{"id":1241,"date":"2010-06-08T13:50:11","date_gmt":"2010-06-08T13:50:11","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1241"},"modified":"2010-06-08T13:50:11","modified_gmt":"2010-06-08T13:50:11","slug":"por-uma-democracia-social-com-partidos-politicos-de-outro-tipo-ancestralidade-e-desenvolvimento-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1241","title":{"rendered":"Por uma democracia social com partidos pol\u00edticos de outro tipo: ancestralidade e desenvolvimento &#8211; 4"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/guerdjikov_low.gif\" title=\"recollectionbooks - Foto:Mikhael Guerdjikov, nascido em 26\/01\/1877, falecido em 18\/03\/1947, mais conhecido militante e referente da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista B\u00falgara, fundada em 1919. Esta federa\u00e7\u00e3o foi modelo de organiza\u00e7\u00e3o de quadros vinculada \u00e0s lutas de massas no apoio da liberta\u00e7\u00e3o nacional contra a ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Otomano.  \" alt=\"recollectionbooks - Foto:Mikhael Guerdjikov, nascido em 26\/01\/1877, falecido em 18\/03\/1947, mais conhecido militante e referente da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista B\u00falgara, fundada em 1919. Esta federa\u00e7\u00e3o foi modelo de organiza\u00e7\u00e3o de quadros vinculada \u00e0s lutas de massas no apoio da liberta\u00e7\u00e3o nacional contra a ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Otomano.  \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">recollectionbooks<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Mikhael Guerdjikov, nascido em 26\/01\/1877, falecido em 18\/03\/1947, mais conhecido militante e referente da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista B\u00falgara, fundada em 1919. Esta federa\u00e7\u00e3o foi modelo de organiza\u00e7\u00e3o de quadros vinculada \u00e0s lutas de massas no apoio da liberta\u00e7\u00e3o nacional contra a ocupa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Otomano.  <\/small><\/figure>\n<p>08 de junho de 2010, da Vila Setembrina de Lanceiros Negros tra&iacute;dos por latifundi&aacute;rios no Massacre de Porongos, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Conclu&iacute;mos esta pequena s&eacute;rie de quatro artigos de difus&atilde;o cient&iacute;fica voltada para o pensamento pol&iacute;tico organizativo, apresentando tanto as ra&iacute;zes desse modelo de partido como tamb&eacute;m uma possibilidade de desenvolvimento org&acirc;nico do mesmo. <\/p>\n<p><strong>A ancestralidade do modelo de organiza&ccedil;&atilde;o aqui desenvolvido <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO modelo que apresentamos nesta s&eacute;rie em particular e nas obras em geral n&atilde;o se trata de uma novidade para o universo da pol&iacute;tica. Se s&atilde;o novos ou inexistentes os estudos sobre o tema, se esta forma do fazer pol&iacute;tico n&atilde;o se transformara em objeto estudo, isto se deu devido &agrave; correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no interior das esquerdas, a passagem desta correla&ccedil;&atilde;o para o campo acad&ecirc;mico e da &oacute;bvia conseq&uuml;ente aus&ecirc;ncia de transposi&ccedil;&atilde;o dos debates travados na esquerda mundial para o universo da cultura letrada e com bases cientificistas. Como j&aacute; foi dito em textos anteriores desta s&eacute;rie, este modelo aborda a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de militantes especificamente aderentes a um corpo ideol&oacute;gico-doutrin&aacute;rio. Por n&atilde;o ser de massas, em contraposi&ccedil;&atilde;o, est&aacute; no formato de quadros, sem filia&ccedil;&atilde;o aberta e cujo grau de compromisso d&aacute;-se atrav&eacute;s dos c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos. Na estrutura&ccedil;&atilde;o interna, dentro da Teoria da Interdepend&ecirc;ncia das 3 Esferas, a divis&atilde;o a forma org&acirc;nica tem sua equival&ecirc;ncia na esfera jur&iacute;dico-pol&iacute;tico-administrativa.