{"id":1214,"date":"2010-04-21T20:45:08","date_gmt":"2010-04-21T20:45:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1214"},"modified":"2010-04-21T20:45:08","modified_gmt":"2010-04-21T20:45:08","slug":"o-1o-de-maio-dia-internacional-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1214","title":{"rendered":"O 1\u00ba DE MAIO: dia internacional dos trabalhadores."},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/nov11_haymarket_exec_sm.jpg\" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o representando os quatro trabalhadores enforcados em Chicago. Origem do 1\u00ba de maio. - Foto:http:\/\/www.wilsonsalmanac.com\/images2\/nov11_haymarket_exec_sm.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o representando os quatro trabalhadores enforcados em Chicago. Origem do 1\u00ba de maio. - Foto:http:\/\/www.wilsonsalmanac.com\/images2\/nov11_haymarket_exec_sm.jpg\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o representando os quatro trabalhadores enforcados em Chicago. Origem do 1\u00ba de maio.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:http:\/\/www.wilsonsalmanac.com\/images2\/nov11_haymarket_exec_sm.jpg<\/small><\/figure>\n<p>O texto&nbsp;pretende apresentar, de forma resumida, a origem e o significado do 1&ordm; de maio.(Este texto &eacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o de parte da Disserta&ccedil;&atilde;o &quot;O Movimento Operario em Alegrete: a presen&ccedil;a de imigrantes e estrangeiros (1897-1929)&quot;.<\/p>\n<p>Por Anderson Rom&aacute;rio Pereira Corr&ecirc;a <br \/>\nAlegrete (RS), 21 de abril de 2010. <\/p>\n<p>O 1&ordm; de maio, dia internacional dos trabalhadores, &eacute; data de maior significado pol&iacute;tico na cultura e identidade de classe. Este texto tem a inten&ccedil;&atilde;o de conhecer a origem do 1&ordm; de maio e seu significado na forma&ccedil;&atilde;o do movimento oper&aacute;rio internacional. <br \/>\nMichelle Perrot escreve que a &ldquo;inven&ccedil;&atilde;o do 1&ordm; de maio&rdquo; est&aacute; relacionada a dois fatores que, dependendo da corrente ideol&oacute;gica, destaca-se um ou o outro. Os oper&aacute;rios do final do s&eacute;culo XIX preocupavam-se em estabelecer uma data como marco fundamental de unifica&ccedil;&atilde;o internacional da luta dos trabalhadores. Esta preocupa&ccedil;&atilde;o era compartilhada por trabalhadores dos Estados Unidos, por franceses e de outros paises. Os debates apontavam a import&acirc;ncia de serem aproveitados elementos da cultura popular para a escolha desta data. V&aacute;rios fatores apontavam para a escolha de um dia que culminasse com a Primavera. J&aacute; existia uma tend&ecirc;ncia cultural em comemorarem-se o 1&ordm; de maio como dia do renascimento (festejavam-se as boas colheitas, etc.).(PERROT,1988, p.130) <br \/>\nNos Estados Unidos, o 1&ordm; de maio &eacute; inaugurado em 1886, pelos &ldquo;Cavalheiros do Trabalho&rdquo;, e j&aacute; tinha suas v&iacute;timas: a viol&ecirc;ncia dos confrontos com a pol&iacute;cia, naquele dia, resulta em nove mortos em Milwoukee e seis em Chicago. O processo dos &ldquo;oito m&aacute;rtires de Chicago&rdquo;, entre os quais, quatro s&atilde;o enforcados, em 11 de novembro de 1887, tem uma repercuss&atilde;o real, vis&iacute;vel nos jornais e no imagin&aacute;rio popular.&nbsp;(Idem.) <br \/>\nA II Internacional, em Congresso em Paris, no dia 20 de julho de 1889, discute a proposta da escolha e uma data fixa para um dia de protesto internacional, para reivindicar as 8 horas de trabalho. Leva-se em considera&ccedil;&atilde;o que havia sido decidida uma manifesta&ccedil;&atilde;o para o 1&ordm; de maio de 1890, pela American Federation of Labour, em seu Congresso de 1888.