{"id":1252,"date":"2010-06-27T13:55:21","date_gmt":"2010-06-27T13:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1252"},"modified":"2010-06-27T13:55:21","modified_gmt":"2010-06-27T13:55:21","slug":"dunga-e-as-estruturas-de-poder-do-futebol-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1252","title":{"rendered":"Dunga e as estruturas de poder do futebol brasileiro"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/jorge_kajuru.jpg\" title=\"Jorge Reis da Costa, o Jorge Kajuru, pol\u00eamico paladino do jornalismo esportivo e adjac\u00eancias no r\u00e1dio e na TV brasileiros; homens como estes n\u00e3o s\u00e3o o padr\u00e3o dos produtores de bens simb\u00f3licos midiatizando as quatro linhas brasileiras. Na aus\u00eancia da valentia, sobra mediocridade e covardia. Faltam Kajurus nas coletivas sem sal da CBF.  - Foto:foconaTV.blogspot\" alt=\"Jorge Reis da Costa, o Jorge Kajuru, pol\u00eamico paladino do jornalismo esportivo e adjac\u00eancias no r\u00e1dio e na TV brasileiros; homens como estes n\u00e3o s\u00e3o o padr\u00e3o dos produtores de bens simb\u00f3licos midiatizando as quatro linhas brasileiras. Na aus\u00eancia da valentia, sobra mediocridade e covardia. Faltam Kajurus nas coletivas sem sal da CBF.  - Foto:foconaTV.blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Jorge Reis da Costa, o Jorge Kajuru, pol\u00eamico paladino do jornalismo esportivo e adjac\u00eancias no r\u00e1dio e na TV brasileiros; homens como estes n\u00e3o s\u00e3o o padr\u00e3o dos produtores de bens simb\u00f3licos midiatizando as quatro linhas brasileiras. Na aus\u00eancia da valentia, sobra mediocridade e covardia. Faltam Kajurus nas coletivas sem sal da CBF. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:foconaTV.blogspot<\/small><\/figure>\n<p>27 de junho de 2010, Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde; Continente de S&atilde;o Sep&eacute; dos Lanceiros Negros pelas costas fuzilados em Porongos; Liga Federal de los Pueblos Libres de Artigas y Valientes. Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Escrevo este artigo antes do jogo entre Brasil X Chile, a ser realizado &agrave;s 15.30 (hora de Bras&iacute;lia) de segunda-feira, dia 28 de junho de 2010. Os temas aqui abordados intentam transcender a temporalidade e o debate das quatro linhas. Minha opini&atilde;o como torcedor e amante do futebol n&atilde;o &eacute; relevante. Concentro-me nas rela&ccedil;&otilde;es de poder da economia pol&iacute;tica do futebol e a m&iacute;dia corporativa. <\/p>\n<p><strong>O fato <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNa semana passada, h&aacute; exatos sete dias (20 de junho de 2010), o pa&iacute;s esfuziante comemorava a surpreendentemente boa exibi&ccedil;&atilde;o da sele&ccedil;&atilde;o brasileira comandada pelo ga&uacute;cho de Iju&iacute;. Momentos ap&oacute;s a partida quando o time de Ricardo Teixeira vencera a Costa do Marfim por 3 a 1, dera-se um epis&oacute;dio &iacute;mpar no moribundo jornalismo esportivo (transformado em info-entretenimento para baixa cogni&ccedil;&atilde;o) e nas rela&ccedil;&otilde;es entre a m&iacute;dia oligopolista, em especial pela l&iacute;der do oligop&oacute;lio (Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, pertencente a fam&iacute;lia Marinho), e o p&uacute;blico consumidor de &ldquo;not&iacute;cias&rdquo; futebol&iacute;sticas. