{"id":1246,"date":"2010-06-15T11:55:09","date_gmt":"2010-06-15T11:55:09","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1246"},"modified":"2010-06-15T11:55:09","modified_gmt":"2010-06-15T11:55:09","slug":"a-perspectiva-do-poder-popular-e-das-forcas-em-acumulacao-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1246","title":{"rendered":"A perspectiva do Poder Popular e das for\u00e7as em acumula\u00e7\u00e3o &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/fist_punho.gif\" title=\"Esta composi\u00e7\u00e3o, baseada na autonomia do povo organizado perante a agenda imposta pelo opressor, representa a for\u00e7a pol\u00edtica das classes em movimento para al\u00e9m da intermedia\u00e7\u00e3o de tipo burguesa ou do partido vertical do tipo condutor. A solidariedade entre semelhantes e assemelhados pode compor o mosaico de identidades rumo a uma nova acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as coletiva e diversa.  - Foto:anarkismo.net\" alt=\"Esta composi\u00e7\u00e3o, baseada na autonomia do povo organizado perante a agenda imposta pelo opressor, representa a for\u00e7a pol\u00edtica das classes em movimento para al\u00e9m da intermedia\u00e7\u00e3o de tipo burguesa ou do partido vertical do tipo condutor. A solidariedade entre semelhantes e assemelhados pode compor o mosaico de identidades rumo a uma nova acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as coletiva e diversa.  - Foto:anarkismo.net\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Esta composi\u00e7\u00e3o, baseada na autonomia do povo organizado perante a agenda imposta pelo opressor, representa a for\u00e7a pol\u00edtica das classes em movimento para al\u00e9m da intermedia\u00e7\u00e3o de tipo burguesa ou do partido vertical do tipo condutor. A solidariedade entre semelhantes e assemelhados pode compor o mosaico de identidades rumo a uma nova acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as coletiva e diversa. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:anarkismo.net<\/small><\/figure>\n<p>15 de junho de 2010, da Vila Setembrina de Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde, do Continente de S&atilde;o Sep&eacute; e de Lanceiros Negros pelas costas fuzilados em Porongos, da Liga Federal de Artigas, Andresito y Valientes, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><strong>Abrindo a nova s&eacute;rie <\/p>\n<p><\/strong>In&iacute;cio esta nova s&eacute;rie de dois artigos de difus&atilde;o cient&iacute;fica abordando o tema das perspectivas e processos de acumula&ccedil;&atilde;o poss&iacute;veis, ainda que com dif&iacute;cil visibilidade nos dias que correm. Fa&ccedil;o, pois o exerc&iacute;cio de formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, propondo um processo de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, baseado no debate at&eacute; aqui realizado, pautado pela recomposi&ccedil;&atilde;o do tecido social e a conseq&uuml;ente luta contra a fragmenta&ccedil;&atilde;o das classes oprimidas. O objetivo finalista &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, pautado pelo ac&uacute;mulo de poder por parte do conjunto das formas englobadas pelo conceito aberto de sociedade civil. Esta etapa do trabalho tem a significa&ccedil;&atilde;o de um ac&uacute;mulo de formula&ccedil;&atilde;o, exerc&iacute;cio, pr&aacute;tica, incid&ecirc;ncia e doc&ecirc;ncia na &aacute;rea que j&aacute; completam sete anos ininterruptos. Refor&ccedil;o que, deste momento at&eacute; o fim da s&eacute;rie, quase todos os conceitos s&atilde;o de autoria pr&oacute;pria.<\/p>\n<p><strong>O conceito de independ&ecirc;ncia de classe <br \/>\n<\/strong><br \/>\n&ldquo;Em qualquer sociedade, m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es de poder atravessam, caracterizam, constituem o corpo social. Essas rela&ccedil;&otilde;es de poder n&atilde;o podem se dissociar, nem estabelecer, nem funcionar sem uma produ&ccedil;&atilde;o, uma acumula&ccedil;&atilde;o, uma circula&ccedil;&atilde;o, um funcionamento dos discursos.