{"id":12186,"date":"2024-08-14T13:22:36","date_gmt":"2024-08-14T16:22:36","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=12186"},"modified":"2024-08-14T13:22:42","modified_gmt":"2024-08-14T16:22:42","slug":"uma-interpretacao-inicial-da-social-democracia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=12186","title":{"rendered":"Uma interpreta\u00e7\u00e3o inicial da social-democracia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Coluna Estrat\u00e9gia &amp; An\u00e1lise para a esquerda brasileira<\/p>\n\n\n\n<p>julho de 2024<em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos um momento dificil, \u00e9 verdade. Menos complicado do que nos governos de Temer e Bolsonaro, mas definitivamente com a dura tarefa de organizar, resistir, lutar e, ainda garantir conquistas concretas em uma sociedade muito diferente da que existia no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Esta mesma sociedade brasileira era j\u00e1 radicalmente distinta da que havia no Brasil no \u00faltimo governo da ditadura com infla\u00e7\u00e3o galopante, crise de pagamentos externos e, contraditoriamente, pleno emprego industrial e possibilidades para m\u00e3o de obra n\u00e3o qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi esta sociedade que se torna madura e socialmente organizada em 1980 que deu base para o surgimento do maior partido pol\u00edtico da Am\u00e9rica Latina, o Partido dos Trabalhadores (PT). A legenda, como todos sabemos, \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o dos chamados sindicalistas aut\u00eanticos, agrupa\u00e7\u00f5es trotsquistas, dissid\u00eancias da antiga linha de Moscou (incluindo veteranos da luta armada), ativistas pol\u00edticos no MDB e intelectuais em busca da organicidade poss\u00edvel com certa democracia intra partid\u00e1ria. Nasceu como um partido com direito a tend\u00eancias internas. Podemos afirmar com certa grandeza pol\u00edtica e sem sectarismo, que foi a vers\u00e3o moderada brasileira das ent\u00e3o frentes insurrecionais centro-americanas (FSLN na Nicar\u00e1gua, FMLN em El Salvador e URNG na Guatemala).<\/p>\n\n\n\n<p>Qual a espinha dorsal do partido em sua primeira d\u00e9cada? As pastorais sociais da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e o mundo do trabalho no setor privado. E o caminho percorrido, para o exerc\u00edcio da voca\u00e7\u00e3o de poder dentro do Estado burgu\u00eas? Elei\u00e7\u00f5es municipais, filia\u00e7\u00e3o massiva no servi\u00e7o p\u00fablico concursado e lideran\u00e7a carism\u00e1tica do ex-metal\u00fargico Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Hoje, no exerc\u00edcio do quinto mandato na Presid\u00eancia, incluindo um golpe de Estado em 2016 e uma elei\u00e7\u00e3o fajuta em 2018 (com o favorito preso sem provas), o partido existe em fun\u00e7\u00e3o de seu l\u00edder e do exerc\u00edcio de um governo de coaliz\u00e3o. Qual a forma principal de incidir na sociedade brasileira? As pol\u00edticas p\u00fablicas. Logo, por essa op\u00e7\u00e3o evidente, a luta direta, a organiza\u00e7\u00e3o social, a incid\u00eancia na base da sociedade, quase todas as iniciativas a n\u00e3o ser em setores muito combativos do campesinato e de sindicatos que na atualidade resistem mais do que nunca, terminam ficando em segundo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos iludamos, a hegemonia da esquerda \u00e9 social-democracata, n\u00e3o prioriza a luta e sim a institucionalidade. Esta parecer ser a op\u00e7\u00e3o cada vez mais abrangente. Mas, atn\u00e7\u00e3o. A \u00fanica esquerda existente no Brasil \u00e9 a centro-esquerda eleitoral? Evidente que n\u00e3o. A diversidade de agrupa\u00e7\u00f5es que constroem seus projetos dentro e fora da institucionalidade \u00e9 enorme. O n\u00famero de sujeitos sociais organiz\u00e1veis, \u00e9 gigantesco. O