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; de conhecimento mundial, e seu factual resulta num bate boca entre o treinador brasileiro e um rep&oacute;rter e apresenatdor com talento c&ocirc;mico, Alex Escobar, funcion&aacute;rio da TV Globo. Embora o tema j&aacute; esteja mais que comentado, me sinto na obriga&ccedil;&atilde;o de reproduzir em parte o que falei no ar (junto aos demais companheiros, Eduardo e Diego) em programa semanal que co-edito e co-produzo na Unisinos FM, 103.3, S&atilde;o Leopoldo\/RS. Vamos aos pontos de debate.<\/p>\n<p><strong>Subindo a escada j&aacute; no &uacute;ltimo degrau <br \/>\n<\/strong><br \/>\nCarlos Caetano Bledorn Verri atende pela alcunha de Dunga e recebeu uma oportunidade rara sob todos os pontos de vista. Temos de reconhecer que nenhum trabalhador, de of&iacute;cio algum, seja ele ou ela classista ou arrivista identificado pelo selo de &ldquo;profissional&rdquo;, jamais inicia sua trajet&oacute;ria no mundo do trabalho pelo topo e consagra&ccedil;&atilde;o em sua carreira. Nem mesmo os mais cr&iacute;ticos contra a marketiza&ccedil;&atilde;o, inimigos viscerais da amplia&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os de mercado na sociedade &ndash; como este aqui a escrever &ndash; v&atilde;o admitir um ne&oacute;fito dar o primeiro passo a partir do posto m&aacute;ximo imagin&aacute;vel. Dunga, que justi&ccedil;a seja feita mais se parece com o an&atilde;o zangado, atingiu o topo do mundo sem subir degrau algum. Jamais treinara nem sequer time de futebol de bot&atilde;o (outro patrim&ocirc;nio cultural dos povos brasileiros) e come&ccedil;a a coordenar a sele&ccedil;&atilde;o mais cultuada do planeta. <\/p>\n<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Futebol &eacute; uma entidade privada, supostamente federalista, mas na pr&aacute;tica reflete um poder executivo quase imperial de seu presidente. Assim o foi na Era Jo&atilde;o Havelange (quando ainda havia a CBD), e ap&oacute;s o mesmo passara com o almirante Heleno Nunes. Vale observar que este naval fora o &ldquo;g&ecirc;nio&rdquo; que for&ccedil;ou o capit&atilde;o de artilharia do Ex&eacute;rcito e egresso de sua Escola de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Cl&aacute;udio Coutinho, a deixar o Falc&atilde;o no Brasil e escalar o volante do S&atilde;o Paulo, Chic&atilde;o, para a Copa de 1978 na Argentina. Dizem os por&otilde;es que o volante s&atilde;o paulino era cutuado com um &ldquo;Deus da Ra&ccedil;a&rdquo; do DOPS. N&atilde;o me espanta. Seguindo na trajet&oacute;ria da entidade, j&aacute; como CBF, houve a vexat&oacute;ria dupla de comandantes pol&iacute;ticos, Oct&aacute;vio Pinto Guimar&atilde;es e o ent&atilde;o deputado Nabi Abi Chedid; culminando no Reinado de Ricardo Teixeira, o ex-genro (de Havelange). Este operador da Bolsa de Valores, amo e senhor da estrutura m&aacute;xima do futebol identidade do pa&iacute;s, atingiu o poder em 16 de janeiro de 1989. <\/p>\n<p>J&aacute; naquele hoje distante primeiro ano &agrave; frente da entidade, indicara o ex-preparador f&iacute;sico do Flamengo e rec&eacute;m iniciado treinador de futebol, Sebasti&atilde;o Lazaroni, que recebeu o comando da sele&ccedil;&atilde;o. Na seq&uuml;&ecirc;ncia, o g&ecirc;nio da CBF queima a carreira de Paulo Roberto Falc&atilde;o como t&eacute;cnico, colocando-o na fogueira da Copa Am&eacute;rica do Chile. Neste caso, o de Dunga, o padr&atilde;o se mant&eacute;m. Ricardo Teixeira indica algu&eacute;m com trajet&oacute;ria vencedora dentro das quatro linhas, uma pessoa com a marca da seriedade e empenho no