&rdquo; (Michael Foucault, 2000, p.34 &#8211; Defender la sociedad, Buenos Aires, Fondo de Cultura Econ&oacute;mica) <\/p>\n<p>Uma concep&ccedil;&atilde;o e uma pr&aacute;tica de poder popular t&ecirc;m sua produ&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, universo e produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prias. Para que jogue como for&ccedil;a transformadora, condicionante de conjunturas, produzindo avan&ccedil;os desestruturantes, h&aacute; uma condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria: deve manter, em todo momento, sua independ&ecirc;ncia. Independ&ecirc;ncia de classe, como se dizia em outros momentos do desenvolvimento hist&oacute;rico. Hoje podemos dizer com ajuste ao novo contexto que: independ&ecirc;ncia das classes oprimidas &eacute; o mesmo que dizer independ&ecirc;ncia de todos os movimentos populares. <\/p>\n<p>Por&eacute;m, ao ressaltar essa categoria, temos que ter em conta as caracter&iacute;sticas particulares de cada forma&ccedil;&atilde;o social, sua hist&oacute;ria, suas transforma&ccedil;&otilde;es, sem descuidar o que h&aacute; em comum com outros pa&iacute;ses, sobretudo com os da mesma &aacute;rea (Am&eacute;rica Latina) e obviamente as condicionantes que as estruturas de poder mundial estabelecem. J&aacute; &eacute; bem sabido que as malhas do poder dominante incorporam e modelam o que gravita ao seu redor. Inserem em seu seio a partidos, ideologias, movimentos, hist&oacute;rias, os transformam e depois os devolvem como reprodutores do atual. O mecanismo se repete uma e outra vez. E se repetem distintas for&ccedil;as girando no entorno desse modus operandi. &Eacute; em cima destes dispositivos que, me somo ao esfor&ccedil;o de disparar propostas e a&ccedil;&atilde;o com um conte&uacute;do diferente. Com uma coer&ecirc;ncia que nos permita pisar firme. <\/p>\n<p>Nunca &eacute; demais ressaltar que a circula&ccedil;&atilde;o ao infinito das mesmas din&acirc;micas e l&oacute;gicas n&atilde;o podem criar algo novo, somente recriar o j&aacute; existente, com maior ou menor fantasia. Para fazer poss&iacute;vel outras rela&ccedil;&otilde;es sociais, os fatos parecem indicar a necessidade de uso de outros materiais para essa nova constru&ccedil;&atilde;o. Outro enfoque, perspectiva, l&oacute;gica, pr&aacute;ticas e mecanismos. Esse processo deve descansar e continuar tendo como base uma forte independ&ecirc;ncia das classes oprimidas, no ritmo de um povo que est&aacute; construindo seu destino ao ritmo que as condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas habilitem. As escolhas, as rela&ccedil;&otilde;es, as alian&ccedil;as t&aacute;ticas e expl&iacute;citas devem ser feitas desde essa perspectiva de independ&ecirc;ncia. Como n&atilde;o pode nem deve isolar-se, como deve estar em meio do povo e dos complexos e vari&aacute;veis acontecimentos sociais, esse fator adquire uma import&acirc;ncia de car&aacute;ter estrat&eacute;gico de primeira ordem. <\/p>\n<p>Afirmamos como caracter&iacute;stica positiva o fato das popula&ccedil;&otilde;es realizarem seus protestos e exig&ecirc;ncias por fora dos canais tradicionais. Tal &eacute; o modelo da Jacquerie, protestos dos camponeses da Fran&ccedil;a que criaram o caldo de cultura pol&iacute;tica antecessor da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa. Por&eacute;m, n&atilde;o s&atilde;o somente positivas as lutas de envergadura, que tenham derrubado governos ou impedido golpes de Estado, mas tamb&eacute;m em combates reivindicativos de a&ccedil;&atilde;o direta por diversos temas pontuais e algumas vezes exercendo justi&ccedil;a popular. Esta &uacute;ltima modalidade se d&aacute; tanto atrav&eacute;s de pluralismo jur&iacute;dico, seja atrav&eacute;s de uso da for&ccedil;a por canais n&atilde;o oficiais. <\/p>\n<p>No per&iacute;odo que considero como o contempor&acirc;neo para a Am&eacute;rica Latina (iniciado com o Levante Zapatista de Chiapas, em 1&ordm; de janeiro de 1994), n&atilde;o t&ecirc;m sido nem partidos nem governos do tipo social-democratas os que t&ecirc;m freado efetivamente o avan&ccedil;o da destrui&ccedil;&atilde;o neoliberal. As for&ccedil;as sociais que atuaram realmente para bloquear esse avan&ccedil;o, resistindo e at&eacute; derrubando regimes neoliberais foram for&ccedil;as