{"id":1220,"date":"2010-05-06T14:55:54","date_gmt":"2010-05-06T14:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1220"},"modified":"2010-05-06T14:55:54","modified_gmt":"2010-05-06T14:55:54","slug":"por-uma-democracia-social-com-partidos-politicos-de-outro-tipo-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1220","title":{"rendered":"Por uma democracia social com partidos pol\u00edticos de outro tipo \u2013 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/asamblea_demosocial.jpg\" title=\"Na democracia substantiva de base social igualit\u00e1ria, o poder n\u00e3o emana das desigualdades e nem de teoria das elites, e sim da capacidade de auto-organiza\u00e7\u00e3o - Foto:cceeincomufro\" alt=\"Na democracia substantiva de base social igualit\u00e1ria, o poder n\u00e3o emana das desigualdades e nem de teoria das elites, e sim da capacidade de auto-organiza\u00e7\u00e3o - Foto:cceeincomufro\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Na democracia substantiva de base social igualit\u00e1ria, o poder n\u00e3o emana das desigualdades e nem de teoria das elites, e sim da capacidade de auto-organiza\u00e7\u00e3o<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:cceeincomufro<\/small><\/figure>\n<p>06 de maio de 2010, da Vila Setembrina dos ca&iacute;dos em Porongos, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Inauguramos nesta nova s&eacute;rie de quatro breves artigos de difus&atilde;o cient&iacute;fica, um debate que vai al&eacute;m da forma org&acirc;nica dos partidos e se centra em sua miss&atilde;o institucional e na anteced&ecirc;ncia hist&oacute;rica. A s&eacute;rie come&ccedil;a com a tipifica&ccedil;&atilde;o de uma nova forma de articular o pol&iacute;tico com o social e no interm&eacute;dio destes dois n&iacute;veis a presen&ccedil;a do pol&iacute;tico-social, fortalecendo as chamadas tend&ecirc;ncias das bases de movimentos e as respectivas agrupa&ccedil;&otilde;es de tipo aberto. Lembramos que aqui se trabalha um modelo distinto do partido de intermedia&ccedil;&atilde;o de tipo burgu&ecirc;s ou autorit&aacute;rio. E, que a radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia, como atividade-meio para a transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade, passa por uma escalada de participa&ccedil;&atilde;o e o conflito resultante desta.<\/p>\n<p>Uma vez que aqui se trata da hip&oacute;tese de desenvolvimento de uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de minoria, ou o partido de quadros, com inten&ccedil;&atilde;o de ruptura da ordem constitu&iacute;da, as vari&aacute;veis de desenvolvimento para este tipo de institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica est&atilde;o condicionadas por sua miss&atilde;o institucional. Como afirmamos acima, estamos tentando generalizar um cen&aacute;rio de conflito social com protagonismo das maiorias de classe oprimida e trabalhadora. <\/p>\n<p>Esta hip&oacute;tese automaticamente exclui solu&ccedil;&otilde;es e processos desenvolvidos atrav&eacute;s de vanguardas esclarecidas de tipo armado e\/ou de proselitismo pol&iacute;tico. Uma vez que a conjuntura de momento n&atilde;o possibilita visualiza&ccedil;&otilde;es precisas e de rigor quanto ao programa ideol&oacute;gico deste tipo de partido, tomamos a ousadia de apontar um &ldquo;guarda-chuva ideol&oacute;gico gen&eacute;rico&rdquo;, dentro do panorama pol&iacute;tico das esquerdas latino-americanas ap&oacute;s o Levante Zapatista no M&eacute;xico (1994) e a derrubada do presidente equatoriano Abdala Bucaram (1997). <\/p>\n<p>No exerc&iacute;cio da modelagem, busco algo que aponte para uma ordem social com distribui&ccedil;&atilde;o justa, independ&ecirc;ncia nacional e democracia substantiva, participativa e com experimentalismos institucionais nesse sentido. Este tipo de organiza&ccedil;&atilde;o seria a vers&atilde;o atual (p&oacute;s-bipolaridade) de uma soma de objetivos de liberta&ccedil;&atilde;o nacional e democracia de cunho socialista, somados aos ac&uacute;mulos de experi&ecirc;ncias atuais ou hist&oacute;ricas na Am&eacute;rica Latina. <\/p>\n<p>Atrav&eacute;s de racioc&iacute;nio l&oacute;gico bin&aacute;rio, se a hip&oacute;tese de &ldquo;vanguarda