{"id":1242,"date":"2010-06-09T20:04:35","date_gmt":"2010-06-09T20:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1242"},"modified":"2010-06-09T20:04:35","modified_gmt":"2010-06-09T20:04:35","slug":"helen-thomas-quando-se-paga-pela-lingua-enquanto-outros-nunca-reconhecem-aquilo-que-fazem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1242","title":{"rendered":"Helen Thomas: quando se paga pela l\u00edngua enquanto outros nunca reconhecem aquilo que fazem"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/helen-thomas.jpg\" title=\"Helen Thomas, a decana do jornalismo pol\u00edtico estadunidense falou besteira e sofreu a ira dos justos e dos nada justos - Foto:formaementis\" alt=\"Helen Thomas, a decana do jornalismo pol\u00edtico estadunidense falou besteira e sofreu a ira dos justos e dos nada justos - Foto:formaementis\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Helen Thomas, a decana do jornalismo pol\u00edtico estadunidense falou besteira e sofreu a ira dos justos e dos nada justos<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:formaementis<\/small><\/figure>\n<p>4a, dia 09 de junho de 2010, Bruno Lima Rocha (cientista pol&iacute;tico) <\/p>\n<p>Neste artigo, apresento o debate e as conseq&uuml;&ecirc;ncias na ind&uacute;stria das m&iacute;dias derivadas da cobertura e da vers&atilde;o do ataque israelense a frota de seis barcos de ajuda humanit&aacute;ria que sa&iacute;ram de Ancara, na Turquia e tinham como destino a Faixa de Gaza, sitiada e bloqueada por Israel. Temos casos t&iacute;picos de choque de vers&otilde;es, trocas de valora&ccedil;&otilde;es e a recria&ccedil;&atilde;o de hiper-realidades pelos l&iacute;deres dos oligop&oacute;lios mundiais, propositadamente confundindo o anti-semitismo conden&aacute;vel com a a&ccedil;&atilde;o anti-imperialista (e no caso, anti-sionista). Rogo a serenidade dos leitores para podermos estabelecer um ponto razo&aacute;vel de debate.<\/p>\n<p><strong>O ataque de Israel, o general r&eacute;u confesso e os corpos ao mar <\/p>\n<p><\/strong>Para come&ccedil;ar, cabe um primeiro coment&aacute;rio do uso de imagens como provas inconclusas. Tanto os tripulantes filmaram como os militares israelenses tamb&eacute;m fizeram registros. Pela internet circulam centenas de v&iacute;deos, alguns de boa defini&ccedil;&atilde;o, tentando construir a legitimidade dos fatos e seus mandantes e operadores-chave. A panac&eacute;ia midi&aacute;tica se d&aacute; porque os ativistas gravaram, as for&ccedil;as israelenses tamb&eacute;m, assim como TVs da Turquia, de Israel e a Al-Jazeera, emissora &aacute;rabe l&iacute;der no notici&aacute;rio internacional da regi&atilde;o. Vers&atilde;o conclusiva at&eacute; agora, nenhuma. <\/p>\n<p>Mesmo com quatro registros formais televisivos ou de imagens, o Estado de Israel insiste na caracteriza&ccedil;&atilde;o do ataque como sendo preventivo. Segundo os Acordos de Oslo (assinados em 1993 somente com a anu&ecirc;ncia da Fatah como for&ccedil;a pol&iacute;tica palestina), quando se acertam as condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia do pr&eacute;-Estado Palestino (Autoridade Nacional Palestina, ANP), as &aacute;guas territoriais de Gaza (37 kms distantes da costa mediterr&acirc;nea) est&atilde;o sob controle da for&ccedil;a naval de Israel. &Oacute;bvio que a legitimidade desse ataque &ldquo;defensivo&rdquo; seria aleg&aacute;vel caso a frota turca encontrava-se neste per&iacute;metro. E, por macabra ironia dessa hist&oacute;ria de luta sem fim, no pronunciamento do porta-voz das For&ccedil;as de Defesa de Israel (IDF), general Avi Benayahu, o militar afirmou que seus comandos anf&iacute;bios interceptaram a frota entre 4h30 e 5h da manh&atilde;, em alto-mar, h&aacute; uma dist&acirc;ncia vari&aacute;vel de 70 a 80 milhas n&aacute;uticas (equivalendo a 130 a 150 km da costa; <a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/internacional\/2010\/05\/31\/israel-ataca-barcos-que-tentavam-furar-bloqueio-a-gaza-e-mata-dezenas-ataque-repercute-no-mundo.jhtm\">ver o link da mat&eacute;ria<\/a>.