trabalho, mas sem nenhuma experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica. Independente de valorarmos ou n&atilde;o o trabalho de Dunga (e me incluo nos cr&iacute;ticos), um analista pol&iacute;tico tem como dever interpretar que fatos assim s&oacute; ocorrem em organiza&ccedil;&otilde;es quase autocr&aacute;ticas, quando um Executivo &ldquo;manda prender e manda soltar&rdquo;, ou &ldquo;bate, prende e arrebenta&rdquo;, seguindo apenas os seus pr&oacute;prios crit&eacute;rios. Ou seja, desde que atenda os anseios dos aliados empreendedores econ&ocirc;micos do neg&oacute;cio da bola, o Presidente Imperador faz o que quiser. <\/p>\n<p>Para quem imagina que exagero, basta uma lembran&ccedil;a. Indicar Dunga para a sele&ccedil;&atilde;o brasileira sem nunca haver treinado nem time de pelada varzeana, &eacute; a r&eacute;plica do padr&atilde;o do ocorrido na noite anterior da final da Copa do Mundo de 1998 e que resultara na escala&ccedil;&atilde;o de Ronaldo Naz&aacute;rio fora de toda e qualquer condi&ccedil;&atilde;o de jogo. Posteriormente o fato rendeu, gerando a CPI da Nike e da CBF, cujos relat&oacute;rios foram velados e o livro escrito por um de seus relatores teve a edi&ccedil;&atilde;o apreendida das livrarias e distribuidoras. A bancada da bola, a cartolagem com mandato federal ou amizades planaltinas, &eacute; poderosa. Por estes e outros fatores, seria inimagin&aacute;vel supor que Dunga n&atilde;o tenha (ou tinha) uma boa rela&ccedil;&atilde;o com a diretoria da Confedera&ccedil;&atilde;o em geral e com seu presidente em particular. Este ato, relacionado com o padr&atilde;o de jogo por ele imposto, mais a prega&ccedil;&atilde;o da &ldquo;ideologia da supera&ccedil;&atilde;o&rdquo; e a abund&acirc;ncia de patrocinadores, conforma um cen&aacute;rio perfeito para taxar Dunga e Jorginho de chapas-branca e subordinados. <\/p>\n<p>N&atilde;o seriam os primeiros tampouco. &Eacute; o padr&atilde;o da CBF (como na antiga CBD) e que muito poucos dele discordaram. Um exemplo m&aacute;ximo &eacute; o eterno saudoso Jo&atilde;o Sem Medo Saldanha, alegretense e gaucho sem acento, de outra estirpe, distinta do natural de Iju&iacute;. Ou seja, qualquer pessoa com um m&iacute;nimo de senso de rebeldia e dignidade, tem raz&otilde;es e motivos para discordar e at&eacute; antipatizar com Dunga, seus m&eacute;todos e aliados. O que ningu&eacute;m esperava era a rea&ccedil;&atilde;o deste treinador para com a emissora l&iacute;der da TV brasileira. <\/p>\n<p><strong>O entrevero de fundo <br \/>\n<\/strong><br \/>\nAssim como tenho diversos motivos para n&atilde;o suportar o t&eacute;cnico da sele&ccedil;&atilde;o brasileira (por fatores futebol&iacute;sticos mais que nada), confesso que me surpreendi com sua rea&ccedil;&atilde;o perante a TV Globo e ao vivo. Explico. N&atilde;o foi a primeira vez e pelo visto nem ser&aacute; a &uacute;ltima situa&ccedil;&atilde;o em que Carlos Caetano colide de fronte com a m&iacute;dia comercial, oligopolista e corporativa brasileira. No caso dos conglomerados midi&aacute;ticos nacionais, boa parte de seus funcion&aacute;rios na fun&ccedil;&atilde;o de rep&oacute;rteres &ldquo;apanharam&rdquo; (na g&iacute;ria jornal&iacute;stica) em coletivas e demonstraram indigna&ccedil;&atilde;o posterior. O sil&ecirc;ncio de sempre vinha da amiga e parceira de Ricardo Teixeira, as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo. N&atilde;o me recordo de um ato de solidariedade desta emissora para com