{"id":1213,"date":"2010-04-17T23:10:34","date_gmt":"2010-04-17T23:10:34","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1213"},"modified":"2010-04-17T23:10:34","modified_gmt":"2010-04-17T23:10:34","slug":"periodo-pre-eleitoral-entre-a-cegueira-analitica-e-a-disputa-intra-elites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1213","title":{"rendered":"Per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral: entre a cegueira anal\u00edtica e a disputa intra-elites"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/MeirellesTemer.jpg\" title=\"O ex-quase candidato a vice-rei do Brasil, o tucano Mr. Henrique Meirelles, recebe o abra\u00e7o de urso do homem de confian\u00e7a de Qu\u00e9rcia e Dantas, o deputado federal do PMDB de S\u00e3o Paulo de Piratininga, Sr. Michel Temer  - Foto:Dida Sampaio-AE\" alt=\"O ex-quase candidato a vice-rei do Brasil, o tucano Mr. Henrique Meirelles, recebe o abra\u00e7o de urso do homem de confian\u00e7a de Qu\u00e9rcia e Dantas, o deputado federal do PMDB de S\u00e3o Paulo de Piratininga, Sr. Michel Temer  - Foto:Dida Sampaio-AE\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O ex-quase candidato a vice-rei do Brasil, o tucano Mr. Henrique Meirelles, recebe o abra\u00e7o de urso do homem de confian\u00e7a de Qu\u00e9rcia e Dantas, o deputado federal do PMDB de S\u00e3o Paulo de Piratininga, Sr. Michel Temer <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Dida Sampaio-AE<\/small><\/figure>\n<p>17 de abril de 2010, da Vila Setembrina t&atilde;o martirizada como os assassinados em Eldorados dos Caraj&aacute;s, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Compartilho neste artigo d&uacute;vidas de fundo, a respeito das pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e da capacidade (ou a falta desta), dos movimentos populares (a exemplo do MST e a Via Campesina) de apontarem rumo a um projeto de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as onde o povo organizado saia fortalecido. Esta acumula&ccedil;&atilde;o, segundo entendo, que est&aacute; contida por margens estruturais, estas mesmas que constrangem as margens de manobra do Executivo eleito. Mas, ao mesmo tempo, quanto mais contido estiver o Executivo eleito para o exerc&iacute;cio do poder central, menores estar&atilde;o estas mesmas margens ao final do pr&oacute;ximo mandato. Sei que para muitos colegas da politologia ampliada (ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, comunica&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica, estudo das pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas pelo vi&eacute;s decis&oacute;rio, an&aacute;lise estrat&eacute;gica, economia pol&iacute;tica), essa correla&ccedil;&atilde;o fina entre margens de manobras, constrangimento estrutural e formas de acumula&ccedil;&atilde;o por parte do povo organizado, s&atilde;o categorias secund&aacute;rias quando da an&aacute;lise eleitoral. Discordo profundamente.<\/p>\n<p>Um analista de tipo &ldquo;pragm&aacute;tico&rdquo;, desses que flertam com a teoria dos jogos, fazendo analogia das elei&ccedil;&otilde;es como uma mescla de cassino e corrida de cavalos, diria que as margens t&ecirc;m pouca relev&acirc;ncia porque elas n&atilde;o est&atilde;o em disputa. Uma mesma base argumentativa diria que esta abordagem &eacute; por demais estrutural, e por tanto, vai al&eacute;m do exerc&iacute;cio do debate eleitoral. &Eacute; como se as margens se tornassem o que s&atilde;o sem a a&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via ou concomitante. Minha cr&iacute;tica vai al&eacute;m. &Eacute; como que, de certo modo, a aus&ecirc;ncia de an&aacute;lise hist&oacute;rico-estrutural se apresenta como uma vers&atilde;o palat&aacute;vel, ainda que sofisticada, de uma abordagem p&oacute;s-moderna. J&aacute; a vis&atilde;o estruturalista, se ultrapassa limita&ccedil;&otilde;es da cr&iacute;tica pelo vi&eacute;s mec&acirc;nico (e n&atilde;o relacional, por tanto de fato, n&atilde;o estruturalista) nos aportam a dimens&atilde;o