conjunto das esquerdas e centro-esquerdas d\u00e3o conta de organizar em n\u00edvel territorial, estudantil e sindical na atualidade? N\u00e3o, \u00f3bvio que n\u00e3o. Somemos as lutas nos territ\u00f3rios do campo, a maioria afro-brasileira, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o composta por mulheres e o desafio \u00e9 enorme. Para complicar mais ainda, o principal vetor organizacional na base da pir\u00e2mide social brasileira s\u00e3o as denomina\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas (\u201cigrejas\u201d) e a fonte de informa\u00e7\u00e3o (desinforma\u00e7\u00e3o eu diria) de maior envergadura s\u00e3o os grupos de aplicativos de mensagem (\u201ct\u00e1 todo mundo no zap!\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta coluna tenta retomar \u2013 ou exercer &#8211; o saud\u00e1vel debate para a esquerda e tamb\u00e9m visando a centro-esquerda e talvez todo o \u201cprogressismo\u201d em suas m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. Para fazer um di\u00e1logo frut\u00edfero temos de ser sinceros, mas n\u00e3o sect\u00e1rios. Lacra\u00e7\u00e3o e grandeza pol\u00edtica n\u00e3o combinam em nada. A encruzilhada brasileira est\u00e1 n\u00e3o apenas na hegemonia social-democrata (sem nenhuma vari\u00e1vel fora do j\u00e1 provado fr\u00e1gil republicanismo) mas na depend\u00eancia de seu l\u00edder hist\u00f3rico. Tem projeto de poder para al\u00e9m do capitalismo perif\u00e9rico? E a forma\u00e7\u00e3o de quadros? E a escola de milit\u00e2ncia? Como formar militantes sem o exerc\u00edcio da luta direta?<\/p>\n\n\n\n<p>Modestamente entendo que estamos diante de ao menos dois projetos: um, distante, no plano declarativo, que relaciona algo parecido com um ide\u00e1rio socialista mas com democracia pol\u00edtica. Outro, muito concreto, quase imediato eu diria, de elevar o n\u00edvel do capitalismo perif\u00e9rico brasileiro e seu exerc\u00edcio de soberania diante de inimigos internos e as press\u00f5es dos pa\u00edses ocidentais. Para o primeiro falta ainda maturidade em assumir essas posi\u00e7\u00f5es; j\u00e1 o segundo necessita de um acordo de elites nacionais (econ\u00f4micas, intelectuais, midi\u00e1ticas, na tecnocracia de Estado, nos altos mandos militares e demais setores-chave) e uma inser\u00e7\u00e3o soberana no Sistema Internacional. Neste sentido, \u00e9 t\u00e3o ou mais dif\u00edcil do que o primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos realistas, mesmo com o vento a favor no cen\u00e1rio mundial, da porteira para dentro, o colonialismo subalterno coloca as fra\u00e7\u00f5es de classe dominante brasileiras mais leais a Miami e Washington do que a Bras\u00edlia. As coisas como s\u00e3o. Qual projeto se torna concreto, para al\u00e9m dos discursos de legitima\u00e7\u00e3o? Quem organiza o primeiro acaba defendendo o segundo (ao menos no classismo e na luta antifascista). E o inverso, \u00e9 verdadeiro? Vamos ao debate.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Lima Rocha (<a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">blimarocha@gmail.com<\/a> \/ www.estrategiaeanalise.com.be) \u00e9 jornalista, cientista pol\u00edtico e professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais; \u00e9 membro do ICCEP \/ O Coletivo e participa da lutab pela democracia na comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>APOIE ESTA COLUNA E OS PRODUTOS JORNAL\u00cdSTICOS DO ICCEP (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@OColetivo\">https:\/\/www.youtube.com\/@OColetivo<\/a>) \u2013 PIX <a href=\"mailto:sindaspi@gmail.com\">sindaspi@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna Estrat\u00e9gia &amp; An\u00e1lise para a esquerda brasileira julho de 2024Bruno Lima Rocha Vivemos um momento dificil, \u00e9 verdade. 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