<\/p>\n<p>Ainda nesta caracteriza&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o seja exclusividade, em geral se atribui aos aderentes da ideologia anarquista esta forma de se organizar, sendo chamada esta vertente de anarquistas partid&aacute;rios da organiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Esta via ganha deriva&ccedil;&otilde;es vinculadas &agrave;s ra&iacute;zes e origens de cada uma de suas experi&ecirc;ncias marcantes. &Eacute; preciso ressaltar que a forma especifista\/organicista\/plataformista n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica do anarquismo. Outras vertentes prop&otilde;em o modelo &ldquo;federa&ccedil;&atilde;o de grupos&rdquo; (conhecido tamb&eacute;m como federa&ccedil;&atilde;o de s&iacute;ntese, ou sintetista) e tamb&eacute;m a forma &ldquo;grupos de afinidade (que podem chegar a se organizar em uma federa&ccedil;&atilde;o de grupos ou redes), outros n&atilde;o dividem a a&ccedil;&atilde;o em c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos, fusionando a ideologia com a frente social (tal &eacute; o caso do anarco-sindicalismo). Infelizmente, a maior parte da literatura, mesmo a ontologicamente vinculada ao anarquismo, tem uma abordagem mais voltada para a filosofia pol&iacute;tica dos que professam esta ideologia, e pouca aten&ccedil;&atilde;o d&atilde;o &agrave; estrutura org&acirc;nica e administrativa de suas organiza&ccedil;&otilde;es. O foco deste trabalho em particular e do conjunto de nossas produ&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea, &eacute; justamente iniciar o debate a respeito dessa estrutura. <\/p>\n<p>Como j&aacute; disse antes, esta modalidade ganha defini&ccedil;&otilde;es ao longo de sua hist&oacute;ria, tais como: organicismo, plataformismo, especifismo. S&atilde;o mais conhecidas as grandes divis&otilde;es do anarquismo em forma de filosofia pol&iacute;tica. Em geral associa-se a tradi&ccedil;&atilde;o de pensamento aderida &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do anarquismo como anarco-comunista, vinda dos coletivistas de Bakunin (Coletivo Luta Libert&aacute;ria, 2002, pp.10-12). J&aacute; a ala que n&atilde;o entende a necessidade de separar o n&iacute;vel pol&iacute;tico do pol&iacute;tico-social deu na s&iacute;ntese das id&eacute;ias de anarquismo e sindicalismo, resultando no anarco-sindicalismo (para a cr&iacute;tica ao conceito expressa por Malatesta, ver Coelho, 2008, pp. 124-126). <\/p>\n<p>A forma de organiza&ccedil;&atilde;o de tipo federalista n&atilde;o &eacute; nova, como j&aacute; dissemos. Em 1868, no interior da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional dos Trabalhadores (AIT, ver Coletivo Luta Libert&aacute;ria, 2000, pp. 76-79) a ent&atilde;o chamada ala federalista tinha em seu interior uma for&ccedil;a pol&iacute;tica organizada denominada Alian&ccedil;a Internacional pela Democracia Socialista (conhecida como Alian&ccedil;a, de tipo bakuniniano, ver id), cujo referente p&uacute;blico mais conhecido &eacute; o militante russo Mikhail Bakunin (1814\/1876, ver Cappelletti 1968). A Alian&ccedil;a tinha um funcionamento de organiza&ccedil;&atilde;o de quadros, de tipo &ldquo;carbon&aacute;rio&rdquo; e com a maioria de seus militantes atuando em clandestinidade. Alguns referentes p&uacute;blicos eram l&iacute;deres conhecidos dentro da AIT, e a mesma n&atilde;o atuava dentro de um pa&iacute;s ou territ&oacute;rio em espec&iacute;fico. Era usual o envio de delegados e agentes para pa&iacute;ses e regionais distantes, tanto para organizar socialmente, como para estruturar uma c&eacute;lula da Alian&ccedil;a como para epis&oacute;dios pontuais insurrecionais. <\/p>\n<p>Outra experi&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncia nesse modelo de partido foi fundada em 1891, o Partido Socialista Revolucion&aacute;rio An&aacute;rquico (PSRA, conhecido como Partido malatestiano, ver Coletivo Luta Libert&aacute;ria 2002, p. 43) e seu referente mais conhecido &eacute; o anarquista napolitano Errico Malatesta (1853\/1932, id). Embora contasse com acionar clandestino, o PSRA tinha a forma-partido mais semelhante com a usual. Seus militantes referentes para os n&iacute;veis de massa (social) e de