estrat&eacute;gica dos contenciosos e disputas que se fazem vis&iacute;veis no curto e no curt&iacute;ssimo prazo. <\/p>\n<p>Disputar parcelas de poder &eacute; diferente de disputar concep&ccedil;&otilde;es do exerc&iacute;cio de poder, ainda que sob regime democr&aacute;tico de direito e modo de acumula&ccedil;&atilde;o capitalista financeirizado. Nas disputas por concep&ccedil;&atilde;o de poder, entendo que o povo brasileiro sai enfraquecido da Era Lula. J&aacute; nos par&acirc;metros do jogo do capitalismo financeiro tal como ele &eacute;, todos os indicadores s&oacute;cio-econ&ocirc;micos apontam para uma melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida e das proje&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s. Isto implica ser esta an&aacute;lise uma esp&eacute;cie de recomenda&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel ao governo de Luiz In&aacute;cio e por conseq&uuml;&ecirc;ncia a sua sucessora Dilma Roussef? N&atilde;o, justo ao contr&aacute;rio. Implica em afirmar que nas disputas por concep&ccedil;&atilde;o de poder sa&iacute;mos mais fracos, justo pela aus&ecirc;ncia de estrat&eacute;gia e de protagonismo pol&iacute;tico para al&eacute;m da representa&ccedil;&atilde;o de tipo burgu&ecirc;s. <\/p>\n<p>Traduzindo, adaptando linguagens. Ou vemos o momento eleitoral como uma abertura de possibilidades para o fazer pol&iacute;tica al&eacute;m da urna da representa&ccedil;&atilde;o indireta, ou sacralizamos o formato burgu&ecirc;s e indireto de fazer pol&iacute;tica profissional. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que entramos no per&iacute;odo pr&eacute;-campanha e os tambores de guerra rufam concomitantes ao esquentar da temperatura pol&iacute;tica. O antagonismo que se nota ao avizinhar-se o primeiro domingo de outubro pr&oacute;ximo &eacute; o reflexo tamb&eacute;m da falta de conte&uacute;do program&aacute;tico em disputa. <\/p>\n<p><u>As margens s&atilde;o mais amplas dentro das regras do jogo quase sem regras <br \/>\n<\/u><br \/>\nSe as margens de manobra n&atilde;o se ampliam no sentido da pol&iacute;tica exercitada e exercida pelos movimentos do povo organizado, nos anos de indefini&ccedil;&atilde;o, os habituados com as formas de exercer o poder profissional se sobressaem perante os operadores de confian&ccedil;a (os natos e com delega&ccedil;&atilde;o) dos agentes econ&ocirc;micos fundamentais. Na hora da composi&ccedil;&atilde;o, de indicar o vice, de montar o mapa dos palanques estaduais, n&atilde;o existe press&atilde;o superior ao conjunto de oligarquias estaduais organizada sob uma legenda de partido-&ocirc;nibus como &eacute; o caso do PMDB. Durante os &uacute;ltimos cinco anos associei o mandato de Luiz In&aacute;cio ao governo do Copom com o ex-1&ordm; Ministro de fato que deixou o governo sem sair do poder. Mesmo com todo o poder advindo da op&ccedil;&atilde;o preferencial pelos bancos e os capitais financeiros, a base eleitoral cobrou seu pre&ccedil;o e enquadrou o vice-rei do Bank of America. <\/p>\n<p>Entendo que a recusa do PMDB em engolir Henrique Meirelles como candidato a vice-presidente da ex-ministra da pasta outrora comandada por Golbery e Jos&eacute; Dirceu, &eacute; exemplar do conceito de manobra pol&iacute;tica n&atilde;o estrat&eacute;gica da conforma&ccedil;&atilde;o do poder. Por sete anos a fio as centrais sindicais, incluindo as governistas CUT, For&ccedil;a Sindical e CTB ficaram martelando na tecla da mudan&ccedil;a da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e desejando a demiss&atilde;o de Meirelles, como se ele de por si incorporasse os males dos financistas assim como H&eacute;lio Costa representa de por si aos interesses do oligop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o, a come&ccedil;ar pelas Organiza&ccedil;&otilde;es Globo. Costa saiu para concorrer a um espa&ccedil;o pol&iacute;tico em Minas Gerais seu estado de origem. Ao mesmo tempo, o ex-presidente mundial do Bank of Boston n&atilde;o conseguiu nem come&ccedil;ar a galgar