&nbsp; E, mesmo se pronunciando como r&eacute;u confesso diante de qualquer tribunal internacional (por atacar navios de bandeira de na&ccedil;&atilde;o amistosa, como a Turquia) em &aacute;guas n&atilde;o-territoriais, o Estado sionista se nega a reconhecer o ataque como agress&atilde;o (diz ser &ldquo;preventivo&rdquo;) e tampouco admite o n&uacute;mero real de mortos (mais da metade teria sido atirado ao mar). <\/p>\n<p>O ataque dos fuzileiros navais israelenses interceptou embarca&ccedil;&otilde;es de bandeira turca, tomando os conveses e entrando em luta corporal contra os mais de 750 ativistas organizados pela ONG Free Gaza (boa parte de volunt&aacute;rios n&atilde;o-&aacute;rabes e n&atilde;o-isl&acirc;micos) e levando a bordo mais de 10 mil toneladas de g&ecirc;neros de aux&iacute;lio humanit&aacute;rio. A a&ccedil;&atilde;o ocorreu na madrugada de 31 de maio, uma segunda feira, pautando o notici&aacute;rio de todo o mundo a respeito do tema. O saldo foi de mais de 300 presos (alguns deportados), e um n&uacute;mero n&atilde;o reconhecido de assassinados pelas for&ccedil;as sionistas. O Estado de Israel reconhece 9 mortes enquanto os ativistas pr&oacute;-Palestina afirmaram serem o dobro de baixas ou mais. A vers&atilde;o de uma TV de Israel &eacute; de 19 mortos. Segundo os tripulantes dos navios que levavam alimentos e g&ecirc;neros de primeira necessidade, os fuzileiros israelenses atiraram corpos ao mar, n&atilde;o deixando filmar a a&ccedil;&atilde;o que descaracterizava os assassinatos n&atilde;o contabilizados. <\/p>\n<p><strong>A origem do cerco a Gaza e o poderio n&atilde;o-&aacute;rabe na luta pela Causa Palestina <\/p>\n<p><\/strong>Vale lembrar que o bloqueio e isolamento do Estado sionista a Gaza deriva do in&iacute;cio da guerra civil palestina, quando o Hamas, vitorioso nas elei&ccedil;&otilde;es de janeiro de 2006, recebera um golpe da Fatah (partido majorit&aacute;rio e eleito por Israel e ONU como interlocutor v&aacute;lido) e contra-atacara tomando militarmente a Faixa de Gaza, ficando o partido de Mahmoud Abbas (da mesma organiza&ccedil;&atilde;o de Yasser Arafat) como governo de fato (embora golpista) na Cisjord&acirc;nia. &Eacute; importante ressaltar que a conviv&ecirc;ncia com a for&ccedil;a sunita integrista jamais fora tranq&uuml;ila e nem pac&iacute;fica, mas em sendo minorit&aacute;rio, o Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica (Hamas) ainda era control&aacute;vel, do ponto de vista dos negociadores de Oslo. Uma vez legitimado e ocupando postos-chave de um quase-Estado sem recursos, a estrutura social-religiosa do integrismo seria avassaladora. Este &eacute; um prov&aacute;vel c&aacute;lculo pol&iacute;tico conden&aacute;vel do ponto de vista democr&aacute;tico, embora perfeitamente exeq&uuml;&iacute;vel por operadores pautados pelo pragmatismo e por condutas n&atilde;o-republicanas (como &eacute; conhecida a Fatah). <\/p>\n<p>Do isolamento de Gaza atrav&eacute;s da disputa interna entre palestinos, o Hamas partiu para o conflito de tipo escaramu&ccedil;as de fronteira e ataque a alvos indiscriminados. Ou seja, contra os bombardeios de avi&otilde;es Kfir responderam com morteiros terra-terra. A escalada do conflito n&atilde;o tardou para resultar em guerra de re-ocupa&ccedil;&atilde;o. Em janeiro de 2009, assim como ocorrera em julho de 2006 no sul do L&iacute;bano controlado pelo Hizballah (for&ccedil;a integrista pol&iacute;tico-militar xiita), as IDF promovem um bombardeio sistem&aacute;tico, isolam a Faixa de Gaza e depois ocupam militarmente a &aacute;rea. Encontram resist&ecirc;ncia, n&atilde;o chegam a tomar todo o terreno e nem conseguem destruir a infra-estrutura do Hamas. Esta for&ccedil;a integrista sunita palestina, assim como ocorreu com seu cong&ecirc;nere xiita no Sul do L&iacute;bano, n&atilde;o foi destru&iacute;da como forma de organiza&ccedil;&atilde;o social no territ&oacute;rio. Tomando esse dado como concreto e absoluto, a alta administra&ccedil;&atilde;o