corrente (pol&iacute;tico-social) e material de propaganda pol&iacute;tica. Seus militantes eram mais de tipo polifuncionais, incluindo os tipos de a&ccedil;&atilde;o direta praticados na It&aacute;lia da &eacute;poca (da funda&ccedil;&atilde;o at&eacute; o golpe fascista de 1922, ver Gu&eacute;rin 1968, pp. 127-131). <\/p>\n<p>Da Revolu&ccedil;&atilde;o Russa, atuando especificamente na Ucr&acirc;nia, saiu o acumulo de experi&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de massas em meio da guerra civil (1918-1921). O Ex&eacute;rcito Insurrecional de Camponeses da Ucr&acirc;nia (Ex&eacute;rcito Negro, tamb&eacute;m conhecido como Machnovichna, ou Macknovista, ver Archinov, 1976), cujo referente militante era Nestor Iv&aacute;novitch Makhn&oacute; (1888\/1934, Coletivo Luta Libert&aacute;ria 2001), tinha a hegemonia pol&iacute;tico-militar-administrativa de vastas extens&otilde;es ucranianas, e desenvolvia um acionar que partia da produ&ccedil;&atilde;o coletivizada e cuja ponta estava um ex&eacute;rcito baseado em cavalaria m&oacute;vel e cujos postos de mando eram todos eleitos. Houve ent&atilde;o a fus&atilde;o organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica\/mil&iacute;cia libert&aacute;ria, promovendo simultaneamente a guerra de movimentos, o federalismo pol&iacute;tico e a autogest&atilde;o s&oacute;cio-econ&ocirc;mica. Com a derrota para o Ex&eacute;rcito Vermelho em 1921, alguns sobreviventes do Estado-Maior do Ex&eacute;rcito Negro voltam a se agregar em Paris, Fran&ccedil;a e escrevem um manifesto pol&iacute;tico, reconhecido como uma obra de teoria pol&iacute;tica anarquista chamada de Plataforma Organizacional dos Comunistas Libert&aacute;rios (ver na &iacute;ntegra em Dielo Trouda 1997). Neste documento, que nos anos 1920 e 1930 teve ampla circula&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o expressas quatro orienta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas b&aacute;sicas para o modelo at&eacute; os dias atuais: Unidade T&aacute;tica, Unidade Te&oacute;rica, Responsabilidade Coletiva e Federalismo. <\/p>\n<p>A exposi&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas e de ac&uacute;mulo entre e a partir destas organiza&ccedil;&otilde;es poderia resultar em toda uma s&eacute;rie de teses tal como outras obras de f&ocirc;lego. Mas, para ressaltar aqui neste trabalho, de comum entre estes modelos organizativos est&aacute;: a sele&ccedil;&atilde;o de ingresso (partido de quadros); a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o em elei&ccedil;&otilde;es estatais (anti-eleitoralismo); a a&ccedil;&atilde;o de tipo minoria ativa (em contra da concep&ccedil;&atilde;o de vanguarda de classe); a estrutura federativa interna e defendida como modo de organiza&ccedil;&atilde;o social (federalismo pol&iacute;tico); o uso sistem&aacute;tico da for&ccedil;a, em conflitos coletivos e de tipo massivo (a&ccedil;&atilde;o direta como meio priorit&aacute;rio de gerar fatos pol&iacute;ticos); proje&ccedil;&atilde;o das estruturas sociais organizadas como priorit&aacute;rias, eliminando a intermedia&ccedil;&atilde;o profissional (protagonismo popular) e a exist&ecirc;ncia de possibilidade de cr&iacute;tica e promo&ccedil;&atilde;o interna, crescendo o aumento de responsabilidades pol&iacute;ticas segundo o grau de compromisso do militante (democracia interna e renova&ccedil;&atilde;o). <\/p>\n<p>Os exemplos hist&oacute;ricos dados acima s&atilde;o referenciais n&atilde;o exclusivos. Aproximando-nos de nossas latitudes, tomamos como base de di&aacute;logo as experi&ecirc;ncias da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Uruguaia (FAU, fundada em 1956, ver Mechoso 2005, pp.313-316) e da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Ga&uacute;cha (FAG, fundada em 1995, ver FAG 2006). Em nenhum momento afirma-se que as tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es aqui citadas s&atilde;o mais importantes historicamente do que outras, e no caso do anarquismo latino-americano, que a ideologia se encerra no especifismo praticado no Cone Sul. <\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento do modelo de organiza&ccedil;&atilde;o aqui apontado <br \/>\n<\/strong><br \/>\nAntes que nada &eacute; bom recordar que este &eacute; um trabalho de aproxima&ccedil;&atilde;o ao tema do treinamento de quadros. O modelo de partido estudado &eacute; justo o contraponto do que a literatura hegem&ocirc;nica em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica (ou politologia como prefiro) praticada na Am&eacute;rica Latina em geral, e no Brasil em particular, coloca como &ldquo;modelo&rdquo;. No m&iacute;nimo se trata do oposto ao verificado em nosso pr&oacute;prio treinamento como cientistas pol&iacute;ticos, pertencentes aos escal&otilde;es menores de uma elite intelectual subsidiada com verba de Estado para desenvolver conceitos e capacidades cognitivas em prol das maiorias dos pagadores de impostos no pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Por isso o di&aacute;logo realizado &eacute; com o contraponto do &ldquo;modelo &uacute;nico&rdquo; de partido de tipo liberal-burgu&ecirc;s, que traduzido para o jarg&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fico, seria assim caracterizado: institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas agregativas, com hierarquias burocr&aacute;ticas profissionalizadas e participando da concorr&ecirc;ncia por parcelas de poder legal-constitucional. Em momento algum tivemos a inten&ccedil;&atilde;o de ser genericamente normativos no sentido de afirmar que o modelo de partido X &eacute; melhor que o modelo de partido Y. Tal tipo de afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o resiste a nenhuma an&aacute;lise de rigor. Melhor para que? Qual a institui&ccedil;&atilde;o adequada para cumprir uma miss&atilde;o institucional que n&atilde;o a sua de origem? Este &eacute; o debate de fundo. <\/p>\n<p>O que sim procuramos come&ccedil;ar a fazer &eacute; um estudo te&oacute;rico, com rigor interpretativo e dotado de intensidade como o que a literatura pela qual quando p&oacute;s-graduandos fomos treinados ( me refiro especificamente ao chamado main stream, ou o suposto Estado da Arte da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica hegem&ocirc;nica) aplica para os modelos majorit&aacute;rios. A tentativa &eacute; de buscar modelos aplicados em hip&oacute;teses pass&iacute;veis de serem pensadas para e na Am&eacute;rica Latina. E, dentro do realismo cient&iacute;fico, levando em conta os fatores determinantes que isto implica. <\/p>\n<p>O treinamento que um modelo de partido tem de aplicar &eacute; aquele de acordo com suas necessidades estruturais e objetivos pol&iacute;ticos (escalonados em tempo e prioridade). Uma vez que este modelo de institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica buscaria promover um protagonismo de setores populares, &eacute; fundamental para seu sucesso organizativo a presen&ccedil;a f&iacute;sica e ideol&oacute;gica nestes meios. Isto nos leva a compreender o conceito de habitus como fundamental. Ou seja, o recrutamento deve ser voltado para aqueles que s&atilde;o legitimados nestes meios, isto &eacute;, sejam detentores do habitus da classe e segmentos que se quer organizar. Esta hip&oacute;tese n&atilde;o &eacute; exclusiva, mas poupa custos de informa&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;o de treinamento que podem levar anos. <\/p>\n<p>N&atilde;o se pode, entretanto, delegar a capacidade de fazer pol&iacute;tica apenas e t&atilde;o somente &agrave;s origens e trajet&oacute;rias dos quadros de uma organiza&ccedil;&atilde;o. A trajet&oacute;ria &eacute; um ponto de partida para a aplica&ccedil;&atilde;o do pensamento estrat&eacute;gico, sempre de acordo com os objetivos da institui&ccedil;&atilde;o. Buscando um modelo complexo de an&aacute;lise, os fatores de treinamento t&ecirc;m de ser somados ao recrutamento (j&aacute; dotado de habitus) e capacita&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica. Isto no que diz respeito ao treinamento de forma&ccedil;&atilde;o conceitual e de ambienta&ccedil;&atilde;o no meio que se quer organizar. Fica em aberto nesta s&eacute;rie os temas de treinamento