o palanque, levando paulada de todos os lados, bordoadas midi&aacute;ticas advindas de seus correligion&aacute;rios ap&oacute;s sua afilia&ccedil;&atilde;o na legenda de Orestes Qu&eacute;rcia e Eliseu Padilha. N&atilde;o deu nem para a sa&iacute;da e o sonho do vice-reinado morreu na m&iacute;ngua, tendo ele de se manter a frente das j&oacute;ias da coroa do Banco Central at&eacute; a hora de passar as faixas para um dos economistas que suceder&atilde;o tanto a ele, ao empres&aacute;rio t&ecirc;xtil e ao ex-sindicalista que nunca foi esquerda segundo suas pr&oacute;prias palavras. <\/p>\n<p>O feiti&ccedil;o vira contra o manipulador da pajelan&ccedil;a financeira. A lenga-lenga do tecnicismo na economia cai por terra. O governo do Copom, que atrav&eacute;s de seu discurso doutrin&aacute;rio, tenta negar a POL&Iacute;TICA, fazendo uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica subordinada a uma vis&atilde;o monetarista em oposi&ccedil;&atilde;o a qualquer vers&atilde;o de economia pol&iacute;tica, perdeu para vis&atilde;o pragm&aacute;tica e fisiol&oacute;gica da pr&oacute;pria pol&iacute;tica. A afirma&ccedil;&atilde;o acima, para al&eacute;m do chav&atilde;o e do jarg&atilde;o marketeiro, implicaria um ambiente de antagonismo, moment&acirc;neo, entre os operadores que enfatizam o esp&oacute;lio do Estado atrav&eacute;s da representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e os que o fazem pela via do comando de empreendimentos econ&ocirc;micos. <\/p>\n<p>Se o capitalismo organiza seus mercados na forma de oligop&oacute;lio, na representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica a sua vers&atilde;o &eacute; o das oligarquias partid&aacute;rias. Na forma&ccedil;&atilde;o de maiorias, vem na tabela de pre&ccedil;os o custo desta forma&ccedil;&atilde;o. No momento pr&eacute;-campanha, quando tudo e todos ficam a beira de um ataque de nervos compreendo que, ao contr&aacute;rio dos discursos majorit&aacute;rios, a corrida eleitoral traz embutida um alto custo pol&iacute;tico e tamb&eacute;m de estabilidade. Para diminuir a instabilidade da perspectiva da ades&atilde;o &agrave; campanha, o partido &ocirc;nibus cobra seu boleto. Antes de analisarmos as chances de vit&oacute;ria de Dilma ou Serra em 1&ordm; ou 2&ordm; turno, h&aacute; que se reconhecer uma evid&ecirc;ncia. Seja qual for o resultado, o(s) PMDB(s) j&aacute; marca uma dupla vit&oacute;ria de palanque &ndash; com Qu&eacute;rcia apoiando a Serra e Temer, lugar tenente do ex-governador de S&atilde;o Paulo, sendo pr&eacute;-indicado para o palanque de Dilma. E, a vit&oacute;ria pr&eacute;via, no interior da maioria conformada ainda na Era Dirceu, foi enquadrar o banqueiro tucano com pretens&otilde;es de vice-rei do Brasil. Assim, os correligion&aacute;rios de Geddel, Sarney e Calheiros comprovam que existem margens de manobra, mesmo dentro das regras do jogo. Para isso, a colcha de retalhos que representa interesses particulares aglutinados j&aacute; vencera uma queda de bra&ccedil;o no todo poderoso banqueiro Henrique Meirelles. <\/p>\n<p>Ficam as d&uacute;vidas. Se por dentro do governo do Copom &eacute; poss&iacute;vel ganhar uma queda de bra&ccedil;o de Meirelles, o que mais daria para se ter ganhado n&atilde;o fosse o reboquismo ao governo ocorrido nos &uacute;ltimos setes anos? E, como ampliar ar margens de manobra se o movimento popular mais forte (MST) fica recalcitrante e as bases sindicais mais importantes est&atilde;o atreladas ao jogo eleitoral? <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=31531\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-quase candidato a vice-rei do Brasil, o tucano Mr. Henrique Meirelles, recebe o abra\u00e7o de urso do homem de confian\u00e7a de Qu\u00e9rcia e Dantas, o deputado federal do PMDB de S\u00e3o Paulo de Piratininga, Sr. Michel Temer Foto:Dida Sampaio-AE 17 de abril de 2010, da Vila Setembrina t&atilde;o martirizada como os assassinados em Eldorados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}