;ximas p&aacute;ginas (desta s&eacute;rie, neste e noutros artigos) que a capacidade de um analista est&aacute; em utilizar os conceitos como ferramentas te&oacute;ricas, capazes de explicar, exemplificar e universalizar algumas categorias, transitando entre teorias sem abrir m&atilde;o de seus pressupostos. Cabe repetir a ressalva de que este espa&ccedil;o tem uma abordagem limitada, portanto estamos elegendo categorias b&aacute;sicas para o treinamento do quadro deste tipo de partido. <\/p>\n<p><strong>A &ldquo;chave do tamanho&rdquo; &eacute; a polifuncionalidade aplicada em cada c&iacute;rculo conc&ecirc;ntrico<\/strong> <\/p>\n<p>S&oacute; &eacute; poss&iacute;vel desenvolver o funcionamento do agente de ruptura da ordem no longo prazo, o partido pol&iacute;tico com esta intencionalidade, se observarmos o elemento fundamental para seu funcionamento. Isto &eacute;, se estudarmos os quadros do partido, ou de acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o especifista, os militantes plenos, aptos a delegar e ser delegados para distintas fun&ccedil;&otilde;es e tarefas, com bom dom&iacute;nio pol&iacute;tico e t&eacute;cnico das atividades levadas pela organiza&ccedil;&atilde;o ao qual este pertence. <\/p>\n<p>Estamos nos aproximando de uma id&eacute;ia ampliada de &ldquo;quadro&rdquo;, cujo termo infelizmente remete diretamente a tradi&ccedil;&atilde;o de partido tipo bolchevique, ou leninista. No caso aqui tratado, este n&atilde;o &eacute; apenas o membro de uma organiza&ccedil;&atilde;o com fun&ccedil;&otilde;es de responsabilidade ou no manejo de aparelho burocr&aacute;tico. Mas sim e necessariamente o indiv&iacute;duo que reproduz e leva adiante as distintas tarefas elegidas por uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica como fundamentais para sua miss&atilde;o institucional. Assim, entendemos o &ldquo;quadro de partido&rdquo; com inten&ccedil;&otilde;es de ruptura, como um indiv&iacute;duo com bom n&iacute;vel de treinamento para levar a cabo a polifuncionalidade, assumindo distintas tarefas de acordo com as bases institucionais a que pertence. <\/p>\n<p>Por polifuncionalidade, entendemos que este &ldquo;quadro&rdquo; deva ser capacitado (ir se capacitando) para atender as distintas demandas apresentadas, tanto na interna da institui&ccedil;&atilde;o como nas arenas onde esta organiza&ccedil;&atilde;o atua. O manejo de tempos distintos em arenas diferentes &eacute; uma abordagem necess&aacute;ria para este n&iacute;vel de responsabilidade. <em>Em termos te&oacute;ricos, isto significa que a arena eleita n&atilde;o &eacute; necessariamente a arena eleitoral e a competi&ccedil;&atilde;o por mandato atrav&eacute;s de voto. Historicamente, a maior parte dos partidos\/organiza&ccedil;&otilde;es que se propuseram a este objetivo finalista ou n&atilde;o atuavam nesta arena, ou a tinham completamente subordinada aos outros tempos<\/em> (Mechoso 2002, p.118). <br \/>\nVoltando ao tema da prepara&ccedil;&atilde;o, o exerc&iacute;cio destas responsabilidades implica um determinado tipo de treinamento bem diferente do treinamento de elites pol&iacute;ticas de tipo olig&aacute;rquicas, empresariais ou tecno-burocr&aacute;ticas. N&atilde;o surpreende, portanto, que o tema seja pouco abordado pela literatura hoje produzida na &aacute;rea. Identificamos no treinamento pol&iacute;tico e t&eacute;cnico o elemento central da reprodu&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento institucional destas organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. <\/p>\n<p>\n<strong>O conceito-chave para a an&aacute;lise: c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos <\/p>\n<p><\/strong>Concluindo a