{"id":1233,"date":"2010-05-21T17:15:21","date_gmt":"2010-05-21T17:15:21","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1233"},"modified":"2010-05-21T17:15:21","modified_gmt":"2010-05-21T17:15:21","slug":"o-jornalismo-economico-como-porta-voz-do-capital-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1233","title":{"rendered":"O jornalismo econ\u00f4mico como porta-voz do capital financeiro"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/georgesoros.jpg\" title=\"George Soros, h\u00fangaro radicado nos EUA, maior especulador do mundo, maior criminoso condenado n\u00e3o-encarcerado do planeta; um dos conspiradores da crise for\u00e7ada que assola o povo da Gr\u00e9cia. Protegido por jornalistas a soldo do capital financeiro, odiado por todos os ativistas comprometidos com o futuro da humanidade  - Foto:baltimoresun\" alt=\"George Soros, h\u00fangaro radicado nos EUA, maior especulador do mundo, maior criminoso condenado n\u00e3o-encarcerado do planeta; um dos conspiradores da crise for\u00e7ada que assola o povo da Gr\u00e9cia. Protegido por jornalistas a soldo do capital financeiro, odiado por todos os ativistas comprometidos com o futuro da humanidade  - Foto:baltimoresun\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">George Soros, h\u00fangaro radicado nos EUA, maior especulador do mundo, maior criminoso condenado n\u00e3o-encarcerado do planeta; um dos conspiradores da crise for\u00e7ada que assola o povo da Gr\u00e9cia. Protegido por jornalistas a soldo do capital financeiro, odiado por todos os ativistas comprometidos com o futuro da humanidade <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:baltimoresun<\/small><\/figure>\n<p>21 de maio de 2010, da Vila Setembrina, Continente de S&atilde;o Sep&eacute;, Liga Federal de los Pueblos Libres de Artigas y otros valientes traicionados por latifundistas vendepatrias, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Reconhe&ccedil;o n&atilde;o ser algo novo quando um pesquisador faz a cr&iacute;tica da cobertura midi&aacute;tica supostamente especializada da economia. Reconhe&ccedil;o que o tema &eacute; algo redundante e justo por isso vejo sua import&acirc;ncia. Tampouco se trata de novidade o uso de eufemismos e do emprego do jarg&atilde;o &ldquo;t&eacute;cnico&rdquo; como forma de mascaramento de situa&ccedil;&otilde;es factuais dos agentes econ&ocirc;micos. Em se tratando de grandes investidores de base especulativa, comprando, vendendo e repassando produtos financeiros, muitas das vezes aquilo que &eacute; midiatizado encobre a ocorr&ecirc;ncia de atos criminosos. Neste texto, abordamos esse cruzamento, quando a produ&ccedil;&atilde;o de sentido gerada atrav&eacute;s do notici&aacute;rio de economia, naturaliza, mascara ou alivia a letalidade dos atos premeditados de especuladores de distintas ordens de grandeza e os efeitos que causam no cotidiano de popula&ccedil;&otilde;es inteiras, tal &eacute; o caso hoje dos mais de 10 milh&otilde;es de cidad&atilde;os gregos. Na atualidade, a luta entre os efeitos desse mascaramento com cumplicidade da ind&uacute;stria das m&iacute;dias e a perspectiva do povo em movimento, tem seu campo de batalha nas ruas e pra&ccedil;as da Gr&eacute;cia.<\/p>\n<p>A hip&oacute;tese que aqui levanto &eacute; simples. Afirmo que a maior parte da cobertura jornal&iacute;stica em economia oficia mais como porta-voz do capital financeiro e n&atilde;o como int&eacute;rprete de seu acionar. E, por optar pela angula&ccedil;&atilde;o da cumplicidade, os especialistas, colunistas e fontes da ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o quase nunca narram o &ldquo;jogo&rdquo; como um cassino de roleta viciada. A contrapartida &eacute; desigual. Por vezes, a teoria da brecha jornal&iacute;stica se evidencia nas exce&ccedil;&otilde;es. &Eacute; quando especialistas que trabalham atrav&eacute;s da angula&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica exp&otilde;em seus pontos de vista, denunciando atrav&eacute;s de uma base factual irrefut&aacute;vel, a selvageria criminosa dos agentes econ&ocirc;mico-financeiros. <\/p>\n<p>Em tese o ato de especular deriva das informa&ccedil;&otilde;es fragmentadas e no risco. Desse modo, um gerente de opera&ccedil;&otilde;es de um Fundo de Investimento (hedge fund) teria a capacidade de antecipa&ccedil;&atilde;o, vendendo t&iacute;tulos e a&ccedil;&otilde;es na alta e comprando-os na baixa. Nesse jogo, a aleatoriedade &eacute; a regra para evitar as fraudes. Logo, o acionar fraudulento &eacute; a combina&ccedil;&atilde;o de vendas e compras em conjunto, manipulando o chamado comportamento de manada, quando em tese todos os investidores se moveriam na mesma dire&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m