{"id":12193,"date":"2024-10-15T10:00:13","date_gmt":"2024-10-15T13:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=12193"},"modified":"2024-10-15T10:00:18","modified_gmt":"2024-10-15T13:00:18","slug":"socialismo-e-democracia-participativa-um-debate-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=12193","title":{"rendered":"SOCIALISMO E DEMOCRACIA PARTICIPATIVA: UM DEBATE URGENTE"},"content":{"rendered":"\n<p>Coluna Estrat\u00e9gia &amp; An\u00e1lise para a esquerda brasileira<\/p>\n\n\n\n<p>Outubro 2024 _ <em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o fim do chamado \u201cmodelo sovi\u00e9tico\u201d que n\u00e3o existe uma idealiza\u00e7\u00e3o de sociedade a ser buscada. O debate circula, mas nada mais aprumado, mais concreto. A queda de um projeto de Estado com planejamento central, partido \u00fanico e distribui\u00e7\u00e3o de renda sem precedentes deixou um vazio nas esquerdas mundiais, em especial \u00e0quelas operando em pa\u00edses da periferia do Ocidente, tal \u00e9 o caso de nossa Am\u00e9rica Latina. Mesmo os setores mais cr\u00edticos \u00e0 antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (como este que aqui escreve) ficaram com menos refer\u00eancia para se posicionar mais \u201c\u00e0 esquerda\u201d. A mentira e a desinforma\u00e7\u00e3o abundantes geraram ainda mais confus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a \u201clinha de Moscou\u201d pode ser condenada, \u00e9 no sentido do autoritarismo, na sociedade de controle e n\u00e3o necessariamente no modo de produ\u00e7\u00e3o. Apesar da exist\u00eancia de uma concentra\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria, a diferencia\u00e7\u00e3o social (do sal\u00e1rio mais alto ao mais baixo) foi a menor na hist\u00f3ria da humanidade, ao menos a partir da etapa industrial. Em termos de distribui\u00e7\u00e3o de direitos socioecon\u00f4micos (como estudo, sa\u00fade, moradia, transporte, lazer, desporto e aposentadoria) a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica foi um avan\u00e7o sem precedentes. Seria poss\u00edvel uma sociedade igualit\u00e1ria com liberdade de pensamento individual e pluripartidarismo? Sim. Existe algo assim na atualidade? N\u00e3o, ou ainda n\u00e3o. A inexist\u00eancia de um projeto concreto n\u00e3o significa que jamais venha a ocorrer. Assim sendo, porque a \u201cesquerda\u201d se contenta em ser a fiadora de uma democracia liberal limitada?<\/p>\n\n\n\n<p>Invertendo a pergunta. Porque \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil associar um projeto socialista com a democracia como regime fundamental? Talvez pelas experi\u00eancias do s\u00e9culo XX terem tido como vertente central o modelo de partido \u00fanico, a come\u00e7ar pelo monop\u00f3lio da for\u00e7a e a supress\u00e3o da liberdade dos Soviets pelo Partido Bolchevique j\u00e1 durante a guerra civil? N\u00e3o seria poss\u00edvel pensar uma frente de for\u00e7as da esquerda revolucion\u00e1ria e um comando unificado ou compartido? Ser\u00e1 que ao se fazer governo do Estado Czarista n\u00e3o houve uma am\u00e1lgama entre a dire\u00e7\u00e3o do partido e o comando do Estado?<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema, esse pode ser mais pr\u00f3ximo de nossos tempos. Recentemente participei de uma transmiss\u00e3o ao vivo (&#8220;live&#8221; no anglicismo) no brioso canal A Voz Trabalhadora onde dividi tela com Tebni Pino Saavedra (este chileno e veterano da FPMR e do PC chileno), Nildo Ouriques (UFSC) e o editor Luiz Portinho, um incans\u00e1vel defensor do direito dos aposentados. O debate era sobre a experi\u00eancia de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XOWHQ8JZpyo\">Allende no Chile e nosso 11 de setembro, o latinoamericano em 1973<\/a>. Ao final pensei em voz alta e trouxe a seguinte reflex\u00e3o. Havia 4 partidos pol\u00edticos comprometidos com a transi\u00e7\u00e3o ao socialismo: Partido Socialista, Partido Comunista, Esquerda Crist\u00e3 e Movimento de Esquerda Revolucion\u00e1ria. Logo, se fosse derrotado o golpe e o Chile caminhasse rumo ao socialismo haveria uma guerra civil dentro da esquerda para ver quem exerceria o poder a partir do Palacio La Moneda. Ou o Poder Popular ia ser instalado com partidos de esquerda e representa\u00e7\u00f5es sociais organizadas \u2013 como pobladores (moradores), estudantes, sindicatos, povos origin\u00e1rios e demais setores?