dos movimentos das classes oprimidas. O modo de ganhar as ruas, for&ccedil;ando uma situa&ccedil;&atilde;o de contesta&ccedil;&atilde;o e ac&uacute;mulo de for&ccedil;as, deslegitimou uma s&eacute;rie de governos anti-populares. Afirmo que os reflexos eleitorais das modalidades de protestos praticados na Am&eacute;rica Latina, a partir do Levante Zapatista e da derrubada do presidente equatoriano Abdala Bucaram, em 1997, t&ecirc;m no plano eleitoral apenas o seu efeito indireto. <\/p>\n<p>A aposta na via da integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e do respeito &agrave;s normas institucionais, aproveitam a energia e os la&ccedil;os ainda fortalecidos no cultivo do tecido social-produtivo direcionando-os para um comportamento atitudinal domesticado. Entendo que as proposi&ccedil;&otilde;es ancoradas nos paradigmas de um passado de Estado de Bem-Estar social, que j&aacute; n&atilde;o existe, acabam por canalizar essa express&atilde;o popular para que calcem suas lutas pelas vias autorizadas. Isto implica em n&atilde;o querer se convencer que estas formas de ades&atilde;o institucional amputam a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e diminuem a capacidade das modalidades de protesto. Estas formas s&oacute; domesticam aos corpos e resultam perversas para atender as urg&ecirc;ncias e reivindica&ccedil;&otilde;es populares. Terminam por levar a energia social para circunst&acirc;ncias onde n&atilde;o h&aacute; sa&iacute;das al&eacute;m dos canais de participa&ccedil;&atilde;o aderentes &agrave;s normas institucionalizadas. <\/p>\n<p>Um processo de avan&ccedil;o, com ac&uacute;mulo de for&ccedil;as atrav&eacute;s da radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica visando constituir uma nova institucionalidade com o poder popular &eacute; obra de determinadas pr&aacute;ticas que permitem uma real forma&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia e de prop&oacute;sito pr&oacute;prio. Nele, a solidariedade (confian&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e elevadas ao n&iacute;vel de institucionaliza&ccedil;&atilde;o) cumprir&aacute; o papel mais importante, assim como a mobiliza&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o das diferentes express&otilde;es populares de todo esse universo dos debaixo. <\/p>\n<p><strong>Apontando uma conclus&atilde;o, t&atilde;o simples como radicalizada <br \/>\n<\/strong><br \/>\nSabemos que uma democracia participativa, obtida com a radicaliza&ccedil;&atilde;o do protesto e da conquista de direitos, n&atilde;o pode ser decretada e nem o far&atilde;o por sua pr&oacute;pria conta os partidos que programaticamente se definem por este objetivo. Uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em sintonia com seu tempo e com o movimento popular tem um papel a cumprir, mas a for&ccedil;a est&aacute; no povo mesmo. Tanto na etapa anterior quanto na posterior. <\/p>\n<p>A independ&ecirc;ncia do movimento popular e de todas as suas formas organizativas (autogestivas, de auto-organiza&ccedil;&atilde;o, participa&ccedil;&atilde;o efetiva e federalista) &eacute; o que dar&aacute; solidez ao processo e possibilidades reais para uma mudan&ccedil;a at&eacute; as condi&ccedil;&otilde;es de contra balan&ccedil;ar o poder constitu&iacute;do pelo poder popular. Por&eacute;m, cabe uma ressalva. O protesto al&eacute;m das vias institucionais &eacute; parte de um esfor&ccedil;o e n&atilde;o &eacute; destino manifesto de nova forma de vida em sociedade. Para qualquer processo pol&iacute;tico ser&aacute; necess&aacute;rio a organiza&ccedil;&atilde;o e a vontade das for&ccedil;as sociais para produzir mudan&ccedil;as profundas, para marcar uma linha em um processo conseq&uuml;ente. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33417\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta composi\u00e7\u00e3o, baseada na autonomia do povo organizado perante a agenda imposta pelo opressor, representa a for\u00e7a pol\u00edtica das classes em movimento para al\u00e9m da intermedia\u00e7\u00e3o de tipo burguesa ou do partido vertical do tipo condutor. 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