da conspira&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o formas t&iacute;picas de burlar as regras: obter informa&ccedil;&atilde;o privilegiada (inside information), antecipando-se aos demais especuladores; &ldquo;maquiar&rdquo; balan&ccedil;os de modo a elevar a aprecia&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is; rebaixar propositadamente os t&iacute;tulos de um pa&iacute;s de maneira que custe mais caro para o Estado financiar sua d&iacute;vida de curto prazo; negociar de forma &ldquo;exposta&rdquo;, quando a capacidade de pagamentos est&aacute; comprometida a ponto de n&atilde;o realizar-se. Todas estas &ldquo;t&eacute;cnicas&rdquo; de enriquecimento il&iacute;cito, embora usuais, s&atilde;o amplamente praticadas e, por sua vez, quase nada midiatizadas. <\/p>\n<p>Para quem n&atilde;o se recorda, a primeira crise do Euro tem sua origem no acionar fraudulento das vendas e revendas, em escala mundial, dos ativos t&oacute;xicos ou sub-primes. Estes &ldquo;produtos&rdquo; financeiros nada mais s&atilde;o do que carteiras de hipotecas cujos titulares est&atilde;o inadimplentes e n&atilde;o poderiam pagar. As duplicatas destas carteiras sem lastro, empacotadas como &ldquo;produtos de risco&rdquo;, foram (e s&atilde;o) comercializadas mundialmente, e quase sem nenhum controle. Ora, se na base n&atilde;o h&aacute; lastro, logo n&atilde;o h&aacute; dinheiro para remunerar. Isso &eacute; classicamente conhecido como Esquema Ponzi, e tamb&eacute;m chamado nos termos contempor&acirc;neos de pir&acirc;mide ou corrente. A hip&oacute;tese de ato criminoso levando ao &ldquo;estouro&rdquo; da bolha imobili&aacute;ria que levara &agrave; crise do capitalismo em geral, da economia estadunidense primeiro e hoje da Zona do Euro, n&atilde;o &eacute; apenas minha. Dezenas de especialistas difundiram essa angula&ccedil;&atilde;o, o que poderia haver rendido centenas de reportagens investigativas. Estes seriam textos de primazia exemplar como as mat&eacute;rias cl&aacute;ssicas de Bob Woodward e Carl Bernstein na cobertura do esc&acirc;ndalo do edif&iacute;cio Watergate. Os dois rep&oacute;rteres, munidos do dever de investigadores p&uacute;blicos e empurrados pela coragem de suas chefias diretas, denunciaram um esquema tamb&eacute;m criminoso, o que levara &agrave; ren&uacute;ncia de um presidente dos Estados Unidos, o republicano Richard Nixon em 8 de agosto de 1974. Infelizmente, este caso &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o honrosa e her&oacute;ica, e n&atilde;o a regra de comportamento da ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o e de seus trabalhadores. <\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio de exagerar, tamb&eacute;m aqui estou empregando eufemismos para atenuar a contund&ecirc;ncia verbal do texto. Qualquer operador ou analista sabe que, quando h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o perfeita, n&atilde;o pode haver equ&iacute;voco no erro e sim premedita&ccedil;&atilde;o. Esta tese &eacute; corroborada pelo franc&ecirc;s Jean-Fran&ccedil;ois Gayraud, comiss&aacute;rio divisional para crimes financeiros (equivale ao posto de coronel) da Direction de La Surveillance Du Territoire (DST) a ag&ecirc;ncia de contra-espionagem da Fran&ccedil;a. Gayraud sustenta que a &ldquo;crise&rdquo; da bolha estadunidense foi um ato criminoso de empresas especuladoras. Seus enunciados foram publicados na contracapa da edi&ccedil;&atilde;o de 25 de setembro de 2008 do jornal La Vanguardia, da Catalunha. <\/p>\n<p>Assim a poss&iacute;vel fonte explicativa para investigar e denunciar mundialmente o crime da maior transfer&ecirc;ncia de renda coletiva para cofres privados foi enunciado num conglomerado midi&aacute;tico e, logo ap&oacute;s, posto ao l&eacute;u, no limbo das pautas inconclusas. &Eacute; a pr&oacute;pria ind&uacute;stria da m&iacute;dia que amortece a poss&iacute;vel ira popular diante da a&ccedil;&atilde;o c&uacute;mplice, entre mandantes de governos em fun&ccedil;&atilde;o-chave e criminosos de colarinho branco operando com a especula&ccedil;&atilde;o fraudulenta. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_tema_capa&amp;Itemid=23&amp;task=detalhe&amp;id=2114&amp;id_edicao=357\">Este artigo foi originalmente publicado na Revista IHU Online, em papel na edi&ccedil;&atilde;o 329, Ano X, de 17-05-2010, ISSN 1981-8469 e no portal do mesmo Instituto.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>George Soros, h\u00fangaro radicado nos EUA, maior especulador do mundo, maior criminoso condenado n\u00e3o-encarcerado do planeta; um dos conspiradores da crise for\u00e7ada que assola o povo da Gr\u00e9cia. 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