apresenta&ccedil;&atilde;o do tema, a modelagem desta organiza&ccedil;&atilde;o passa por uma conceitua&ccedil;&atilde;o inicial. O conceito fundamental da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica libert&aacute;ria s&atilde;o os c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos. Este conceito &eacute; simples e implica separar as formas de atua&ccedil;&atilde;o e os n&iacute;veis de compromisso. O pol&iacute;tico espec&iacute;fico corresponde ao ideol&oacute;gico e &eacute; para os militantes politicamente organizados. Como esta organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; de massas, portanto n&atilde;o tem filia&ccedil;&atilde;o aberta. <em>Compreende-se que o n&iacute;vel pol&iacute;tico-social e social devem ser massivos e abertos a todos os militantes populares. O pol&iacute;tico-social &eacute; para um setor afim, que compartilhe um estilo de trabalho, mas n&atilde;o necessariamente adepto no sentido ideol&oacute;gico-doutrin&aacute;rio <\/em>(Lima Rocha, 2003). <\/p>\n<p>J&aacute; o social propriamente dito &eacute; para o conjunto das classes oprimidas, para a no&ccedil;&atilde;o generaliz&aacute;vel de povo como um todo. Corresponde &agrave;s inst&acirc;ncias gerais da luta de classes e popular, proporcionando a organiza&ccedil;&atilde;o do tecido social-produtivo, que &eacute; o pilar e o terreno do projeto de Poder Popular, atrav&eacute;s do processo de Radicaliza&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica. Tornar capilar a sua influ&ecirc;ncia organizada, por estes c&iacute;rculos e ao mesmo tempo estabelecer outra forma de rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o hier&aacute;rquica, fugindo do molde de tipo correia de transmiss&atilde;o, &eacute; a chave para equacionar o hiato democr&aacute;tico entre a decis&atilde;o de uma minoria pol&iacute;tica e o setor popular socialmente organizado (Cartolini, 1997). <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=30754\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n<p>\n<strong>Bibliografia referenciada <br \/>\n<\/strong><br \/>\nBAQUERO, Marcello. A vulnerabilidade dos partidos pol&iacute;ticos e a crise da democracia na Am&eacute;rica Latina. Porto Alegre, Ed.UFRGS, 2000. <\/p>\n<p>BAQUERO, Marcello e CREMONESE, Dejalma (orgs.) Capital Social, Teoria e Pr&aacute;tica. Iju&iacute;, Editora Uniju&iacute;, 2006. <\/p>\n<p>CARTOLINI, Nestor Cerpa. Entrevista al comandante del MRTA, Montevid&eacute;u, Editorial Recortes, 1997. <\/p>\n<p>LIMA ROCHA, Bruno. O grampo do BNDES: quando o complemento da ABIN &eacute; a m&iacute;dia oficiosa. Rio de Janeiro, Sotese, 2003. <\/p>\n<p>MECHOSO, Juan Carlos. Acci&oacute;n Directa anarquista: una historia de FAU, tomo III, Los primeros a&ntilde;os 1956-1964. Montevid&eacute;u, Editorial Recortes, 2002. <\/p>\n<p>OFFE, Claus. Partidos Pol&iacute;ticos y Nuevos Movimientos Sociales. Madrid, Editorial Sistema, 1992. <\/p>\n<p>PANEBIANKO, Angelo. Modelos de Partido. Madrid, Alianza Editorial, 1982. <\/p>\n<p>SANTOS, Boaventura de Souza. Democratizar a Democracia, os caminhos da democracia participativa. Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, Rio de Janeiro, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A espinha dorsal de qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a organicidade das entidades de base, preenchendo o v\u00e1cuo do senso comum com uma perspectiva de horizonte e metas de longo prazo tornadas palp\u00e1veis atrav\u00e9s de conquistas concretas e vit\u00f3rias relevantes sobre a direita Foto:sacoyvanzetti_colectivo 18 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina de um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}