{"id":1216,"date":"2010-04-22T19:10:08","date_gmt":"2010-04-22T19:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1216"},"modified":"2010-04-22T19:10:08","modified_gmt":"2010-04-22T19:10:08","slug":"a-usina-de-belo-monte-e-o-modelo-de-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1216","title":{"rendered":"A Usina de Belo Monte e o modelo de desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mab_pa_eletronorte.jpg\" title=\"Encabe\u00e7ados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), militantes de distintos movimentos populares ocuparam a sede da Eletronorte, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, no mesmo dia do t\u00e3o contestado leil\u00e3o. Outra vez mais o Estado brasileiro comprova a tese de Faoro, servindo de base de acumula\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de um sistema de suposto desenvolvimento predat\u00f3rio e anulador de nossa soberania.  - Foto:mab\" alt=\"Encabe\u00e7ados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), militantes de distintos movimentos populares ocuparam a sede da Eletronorte, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, no mesmo dia do t\u00e3o contestado leil\u00e3o. Outra vez mais o Estado brasileiro comprova a tese de Faoro, servindo de base de acumula\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de um sistema de suposto desenvolvimento predat\u00f3rio e anulador de nossa soberania.  - Foto:mab\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Encabe\u00e7ados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), militantes de distintos movimentos populares ocuparam a sede da Eletronorte, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, no mesmo dia do t\u00e3o contestado leil\u00e3o. Outra vez mais o Estado brasileiro comprova a tese de Faoro, servindo de base de acumula\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de um sistema de suposto desenvolvimento predat\u00f3rio e anulador de nossa soberania. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:mab<\/small><\/figure>\n<p>22 de abril de 2010, da Vila Setembrina do espelho d&rsquo;&aacute;gua da barra do Lago, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Outra vez mais, a hist&oacute;ria do Brasil se repete, refor&ccedil;ando os elos entre os donos do poder, deixando em segundo plano os leg&iacute;timos interesses na defesa de formas de vida tradicionais e do patrim&ocirc;nio da na&ccedil;&atilde;o. No artigo demonstro uma zona de conflu&ecirc;ncia entre os governos eleitos da democracia e os mandat&aacute;rios do regime anterior. Ao final da tarde de ter&ccedil;a-feira, 20 de abril, o desembargador Jirair Aram Mereguian, presidente do Tribunal Regional Federal da 1&ordf; Regi&atilde;o, cassava a terceira liminar contra o leil&atilde;o que licitava a execu&ccedil;&atilde;o das obras da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu. Dois cons&oacute;rcios disputavam o remate, ambos formados por um conjunto de empresas privadas e com grande participa&ccedil;&atilde;o de estatais do setor. No cons&oacute;rcio vencedor, chamado de Norte Energia, consta a Companhia Hidrel&eacute;trica do Rio S&atilde;o Francisco (CHESF), com 49,98% da composi&ccedil;&atilde;o. J&aacute; no derrotado, denominado de Cons&oacute;rcio Belo Monte Energia, est&atilde;o Furnas e Eletrosul, com cada uma aportando 24,5% de participa&ccedil;&atilde;o. Nota-se o Estado brasileiro, atrav&eacute;s de seu governo central, operando de forma salom&ocirc;nica, investindo recursos e expertise. Ainda assim, &ldquo;curiosamente&rdquo;, o Grupo Bertin &eacute; tido como l&iacute;der dos vencedores e a Andrade Gutierrez aparece como liderando os derrotados. Resultado. Pode vir outra barragem, financiada com dinheiro p&uacute;blico e trazendo mais desastres ambientais, migra&ccedil;&otilde;es em massa e doen&ccedil;as end&ecirc;micas.<\/p>\n<p>Acredito que o pa&iacute;s nunca chegou a discutir a fundo o uso dos recursos naturais n&atilde;o-renov&aacute;veis e em especial os h&iacute;dricos. Infelizmente, tenho de me referir aos mega-projetos como sin&ocirc;nimos da eletrifica&ccedil;&atilde;o, incluindo a atual batalha de milhares de brasileiros contra a hidrel&eacute;trica cruelmente chamada de Belo Monte. Conversando com um funcion&aacute;rio de carreira do setor, este me confidenciou que pelos crit&eacute;rios atuais, o Brasil n&atilde;o poderia construir grandes represas no per&iacute;odo desenvolvimentista, antes e durante a ditadura militar (1964-1985). Se naquela &eacute;poca fossem levados em conta os direitos das popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas, dos micro e pequenos propriet&aacute;rios atingidos por barragens, dos povos originais (ind&iacute;genas), isto sem falar na correspondente legisla&ccedil;&atilde;o ambiental que exige um rigoroso relat&oacute;rio de impacto das obras, os donos do poder teriam duas escolhas. <\/p>\n<p>Uma escolha, fora de cogita&ccedil;&atilde;o para o regime da caserna, seria a n&atilde;o urbaniza&ccedil;&atilde;o precoce e a n&atilde;o industrializa&ccedil;&atilde;o tardia. A outra implicaria, antes que nada, uma defini&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos conceitos fundamentais para um modelo de desenvolvimento sustent&aacute;vel. A conseq&uuml;&ecirc;ncia disso seria um amplo investimento na pesquisa de energias renov&aacute;veis e a prioridade de alguns fatores como: a durabilidade dos cursos de &aacute;gua, fontes e mananciais; a aplica&ccedil;&atilde;o racional da irriga&ccedil;&atilde;o; fortalecer a agricultura voltada para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e regionalizada; a preserva&ccedil;&atilde;o das formas de vida tradicionais (como ribeirinhos, extrativistas, ind&iacute;genas, posseiros e quilombolas); a compreens&atilde;o dos recursos naturais e da biodiversidade como patrim&ocirc;nio nacional e por tanto como elemento permanente de defesa soberana. <\/p>\n<p>Obviamente que nada disso ocorreu e popula&ccedil;&atilde;o tradicional alguma foi ou &eacute; levada em conta quando se trata de mega-empreendimentos, todos eles devidamente subsidiados com dinheiro fruto dos impostos sob controle do governo central. Assim o foi durante a ditadura militar e segue sendo no ano em que vamos &agrave;s urnas para decidir o rec&acirc;mbio do presidente. A sina da Transamaz&ocirc;nica continua e, infelizmente, n&atilde;o se trata de nenhuma novidade. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/04\/21\/a-usina-de-belo-monte-o-modelo-de-desenvolvimento-285394.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encabe\u00e7ados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), militantes de distintos movimentos populares ocuparam a sede da Eletronorte, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, no mesmo dia do t\u00e3o contestado leil\u00e3o. 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