{"id":1209,"date":"2010-04-08T17:42:33","date_gmt":"2010-04-08T17:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1209"},"modified":"2010-04-08T17:42:33","modified_gmt":"2010-04-08T17:42:33","slug":"uma-semana-depois-do-golpe-de-1o-de-abril-brasil-nunca-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1209","title":{"rendered":"Uma semana depois do Golpe de 1\u00ba de abril, Brasil Nunca Mais!"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Igreja - Brasil Nunca Mais.jpg\" title=\"Esta obra coletiva \u00e9 um primor de investiga\u00e7\u00e3o e compila\u00e7\u00e3o de dados e uma mostra do horror de Estado promovido pelas duas linhas de dentro da caserna e seus aliados civis que nunca deixaram parcelas do governo central no Brasil  - Foto:virtualia\" alt=\"Esta obra coletiva \u00e9 um primor de investiga\u00e7\u00e3o e compila\u00e7\u00e3o de dados e uma mostra do horror de Estado promovido pelas duas linhas de dentro da caserna e seus aliados civis que nunca deixaram parcelas do governo central no Brasil  - Foto:virtualia\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Esta obra coletiva \u00e9 um primor de investiga\u00e7\u00e3o e compila\u00e7\u00e3o de dados e uma mostra do horror de Estado promovido pelas duas linhas de dentro da caserna e seus aliados civis que nunca deixaram parcelas do governo central no Brasil <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:virtualia<\/small><\/figure>\n<p>8 de abril de 2010, da Vila Setembrina de Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>No ano de 1985 a Arquidiocese de S&atilde;o Paulo lan&ccedil;ara pela Editora Vozes um livro marco no pa&iacute;s. Chama-se Brasil: Nunca Mais! E trata-se de uma profunda e precisa compila&ccedil;&atilde;o da tortura como ferramenta estruturante do terrorismo de Estado ap&oacute;s o Golpe de 1&ordm; de Abril de 1964. N&atilde;o me recordo de um militante da d&eacute;cada de &rsquo;80 que n&atilde;o o tivesse lido. A obra causara pol&ecirc;mica por reafirmar o que j&aacute; era sabido. Isto porque o tema da ditadura, a sa&iacute;da do regime, o questionamento ao ac&oacute;rd&atilde;o da anistia para torturadores e criminosos de lesa-humanidade e o reivindicar dos m&aacute;rtires da resist&ecirc;ncia era freq&uuml;ente. O tema circulava, assim como o medo e o esp&iacute;rito de reivindicar os que ca&iacute;ram pela causa coletiva.<\/p>\n<p>Hoje, 25 anos depois, passados quase oito anos de um governo de &ldquo;esquerda&rdquo;, nenhuma for&ccedil;a pol&iacute;tica com proje&ccedil;&atilde;o nacional recorda o passado recente? E por qu&ecirc;? V&aacute;rias raz&otilde;es podem ser atribu&iacute;das, tais como: o horizonte ideol&oacute;gico mudou (o que &eacute; verdade, mas n&atilde;o justifica); a preocupa&ccedil;&atilde;o do eleitor mediano n&atilde;o &eacute; essa (o que implica admitir que o proselitismo &eacute; a regra da pol&iacute;tica); a repulsa &agrave;s ditaduras entra no problema da liberdade, um tabu para boa parte das esquerdas (o que tamb&eacute;m &eacute; verdade, mas soa &agrave; t&eacute;cnica do avestruz, enterrando a cabe&ccedil;a na terra &agrave; espera de momentos melhores que nunca vir&atilde;o por espont&acirc;nea vontade coletiva); parte da &ldquo;esquerda&rdquo; hoje &eacute; aliada dos herdeiros da ARENA e parte da antiga resist&ecirc;ncia ao golpe comp&ocirc;s o governo FHC (o que s&oacute; refor&ccedil;a a id&eacute;ia de que h&aacute; um esquecimento for&ccedil;ado em fun&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;as de ocasi&atilde;o, pautadas pelo pragmatismo pol&iacute;tico e a conviv&ecirc;ncia em toler&acirc;ncia com as piores pr&aacute;ticas dos aliados civis dos militares golpistas). <\/p>\n<p>As farsas da hist&oacute;ria s&atilde;o solenemente repetidas como novidades. Assim a re-significa&ccedil;&atilde;o de operadores ocorre sem problema. Um exemplo disso deu-se na Europa do P&oacute;s-Guerra, quando ao n&atilde;o fazer a presta&ccedil;&atilde;o de contas a fundo, as sociedades do centro do capitalismo toleraram ex-nazis e ex-fascistas posando de democratas. Um gritante exemplo deu-se com Klaus Barbie, conhecido como o A&ccedil;ougueiro de Lyon, e cuja rede de rela&ccedil;&otilde;es e tr&aacute;ficos de nazistas pela Am&eacute;rica Latina fora utilizada pela CIA durante o per&iacute;odo das Fronteiras Ideol&oacute;gicas. <\/p>\n<p>Na quest&atilde;o da falta de mem&oacute;ria hist&oacute;rica brasileira, intriga n&atilde;o apenas ver a boa conviv&ecirc;ncia entre ex-advers&aacute;rios &ndash; como nas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, entre Franklin Martins (secret&aacute;rio de Imprensa e Propaganda da Presid&ecirc;ncia, ele pr&oacute;prio um ex-guerrilheiro) e o ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es H&eacute;lio Costa (ex-correspondente da Voice of America, baseado em Washington durante um bom per&iacute;odo da