&nbsp;(Idem.) <br \/>\nDe acordo com a revista &ldquo;Solidariedad&rdquo;, uma s&eacute;rie de protestos tem inicio no dia 1&ordm; de Maio de 1886, na cidade de Chicago nos Estados Unidos. Estes protestos culminam com a pris&atilde;o e condena&ccedil;&atilde;o &agrave; morte dos oper&aacute;rios organizadores das manifesta&ccedil;&otilde;es que reivindicavam oito horas de trabalho di&aacute;rio. Os oito trabalhadores chamavam-se: Spies, Flelden, Neebe, Fisher, Schwab, Lingg, Egel, Parsons, dos quais quatro morreram na forca. Os trabalhadores do mundo inteiro decidiram que 1&ordm; de maio seria um marco na luta por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de luto pela morte dos &ldquo;m&aacute;rtires de Chicago&rdquo;. (REVISTA SOLIDARIEDAD, 1988, p.08) <br \/>\nEric Hobsbawn escreve que, al&eacute;m da reivindica&ccedil;&atilde;o das 8 horas de trabalho, em cada pa&iacute;s, em cada localidade, acrescentavam-se pautas espec&iacute;ficas aos protestos. O &ldquo;ritual&rdquo; consistia em um dia de &ldquo;Greve geral&rdquo; internacional, com simbologias, bandeiras, confer&ecirc;ncias etc. Por&eacute;m, segundo Hobsbawm, &ldquo;o desfile p&uacute;blico dos trabalhadores como uma classe consistia o n&uacute;cleo do ritual.&rdquo;(HOBSBAWN, 1997, p.293) <br \/>\nSegundo Silvia Petersen, em 1891, aparecem as primeiras not&iacute;cias do 1&ordm; de maio no Brasil. Em 1893, evidenciam-se algumas manifesta&ccedil;&otilde;es em cidades do Rio Grande do Sul. (PETERSEN, 1991, p.30-52) Apresentam-se alguns exemplos de comemora&ccedil;&otilde;es do 1&ordm; de maio, para estabelecer algumas compara&ccedil;&otilde;es, assumindo os riscos das generaliza&ccedil;&otilde;es. Ao tratar da comemora&ccedil;&atilde;o do 1&ordm; de maio de 1905, em Porto Alegre, Petersen descreve que no evento ocorre utiliza&ccedil;&atilde;o de banda de m&uacute;sica, bandeiras desfraldadas, festa campestre, confer&ecirc;ncias, baile, ato pol&iacute;tico deliberativo. (PETERSEN, 2001, p.163) Edgar Rodrigues publica o texto: &ldquo;O 1&ordm; de maio na Hist&oacute;ria do proletariado paulista&rdquo;, texto este encontrado pelo autor no jornal A plebe, 1&ordm; de maio de 1918. Segundo o texto, a primeira comemora&ccedil;&atilde;o de destaque do 1&ordm; de maio em S&atilde;o Paulo ocorre em 1898. Ocorre passeata pelas ruas do centro da cidade com bandeiras vermelho e pretas dos anarquistas e banda de m&uacute;sica. No ano seguinte, a comemora&ccedil;&atilde;o &eacute; feita com com&iacute;cios e passeatas. O mesmo ocorrendo em 1901. Nos anos de 1902 e 1903, n&atilde;o h&aacute; paralisa&ccedil;&atilde;o do trabalho, mas h&aacute; confer&ecirc;ncias e com&iacute;cios. Em 1904, diz o texto, &eacute; melhor o n&iacute;vel das manifesta&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias. Em 1905, pelo dia, h&aacute; com&iacute;cios e &agrave; noite um baile. Em 1906, s&atilde;o feitos com&iacute;cios em pra&ccedil;a p&uacute;blica e em sal&otilde;es. Em 1908, &eacute; promovido um com&iacute;cio e &agrave; noite um festival com a representa&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as de car&aacute;ter social. Destaca-se no texto reproduzido por Edgar Rodrigues que: &ldquo;No ano de 1911 &eacute; que foi legalizada a data de 1&ordm; de Maio, passando a figurar na folhinha como feriado nacional.&rdquo; Faltam exemplos nos quais as comemora&ccedil;&otilde;es degeneravam em conflitos com as for&ccedil;as repressivas dos patr&otilde;es e do governo. Em 1906, um congresso j&aacute; alertava que o 1&ordm; de maio era um dia de luta e de luto, n&atilde;o de festas. Seria um dia em que os trabalhadores internacionalmente lembrariam aqueles oper&aacute;rios que morreram lutando pelos direitos adquiridos e pelos que ainda faltavam adquirir. (RODRIGUES, 1992,p.61) <br \/>\nSilvia Petersen faz um estudo sobre o 1&ordm; de maio, que, segundo ela, possui algumas caracter&iacute;sticas: <br \/>\n&#8211; De 1891 a 1894, acontece uma transi&ccedil;&atilde;o nas comemora&ccedil;&otilde;es do 1&ordm; de maio no Brasil, em uma fase na qual o movimento oper&aacute;rio e o 1&ordm; de maio eram liderados por intelectuais, profissionais liberais e, at&eacute; mesmo, militares e, predominantemente, composto de brasileiros, para um momento em que predominavam estrangeiros e com vincula&ccedil;&atilde;o mais org&acirc;nica com os