{"id":1250,"date":"2010-06-24T00:22:20","date_gmt":"2010-06-24T00:22:20","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1250"},"modified":"2010-06-24T00:22:20","modified_gmt":"2010-06-24T00:22:20","slug":"a-perspectiva-do-poder-popular-e-das-forcas-em-acumulacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1250","title":{"rendered":"A perspectiva do Poder Popular e das for\u00e7as em acumula\u00e7\u00e3o \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/poder-al-pueblo.jpg\" title=\"No estado mexicano de Oaxaca, durante o levante coordenado pela APPO em 2006, se forjou a mais palp\u00e1vel experi\u00eancia de democracia direta e de massas, levando-se em conta toda a diversidade dos povos que comp\u00f5em um vasto territ\u00f3rio - Foto:eutsi.org\" alt=\"No estado mexicano de Oaxaca, durante o levante coordenado pela APPO em 2006, se forjou a mais palp\u00e1vel experi\u00eancia de democracia direta e de massas, levando-se em conta toda a diversidade dos povos que comp\u00f5em um vasto territ\u00f3rio - Foto:eutsi.org\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">No estado mexicano de Oaxaca, durante o levante coordenado pela APPO em 2006, se forjou a mais palp\u00e1vel experi\u00eancia de democracia direta e de massas, levando-se em conta toda a diversidade dos povos que comp\u00f5em um vasto territ\u00f3rio<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:eutsi.org<\/small><\/figure>\n<p>23 de junho de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde; do Continente de S&atilde;o Sep&eacute; e Lanceiros Negros fuzilados pelas costas em Porongos, de La Liga Federal de los Pueblos Libres de Artigas y Valientes, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>No fechamento desta s&eacute;rie mais curta para a difus&atilde;o cient&iacute;fica, desenvolvo o argumento em torno da hierarquia de prioridades e a necessidade de coordena&ccedil;&atilde;o para o processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. <\/p>\n<p><strong>A compreens&atilde;o dimensional do processo <br \/>\n<\/strong><br \/>\nPara retomar o debate, &eacute; preciso compreender que este processo assim como o de constru&ccedil;&atilde;o de poder popular tem como condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia que sua dire&ccedil;&atilde;o seja de baixo para cima e n&atilde;o o inverso. Desse abaixo e esse acima, n&atilde;o significa hierarquia, mas sim inst&acirc;ncias organizativas sociais, feitas pelo povo mesmo (base da pir&acirc;mide social), pelos de baixo, pelos que resistem, criam e buscam formas organizativas para se defender. Isto tamb&eacute;m implica que os militantes produzam uma cultura para seu desenvolvimento na mudan&ccedil;a social proposta. Passa tamb&eacute;m por determinadas mudan&ccedil;as de comportamento, internaliza&ccedil;&atilde;o do projeto e convic&ccedil;&atilde;o no estilo de trabalho (processo e comportamento militante).<\/p>\n<p>Para que um processo como esse seja efetivado, a tarefa de remover o que est&aacute; estruturado e desloc&aacute;-lo &eacute; tarefa di&aacute;ria e n&atilde;o pontual e epis&oacute;dica. Toda for&ccedil;a pol&iacute;tica e social &eacute; parte da constitui&ccedil;&atilde;o de uma conjuntura e seu aproveitamento depende do que tenhamos feito antes. Tarefa di&aacute;ria que, pelo objetivo aqui tra&ccedil;ado, deve ser feita no interior das diversas express&otilde;es populares (entidades de base) e procurando a maior sintonia com inquietudes e urg&ecirc;ncias sentidas para que essa condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria de participa&ccedil;&atilde;o popular esteja presente. Que n&atilde;o sejam pr&aacute;ticas de um solit&aacute;rio (tipo &ldquo;free rider por esquerda&rdquo;) ou daqueles que, operando &agrave; margem de sentimentos populares s&oacute; conseguem fazer com que os setores que deveriam estar se aproximando, se afastem. N&atilde;o estamos querendo dizer que temos que imitar os h&aacute;bitos impostos por s&eacute;culos de constru&ccedil;&atilde;o de um sujeito para um sistema, e sim fazer da mudan&ccedil;a desses h&aacute;bitos tarefa de todos os dias. <\/p>\n<p>O vital &eacute; estar atacando estruturas que tem sua genealogia, seu desdobramento e residem em diferentes &ldquo;territ&oacute;rios&rdquo; do sistema. Trata-se de uma tarefa no marco do territ&oacute;rio inimigo, vinculada a m&uacute;ltiplas resist&ecirc;ncias e lutas, a maioria delas reivindicativas ou exigindo melhoras. Sempre pedindo reformas com rela&ccedil;&atilde;o ao existente. Mas, a diferen&ccedil;a da reforma &eacute; a maneira como se adquire. Se esta v&ecirc;m como conquista de direitos, fruto de um processo massivo e politicamente did&aacute;tico, &eacute; distinto do que aumentar um direito ou um avan&ccedil;o na recompensa material atrav&eacute;s de intermedia&ccedil;&atilde;o profissional. Enfim, a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; ir conquistando melhoras, mas com que esp&iacute;rito, com que tela de fundo se faz. <\/p>\n<p>Agrega-se que n&atilde;o &eacute; o mesmo ir conseguindo reformas que ser reformista. O que vai se construindo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tem que ter uma meta permanente: o poder do povo organizado