{"id":1244,"date":"2010-06-14T02:32:56","date_gmt":"2010-06-14T02:32:56","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1244"},"modified":"2010-06-14T02:32:56","modified_gmt":"2010-06-14T02:32:56","slug":"para-nao-dizer-que-nao-falei-de-copa-do-mundo-e-a-lenga-lenga-da-auto-ajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1244","title":{"rendered":"Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de Copa do Mundo e a lenga-lenga da auto-ajuda"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dunga_jorginho.jpg\" title=\"Dunga e Jorginho dirigem a sele\u00e7\u00e3o com o voto de confian\u00e7a dos donos do poder \u00e0 frente do cons\u00f3rcio comandado pelo ex-genro de Jo\u00e3o Havelange.     - Foto:esportesite\" alt=\"Dunga e Jorginho dirigem a sele\u00e7\u00e3o com o voto de confian\u00e7a dos donos do poder \u00e0 frente do cons\u00f3rcio comandado pelo ex-genro de Jo\u00e3o Havelange.     - Foto:esportesite\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Dunga e Jorginho dirigem a sele\u00e7\u00e3o com o voto de confian\u00e7a dos donos do poder \u00e0 frente do cons\u00f3rcio comandado pelo ex-genro de Jo\u00e3o Havelange.    <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:esportesite<\/small><\/figure>\n<p>14 de junho de 2010, do Vale do Rio dos Sinos, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Escrevo estas palavras agora, restando ainda mais de um dia para a estr&eacute;ia da sele&ccedil;&atilde;o brasileira da Copa da &Aacute;frica do Sul, justo para n&atilde;o ser acusado de pegar carona no resultado do jogo contra a Cor&eacute;ia do Norte. Confesso que j&aacute; vi muita estupidez vinculada a uma no&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica difusa relacionada com a id&eacute;ia-guia de supera&ccedil;&atilde;o individual e dedica&ccedil;&atilde;o coletiva na ultrapassagem de obst&aacute;culos na vida. Como milh&otilde;es de brasileiros, assisti a algumas coletivas onde o volante ex-colorado dividia a mesa com o ex-lateral do Am&eacute;rica e o time do bairro do Flamengo e treina na G&aacute;vea embora seja no Leblon. Al&eacute;m da lenga-lenga de sempre, chamou-me a aten&ccedil;&atilde;o o exagero nas id&eacute;ias pouco sofisticadas de sucesso e vit&oacute;ria. Nada melhor do que o esporte de alto rendimento para exemplificar a eterna redund&acirc;ncia do sucesso e da gl&oacute;ria como meta an&aacute;loga das vidas em sociedades de competi&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o. O grau de convic&ccedil;&atilde;o de Dunga, Jorginho e Cia. excedem a conversinha demencial do &ldquo;professor confia no meu trabalho&rdquo; e &ldquo;vamos dar o m&aacute;ximo para atingir o resultado&rdquo;. Ali havia (e h&aacute; mais), e eis que a fonte de tanta sabedoria veio &agrave; tona no Fant&aacute;stico &ldquo;show&rdquo; da vida.<\/p>\n<p>Na revista eletr&ocirc;nica semanal da TV pertencente &agrave; fam&iacute;lia Marinho, exibida no domingo 13 de junho, confesso que me surpreendi. Dei de cara com uma enorme mat&eacute;ria de tipo publicit&aacute;ria cujo protagonista era um psiquiatra, Augusto Jorge Cury. Como ignorante na baboseira de auto-ajuda das pessoas ou ger&ecirc;ncias, nunca antes ouvi falar desta estrela da abobrinha. O foco do enredo noticioso, &oacute;bvio, &eacute; mais e mais auto-ajuda. Dessa vez, n&atilde;o passa por para-ci&ecirc;ncias, mas sim pela boa e velha psiquiatria. Ao menos reconhe&ccedil;o n&atilde;o ser mat&eacute;ria paga &#8211; &eacute; na vendagem do corpo de id&eacute;ias apenas que localizo a quebra da hoje j&aacute; inexistente fronteira entre publicidade, propaganda e &ldquo;jornalismo&rdquo; &ndash; mas a t&iacute;pica constru&ccedil;&atilde;o narrativa onde se &ldquo;revela&rdquo; a intimidade profunda das celebridades de momento. Com certeza o &ldquo;Dr.