{"id":1206,"date":"2010-04-02T01:05:04","date_gmt":"2010-04-02T01:05:04","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1206"},"modified":"2010-04-02T01:05:04","modified_gmt":"2010-04-02T01:05:04","slug":"o-golpe-civico-militar-foi-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1206","title":{"rendered":"O golpe c\u00edvico-militar foi esquecido"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/cem_mil_2.jpg\" title=\"O assassinato e posterior enterro de Edson Lu\u00eds foi o estopim da rebeli\u00e3o estudantil de 1968 no Brasil, a come\u00e7ar pelo Rio de Janeiro. 46 anos depois, alguns dos que carregaram este caix\u00e3o s\u00e3o aliados dos aliados daqueles que o mataram.  - Foto:historianet\" alt=\"O assassinato e posterior enterro de Edson Lu\u00eds foi o estopim da rebeli\u00e3o estudantil de 1968 no Brasil, a come\u00e7ar pelo Rio de Janeiro. 46 anos depois, alguns dos que carregaram este caix\u00e3o s\u00e3o aliados dos aliados daqueles que o mataram.  - Foto:historianet\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O assassinato e posterior enterro de Edson Lu\u00eds foi o estopim da rebeli\u00e3o estudantil de 1968 no Brasil, a come\u00e7ar pelo Rio de Janeiro. 46 anos depois, alguns dos que carregaram este caix\u00e3o s\u00e3o aliados dos aliados daqueles que o mataram. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:historianet<\/small><\/figure>\n<p>1&ordm; de abril de 2010, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>31 de mar&ccedil;o &eacute; a data oficial de &ldquo;comemora&ccedil;&atilde;o&rdquo; do Golpe c&iacute;vico-militar conclu&iacute;do em 1&ordm; de abril de 1964. Ao contr&aacute;rio de outros pa&iacute;ses do Sul da Am&eacute;rica, como Chile, Uruguai e Argentina, aqui operadores pol&iacute;ticos e movimentos populares ignoram solenemente a hist&oacute;ria recente. Considerando que boa parte das atuais elites dirigentes daqui estava na oposi&ccedil;&atilde;o ou eram aliadas do regime de for&ccedil;a, vejo essa ignor&acirc;ncia como um mecanismo nefasto. Tal manobra de &ldquo;abafa&rdquo; tampouco &eacute; novidade. Na Europa do p&oacute;s-2&ordf; Guerra, nos pa&iacute;ses beneficiados pelo Plano Marshall, fez-se vistas grossas para os ex-colaboradores dos governos nazi-fascistas.<\/p>\n<p>No Brasil, nem sempre foi assim. Lembro que na segunda metade dos anos &rsquo;80, ainda no Rio de Janeiro, a Associa&ccedil;&atilde;o Municipal de Estudantes Secundaristas (AMES) convocava a Semana Edson Lu&iacute;s, recordando o estudante assassinado pela ditadura em 28 de mar&ccedil;o de 1968 em um conflito no restaurante Calabou&ccedil;o. O &aacute;pice se realizava no Centro Acad&ecirc;mico C&acirc;ndido de Oliveira (CACO), da Faculdade de Direito da UFRJ, quando em 31 de mar&ccedil;o era organizado o Enterro do Golpe. Estes momentos, fazendo pol&iacute;tica atrav&eacute;s do simb&oacute;lico, marcavam a t&ecirc;mpera das minorias mobilizadas e tamb&eacute;m refletiam um grau de antagonismo ainda latente. E porque n&atilde;o se manteve a luta pela mem&oacute;ria revivida? <\/p>\n<p>Ao n&atilde;o encontrar suficientes fatores explicativos na pol&iacute;tica interna de um pa&iacute;s, cabe ao analista buscar algum marco comparativo continental. O que leva nossos vizinhos a carregar de sentido estas lutas? H&aacute; um padr&atilde;o nos protestos anti-golpe, quando argentinos saem &agrave;s ruas em 24 de mar&ccedil;o, uruguaios em 27 de junho e chilenos em 11 de setembro. Em todas estas datas existe a presen&ccedil;a de continuidade pol&iacute;tica e bandeiras contempor&acirc;neas. Uma destas bandeiras &eacute; a permanente luta reivindicativa por Verdade, Mem&oacute;ria, Justi&ccedil;a e Puni&ccedil;&atilde;o a todos os respons&aacute;veis pelos crimes de lesa-humanidade, n&atilde;o importando sua patente, cargo ou fun&ccedil;&atilde;o &agrave; &eacute;poca. J&aacute; a continuidade na pol&iacute;tica se faz notar por agrupa&ccedil;&otilde;es, correntes, movimentos ou partidos a reivindicar seus mortos pela repress&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o coletiva depende de elementos de unidade e reconhecimento m&uacute;tuo. Do contr&aacute;rio, ningu&eacute;m se move. Um ritual f&uacute;nebre da liturgia de esquerda do Cone Sul &eacute; o de levar cartazes e faixas com rostos de m&aacute;rtires e desaparecidos pol&iacute;ticos. &Eacute; como afirmar que ningu&eacute;m tem o direito ao esquecimento. <\/p>\n<p>J&aacute; as esquerdas brasileiras, em geral, t&ecirc;m uma concep&ccedil;&atilde;o de curto prazo que as impede identificar causas de tipo unit&aacute;rio e com potencial agregador. Tal se verifica na presen&ccedil;a de arenistas no governo do ex-sindicalista e, pela conseq&uuml;ente falta de uma conseq&uuml;ente pol&iacute;tica de Direitos Humanos. No Brasil, os que padeceram nos por&otilde;es ou morreram em situa&ccedil;&otilde;es de confronto tamb&eacute;m s&atilde;o esquecidos por aqueles que deveriam reivindic&aacute;-los. Nas duras regras do jogo pol&iacute;tico, o pragmatismo inescrupuloso &eacute; coveiro da hist&oacute;ria. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/03\/31\/o-golpe-civico-militar-foi-esquecido-279527.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assassinato e posterior enterro de Edson Lu\u00eds foi o estopim da rebeli\u00e3o estudantil de 1968 no Brasil, a come\u00e7ar pelo Rio de Janeiro. 46 anos depois, alguns dos que carregaram este caix\u00e3o s\u00e3o aliados dos aliados daqueles que o mataram. 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