{"id":1217,"date":"2010-04-25T16:43:32","date_gmt":"2010-04-25T16:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1217"},"modified":"2010-04-25T16:43:32","modified_gmt":"2010-04-25T16:43:32","slug":"entre-a-performance-politica-e-os-crimes-da-usina-no-rio-xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1217","title":{"rendered":"Entre a performance pol\u00edtica e os crimes da Usina no Rio Xingu"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/congresso_ligas_camponesas.jpg\" title=\"A hist\u00f3ria se repete como farsa das dire\u00e7\u00f5es encasteladas no falso consenso. As Ligas Camponesas, indo a reboque do presidente que n\u00e3o assumiu e depois n\u00e3o confrontou embora bombachudo fosse, n\u00e3o elevaram o n\u00edvel de conflito quando houve a possibilidade. Oito anos de Luiz In\u00e1cio, e o Belo Monte de estrume joga na vala a credibilidade dos que n\u00e3o rompem com os grilh\u00f5es do governo do agro-neg\u00f3cio  - Foto:mepr\" alt=\"A hist\u00f3ria se repete como farsa das dire\u00e7\u00f5es encasteladas no falso consenso. As Ligas Camponesas, indo a reboque do presidente que n\u00e3o assumiu e depois n\u00e3o confrontou embora bombachudo fosse, n\u00e3o elevaram o n\u00edvel de conflito quando houve a possibilidade. Oito anos de Luiz In\u00e1cio, e o Belo Monte de estrume joga na vala a credibilidade dos que n\u00e3o rompem com os grilh\u00f5es do governo do agro-neg\u00f3cio  - Foto:mepr\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A hist\u00f3ria se repete como farsa das dire\u00e7\u00f5es encasteladas no falso consenso. As Ligas Camponesas, indo a reboque do presidente que n\u00e3o assumiu e depois n\u00e3o confrontou embora bombachudo fosse, n\u00e3o elevaram o n\u00edvel de conflito quando houve a possibilidade. Oito anos de Luiz In\u00e1cio, e o Belo Monte de estrume joga na vala a credibilidade dos que n\u00e3o rompem com os grilh\u00f5es do governo do agro-neg\u00f3cio <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:mepr<\/small><\/figure>\n<p>25 de abril de 2010, da Vila Setembrina do espelho d&rsquo;&aacute;gua da Barra da Laguna do Mar de &Aacute;gua Doce, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Est&aacute; dif&iacute;cil produzir an&aacute;lise pol&iacute;tica e n&atilde;o esbarrar no marketing eleitoral. A press&atilde;o &eacute; grande e a tend&ecirc;ncia &eacute; que abandonemos a caixa de ferramentas (o instrumental te&oacute;rico-metodol&oacute;gico) para nos ater a progn&oacute;sticos e probabilidades de aproxima&ccedil;&atilde;o do &ldquo;humor&rdquo; do eleitorado. A elei&ccedil;&atilde;o &eacute; um momento crucial na defini&ccedil;&atilde;o de poder, mas a dimens&atilde;o da pol&iacute;tica n&atilde;o pode se resumir a corrida eleitoral. Atrav&eacute;s de debates formais e conversas informais, consultas e pol&ecirc;micas de todo tipo, dezenas de pessoas v&ecirc;m me perguntando a respeito dos marcos estrat&eacute;gicos do pa&iacute;s. Um incontest&aacute;vel marco passa pelo modelo de desenvolvimento e a forma de gera&ccedil;&atilde;o de energia correspondente.<\/p>\n<p>A cada semana me esfor&ccedil;o para marcar uma posi&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja aderente ao individualismo metodol&oacute;gico. Assim, intento transmitir um texto anal&iacute;tico que seja direto, n&atilde;o perform&aacute;tico e com mirada estrat&eacute;gica. Ou seja, entendo que o analista deve exercer a honestidade intelectual e tornar expl&iacute;citos tanto o seu ponto de vista (as premissas), como a sua predi&ccedil;&atilde;o (o que &eacute; recomendado fazer). Neste sentido, entendo que observar n&atilde;o passa necessariamente a me ater &agrave;s performances dos dois candidatos favoritos, Dilma Roussef (PT-RS) e Jos&eacute; Serra (PSDB-SP). &Eacute; dif&iacute;cil falar de temas de fundo quando o que se quer debater &eacute; a superf&iacute;cie. Sinceramente, aqui n&atilde;o &eacute; o caso. <\/p>\n<p>Como se sabe, n&atilde;o adoto uma posi&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de prefer&ecirc;ncia entre as candidaturas e isso obedece a um racioc&iacute;nio l&oacute;gico. Repito aqui que o espa&ccedil;o de um artigo de opini&atilde;o n&atilde;o comporta a totalidade do tema, mas sim pode indicar um caminho para construir um discurso de tipo p&uacute;blico e que v&aacute; al&eacute;m das urnas. Diante das emerg&ecirc;ncias, &eacute; fundamental apresentar as pautas correspondentes. Para exemplificar o que digo, basta um tema pol&ecirc;mico. Um deles passa pela concep&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento e a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos h&iacute;dricos. <\/p>\n<p>A no&ccedil;&atilde;o de energia no Brasil &eacute; o represamento de rios. Assim, a usina &eacute; uma estampa do desenvolvimento a todo custo do Brasil, do mesmo modo que at&eacute; hoje a China &eacute; movida a carv&atilde;o. Diante dessa