{"id":1235,"date":"2010-05-27T12:10:14","date_gmt":"2010-05-27T12:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1235"},"modified":"2010-05-27T12:10:14","modified_gmt":"2010-05-27T12:10:14","slug":"por-uma-democracia-social-com-partidos-politicos-de-outro-tipo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1235","title":{"rendered":"Por uma democracia social com partidos pol\u00edticos de outro tipo \u2013 3"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pariscommune1871.jpg\" title=\"Os eventos da Comuna de Paris foram uma prova de fogo para testar a hip\u00f3tese de ativismo de minorias impulsionando conselhos populares. O modelo de partido (organiza\u00e7\u00e3o de quadros) provou-se sendo que a derrota n\u00e3o foi no processo pol\u00edtico e sim no n\u00edvel militar. N\u00e3o cabiam e n\u00e3o cabem partidos burgueses ou elitistas quando h\u00e1 protagonismo do povo organizado.  - Foto:libercom\" alt=\"Os eventos da Comuna de Paris foram uma prova de fogo para testar a hip\u00f3tese de ativismo de minorias impulsionando conselhos populares. O modelo de partido (organiza\u00e7\u00e3o de quadros) provou-se sendo que a derrota n\u00e3o foi no processo pol\u00edtico e sim no n\u00edvel militar. N\u00e3o cabiam e n\u00e3o cabem partidos burgueses ou elitistas quando h\u00e1 protagonismo do povo organizado.  - Foto:libercom\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os eventos da Comuna de Paris foram uma prova de fogo para testar a hip\u00f3tese de ativismo de minorias impulsionando conselhos populares. O modelo de partido (organiza\u00e7\u00e3o de quadros) provou-se sendo que a derrota n\u00e3o foi no processo pol\u00edtico e sim no n\u00edvel militar. N\u00e3o cabiam e n\u00e3o cabem partidos burgueses ou elitistas quando h\u00e1 protagonismo do povo organizado. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:libercom<\/small><\/figure>\n<p>27 de maio de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos em Porongos, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Neste artigo da s&eacute;rie, retomando a arena priorit&aacute;ria para este modelo e suas raz&otilde;es, subordinando o conceito de h&aacute;bitos de vida incorporados a uma classe, fra&ccedil;&atilde;o ou setor desta e sua estrutura de c&oacute;digo decifr&aacute;vel, incorpor&aacute;vel para o recrutamento e treinamento pol&iacute;tico para uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de tipo n&atilde;o-eleitoral. A todo o momento a problematiza&ccedil;&atilde;o aqui defendida e apresentada &eacute; a de superar equ&iacute;vocos da p&oacute;s-modernidade &ndash; per&iacute;odo hist&oacute;rico erroneamente denominado de p&oacute;s-1968 &#8211; com os conceitos-chave da pol&iacute;tica em sentido estrito, ou seja, da pol&iacute;tica como a continua&ccedil;&atilde;o do conflito por direitos, demandas e proje&ccedil;&otilde;es de poder.<\/p>\n<p><strong>Duas varia&ccedil;&otilde;es de erro e o mito (falsific&aacute;vel) da &ldquo;classe para si&rdquo; <br \/>\n<\/strong><br \/>\nTemos duas varia&ccedil;&otilde;es de erros t&iacute;picos a apresentar aqui. Um destes, passa pelo mito da &ldquo;consci&ecirc;ncia de classe&rdquo;, como se houvesse uma e n&atilde;o v&aacute;rias formas de tomar ci&ecirc;ncia de sua condi&ccedil;&atilde;o (somente quando em compara&ccedil;&atilde;o com as demais). Outro erro decorrente &eacute; supor que tomar ci&ecirc;ncia implique em algum grau de rebeldia contra o dominador. Algo imediato. S&atilde;o dois problemas distintos, quase sempre abafados pelas mitologias de origem determinista e economicista. &Oacute;bvio que como toda verdade revelada por uma lei supostamente universal, esta tem porta-vozes, eleitos por si mesmos e proclamados por uma esp&eacute;cie de destino manifesto. <\/p>\n<p>A hip&oacute;tese da falsa consci&ecirc;ncia ou da n&atilde;o-consci&ecirc;ncia tem origem na no&ccedil;&atilde;o de que se o indiv&iacute;duo n&atilde;o