{"id":1201,"date":"2010-03-19T22:06:50","date_gmt":"2010-03-19T22:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1201"},"modified":"2010-03-19T22:06:50","modified_gmt":"2010-03-19T22:06:50","slug":"royalties-do-petroleo-e-cultura-politica-localista-e-de-clientela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1201","title":{"rendered":"Royalties do petr\u00f3leo e cultura pol\u00edtica localista e de clientela"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/xuxa-manifestacao-royalties-450x338.jpg\" title=\"A caricatura de passeata culmina com a presen\u00e7a de Xuxa e de outras mui relevantes e contundentes opini\u00f5es para o destino da na\u00e7\u00e3o e sua maioria ainda silenciada pelos espet\u00e1culos fornecidos atrav\u00e9s da ind\u00fastria cultural onde ela, Maria da Gra\u00e7a, \u00e9 engrenagem e art\u00edfice. Pobre Rio, nas ruas por onde marcharam 100 mil contra a ditadura agora desfila o funcionalismo atrav\u00e9s de ponto facultativo.     - Foto:Ricardo Leal \/ divulga\u00e7\u00e3o\" alt=\"A caricatura de passeata culmina com a presen\u00e7a de Xuxa e de outras mui relevantes e contundentes opini\u00f5es para o destino da na\u00e7\u00e3o e sua maioria ainda silenciada pelos espet\u00e1culos fornecidos atrav\u00e9s da ind\u00fastria cultural onde ela, Maria da Gra\u00e7a, \u00e9 engrenagem e art\u00edfice. Pobre Rio, nas ruas por onde marcharam 100 mil contra a ditadura agora desfila o funcionalismo atrav\u00e9s de ponto facultativo.     - Foto:Ricardo Leal \/ divulga\u00e7\u00e3o\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A caricatura de passeata culmina com a presen\u00e7a de Xuxa e de outras mui relevantes e contundentes opini\u00f5es para o destino da na\u00e7\u00e3o e sua maioria ainda silenciada pelos espet\u00e1culos fornecidos atrav\u00e9s da ind\u00fastria cultural onde ela, Maria da Gra\u00e7a, \u00e9 engrenagem e art\u00edfice. Pobre Rio, nas ruas por onde marcharam 100 mil contra a ditadura agora desfila o funcionalismo atrav\u00e9s de ponto facultativo.    <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Ricardo Leal \/ divulga\u00e7\u00e3o<\/small><\/figure>\n<p>19 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina de farrapos tra&iacute;dos por demagogos de a cavalo, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>No dia 17 do corrente m&ecirc;s (&uacute;ltima 4&ordf; feira), ano de 2010, as &aacute;guas de mar&ccedil;o levam a &uacute;ltima parcela de acanhamento dos operadores pol&iacute;ticos profissionais. Que se vistam os personagens porque &eacute; Carnaval fora de &eacute;poca! <\/p>\n<p>A &uacute;ltima panac&eacute;ia da pol&iacute;tica brasileira &eacute; a disputa pelos royalties do pr&eacute;-sal. Ao inv&eacute;s de debatermos em termos estrat&eacute;gicos e de longo prazo, o que deixa o Senado ouri&ccedil;ado com a chance de poder a prova seu poder de fogo e leal devo&ccedil;&atilde;o ao governo de turno desde que &ldquo;bem atendido&rdquo; nas emendas e outros recortes com o or&ccedil;amento, &eacute; a possibilidade de derrubar a emenda de Ibsen Pinheiro, que acomoda minimamente, um reparto algo federativo de uma riqueza que pertence a toda a na&ccedil;&atilde;o. Os chefes pol&iacute;ticos do Rio de Janeiro, a come&ccedil;ar pelo jornalista formado na Faculdade da Cidade (hoje UniverCidade) S&eacute;rgio Cabral Filho, deram vivas ao expediente de massas de manobras e fizeram uma marcha c&iacute;vica pelo Centro de uma urbaniza&ccedil;&atilde;o que mais se assemelha a Medell&iacute;n em v&aacute;rios e sinistros sentidos.