t&eacute;cnico ou de aplica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-t&eacute;cnico, necess&aacute;rios para qualquer institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (tenham o modelo e finalidade que tiverem) como os acima relacionados. <\/p>\n<p><strong>Aspectos conclusivos quanto ao tema do partido de quadros <br \/>\n<\/strong><br \/>\nAponto que nunca &eacute; demais ressaltar que uma institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica deste modelo depende determinantemente do bom trabalho de seus quadros. Isto nos leva a uma discuss&atilde;o cl&aacute;ssica de virt&uacute; pol&iacute;tica, contemporaneamente analisada sob o conceito de qualidade da lideran&ccedil;a pol&iacute;tica. Tanto este tema como o pol&iacute;tico-t&eacute;cnico n&atilde;o s&atilde;o abrangidos neste estudo, apenas ressalto o reconhecimento de sua import&acirc;ncia. <\/p>\n<p>Afirmamos sim, que o mesmo esfor&ccedil;o empregado por indiv&iacute;duos ou segmentos desfavorecidos para obter mobiliza&ccedil;&atilde;o (e ascens&atilde;o social, porque a mobiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o precisa necessariamente ser para cima) s&atilde;o empregados no sentido inverso. Ou seja, v&aacute;rias categorias anal&iacute;ticas s&atilde;o v&aacute;lidas para este tipo de modelo de partido, desde que se leve em conta que o modelo implica um objetivo distinto do abordado pela literatura hegem&ocirc;nica. <\/p>\n<p>Como j&aacute; afirmamos antes, os temas em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica s&atilde;o impostos pelas necessidades e anseios da realidade ao redor dos centros de estudo e pela proje&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria e as ambi&ccedil;&otilde;es do produtor deste tipo de conhecimento. Assim, vemos este tema como de crescente necessidade num cen&aacute;rio latino-americano e brasileiro de mudan&ccedil;a de modelo (neoliberal) e com &oacute;bvias e enormes limita&ccedil;&otilde;es de possibilidades de democracia substantiva pela concorr&ecirc;ncia eleitoral. <\/p>\n<p><strong>Bibliografia referenciada: <br \/>\n<\/strong><br \/>\nARCHINOV, Piotr. Hist&oacute;ria do movimento Macknovista: a insurrei&ccedil;&atilde;o dos camponeses da Ucr&acirc;nia. Lisboa, Cadernos Peninsulares, 1976. <\/p>\n<p>CAPPELLETTI, Angel J. Bakunin y el Socialismo Libertario. M&eacute;xico DF, Minerva, 1968 <\/p>\n<p>COELHO, Pl&iacute;nio Augusto (org.), Malatesta, escritos revolucion&aacute;rios. S&atilde;o Paulo, Hedra, 2008 <\/p>\n<p>COLETIVO LUTA LIBERT&Aacute;RIA (org.), Mikhail Bakunin, socialismo e liberdade. S&atilde;o Paulo, Coletivo Editorial LL, 2000 <\/p>\n<p>COLETIVO LUTA LIBERT&Aacute;RIA (org.), Anarquia &amp; Organiza&ccedil;&atilde;o, Nestor Makhno. S&atilde;o Paulo, Coletivo Editorial LL, 2001 <\/p>\n<p>COLETIVO LUTA LIBERT&Aacute;RIA (org.), Errico Malatesta &amp; Luigi Fabbri: anarco comunismo italiano. S&atilde;o Paulo, Coletivo Editorial LL, 2002 <\/p>\n<p>DIELO TROUDA, Plataforma Organizacional dos Comunistas Libert&aacute;rios. Doc. eletr&ocirc;nico, encontrado em: http:\/\/www.nestormakhno.info\/portuguese\/platform\/org_plat.htm (postagem original em portugu&ecirc;s em 1997); arquivo consultado em 10 de outubro de 2008 <\/p>\n<p>FAG, Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Ga&uacute;cha, Carta de Princ&iacute;pios. documento eletr&ocirc;nico, www.vermelhoenegro.org\/fag\/carta\/php (20\/09\/2006); arquivo consultado em 09 de agosto de 2008 <\/p>\n<p>GU&Eacute;RIN, Daniel. El Anarquismo. Buenos Aires, Ed. Proyecci&oacute;n, 1968 <\/p>\n<p>MECHOSO, Juan Carlos. Acci&oacute;n Directa anarquista: una historia de FAU, tomo II, La Fundaci&oacute;n 1950-1956. Montevid&eacute;u, Editorial Recortes, 2005 <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33194\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>recollectionbooks Foto:Mikhael Guerdjikov, nascido em 26\/01\/1877, falecido em 18\/03\/1947, mais conhecido militante e referente da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista B\u00falgara, fundada em 1919. 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