cumpre aquilo que o partido advoga para a classe, ele se encontra no n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia da classe em si e n&atilde;o na classe para si. Ou seja, o pr&oacute;prio partido j&aacute; se auto-proclamou porta-voz dos interesses do povo ou da classe trabalhadora, como sendo este &oacute;rg&atilde;o (o partido), a classe para si. Sinceramente, tudo isso n&atilde;o passa de absurdo te&oacute;rico e pretens&atilde;o meta-filos&oacute;fica. Afirmamos que o comportamento de classe &eacute; um aspecto, a identidade outro e a op&ccedil;&atilde;o um terceiro, que pode adquirir uma s&eacute;rie de significa&ccedil;&otilde;es distintas. <\/p>\n<p>O comportamento de classe enquanto viv&ecirc;ncia dos c&oacute;digos atrav&eacute;s da norma e consumo cultural pelas representa&ccedil;&otilde;es das ind&uacute;strias de bens simb&oacute;licos, se adquire majoritariamente atrav&eacute;s de trajet&oacute;ria incorporada, aproximando-se assim do conceito de habitus (ver Bourdieu, 1979, cap 8). Tamb&eacute;m se d&aacute; atrav&eacute;s de esfor&ccedil;o para inser&ccedil;&atilde;o e incorpora&ccedil;&atilde;o em outra classe que n&atilde;o a de origem. Este conceito &eacute; reconhecido pela tradi&ccedil;&atilde;o de esquerda como op&ccedil;&atilde;o de classe. Um termo leninista em desuso, e que considero um problema de falsa humildade, pois seus defensores tornaram-se depois nova classe dominante no regime de Capitalismo de Estado (sob a ditadura do comit&ecirc; executivo do secretariado do partido) &eacute; suic&iacute;dio de classe. Esta no&ccedil;&atilde;o j&aacute; foi bastante utilizada para setores estudantis universit&aacute;rios que, com possibilidade de ascens&atilde;o ou mobilidade social atrav&eacute;s da gradua&ccedil;&atilde;o, optam por n&atilde;o assumir fun&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias na estrutura de classes do capitalismo. O mesmo se d&aacute; ao reverso, quando o suic&iacute;dio &eacute; para cima, no caso da parcela deste setor que vai para a universidade receber treinamento para renovar a perpetua&ccedil;&atilde;o. Isto, pela tipologia liberal de Bobbio e Cia. trata-se de renova&ccedil;&atilde;o para perpetuar o desenho da pir&acirc;mide social, alterando apenas seu caleidosc&oacute;pio de cores e fra&ccedil;&otilde;es de elites dirigentes, incluindo-se a&iacute; os percentuais de representantes destacados atrav&eacute;s de alguns cortes, a saber: g&ecirc;nero, etnia, origem s&oacute;cio-econ&ocirc;mica ou de portadores de necessidades especiais. <\/p>\n<p>Ap&oacute;s passarmos por esta longa pondera&ccedil;&atilde;o comentada, retomamos a afirma&ccedil;&atilde;o que o habitus poupa custos e esfor&ccedil;os de san&ccedil;&otilde;es e de ambienta&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o supera problemas de ordem de compreens&atilde;o te&oacute;rica e de mecanismo de funcionamento do ambiente pol&iacute;tico. A cultura pol&iacute;tica &eacute; componente, mas n&atilde;o &eacute; resultante dos processos pol&iacute;ticos. Esta compreens&atilde;o depende exclusivamente de treinamento, tanto te&oacute;rico, conhecimento hist&oacute;rico e de viv&ecirc;ncia, compreendida por experi&ecirc;ncia emp&iacute;rica analisada a luz da pr&oacute;pria raz&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, da maioria dos quadros. <\/p>\n<p>Sa&iacute;das de curto prazo ou de ordem t&aacute;tica tais como encarar a participa&ccedil;&atilde;o eleitoral como estrat&eacute;gica, as alian&ccedil;as de classes no plano eleitoral ou no outro extremo, alguma op&ccedil;&atilde;o de tipo foquista ou massista tamb&eacute;m podem ser evitadas caso as ferramentas de interpreta&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas deliberadas pelo coletivo sejam permanentemente refor&ccedil;adas e estudadas. Delegar a fidelidade do militante para como as orienta&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas e partid&aacute;rias