os colegas empregados nas concorrentes. E, grosserias sempre foram manifestadas pela dupla da comiss&atilde;o t&eacute;cnica em posto de comando. Sim, pois al&eacute;m de Dunga, Jorge de Amorim Campos sempre se indigna com as cr&iacute;ticas e levanta a voz, repudiando as supostas posturas antipatriotas de coleguinhas da imprensa os atacando. <\/p>\n<p><u>&Eacute; preciso tecer algumas considera&ccedil;&otilde;es: <br \/>\n<\/u><br \/>\nNingu&eacute;m pode ocupar um posto de exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e sentir-se imune &agrave;s cr&iacute;ticas. Assim, quem senta diante de uma roda de rep&oacute;rteres corporativos com um painel de patrocinadores atr&aacute;s, tem uma previs&atilde;o de comportamento estudado, trabalhado atrav&eacute;s de media training e decorando respostas &aacute;gua com a&ccedil;&uacute;car, refor&ccedil;ando o senso comum, condensando id&eacute;ias de consentimento for&ccedil;ado e ausentando-se de pol&ecirc;micas. Ao menos nisso, segundo meu ponto de vista, Dunga se porta bem. <\/p>\n<p>Carlos Caetano tem o dever de ouvir opini&otilde;es alheias e respeitar todas as formas de cr&iacute;ticas. Ao mesmo tempo, n&atilde;o tem nenhuma obriga&ccedil;&atilde;o de reconhecer um mandato societ&aacute;rio da m&iacute;dia corporativa. Os rep&oacute;rteres falam em nome de suas empresas, seus produtos ir&atilde;o para uma grade montada sobre um modelo de neg&oacute;cios e tudo est&aacute; entreverado com entretenimento. J&aacute; resta pouca ou quase nenhuma voca&ccedil;&atilde;o de jornalismo como paladino da cidadania na m&iacute;dia corporativa esportiva brasileira e mundial. A liberdade de imprensa defendida por editores e patr&otilde;es, &eacute; a liberdade de empresa. Quem mais executa a censura s&atilde;o as chefias a mando de anunciantes ou s&oacute;cios majorit&aacute;rios. Os bastidores do futebol brasileiro revelam um nexo pol&iacute;tico-financeiro-criminal e at&eacute; os adolescentes sabem disso. O padr&atilde;o &eacute; o mesmo em poderosas ligas estrangeiras, como a inglesa, onde tem tudo menos capital ingl&ecirc;s controlando seus clubes-empresa. Esse &eacute; o pano de fundo e &eacute; muito mais relevante do que a poss&iacute;vel opera&ccedil;&atilde;o pubiana do marido da obispa Caroline Celico, operadora midi&aacute;tico-financeira da &ldquo;Igreja&rdquo; Renascer em Cristo no Estado Espanhol, o meio campista Ricardo Izecson dos Santos Leite (Kak&aacute;). <\/p>\n<p>Nesse sentido entendo que Dunga est&aacute; no seu direito, tanto o de reagir como bem quiser (e sentir as conseq&uuml;&ecirc;ncias da a&ccedil;&atilde;o) diante de provoca&ccedil;&otilde;es de toda ordem. O exerc&iacute;cio arbitr&aacute;rio das pr&oacute;prias raz&otilde;es at&eacute; crime &eacute;, mas de peso leve, de tipo crime de honra. N&atilde;o havendo viol&ecirc;ncia gratuita, ele que reaja como bem entender e que sirva de li&ccedil;&atilde;o. A gritaria &eacute; ampla: &ldquo;O t&eacute;cnico da sele&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um modelo de comportamento!