oper&aacute;rios, por sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o social ou por atuarem como &ldquo;intelectuais da classe&rdquo;; <br \/>\n&#8211; As transforma&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas que ocorrem nas comemora&ccedil;&otilde;es do 1&ordm; de maio v&atilde;o de um socialismo heterog&ecirc;neo a um anarquismo tamb&eacute;m heterog&ecirc;neo; <br \/>\n&#8211; da presen&ccedil;a significativa do intelectual, passa a presen&ccedil;a marcante do imigrante; <br \/>\n&#8211; Desenvolve-se o xenofobismo da classe dominante contra os oper&aacute;rios imigrantes; <br \/>\n&#8211; mudan&ccedil;as na comemora&ccedil;&atilde;o, passando de uma atividade festiva para atividades de protesto; <br \/>\n&#8211; passam a acontecer pris&atilde;o e deporta&ccedil;&atilde;o de militantes. (PETERSEN,1981, p.51) <br \/>\nNo final do s&eacute;culo XIX e inicio do S&eacute;culo XX existiam duas correntes que disputavam o significado e a simbologia do 1&ordm; de maio. Enquanto o dia era hegemonizado pela Social-Democracia, com seu centro irradiador nos Partidos Social-Democratas europeus e ligados a II Internacional (alem&atilde;o, italiano, Frances, portugu&ecirc;s e espanhol) as atividades do primeiro de maio eram festivas. Quando passou a hegemonia dos anarquistas, a partir do inicio do s&eacute;culo XX, suas referencias eram os protestos de Chicago e o assassinato dos oper&aacute;rios em luta pelas oito horas de trabalho. O dia deixou de ser Festivo e passou a ser de protestos e greves. Um dos aspectos mais interessantes &eacute; que no hemisf&eacute;rio norte, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, o 1&ordm; de maio &eacute; uma data caracter&iacute;stica do inicio da Primavera (ver Perrot). Para certas culturas, a Primavera &eacute; a data do renascimento, ressurrei&ccedil;&atilde;o. O 1&ordm; de maio em sua origem possui este car&aacute;ter m&iacute;stico e messi&acirc;nico de certas culturas. Depois da morte dos trabalhadores em Chicago, o 1&ordm; de maio faz lembrar aquela frase que diz: &ldquo;Por mais rosas que os poderosos matem nunca conseguir&atilde;o deter a primavera!&rdquo; <\/p>\n<p>\n<strong>BIBLIOGRAFIA:<\/strong> <br \/>\n<strong>HOBSBAWM<\/strong>, Eric. <em>A produ&ccedil;&atilde;o em massa das tradi&ccedil;&otilde;es<\/em>; Europa, 1879 a 1914. In: a Inven&ccedil;&atilde;o das Tradi&ccedil;&otilde;es. Organiza&ccedil;&atilde;o de Eric Hobsbawm e Terence Ranger. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. <br \/>\n<strong>PERROT,<\/strong> Michelle. <em>Os exclu&iacute;dos da hist&oacute;ria: oper&aacute;rios, mulheres e prisioneiros.<\/em> Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. <br \/>\n<strong>PETERSEN<\/strong>, Silvia Regina Ferraz. <em>Origens do 1&ordm; de maio no Brasil.<\/em> Textos para Discuss&atilde;o\/1. Porto Alegre. Ed. Universidade, 1981. <br \/>\n<strong>PETERSEN<\/strong>, Silvia Regina Ferraz. <em>&ldquo;Que a Uni&atilde;o oper&aacute;ria Seja Nossa p&aacute;tria!&rdquo; Hist&oacute;ria das Lutas dos oper&aacute;rios ga&uacute;chos para construir suas organiza&ccedil;&otilde;es<\/em>. Porto Alegre; Editora Universidade; 2001. <br \/>\n<strong>REVISTA SOLIDARIEDAD<\/strong>. <em>1&ordm; de mayo de lucha<\/em>. p.08; A&ntilde;o 02; N&ordm; 04; Mayo 1988. (R.O.Uruguay). <br \/>\n<strong>RODRIGUES<\/strong>, Edgar. <em>A nova Aurora Libert&aacute;ria (1945-1948).<\/em> Rio de Janeiro. Achiam&eacute;, 1992.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o representando os quatro trabalhadores enforcados em Chicago. Origem do 1\u00ba de maio. Foto:http:\/\/www.wilsonsalmanac.com\/images2\/nov11_haymarket_exec_sm.jpg O texto&nbsp;pretende apresentar, de forma resumida, a origem e o significado do 1&ordm; de maio.(Este texto &eacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o de parte da Disserta&ccedil;&atilde;o &quot;O Movimento Operario em Alegrete: a presen&ccedil;a de imigrantes e estrangeiros (1897-1929)&quot;. 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