j&aacute; sob governo de Benjamin Netanyahu (de um enfraquecido Likud, posicionando-se ainda mais &agrave; direita), resolve impor o bloqueio absoluto, transformando a &aacute;rea em um gigantesco gueto. Da&iacute; vem &agrave; estrat&eacute;gia do estrangulamento paulatino, promovendo bloqueio de tr&acirc;nsito de pessoas e v&iacute;veres, impossibilitando uma forma de governo por parte do Hamas. <\/p>\n<p>Mas, o problema de exercer algum poder constitu&iacute;do n&atilde;o fica apena para ser solucionado pelo Hamas. Ao decretar o bloqueio &agrave; Gaza, o Estado sionista coloca em cheque o que restou de unidade entre os pa&iacute;ses formadores da Liga &Aacute;rabe. &Eacute; vis&iacute;vel o abandono do p&oacute;lo de poder pelos filhos descendentes de Sem e Ismail. Dois pa&iacute;ses isl&acirc;micos n&atilde;o-&aacute;rabes hoje disputam a centralidade da regi&atilde;o ampliada (Oriente M&eacute;dio e Golfo P&eacute;rsico). S&atilde;o eles, Turquia (de onde sa&iacute;ram os navios, que &eacute; parte da OTAN e j&aacute; se posicionara de forma independente como ponta do acordo nuclear do Ir&atilde; intermediado pelo Brasil) e o pr&oacute;prio Estado persa de regime integrista xiita, que alimenta a resist&ecirc;ncia do Hizballah e de outras for&ccedil;as integristas, xiitas e sunitas, tal como &eacute; o caso do Hamas. <\/p>\n<p><strong>Helen Thomas e quando se fala sem pensar o que nunca se deve dizer <br \/>\n<\/strong><br \/>\nA abordagem que tracei acima &eacute; quase consensual, seria algo de almanaque, bastando recordar cifras, datas e acontecimentos. Mas, de t&atilde;o &oacute;bvio, n&atilde;o aparece (a n&atilde;o ser na chamada m&iacute;dia alternativa) e quando ocorre na M&iacute;dia Corporativa (uma das modalidades de corporations), resulta em constrangimento e demiss&atilde;o. No filme Le&otilde;es e Cordeiros (Lions for Lambs, dirigido por Robert Redford, 2007), a atriz Meryl Streep interpreta uma veterana jornalista que cansada das meias verdades e dos discursos de encomenda (mat&eacute;rias plantadas pelas infind&aacute;veis sub-comiss&otilde;es de defesa e intelig&ecirc;ncia do Congresso dos EUA), entra em crise e discute com o editor de um suposto jornal (seria o legend&aacute;rio Washington Post?; eu entendo que sim apesar de ainda ser seu leitor). O editor do ve&iacute;culo lhe diz com todas as letras que as quest&otilde;es de seguran&ccedil;a nacional s&atilde;o irretoc&aacute;veis e a rea&ccedil;&atilde;o de uma cr&iacute;tica sua seria absurda, desproporcional a capacidade da imprensa (como &ldquo;4&ordm; Poder&rdquo;) defender-se. Por fim, lhe chama &agrave;s contas com o pr&oacute;prio passado, e pede que reconsidere publicar ou rebelar-se contra as informa&ccedil;&otilde;es &ldquo;exclusivas&rdquo; que um jovem senador republicano (interpretado por Tom Cruise) a teria transmitido na base do fontismo (off the Record). Este personagem por sinal &eacute; um ex-operador de for&ccedil;as especiais dos EUA e est&aacute; participando de opera&ccedil;&otilde;es secretas nas montanhas do Afeganist&atilde;o, plantando comandos isolados, transitando por terreno in&oacute;spito e partindo de hip&oacute;teses de conflito absurda (uma poss&iacute;vel alian&ccedil;a wahabita afeg&atilde; com o governo integrista xiita do Ir&atilde;!!!). Meryl Streep se cala, mas ao contr&aacute;rio dela, outra veterana rep&oacute;rter, n&atilde;o ficcional, mas real, existente. Helen Thomas, a mais antiga rep&oacute;rter na cobertura da Casa Branca, se afasta do trabalho por press&otilde;es do maior lobby do mundo. <\/p>\n<p>O lobby a que me refiro &eacute; o conhecid&iacute;ssimo AIPAC (American Israel Public Affairs Committee &ndash; Comit&ecirc; de Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas Israelense-Americano). Este &ldquo;partido&rdquo; semi-formal, tem mais de 7000 funcion&aacute;rios a tempo completo, bancou (imp&ocirc;s) a indica&ccedil;&atilde;o de Hillary Clinton para secret&aacute;ria de Estado (equivalente no Brasil a ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores) e opera como bra&ccedil;o semi-institucional da for&ccedil;a pol&iacute;tica do sionismo de direita. Seu bra&ccedil;o operacional mais midi&aacute;tico e agressivo &eacute; a ADL (Anti Defamation League &ndash; Liga Anti Defama&ccedil;&atilde;o) tendo como um de seus alvos prediletos ao anarquista judeu (militante, ling&uuml;ista e professor livre-docente do MIT) Noam Chomsky. Nesta semana o alvo conjunto foi outro, atingindo a lenda do jornalismo, por sinal de origem &aacute;rabe-estadunidense. <\/p>\n<p>Helen Thomas, 89 anos, &eacute; a decana do jornalismo pol&iacute;tico dos EUA, trabalhando ainda hoje para a outrora todo-poderosa embora ainda influente Hearst News Service (seu fundador, William Randolph Hearst, foi o personagem que inspirou Orson Welles no filme Cidad&atilde;o Kane). Thomas dera uma entrevista para um portal sionista de direita (de pouca envergadura, o <a href=\"http:\/\/www.rabbilive.com\">RabbiLIVE.com<\/a> &ndash; com chamada de capa) afirmando que os israelenses deveriam deixar a Palestina e voltar para casa. O tema gerou controv&eacute;rsias e logo a veterana rep&oacute;rter, com quase cinco d&eacute;cadas &agrave; frente do Escrit&oacute;rio Central da United Press International (UPI), teve que se retratar publicamente e cancelar compromissos e palestras em escola de segundo grau! (<a href=\"http:\/\/www.washingtonpost.com\/wp-dyn\/content\/article\/2010\/06\/07\/AR2010060701493.html?wpisrc=nl_pmheadline\">vejam o link no Washington Post<\/a>).&nbsp; <\/p>\n<p>Vejamos o link do v&iacute;deo editorializado, <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RQcQdWBqt14&amp;feature=player_embedded\">postado no Youtube<\/a>&nbsp;e reparemos com aten&ccedil;&atilde;o na for&ccedil;a da internet: 1.221.639 pessoas assistiram-no. A postagem no portal de audiovisual &eacute; do dia 03 de junho de 2010 (e eu o vi pela primeira vez na noite de 07 de junho, um dia antes de come&ccedil;ar a fazer este texto), vindo a atingir uma escalada viral de absurdas propor&ccedil;&otilde;es. O tempo de dura&ccedil;&atilde;o da grava&ccedil;&atilde;o &eacute; de 1&rsquo;03&rsquo;&rsquo; (um minuto e tr&ecirc;s segundos) e este registro pleno de informalidade, mas contendo palavras contundentes e est&uacute;pidas de uma pessoa enraivecida, resulta no encerramento da carreira de quem acompanhara todas as administra&ccedil;&otilde;es na Casa Branca desde a posse de John F. Kennedy em 1960. <\/p>\n<p>A debandada para se desmarcar de Helen Thomas foi imediata. Ela perdeu o contrato (cancelado de forma unilateral) com o escrit&oacute;rio de Assessoria de Imprensa que lhe prestava servi&ccedil;os (Nine Speakers) e comunica a sua aposentadoria antecipada &ndash; dado que a Hearst Corporation n&atilde;o vai arriscar, ou n&atilde;o deve arriscar seus contratos e anunciantes diante da press&atilde;o contra a sua estrela, autora de uma declara&ccedil;&atilde;o anti-sionista. Segunda, dia 07 de junho, foi o fim da carreira profissional da mais antiga correspondente pol&iacute;tica na Casa Branca em atividade. Mas, o bombardeio continua (via Fox News e centenas de sites pr&oacute;-republicanos, democratas conservadores, sionistas de direita e etc.). <\/p>\n<p>O paradoxo geral &eacute; que no dia 05 de agosto de 2009, Barack Obama e Helen Thomas &ldquo;comemoraram&rdquo; juntos seu anivers&aacute;rio. <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MJiHyznUqyk&amp;feature=related\">Eis o v&iacute;deo<\/a>. A rep&oacute;rter sempre foi tida como ousada e inconveniente (como, ali&aacute;s, deveria ser todo jornalista). A vingan&ccedil;a nessa &aacute;rea tamb&eacute;m foi imediata (<a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/2010\/6\/8\/veteran_white_house_reporter_helen_thomas\">veja o link no Democracy Now<\/a>, partindo daqueles a quem essa senhora incomodou por anos a fio. Ari Fleischer, ex-secret&aacute;rio de Imprensa da Casa Branca durante o &ldquo;magn&iacute;fico&rdquo; governo de George Bush