apenas para a viv&ecirc;ncia individual ou ao mundo das id&eacute;ias (e conjecturas do pensamento) n&atilde;o s&atilde;o suficientemente fortes para se contrapor a uma din&acirc;mica que j&aacute; &eacute;, desde o ponto de partida, hegemonizada pelas pautas e agendas comandadas pelas elites dirigentes de um determinado regime; e neste caso, do regime de democracia representativa. <\/p>\n<p>O per&iacute;odo hist&oacute;rico exemplar dessa passagem e incorpora&ccedil;&atilde;o da agenda legal por sobre as agendas estrat&eacute;gicas est&aacute; muito bem debatido e com deriva&ccedil;&otilde;es de importantes teorias para a politologia contempor&acirc;nea (obs: insisto em afirmar a politologia como substantivo gen&eacute;rico da &aacute;rea ao inv&eacute;s da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica). No caso, para uma discuss&atilde;o precisa da participa&ccedil;&atilde;o eleitoral da social-democracia europ&eacute;ia, entendo como fundamental ver a obra de Przeworski (1995, pp.39-44) e como se deu a incorpora&ccedil;&atilde;o de partidos de massa &agrave;s din&acirc;micas dos Estados capitalistas do centro do sistema-mundo. Como n&atilde;o tratamos neste artigo de momentos de ruptura, mas sim de trabalho no longo prazo sob regimes de democracia representativa sem distribui&ccedil;&atilde;o de renda e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em decis&otilde;es estrat&eacute;gicas para o pa&iacute;s (Am&eacute;rica Latina), apenas apontamos a discuss&atilde;o de &ldquo;reforma ou revolu&ccedil;&atilde;o&rdquo;, nesta obra de Przeworski, pp.44-51. Neste trecho do livro, &eacute; fundamental ver como a carga de compromissos adquiridos antes de elei&ccedil;&otilde;es majorit&aacute;rias (como, por exemplo, um programa de transi&ccedil;&atilde;o nacional-estatista, como o promovido no governo de Salvador Allende, Chile, 1970-1973), uma vez que este &eacute; imposs&iacute;vel de realizar dentro da legalidade, exclui outras possibilidades rupturistas, j&aacute; que a ferramenta de organiza&ccedil;&atilde;o de classe (o partido, ou a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica) est&aacute; compartilhando parcelas de poder do governo central, dentro do regime burgu&ecirc;s, e com responsabilidades poli classistas. <\/p>\n<p><strong>As arenas priorit&aacute;rias e o treinamento necess&aacute;rio: a necessidade de se fazer escola <br \/>\n<\/strong><br \/>\nRessalto que os equ&iacute;vocos n&atilde;o s&atilde;o apenas obras do acaso. O erro na an&aacute;lise &eacute; um erro de treinamento pol&iacute;tico. A falta de cr&iacute;tica interna &eacute; um reflexo da aus&ecirc;ncia de democracia interna. A compreens&atilde;o das realidades (treinamento), os enlaces atrav&eacute;s da inser&ccedil;&atilde;o social do partido (atrav&eacute;s de seus quadros a&iacute; recrutados) e uma carga de experi&ecirc;ncias materiais e oportunidades pol&iacute;ticas concretas formam um conjunto m&iacute;nimo para ir mantendo e adequando uma institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para cumprir seu programa m&aacute;ximo de c&acirc;mbio social e ruptura com a ordem constitu&iacute;da no longo prazo. <\/p>\n<p>Um &uacute;ltimo aspecto necess&aacute;rio para o treinamento b&aacute;sico dos quadros deste tipo de partido &eacute; a adequa&ccedil;&atilde;o para seus n&iacute;veis de responsabilidades, das arenas priorit&aacute;rias para o partido se lan&ccedil;ar na vida pol&iacute;tica onde este se afirma. Por exemplo, o n&iacute;vel eleitoral n&atilde;o basta ser considerado como t&aacute;tico ou secund&aacute;rio, uma vez envolvido, salvo raras exce&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, a tend&ecirc;ncia &eacute; que a agenda das elei&ccedil;&otilde;es e a ger&ecirc;ncia do Estado consumam as energias de quem antes se organizava para modificar a sociedade. Quando este n&iacute;vel negado, aponta para este partido outras arenas diferentes