&rdquo; Cury vai vender (ainda mais) curso como coco gelado na praia na hora do sol a pino. Isto se a sele&ccedil;&atilde;o brasileira, comandada por um homem de confian&ccedil;a do ex-investidor da Bolsa de Valores, Ricardo Teixeira (sua majestade h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas &agrave; frente da entidade privada CBF), n&atilde;o resultar em rotundo fracasso. Sinceramente, espero que n&atilde;o, e pelo visto o m&eacute;dico psiquiatra vendedor de palestra de auto-ajuda tamb&eacute;m acendeu suas velas e fez suas rezas pela vit&oacute;ria da canarinho nas quatro linhas do pa&iacute;s onde outrora reinara o Apertheid institucional. <\/p>\n<p>Os v&iacute;nculos e poss&iacute;veis temores de Cury se justificariam plenamente. O ga&uacute;cho de Iju&iacute;, Carlos Caetano Bledorn Verri, que atende pelo apelido de Dunga, teve uma inconfid&ecirc;ncia &ldquo;revelada&rdquo; em rede nacional, indo al&eacute;m fronteira atrav&eacute;s do sinal para todo o planeta via TV por sat&eacute;lite. Na &ldquo;reportagem&rdquo;, Dunga foi flagrado conversando com o psiquiatra, sendo que Cury afirmou ter sido procurado pela comiss&atilde;o t&eacute;cnica. Na tend&ecirc;ncia da auto-ajuda ampla, geral e irrestrita, o t&eacute;cnico retranqueiro que &ldquo;fechou o grupo&rdquo; ao seu redor, conversa com o m&eacute;dico &ldquo;autoajudista&rdquo; e por ele &eacute; elogiado. Tudo por desinteresse &eacute; &oacute;bvio. A mat&eacute;ria intimista, foca na conversa da rep&oacute;rter com passado de &acirc;ncora na concorrente e voca&ccedil;&atilde;o de musa proseando com ares de seriedade, desenvolvendo o roteiro pr&eacute;-tra&ccedil;ado ao redor do indiv&iacute;duo que fizera o juramento de Hip&oacute;crates e resolvera tornar-se milion&aacute;rio vendendo livros in&oacute;cuos no pa&iacute;s da demagogia midi&aacute;tico-futeboleira e ainda marcado por analfabetismo funcional e letramento prec&aacute;rio. Pena que por aqui, quem vende livro n&atilde;o merece ser lido e quem comanda o futebol desmerece a escola criada entre v&aacute;rzeas, peladas e rach&otilde;es. Parece o manual do perfeito idiota neoliberal latino-americano. Ele odeia ao seu entorno por detestar a si mesmo, ou aquilo que era. Deste &oacute;dio torna-se algo mutante, e que nunca chegar&aacute; a ser na plenitude. Eis o solene momento quando se encontra retranqueiro e conselheiro, mestre do psicologismo de orelha de livro de revistaria. <\/p>\n<p>&Eacute; at&eacute; prov&aacute;vel que ganhemos o hexa, ou ao menos reconhe&ccedil;o termos grandes chances. Mas, a que pre&ccedil;o? Aturar a baboseira ao estilo do Festival de Besteira que Assola o Pa&iacute;s Stanislaw Pontepretano proliferadas as palavras que mais se parecem com an&uacute;ncio de cal&ccedil;ado esportivo ou ent&atilde;o da AmBev j&aacute; &eacute; sofrimento em demasia e desnecess&aacute;rio. Pior ser&aacute; ag&uuml;entar a vit&oacute;ria do time do seu Teixeira, baseado nos ensinamentos de uma psiquiatra de auto-ajuda e servindo como conforto psicol&oacute;gico para um chapa-branca retranqueiro. Nestas horas de Copa do Mundo e rotunda estupidez televisiva, vale sempre lembrar a Parreira de Uvas Azedas que a murrinha ruminou em 1994: <\/p>\n<p>&#8211; &ldquo;O gol &eacute; um mero detalhe!&rdquo; <\/p>\n<p>Qualquer semelhan&ccedil;a com a genialidade do Dr. Cury para vender placebo de conforto de auto-ajuda futeboleira n&atilde;o &eacute; nem nunca ser&aacute; mera coincid&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dunga e Jorginho dirigem a sele\u00e7\u00e3o com o voto de confian\u00e7a dos donos do poder \u00e0 frente do cons\u00f3rcio comandado pelo ex-genro de Jo\u00e3o Havelange. 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