Ditadura). N&atilde;o h&aacute; ac&uacute;mulo de for&ccedil;as com mentalidade de c&acirc;mbio que resista a tamanha promiscuidade pol&iacute;tica. E, sejamos justos, no governo anterior (Fernando Henrique Cardoso, de 01\/01\/1995 a 01\/01\/2003) ocorreu o mesmo. Mas, como os tucanos j&aacute; chegaram ao poder com discurso mais lavado e conviv&ecirc;ncia por dentro do MDB com ex-Udenistas e ex-raposas do PSD que tamb&eacute;m apoiaram ao golpe, notou-se menos o conflito de identidades. <\/p>\n<p>&Eacute; igualmente intrigante tentar compreender o porqu&ecirc; dos pa&iacute;ses hermanos sa&iacute;rem &agrave;s ruas nas datas de luto e luta pelo Golpe de Estado. Existe um padr&atilde;o nos protestos de argentinos nos dias 24 de, dia do golpe de 1976, comandado pela Junta Militar tendo o general Jorge Videla e o almirante Eduardo Massera &agrave; frente. O mesmo se repete no Uruguai, quando &eacute; dia 27 de junho, recordando o de 1973, auto-golpe comandado pelo ent&atilde;o presidente Juan Maria Bordaberry com a participa&ccedil;&atilde;o do Estado-Maior Conjunto. E as ruas chilenas fervem nos dias 11 de setembro, lembrando o 11\/09 de 1976, data do golpe de Estado das For&ccedil;as Armadas chilenas, cuja cabe&ccedil;a operacional era o ex-chefe do Estado Maior do Ex&eacute;rcito durante o governo Allende, o pr&oacute;prio golpista Augusto Jos&eacute; Ram&oacute;n Pinochet Ugarte. Nestes tr&ecirc;s pa&iacute;ses, com maior ou menor radicalidade e n&iacute;vel de conflito, agrupa&ccedil;&otilde;es de esquerda reivindicam seus m&aacute;rtires e d&atilde;o significado para as lutas contempor&acirc;neas aos militantes que ca&iacute;ram no per&iacute;odo anterior. Ao mesmo tempo, aqui no Brasil, nenhuma for&ccedil;a pol&iacute;tica de proje&ccedil;&atilde;o nacional se arrisca na auto-imagem de bom comportamento e conviv&ecirc;ncia tranq&uuml;ila com a democracia de tipo representativo-burgu&ecirc;s e, por tanto, n&atilde;o reivindica aos guerrilheiros do Brasil. N&atilde;o ser&atilde;o abertos os arquivos e nem ser&aacute; aprovado um Plano Nacional de Direitos Humanos contundente caso n&atilde;o exista a&ccedil;&atilde;o coletiva organizada para tal. Eis a diferen&ccedil;a e eis o perigo. <\/p>\n<p>Como se sabe, a mem&oacute;ria e a hist&oacute;ria caminham de m&atilde;os dadas, e qualquer id&eacute;ia de futuro comum, depende da no&ccedil;&atilde;o do processo que nos levou ao tempo presente. Por isso, ao n&atilde;o recordarmos da ditadura militar, de seus aliados pol&iacute;ticos civis, dos agentes econ&ocirc;micos associados e da pol&iacute;tica externa dos EUA &agrave; &eacute;poca, n&oacute;s &ndash; enquanto latino-americanos &#8211; abrimos caminho para que situa&ccedil;&otilde;es de golpe retornem ao tabuleiro de possibilidades. Assim ocorreu na Venezuela, em abril de 2002, na tentativa de secess&atilde;o da Meia Lua boliviana em agosto de 2008 e no golpe jur&iacute;dico-pol&iacute;tico-militar de Honduras em junho de 2009. Neste &uacute;ltimo, n&oacute;s, latino-americanos, perdemos. Para os desavisados, &eacute; bom lembrar que o governo de Obama-Hillary j&aacute; teve mais vit&oacute;rias na Am&eacute;rica Latina em menos de dois anos do que Bush Jr em seus terr&iacute;veis oito anos &agrave; frente do Imp&eacute;rio. <\/p>\n<p>Diante da mudan&ccedil;a de quadro, com novamente o Imp&eacute;rio voltando parte de sua aten&ccedil;&atilde;o para Nossa Am&eacute;rica, finados operadores de intelig&ecirc;ncia como Dan Mitrione ou Lincoln Gordon, ex-embaixador dos EUA (no Brasil aqui servira entre 1961 e 1966) e um dos art&iacute;fices do Golpe de 1964, devem estar sorrindo nas profundezas diante do abandono das esquerdas brasileiras da luta por Mem&oacute;ria, Verdade, Justi&ccedil;a e Puni&ccedil;&atilde;o a todos os culpados. Ao n&atilde;o reivindicar o passado se abre uma perigosa margem para o amanh&atilde; voltar a ser como um ontem de roupagem diferente. Este crime, o da omiss&atilde;o pol&iacute;tica, tamb&eacute;m deve ser moralmente conden&aacute;vel. <\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado no portal do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=31233\">Instituto Humanitas Unisinos (IHU)<\/a> e no de <a href=\"http:\/\/www.claudemirpereira.com.br\/2010\/04\/uma-semana-apos-o-golpe-de-1%c2%ba-de-abril-brasil-nunca-mais-por-bruno-lima-rocha\/\">Claudemir Pereira <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta obra coletiva \u00e9 um primor de investiga\u00e7\u00e3o e compila\u00e7\u00e3o de dados e uma mostra do horror de Estado promovido pelas duas linhas de dentro da caserna e seus aliados civis que nunca deixaram parcelas do governo central no Brasil Foto:virtualia 8 de abril de 2010, da Vila Setembrina de Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1209"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1209\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}