auto-esclarecida&rdquo; n&atilde;o &eacute; considerada v&aacute;lida, portanto a condi&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o de minoria tem como estilo pol&iacute;tico o impulsionar das institui&ccedil;&otilde;es sociais volunt&aacute;rias e de car&aacute;ter massivo. Uma vez que esta mesma hip&oacute;tese aponta dois eixos de m&iacute;nimo denominador comum &ndash; o especifismo pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico e o protagonismo das bases sociais &#8211; os mesmos se tornam o alicerce da caracteriza&ccedil;&atilde;o do tipo de institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que abordamos. <\/p>\n<p>Assim, para esta organiza&ccedil;&atilde;o, o n&iacute;vel pol&iacute;tico oficial de concorr&ecirc;ncia atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; considerado nem no plano t&aacute;tico de atua&ccedil;&atilde;o. Experi&ecirc;ncias recentes na Am&eacute;rica Latina v&ecirc;m provando e comprovando a limita&ccedil;&atilde;o deste tipo de atua&ccedil;&atilde;o para fins de ruptura. A mesma ressalva &eacute; valida para ocupar estruturas estatais para, desde adentro, intentar cambiar a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e miss&atilde;o institucional de modo a torn&aacute;-los p&uacute;blicos. Experimentalismos institucionais dentro do regime de legalidade s&atilde;o tamb&eacute;m considerados de forma t&aacute;tica e n&atilde;o-determinante para cumprir seu objetivo. Por exclus&atilde;o, as sa&iacute;das pela via de ruptura s&atilde;o estrat&eacute;gicas e priorit&aacute;rias. <\/p>\n<p>Um aspecto &eacute; importante ressaltar, que &eacute; o tema da inser&ccedil;&atilde;o e condicionamento das bases sociais para um objetivo finalista dentro de uma estrat&eacute;gia permanente. O tema do controle por parte dos partidos de esquerda sobre os movimentos populares &eacute; justo o oposto do desenvolvido pelo grosso da literatura de ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, tomando por base a generaliza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia da social-democracia europ&eacute;ia. Assim, ao inv&eacute;s de ser inflex&iacute;vel para com sua pr&oacute;pria base e transigir, a partir desta moeda de troca (o n&iacute;vel sindical e de massas), com os partidos da burguesia, este tipo de partido aponta para estruturas de democracia interna, tanto em suas inst&acirc;ncias internas como nos movimentos de classe os quais este incide e\/ou hegemoniza. No caso, a intransig&ecirc;ncia &eacute; com os demais e n&atilde;o para dentro de si mesmo. <\/p>\n<p>Um exemplo hist&oacute;rico relativamente recente e ainda por demais injusti&ccedil;ado, sendo condenado ao segundo desaparecimento (por omiss&atilde;o dos que produzem an&aacute;lise e discurso sobre a pol&iacute;tica) &eacute; a experi&ecirc;ncia insurrecional peruana da d&eacute;cada de 1980 do s&eacute;culo XX. N&atilde;o me refiro ao Sendero Luminoso, mas sim ao acionar pol&iacute;tico-social da outra organiza&ccedil;&atilde;o insurgente. A leitura obrigat&oacute;ria para este tema se encontra na entrevista com o comandante do Movimento Revolucion&aacute;rio Tupac Amaru\/Ex&eacute;rcito Revolucion&aacute;rio Tupacamarista (MRTA) Nestor Cerpa Cartolini (Cartolini, 1997). Nesta publica&ccedil;&atilde;o se exp&otilde;e as experi&ecirc;ncias de democracia direta e participativa desenvolvidas no Frente San Mart&iacute;n no final da d&eacute;cada de 1980 at&eacute; o in&iacute;cio da d&eacute;cada seguinte, nesta regi&atilde;o de selva h&aacute; 1000 km. da capital do Peru, Lima.<\/p>\n<p><strong>Debatendo o nosso modelo com a literatura cl&aacute;ssica da democracia liberal<\/strong><\/p>\n<p>Voltando a modelagem, em termos concretos, esta institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica defende e aplica a democracia interna, a autodetermina&ccedil;&atilde;o resolutiva e a independ&ecirc;ncia dos movimentos populares em rela&ccedil;&atilde;o aos partidos de classe (incluindo ao pr&oacute;prio partido). Este espa&ccedil;o assegura a autonomia de classe social oprimida perante todas as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas agindo dentro e sobre ela. A democracia interna serviria como prerrogativa