<\/p>\n<p>A cultura pol&iacute;tica de tipo chefe-empregador, cabo eleitoral-empregado, transacionada mediante o contrato de lealdade = a&ccedil;&otilde;es compensat&oacute;rias se fez notar e sentir e foi bastante mediatizada. Repito que infelizmente me refiro a triste passeata de 150 mil almas ocorrida em ruas que, em outros anos, at&eacute; a d&eacute;cada de 1990, por exemplo, foi palco de memor&aacute;veis batalhas populares em defesa de sua soberania e das vontades exercidas pelo direito conquistado na rua! Assim o foi de quando dos leil&otilde;es de privatiza&ccedil;&atilde;o da Usiminas (1991), da CSN (1993) e da Cia. Vale do Rio Doce (1997). Um pouco mais atr&aacute;s, na combativa d&eacute;cada de 1980 &ndash; num extenso per&iacute;odo at&eacute; o Fora Collor em 1992, n&atilde;o passava m&ecirc;s sem o Centro do Rio ferver de povo em marcha. As concentra&ccedil;&otilde;es sa&iacute;am da Candel&aacute;ria, bem no entroncamento da Avenida Presidente Vargas com a Avenida Rio Branco. Quem vinha de longe chegava de metr&ocirc;, tomado pelos cord&otilde;es dos bairros (e sem &ocirc;nibus pago pelo dinheiro do contribuinte) e enfrentava a repress&atilde;o de peito aberto. Mas, o abandono da id&eacute;ia de esquerda do Rio de Janeiro foi se aproximando do exaurir das condi&ccedil;&otilde;es de vida e da conveni&ecirc;ncia de acercar-se das pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas chaguistas. Infelizmente, tais pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas n&atilde;o s&atilde;o exclusivas da Cidade que vira a, a Greve Geral de 1917, Insurrei&ccedil;&atilde;o Oper&aacute;ria de 1918e o pr&oacute;prio movimento O Petr&oacute;leo &Eacute; Nosso! Agora a moeda de troca &eacute; outra e a defesa do combust&iacute;vel f&oacute;ssil n&atilde;o &eacute; para soberania e nem partilha, mas apenas para deixar o que est&aacute; no seu lugar (mesmo n&atilde;o estando). <\/p>\n<p>Para os que imaginam que o fen&ocirc;meno do reboquismo &eacute; exclusivo das levas de funcion&aacute;rios p&uacute;blicos n&atilde;o concursados (portanto, de fato, privatizados), sinto avisar que este &eacute; um ledo engano. S&atilde;o os dois lados da mesma moeda viciada. Concordo e assino embaixo do reconhecimento de que a maioria dos brasileiros que assinam uma ficha de filia&ccedil;&atilde;o tem pouca ou nenhuma no&ccedil;&atilde;o de como funciona a estrutura a qual voluntariamente entrara. E, por vezes, essa cultura pol&iacute;tica paroquiana e clientelista de baixo alcance se manifesta no uso e abuso do funcionalismo p&uacute;blico, em especial aqueles n&atilde;o concursados. Assim o foi quando do in&iacute;cio das difus&otilde;es dos v&iacute;deos gravados pelo ex-delegado de Pol&iacute;cia Civil do DF, Durval Barbosa, ele pr&oacute;prio um negociador de sua puni&ccedil;&atilde;o e homem de confian&ccedil;a de Joaquim Roriz, &ldquo;amigo do peito, irm&atilde;o e camarada&rdquo; de Nen&ecirc; Constatino assim como outros mui nobres valorosos e ilibados empres&aacute;rios planaltinos. Na ocasi&atilde;o, sa&iacute;ram as bases das cidades sat&eacute;lites, todos munidos de alguma forma de remunera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-concursada e cujos honor&aacute;rios sa&iacute;ram (e seguem saindo, porque n&atilde;o houve expurgo em massa) do er&aacute;rio p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Algo parecido se deu no Rio, pobre e rico Rio de Janeiro, herdeiro das piores tradi&ccedil;&otilde;es de Chagas Freitas, do brizolismo de final de mandato (quando ocorreram as chacinas da Candel&aacute;ria e de Vig&aacute;rio Geral) e de uma elite pol&iacute;tica que, digna de um estudo de p&oacute;s-doutorado em psican&aacute;lise, sequer sabe quem s&atilde;o, sendo que a maioria jamais foi outra coisa do que a p&eacute;ssima conduta que j&aacute; tem e deles &eacute; constitutiva. Se algu&eacute;m