se contrapondo a capacidade resolutiva do arranjo de poderes a servi&ccedil;o da domina&ccedil;&atilde;o. Sem esse objetivo n&atilde;o haver&aacute; estrat&eacute;gia, pois se abdica da mudan&ccedil;a estrutural, de futuro emancipat&oacute;rio. Esse processo de constru&ccedil;&atilde;o de poder popular pode ir arrancando melhoras e n&atilde;o sintoniza com a premissa algo m&aacute;gica de: &ldquo;quanto pior, melhor&rdquo;. Tampouco com o &ldquo;tanto melhor, muito melhor&rdquo;. Pois esta &uacute;ltima premissa tem colocado um duro problema, especialmente nos pa&iacute;ses altamente industrializados: houve um aumento da institucionaliza&ccedil;&atilde;o, um grau alto de integra&ccedil;&atilde;o ao sistema por parte de determinados setores populares, em especial nos setores assalariados. <\/p>\n<p><strong>O porqu&ecirc; desta op&ccedil;&atilde;o <br \/>\n<\/strong><br \/>\nPorque defendemos um processo dessa envergadura? N&atilde;o &eacute; uma escolha aleat&oacute;ria ou excessivamente normativa. &Eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o descarnadamente racional e l&oacute;gica. Assenta-se em uma l&oacute;gica da an&aacute;lise estrat&eacute;gica, na compreens&atilde;o da necessidade de equacionar meios e fins, e na recusa de estar atado na amarra de uma f&oacute;rmula pol&iacute;tica que indica: democracia representativa + jogo de soma zero. Entende-se que a democracia participativa avan&ccedil;a sobre um tabuleiro de jogo de soma mais infinito, que a recompensa material &eacute; acompanhada pela amplia&ccedil;&atilde;o e universaliza&ccedil;&atilde;o de direitos. E que, somente atrav&eacute;s da contesta&ccedil;&atilde;o e dos conflitos se pode avan&ccedil;ar neste processo essencialmente democr&aacute;tico (por isso radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica) e pol&iacute;tico (por isso poder popular). <\/p>\n<p>Uma luta pontual, localizada dentro de um processo dessa envergadura, se d&aacute; em diferentes planos. Pode-se ganhar economicamente, perder na pol&iacute;tica urgente e ganhar em avan&ccedil;os ideol&oacute;gicos em sindicatos ou setores inteiros. As press&otilde;es populares t&ecirc;m gerado de muitos lados um ambiente de cren&ccedil;a nas pr&oacute;prias for&ccedil;as, por piores que sejam as pol&iacute;ticas dos governos supostamente progressistas. O que temos que levar em conta &eacute; que o entusiasmo e a organiza&ccedil;&atilde;o social desde baixo j&aacute; gera, pelo pr&oacute;prio fato de existir, outra situa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Todas essas lutas, reivindica&ccedil;&otilde;es, enfrentamentos, implicam em um processo de participa&ccedil;&atilde;o ativa da popula&ccedil;&atilde;o. Este envolvimento eleva a acumula&ccedil;&atilde;o de conhecimento a partir das experi&ecirc;ncias e enfoques que se fermentam em posse de solu&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas. O grau de legitimidade no modelo aqui proposto &eacute; a adequa&ccedil;&atilde;o de tamanho entre a profundidade da reivindica&ccedil;&atilde;o e a for&ccedil;a dispon&iacute;vel para isso. <\/p>\n<p><strong>A organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de minoria ativa como recipiente de aprendizado e motor de lutas <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNeste contexto a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica segue sendo de primeira import&acirc;ncia para a ruptura, desestrutura&ccedil;&atilde;o da ordem vigente o capitalismo e in&iacute;cio de outro processo sobre bases diferentes. Mas, esta import&acirc;ncia se d&aacute; de forma distinta. A compreens&atilde;o de pol&iacute;tica desde abaixo localiza esta organiza&ccedil;&atilde;o (partido de quadros) como um n&iacute;vel distinto (c&iacute;rculo) dessa mesma luta. Sua exist&ecirc;ncia sobre condi&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel. A de que esta organiza&ccedil;&atilde;o aja desde adentro desse processo. <\/p>\n<p>O modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que propomos, disputa suas posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas a partir do exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o de minoria ativa. Este exerc&iacute;cio implica uma articula&ccedil;&atilde;o complexa entre os n&iacute;veis pol&iacute;tico, pol&iacute;tico-social, e social organizado. O grau de coordena&ccedil;&atilde;o complexa implica em manter os n&iacute;veis de democracia interna, planificar os esfor&ccedil;os para cada momento e caracterizar a conquista imediata como parte do processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33664\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No estado mexicano de Oaxaca, durante o levante coordenado pela APPO em 2006, se forjou a mais palp\u00e1vel experi\u00eancia de democracia direta e de massas, levando-se em conta toda a diversidade dos povos que comp\u00f5em um vasto territ\u00f3rio Foto:eutsi.org 23 de junho de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde; do Continente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1250","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1250"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1250\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}