contra a cristaliza&ccedil;&atilde;o com tend&ecirc;ncias burocr&aacute;ticas ou de oligarquias (ver a caracteriza&ccedil;&atilde;o sobre o tema, abordado por Michels em Panebianko, 1982, p.36). Este &eacute; um dispositivo conformado por mecanismos e decis&otilde;es visando impedir a deforma&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica, tanto na interna da organiza&ccedil;&atilde;o como nas estruturas organizativas nas institui&ccedil;&otilde;es sociais (movimentos de classe e program&aacute;ticos) onde este gravita. <\/p>\n<p>O bin&ocirc;mio de autonomia de classe social e democracia interna em todos os n&iacute;veis apontam para uma discuss&atilde;o de fundo te&oacute;rico e essencial para nos fazermos compreender. Trata-se da pr&oacute;pria id&eacute;ia de classe pol&iacute;tica e, uma vez que esta se constitua, as possibilidades de seu desenvolvimento atingir ou n&atilde;o tanto a democracia poss&iacute;vel como a desej&aacute;vel pelos agentes coletivos. Em tese, estar&iacute;amos diante das op&ccedil;&otilde;es extremas de perpetua&ccedil;&atilde;o sem renova&ccedil;&atilde;o, a chamada op&ccedil;&atilde;o aristocr&aacute;tica; e renova&ccedil;&atilde;o sem perpetua&ccedil;&atilde;o, a dita a op&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica-revolucion&aacute;ria (para ambas ver Bobbio, 2002, cap.8). <\/p>\n<p>Partindo destas op&ccedil;&otilde;es consagradas, formulo mais duas possibilidades: uma se aproxima da aristocr&aacute;tica, transformando-a em olig&aacute;rquica, ou seja, renova&ccedil;&atilde;o para perpetua&ccedil;&atilde;o. Outra teria o mesmo perfil, mas insistiria em perpetua&ccedil;&atilde;o de miss&atilde;o com renova&ccedil;&atilde;o de pessoal, esta, entendo como normativamente positiva para este modelo aqui apresentado. Em outras palavras, o tema &eacute; o do treinamento como parte essencial da reprodu&ccedil;&atilde;o desej&aacute;vel por uma institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (Para uma discuss&atilde;o e cr&iacute;tica do tema da classe pol&iacute;tica em Michels, ver Bobbio 2002, cap.8, e com precis&atilde;o pp. 225-227). A discuss&atilde;o, por tanto, se d&aacute; sobre o mecanismo a ser reproduzido e o tipo de treinamento necess&aacute;rio para cumprir uma miss&atilde;o institucional. <\/p>\n<p>Considerando as experi&ecirc;ncias anteriores, este mecanismo tem de gerar quadros treinados para assegurar a democracia interna (em todos os n&iacute;veis) e os objetivos de programa m&aacute;ximo. J&aacute; o programa m&aacute;ximo, prev&ecirc; a id&eacute;ia de acumula&ccedil;&atilde;o e vai ao encontro contra as solu&ccedil;&otilde;es de ordem t&aacute;tica de programas m&iacute;nimos, com reformas parciais ou favorecimentos a uma categoria em contra de outra (ver Przeworski, 1995, cap.1). &Eacute; aquele que deve ser proporcionado pela pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que advoga esta tese. N&atilde;o h&aacute; possibilidade te&oacute;rica fora disso, e a&iacute; rigorosamente se descarta qualquer hip&oacute;tese de defini&ccedil;&otilde;es de &ldquo;falsa consci&ecirc;ncia&rdquo; (Przeworski, 1986, p.81). <\/p>\n<p>\n<strong>Bibliografia do artigo <br \/>\n<\/strong><br \/>\nCARTOLINI, Nestor Cerpa. Entrevista al comandante del MRTA, Montevid&eacute;u, Editorial Recortes, 1997. <\/p>\n<p>BOBBIO, Norberto. Ensaio sobre ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica na It&aacute;lia. Bras&iacute;lia, Editora UnB, 2002. <\/p>\n<p>PANEBIANKO, Angelo. Modelos de Partido. Madrid, Alianza Editorial, 1982. <\/p>\n<p>PRZEWORSKI, Adam. Capitalismo e Social-Democracia. S&atilde;o Paulo, Cia. das Letras, 1995. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=32123\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na democracia substantiva de base social igualit\u00e1ria, o poder n\u00e3o emana das desigualdades e nem de teoria das elites, e sim da capacidade de auto-organiza\u00e7\u00e3o Foto:cceeincomufro 06 de maio de 2010, da Vila Setembrina dos ca&iacute;dos em Porongos, Bruno Lima Rocha Inauguramos nesta nova s&eacute;rie de quatro breves artigos de difus&atilde;o cient&iacute;fica, um debate que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}