associa&ccedil;&atilde;o de modelos e projetos, fica muito dif&iacute;cil n&atilde;o fazer a correla&ccedil;&atilde;o de interesses. Nos por&otilde;es do BNDES se aprova uma represa que &eacute; um crime ecol&oacute;gico, um atentado contra nossa soberania e o pior dos usos dos recursos h&iacute;dricos. Diante desse fato criminal, passando por cima inclusive das bases e normativas legais da legisla&ccedil;&atilde;o de meio ambiente, escorando-se em artif&iacute;cios do tecnicismo jur&iacute;dico e da forma&ccedil;&atilde;o de cons&oacute;rcios mais que suspeitos e todos ancorados no dinheiro da popula&ccedil;&atilde;o sob o usufruto do Estado, nos damos conta da falta de alternativa pol&iacute;tica pela falta de projeto de longo prazo. <\/p>\n<p>Um projeto de poder vindo debaixo, organizado socialmente e n&atilde;o rifado, sem estar &agrave; merc&ecirc; do campo de alian&ccedil;as com os oligop&oacute;lios nacionais, a banca e o baixo clero do Congresso seria poss&iacute;vel se fosse gestado h&aacute; oito anos. No momento, o desespero do emprego da t&aacute;tica do voto &uacute;til, mesmo diante de uma derrota contundente como a de 3&ordf; 20 de abril quando se aprova a constru&ccedil;&atilde;o da Usina de Belo Monte, &eacute; um atestado de fal&ecirc;ncia das inst&acirc;ncias org&acirc;nicas dos movimentos populares ou o golpe tramado por dire&ccedil;&otilde;es encasteladas que se ancoram nas rela&ccedil;&otilde;es pessoais de tipo amiguismo ou exagero da m&iacute;stica em detrimento da saud&aacute;vel cr&iacute;tica e discrep&acirc;ncia pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>E agora, com que cara as lideran&ccedil;as de movimentos populares que ainda cr&ecirc;em na balela ou loucura coletiva do conceito de &ldquo;governo em disputa&rdquo; ir&atilde;o afirmar a defesa de e necessidade de um &ldquo;apoio cr&iacute;tico&rdquo; da continuidade de Luiz In&aacute;cio e sua trupe?! Isso n&atilde;o quer dizer e nem sequer associar a cr&iacute;tica ao vice-reinado do tucano Henrique Meirelles e dos crimes ambientais e societ&aacute;rios como a transposi&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas do Rio S&atilde;o Francisco e outras propostas ensandecidas, com um apoio t&aacute;cito ao tucanato oficial de Serra e Cia. na S&atilde;o Paulo de Piratininga. Justo ao contr&aacute;rio, at&eacute; porque mudar e transformar a sociedade debaixo para cima est&aacute; muito al&eacute;m de um ac&oacute;rd&atilde;o eleitoral, entre alian&ccedil;as nefastas, interesses esp&uacute;rios e sandice t&aacute;tica. <\/p>\n<p>A condi&ccedil;&atilde;o de criar um novo p&oacute;lo de poder passa por uma vis&atilde;o de protagonismo e dianteira na pol&iacute;tica, desatrelando os projetos estrat&eacute;gicos do povo em movimento (ex: a defesa dos recursos h&iacute;dricos, das formas de vida tradicionais e da semente nativa) do governo de turno. Parece que nunca aprendemos no Brasil as li&ccedil;&otilde;es das hist&oacute;rias dos pa&iacute;ses hermanos. <\/p>\n<p>Na Bol&iacute;via, logo ap&oacute;s a Guerra do G&aacute;s (2003) quando o povo de El Alto e de La Paz expulsou o gringo presidente, Gonzalo S&aacute;nchez de Lozada (o Goni), as coordena&ccedil;&otilde;es de movimentos populares deram um ultimato de 120 dias para o ent&atilde;o rec&eacute;m empossado vice-presidente que assumira, o empres&aacute;rio midi&aacute;tico Carlos Mesa. Antes dos quatro meses correspondentes, as for&ccedil;as sociais organizadas para a emancipa&ccedil;&atilde;o das maiorias tomavam as ruas e faziam valer seu programa de reivindica&ccedil;&otilde;es. O tecido social-produtivo era atado na a&ccedil;&atilde;o popular e n&atilde;o em negocia&ccedil;&otilde;es estranhas ou manobras jur&iacute;dicas. Acreditem, at&eacute; a vit&oacute;ria eleitoral de Evo Morales &agrave; frente do MAS &eacute; fruto desse protagonismo n&atilde;o-instrumentaliz&aacute;vel. A constitui&ccedil;&atilde;o boliviana atual e sua pluralidade jur&iacute;dica-pol&iacute;tica &eacute; a colheita da semente da autonomia das inst&acirc;ncias do povo diante do aparato oficial de intermedia&ccedil;&atilde;o. H&aacute; escolhas para fazer e pre&ccedil;os a pagar. O da omiss&atilde;o pol&iacute;tica no campo popular &eacute; a represa que a tudo mata, alagando a Amaz&ocirc;nia e retomando as mazelas do per&iacute;odo do Milagre Econ&ocirc;mico da Ditadura! <\/p>\n<p>Diante dessa li&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e da luta pol&iacute;tica, ap&oacute;s o crime de Belo Monte, como n&atilde;o defender um projeto popular para al&eacute;m da democracia indireta dos representantes profissionais e gestores do Estado a servi&ccedil;o dos oligop&oacute;lios? <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=31717\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria se repete como farsa das dire\u00e7\u00f5es encasteladas no falso consenso. 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