Jr. recomendou que seu ent&atilde;o empregador, Hearts Newspapers, executasse a sua demiss&atilde;o sum&aacute;ria. J&aacute; o ex-secret&aacute;rio da mesma fun&ccedil;&atilde;o no governo de Bill Clinton, pediu a seus correligion&aacute;rios democratas que suspendessem as credenciais de Thomas na sede do Executivo do Imp&eacute;rio. Fim de hist&oacute;ria. <\/p>\n<p><strong>Apontando conclus&otilde;es tenebrosas <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO que espanta em todo esse imbr&oacute;glio &eacute; a diferen&ccedil;a e despropor&ccedil;&atilde;o nas rea&ccedil;&otilde;es. O Estado de Israel mata a 9 (ou 19) homens, ap&oacute;s entrar em luta corporal com eles Tomavam de assalto uma flotilha de seis navios de passageiros e carga, sem armas letais e em &aacute;guas que n&atilde;o pertenciam ao seu pa&iacute;s. Portanto, isso &eacute; crime de pirataria. Os assassinatos s&atilde;o ainda mais inexplic&aacute;veis. N&atilde;o &eacute; cr&iacute;vel que militares de for&ccedil;as especiais israelenses n&atilde;o saibam luta corpo a corpo, por mais que estejam desabituados a essa modalidade de combate. Se havia chance de ferir de forma n&atilde;o letal, n&atilde;o se usou essa capacidade, matando como exemplo. De fato, ap&oacute;s os assassinatos, nenhum outro navio tentou furar o bloqueio, n&atilde;o passando at&eacute; o presente momento de prudentes escaramu&ccedil;as sem risco de conflito. Esses s&atilde;o os fatos contundentes e irrefut&aacute;veis. <\/p>\n<p>J&aacute; Helen Thomas, por mais capaz que seja, deveria ser condenada por suas palavras. N&atilde;o creio que a mesma pense no que disse. O argumento chauvinista sa&iacute;do de bocas ilustradas, em geral, &eacute; fruto de ira somada com descontrole moment&acirc;neo. N&atilde;o se pode querer mandar de volta as v&iacute;timas e descendentes do Holocausto. Ao mesmo tempo, n&atilde;o se pode perdo&aacute;-los por tudo o que fazem, alegando para o Ocidente terem esse direito porque os &ldquo;&aacute;rabes&rdquo; querem atir&aacute;-los ao mar. A decana do jornalismo pol&iacute;tico estadunidense deu ainda mais muni&ccedil;&atilde;o para a direita sionista. Esse setor pol&iacute;tico israelense j&aacute; tem armas de todos os tipos, de nucleares a midi&aacute;ticas. &Eacute; hoje a direita mais poderosa do mundo, considerando todas as suas vers&otilde;es: a direita chauvinista (do Likud, de seu racha de centro o Kadima, e os &ldquo;falc&otilde;es&rdquo; da IDF vinculados ao Trabalhismo), integrista (com os ultra-ortodoxos do Shas) e supremacista (com o partido de Avigdor Lieberman, Israel Beitenu). <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; argumento e ira no mundo que justifique qualquer coment&aacute;rio (por ir&ocirc;nico que seja) relativizando o peso do Holocausto. Assim como n&atilde;o h&aacute; nenhuma forma de desculpa para o Estado de Israel n&atilde;o se retirar completamente dos Territ&oacute;rios Ocupados em 1967, concedendo para o povo palestino a plenitude de sua auto-determina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, jur&iacute;dica, econ&ocirc;mica, militar, de recursos naturais e de sua popula&ccedil;&atilde;o. Enquanto isso n&atilde;o ocorrer, mais barcos navegar&atilde;o para Gaza e comboios por terra desafiar&atilde;o as fronteiras no deserto. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33237\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU)<br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Helen Thomas, a decana do jornalismo pol\u00edtico estadunidense falou besteira e sofreu a ira dos justos e dos nada justos Foto:formaementis 4a, dia 09 de junho de 2010, Bruno Lima Rocha (cientista pol&iacute;tico) Neste artigo, apresento o debate e as conseq&uuml;&ecirc;ncias na ind&uacute;stria das m&iacute;dias derivadas da cobertura e da vers&atilde;o do ataque israelense a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1242"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1242\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}