das esferas legais de concorr&ecirc;ncias por parcelas do poder. &Eacute; fundamental a pr&aacute;tica te&oacute;rica interna como mecanismo de fortalecimento decis&oacute;rio, al&eacute;m de fornecer uma an&aacute;lise conjuntural permanente. Cumprir esta pauta interna de forma &ldquo;afiada&rdquo; &eacute; a garantia de aplica&ccedil;&atilde;o desta an&aacute;lise no n&iacute;vel social, o que pode ser definitivo para o sucesso ou n&atilde;o &#8211; ou ao menos da continuidade do trabalho &#8211; do trabalho deste modelo de partido. <\/p>\n<p>Um observador externo, que n&atilde;o compreenda os objetivos estrat&eacute;gicos de uma determinada institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tende a ver este tipo de partido como &ldquo;suicida&rdquo; (caso analise pela via do comportamento pol&iacute;tico) ou &ldquo;infantil&rdquo; (numa compreens&atilde;o mais prec&aacute;ria de evolucionismo pol&iacute;tico). J&aacute; se o jogo pol&iacute;tico priorit&aacute;rio para esta organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; a arena do poder real, a compreens&atilde;o muda. O determinante passa a ser a pr&oacute;pria mat&eacute;ria prima da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, que &eacute; formada pelas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a em uma sociedade realmente existente. No caso latino-americano, uma sociedade de classes e de controle social das elites do regime por sobre as maiorias em geral sub-representadas. <\/p>\n<p>Se esta for a arena eleita pelo modelo org&acirc;nico, ent&atilde;o h&aacute; equival&ecirc;ncia de prop&oacute;sito e conduta pol&iacute;tica de acordo com o programa e an&aacute;lise deste tipo de organiza&ccedil;&atilde;o. Ao inverso do modelo de an&aacute;lise tradicional (ancorado na teoria das elites e no mito da indissolubilidade da oligarquia), o que entendemos poder vir a ocorrer &eacute; justamente o oposto dos conflitos decorrentes de interesses e vontades mais aguerridos da base partid&aacute;ria em contra dos acordos centrais de uma elite dirigente, como foram os estudos de casos tratados por Panebianko (1982) e Tsebelis (1998), a exemplo dos partidos trabalhistas e social-democratas europeus. <\/p>\n<p><strong>O direito como base da legalidade interna da organiza&ccedil;&atilde;o <br \/>\n<\/strong><br \/>\nRisco de desvio e de sedu&ccedil;&atilde;o tanto pela conspira&ccedil;&atilde;o oficial como pelo canto de sereia do melhorismo, sempre h&aacute;. Entendemos como maior a possibilidade de ocorr&ecirc;ncia de uma determina&ccedil;&atilde;o coletiva n&atilde;o ser aplicada por quadros individuais, por motiva&ccedil;&otilde;es de recompensa material, coa&ccedil;&atilde;o de suas bases (necessidades diretas), recompensas individuais e falta de rigor anal&iacute;tico. Para superar este tipo de problema cr&ocirc;nico, s&atilde;o necess&aacute;rios todos os fatores de constrangimento citados acima, somando a isso medidas disciplinares (coa&ccedil;&atilde;o organizativa, punitivas e de san&ccedil;&otilde;es morais) que variam de acordo com o tipo de defec&ccedil;&atilde;o sofrida e dos limites org&acirc;nicos do partido em quest&atilde;o. Em conjunturas mais acirradas, algumas organiza&ccedil;&otilde;es do g&ecirc;nero chegam a ter organismos jur&iacute;dicos internos, aplicando puni&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas at&eacute; extremas. Uma boa discuss&atilde;o de experi&ecirc;ncia jur&iacute;dica partid&aacute;ria dentro de outro regime se encontra na maior e mais importante Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tico-Militar de esquerda peronista, os Montoneros argentinos, 1968-1980 (para este caso, que reconhe&ccedil;o como ultrapassando os limites da sanidade interna, ver Anguita e Caparr&oacute;s, 1998, parte 24). <\/p>\n<p>Mais uma vez n&atilde;o h&aacute; que se confundir a conjuntura acirrada com a intoler&acirc;ncia interna (t&iacute;pica das tradi&ccedil;&otilde;es