{"id":1248,"date":"2010-06-19T02:19:42","date_gmt":"2010-06-19T02:19:42","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1248"},"modified":"2010-06-19T02:19:42","modified_gmt":"2010-06-19T02:19:42","slug":"a-simbiose-da-mediocridade-com-a-subordinacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1248","title":{"rendered":"A simbiose da mediocridade com a subordina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ricardo-teixeira1.jpg\" title=\"O comandante de Dunga, Ricardo Teixeira, \u00e9 um dos poderosos chef\u00f5es do futebol mundializado como escala de neg\u00f3cios  - Foto:narotadacopa\" alt=\"O comandante de Dunga, Ricardo Teixeira, \u00e9 um dos poderosos chef\u00f5es do futebol mundializado como escala de neg\u00f3cios  - Foto:narotadacopa\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O comandante de Dunga, Ricardo Teixeira, \u00e9 um dos poderosos chef\u00f5es do futebol mundializado como escala de neg\u00f3cios <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:narotadacopa<\/small><\/figure>\n<p>19 de junho de 2010, ap&oacute;s a vit&oacute;ria sobre a Cor&eacute;ia do Norte por 2 a 1 na 3&ordf; 15 de junho e restando mais de 24 horas para a partida contra a Costa do Marfim; Bruno Lima Rocha, <\/p>\n<p>Vivemos um paradoxo. Estamos no pa&iacute;s do futebol, aceitamos o esporte como cultura e em sua pr&aacute;tica reconhecemos a corporeidade do brasileiro sincr&eacute;tico embora afro-centrado. Ao mesmo tempo, a nossa paix&atilde;o significada na forma de quatro linhas e uma bola de couro, n&atilde;o se reconhece. O dilema ainda deriva da tradi&ccedil;&atilde;o do bastardo, do filho sem gl&oacute;ria, ou do mito da supera&ccedil;&atilde;o e compet&ecirc;ncia como superior &agrave; comunh&atilde;o e o encontro solid&aacute;rio entre os semelhantes. Explico.<\/p>\n<p>O pensamento conservador aplicado para o esporte &eacute; a simbiose da mediocridade com a subordina&ccedil;&atilde;o. Assim, o ga&uacute;cho de Iju&iacute; at&eacute; pode sagrar-se campe&atilde;o do mundo, mas ao seu modo. Modo esse que &eacute; o menos brasileiro poss&iacute;vel. Quem assistiu a murrinha de Brasil x Cor&eacute;ia do Norte lembrou-se imediatamente do ano de 1994. Ganhamos, sim, com direito a v&ocirc;o da volta recheado de muamba e a ta&ccedil;a seq&uuml;estrada na base da troca de ref&eacute;ns no aeroporto. O poderoso chef&atilde;o, patr&atilde;o e padrinho de Carlos Caetano Bledorn Verri e de Jorge de Amorim Campos Oliveira recusara-se a levar os ent&atilde;o tetracampe&otilde;es para o desfile em carro aberto caso a Receita Federal n&atilde;o liberasse a carga contida no AeroCBF. Pois bem, ganhamos sim, e da&iacute;? Daquele jeito, ganhamos como se n&atilde;o f&ocirc;ssemos N&Oacute;S, ou como dizia o saudoso e cada vez mais raro Jo&atilde;o Sem Medo Saldanha: &ldquo;N&oacute;s quem cara p&aacute;lida?&rdquo; <\/p>\n<p>Pois o cara-p&aacute;lida agora &eacute; o boleiro do Brasil, que de t&atilde;o assustado de se assumir como tal, confunde (ou auto engana-se), mesclando na po&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica da estupidez, a disposi&ccedil;&atilde;o t&aacute;tica com o medo intr&iacute;nseco dos que nunca se arriscam por n&atilde;o saberem o que fazer depois. Jogamos contra a Cor&eacute;ia do Norte com o mesmo &ldquo;brilhantismo&rdquo; das entrevistas coletivas recheadas de lugares comuns &ndash; ou seja, o senso comum condensando as id&eacute;ias dominantes e vulgares &ndash; e com um painel assemelhado a letreiro de babel. E, como se sabe, o sargento que atende pela alcunha de um an&atilde;o, &eacute; funcion&aacute;rio de uma transnacional vendedora de produtos alco&oacute;licos ou derivados de qu&iacute;mica e a&ccedil;&uacute;car (conhecidos como refrigerantes). No papel de parede onde se expressam os comandantes das quatro linhas comandados pelo Sr. da cartolagem e herdeiro ao estilo de Havelange, constam os seguintes logos: TAM Linhas A&eacute;reas (a companhia cujo fundador morrera em desastre de helic&oacute;ptero vindo de um churrasco na fronteira entre Ponta Por&atilde; e Pedro Juan Caballero no Paraguai); da Seara ind&uacute;stria de alimentos (marca subsidi&aacute;ria do Grupo Marfrig, tamb&eacute;m patrocinador da FIFA de 2010 a 2014); da Gillette aparelhos de barbear e higiene pessoal (marca da transnacional Procter &amp; Gamble, que chegara ao pa&iacute;s em 1988 ao adquirir a Perfumarias Phebo S.A); do Guaran&aacute; Antarctica (na verdade, da AmBev, pertencente a Imbev); da Nike indument&aacute;ria esportiva, do Ita&uacute; sistema banc&aacute;rio e financeiro que rec&eacute;m incorporara o Unibanco da fam&iacute;lia Moreira Salles; e, da Vivo celular (joint venture comandada pela Telef&ocirc;nica de Espanha consorciada com a Portugal Telecom). <\/p>\n<p>No futebol como um neg&oacute;cio espetacularizado pelas marcas no entorno e a infla&ccedil;&atilde;o das commodities de chuteira, quando mais se exibem as marcas, menor &eacute; o espet&aacute;culo do futebol. Quanto mais estruturado &eacute; o jogo, menos se joga e mais se amarra. &Agrave; medida que a chatice e o mesmo de sempre foram se espalhando, restaria ao produto original (por ser produzido por originais) ressuscitar a arte e n&atilde;o o malabarismo com a bola na cabe&ccedil;a (quando o boleiro vira dubl&ecirc; de foca amestrada). O paradoxo &eacute; que do jeito que as coisas andam na &Aacute;frica do Sul, periga de ganharmos, mesmo sem merecer, mesmo sem jogar como brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O comandante de Dunga, Ricardo Teixeira, \u00e9 um dos poderosos chef\u00f5es do futebol mundializado como escala de neg\u00f3cios Foto:narotadacopa 19 de junho de 2010, ap&oacute;s a vit&oacute;ria sobre a Cor&eacute;ia do Norte por 2 a 1 na 3&ordf; 15 de junho e restando mais de 24 horas para a partida contra a Costa do Marfim; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}