imagina que exagero, ou que o texto se trata de recalque de oriundo ap&oacute;s haver deixado a terra dos pais, convido a assistirem a TV Alerj e depois que me digam o quanto estou &ldquo;errado&rdquo;. Se houvesse pouca ou nenhuma participa&ccedil;&atilde;o, ou ent&atilde;o fosse notado que as bases somente se mobilizavam no caso de ganhar algo em troca, a pr&oacute;pria den&uacute;ncia destes absurdos j&aacute; teria sua relev&acirc;ncia. <\/p>\n<p>O que se viu na Cidade Maravilhosa foi o &aacute;pice de uma vers&atilde;o antiga de manobrar em nome de uma causa aparentemente comum e tornar-se interlocutor supostamente leg&iacute;timo de um absurdo jur&iacute;dico. O emprego do &ldquo;kit massa de manobra&rdquo;, composto por transporte gratuito, bon&eacute;, camiseta, lanche e uns trocados para o cabo eleitoral que arrasta a boiada a votar em quem decorou o nome se reproduz na forma de ponto facultativo e marcha de funcion&aacute;rios &ldquo;p&uacute;blicos&rdquo; em defesa do Rio de Janeiro?! <\/p>\n<p><strong>Apontando conclus&otilde;es ap&oacute;s o espet&aacute;culo da anti-pol&iacute;tica <br \/>\n<\/strong><br \/>\nOs atuais mandat&aacute;rios do Rio hoje brigam contra uma emenda de partilha mais pr&oacute;xima dos crit&eacute;rios federativos, proposta por Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), mas que fora amplamente apoiada no baixo clero e seu apetite igualmente voraz. N&atilde;o se trata aqui de afirmar que o simples reparto das divisas provenientes do petr&oacute;leo, com base nos fundos de participa&ccedil;&atilde;o, representa garantia de execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. E, tem uma parcela de raz&atilde;o o governo fluminense e as prefeituras afetadas pela falta de uma receita futura j&aacute; prevista. Diante do rombo, que pague a Uni&atilde;o, pois &eacute; de Bras&iacute;lia que saiu o regramento original, e que est&aacute; por cair. O fator negativo &eacute; o baixo n&iacute;vel pol&iacute;tico das elites pol&iacute;ticas estaduais e municipais e seus cons&oacute;rcios econ&ocirc;mico-eleitorais se comparado com os operadores em escala nacional. Mas, independente das conseq&uuml;&ecirc;ncias imediatas ou de curto prazo, entendo como relevante qualquer partilha mais eq&uuml;idistante dos recursos do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>O ocorrido no Rio e no estado fluminense &eacute; de outra ordem, peleando entre cotoveladas e cabe&ccedil;adas com o que h&aacute; de pior na pol&iacute;tica brasileira. Que n&atilde;o se confunda um tema com outro, pois debater a partilha entre estados, produtores ou n&atilde;o, est&aacute; anos luz de dist&acirc;ncia de tentar obter alguma justi&ccedil;a federativa e querer alcan&ccedil;ar algumas metas de longo prazo. Isto porque o debate de fundo sequer foi feito com rela&ccedil;&atilde;o aos royalties e a partilha do pr&eacute;-sal, do petr&oacute;leo e do modelo de explora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Na Avenida Rio Branco a hist&oacute;ria foi outra. Quando at&eacute; a Xuxa (Maria da Gra&ccedil;a Meneguel, ex-ga&uacute;cha de Santa Rosa) vai na &ldquo;marcha&rdquo;, &eacute; porque n&atilde;o se est&aacute; marchando por causa comum alguma! <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=30788\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A caricatura de passeata culmina com a presen\u00e7a de Xuxa e de outras mui relevantes e contundentes opini\u00f5es para o destino da na\u00e7\u00e3o e sua maioria ainda silenciada pelos espet\u00e1culos fornecidos atrav\u00e9s da ind\u00fastria cultural onde ela, Maria da Gra\u00e7a, \u00e9 engrenagem e art\u00edfice. 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