caudilhescas e leninistas). &Eacute; &oacute;bvia a correla&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel de confronto com o regime, a carga de viol&ecirc;ncia empregada e o n&iacute;vel punitivo esperado como fator de disciplina interna. O peso da gravita&ccedil;&atilde;o e legitimidade social adquirida, pode tamb&eacute;m vir a dotar os movimentos sociais nesta &oacute;rbita de uma inst&acirc;ncia de legalidade pr&oacute;pria, atuando como mecanismo de coa&ccedil;&atilde;o coletiva de acordo com a institucionalidade acordada em coletivo, agindo com variados graus de participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o. Os limites das san&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem jamais ultrapassar os marcos do direito. O direito do indiv&iacute;duo num embri&atilde;o de sociedade igualit&aacute;ria n&atilde;o podem ser inferiores aos direitos j&aacute; existentes nos c&oacute;digos de leis burguesas. A igualdade prev&ecirc; mais e mais direitos e garantias, exercidos numa legalidade societ&aacute;ria e, portanto, sem os corpos especializados do aparato Jur&iacute;dico-Policial. <\/p>\n<p><strong>Linhas conclusivas: a t&eacute;cnica subordinada ao conceito estrat&eacute;gico da etapa <br \/>\n<\/strong><br \/>\nJ&aacute; os recursos t&eacute;cnicos necess&aacute;rios para o desenvolvimento pr&oacute;prio da institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tais como o discurso e a linguagem pol&iacute;tica eleita para ser utilizada, s&atilde;o fruto direto de treinamento e experimenta&ccedil;&atilde;o orientada. Somados aos conceitos b&aacute;sicos, formulados como par&acirc;metros anal&iacute;ticos e id&eacute;ias-guia de fundo normativo, devem ser de uso comum a todos os quadros de um mesmo partido. <\/p>\n<p>Retornando ao tema da an&aacute;lise pol&iacute;tica de qual a arena que se joga e se lan&ccedil;a um determinado partido, esta s&oacute; pode ser compreendida e analisada caso se conhe&ccedil;a ao objetivo estrat&eacute;gico do partido e o grau de compreens&atilde;o e fidelidade que seus militantes e quadros t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o a seu pr&oacute;prio objetivo finalista e a estrat&eacute;gia permanente definida. Entendemos assim que o treinamento inicia e se complementa na an&aacute;lise estrat&eacute;gica em sentido amplo, isto porque este modelo de organiza&ccedil;&atilde;o de minoria tem como miss&atilde;o institucional uma incid&ecirc;ncia pol&iacute;tica dentro e atrav&eacute;s de um conflito de classe de longo prazo. Como dissemos no in&iacute;cio, neste pressuposto te&oacute;rico o objetivo subordina ao m&eacute;todo e este se desenvolve de acordo com as necessidades de momento adequadas para acumula&ccedil;&atilde;o de fatores positivos para o objetivo de longo prazo. <\/p>\n<p>\n<strong>Bibliografia referenciada: <br \/>\n<\/strong><br \/>\nANGUITA, Eduardo &amp; CAPARR&Oacute;S, Mart&iacute;n. La Voluntad, tomos I, II e III. Buenos Aires, Norma Editorial, 1998. <\/p>\n<p>BOBBIO, Norberto. Ensaio sobre ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica na It&aacute;lia. Bras&iacute;lia, Editora UnB, 2002. <\/p>\n<p>BOURDIEU, Pierre. La Dinstinction. Paris, Minuit, 1979. <\/p>\n<p>PANEBIANKO, Angelo. Modelos de Partido. Madrid, Alianza Editorial, 1982. <\/p>\n<p>PRZEWORSKI, Adam. Capitalismo e Social-Democracia. S&atilde;o Paulo, Cia. das Letras, 1995. <\/p>\n<p>TSEBELIS, George. Jogos Ocultos. S&atilde;o Paulo, EdUSP, 1998. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=32842\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os eventos da Comuna de Paris foram uma prova de fogo para testar a hip\u00f3tese de ativismo de minorias impulsionando conselhos populares. O modelo de partido (organiza\u00e7\u00e3o de quadros) provou-se sendo que a derrota n\u00e3o foi no processo pol\u00edtico e sim no n\u00edvel militar. 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