<\/p>\n\n\n\n<p>Esta vontade de construir um objetivo comum pode se dar a partir do tempo presente? Sim, evidente que sim. O problema da aus\u00eancia de teoria \u00e9 que esta gera a aus\u00eancia de reflex\u00e3o e possibilidade. Teoria precisa ser testada, realizada em experi\u00eancias de base, em institui\u00e7\u00f5es sociais, em ac\u00f3rd\u00e3os pol\u00edticos em luta. Em geral a confian\u00e7a pol\u00edtica \u00e9 fruto mais do trabalho em comum, da cumplicidade e do fato de que os acordos tenham sido cumpridos. O inverso \u00e9 igualmente verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa atmosfera pouco fraterna, de realismo c\u00ednico como instrumento de legitima\u00e7\u00e3o e pouca ou nenhuma ousadia na a\u00e7\u00e3o direta, a chance da esquerda ou da luta social virar uma mescla de jogo institucional e disputa interna por parcos recursos \u00e9 muito grande. E, ao contr\u00e1rio do que se imagina, a democracia interna pode e deve caminhar lado a lado com a radicalidade necess\u00e1ria para organizar e lutar em todos os n\u00edveis, sempre conforme as circunst\u00e2ncias e as possibilidades. Isso dentro de um planejamento. Afinal, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de esquerda \u00e9 para isso, certo? Ajudar a construir um &#8220;povo unido e forte&#8221; como cant\u00e1vamos na hoje distante d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Este debate n\u00e3o se esgota aqui e embora pare\u00e7a distante de sua realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 longe de muitas discuss\u00f5es que circulam nas vertentes da esquerda mais classista e com experi\u00eancia real de a\u00e7\u00e3o direta e organiza\u00e7\u00e3o de base. Dialoga com as presen\u00e7as sociais mais sentidas, considerando a multiplicidade de sujeitos sociais e entidades que se organizam em torno de uma luta concreta. Enfim, as esquerdas sempre foram m\u00faltiplas e n\u00e3o somente social-democratas ou estatistas, isso desde a 1a Internacional. \u00c9 preciso buscar uma forma de expressar essa diversidade por fora da armadilha das institui\u00e7\u00f5es burguesas e p\u00f3s-coloniais (como o desenho de Estado que temos na Am\u00e9rica Latina). Vamos em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Lima Rocha Beaklini (<a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">blimarocha@gmail.com<\/a> \/ www.estrategiaeanalise.com.br) \u00e9 jornalista, cientista pol\u00edtico e professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais; \u00e9 membro do ICCEP \/ O Coletivo, editor do programa Oriente M\u00e9dio em Revista, colunista do Monitor do Oriente M\u00e9dio e participa da luta pela democracia na comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>APOIE ESTA COLUNA E OS PRODUTOS JORNAL\u00cdSTICOS DO ICCEP (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@OColetivo\">https:\/\/www.youtube.com\/@OColetivo<\/a>) \u2013 PIX <a href=\"mailto:sindaspi@gmail.com\">sindaspi@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna Estrat\u00e9gia &amp; An\u00e1lise para a esquerda brasileira Outubro 2024 _ Bruno Lima Rocha Desde o fim do chamado \u201cmodelo sovi\u00e9tico\u201d que n\u00e3o existe uma idealiza\u00e7\u00e3o de sociedade a ser buscada. 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