&rdquo;. &Eacute; verdade; mas a cr&iacute;tica sobre ele se d&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o de seu temperamento com os anseios de exposi&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica para atender as cotas de patroc&iacute;nio e a figura de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que a bola como neg&oacute;cio exige de suas estrelas. Certa vez afirmei serem os boleiros de dimens&atilde;o internacional uma esp&eacute;cie de commodity que anda, fala e faz besteira com a pr&oacute;pria reputa&ccedil;&atilde;o e a alheia. Sob esse ponto de vista, Dunga &eacute; um desastre andante e falante. Para mim, nesse item, Carlos Caetano fez um gola&ccedil;o, lavando a alma na peleia simb&oacute;lica de milh&otilde;es de brasileiros. <\/p>\n<p>J&aacute; da parte da Globo, a irrita&ccedil;&atilde;o tem sua origem na proibi&ccedil;&atilde;o de exclusivas e no fim de privil&eacute;gios em zonas mistas especiais. Em 2002 a emissora transmitiu a Copa sozinha e no desastre de 2006, teve &ldquo;concorr&ecirc;ncia&rdquo; apenas na TV paga atrav&eacute;s do Band Sports. Na ocasi&atilde;o, Carlos Caetano era funcion&aacute;rio da fam&iacute;lia Saad e comentava a Copa da Alemanha para a concorrente da fam&iacute;lia Marinho. Aprendeu na plan&iacute;cie a dureza que &eacute; enfrentar uma tropa completa estando em minoria. Deve ter visto poucas e boas tamb&eacute;m; afinal, estamos na era do jab&aacute; eletr&ocirc;nico e das estruturas de poder atravessadas pelo marketing e o com&eacute;rcio de imagens. Sabendo disso, atormentado com as reclama&ccedil;&otilde;es vindas por cima (entre dire&ccedil;&otilde;es), Dunga se estourou diante da humanidade atrav&eacute;s das telas de TV. <\/p>\n<p>Al&eacute;m da irrita&ccedil;&atilde;o da TV l&iacute;der pela perda dos privil&eacute;gios que sempre tivera, tamb&eacute;m consta o fato do exagero de treinos fechados. Os rep&oacute;rteres afirmam que assim eles n&atilde;o conseguem produzir &ldquo;conte&uacute;do&rdquo; para alimentar as redes. Essa &eacute; uma meia verdade. A outra ponta &eacute; a captura de imagens das placas dos patrocinadores. Exposi&ccedil;&atilde;o de imagem &eacute; a moeda de troca do emprego de dinheiro em troca da estampa das logomarcas nos uniformes de treino e jogo, al&eacute;m das pe&ccedil;as publicit&aacute;rias, utilizadas pelos jogadores da sele&ccedil;&atilde;o. Sem essa cobertura, Dunga ganha no controle do grupo, mas ao mesmo tempo diminui a satisfa&ccedil;&atilde;o dos aplicadores no seu investimento comum. Por estas duas brigas simult&acirc;neas, &eacute; do senso comum que o atual treinador tem seus dias contados, tanto diante de uma poss&iacute;vel elimina&ccedil;&atilde;o e mesmo saindo campe&atilde;o do mundo. <\/p>\n<p>A estrutura de poder do futebol brasileiro passa por quatro patas basilares e n&atilde;o tolera muita diverg&ecirc;ncia. S&atilde;o elas: a gera&ccedil;&atilde;o e venda de imagens (via TV, e recentemente via TV paga, como nos canais Premiere Futebol Clube, pertencente da Globo via cabo e sat&eacute;lite); a negocia&ccedil;&atilde;o de direitos econ&ocirc;micos de jogadores (onde operam investidores e milion&aacute;rios mais reconhecidos, tendo ou n&atilde;o uma empresa laranja &agrave; frente, a exemplo da MSI); a negocia&ccedil;&atilde;o de direitos de imagens e publicidade (onde lidera a co-propriet&aacute;ria do futebol nacional, a empresa Traffic de J. Hawilla, patr&atilde;o de Kleber Leite por exemplo) e; a comand&acirc;ncia mais tradicional pela via da cartolagem, como &eacute; o caso de Ricardo Teixeira. Nenhuma dessas quatro partes sustenta ou tolera um comportamento independente e auton&ocirc;mico, mesmo que expresse um pensamento conservador e patrioteiro, ainda que tenha a sua imagem vinculada a uma s&eacute;rie de patrocinadores de grosso calibre. Uma commodity n&atilde;o pode gerar incerteza no investidor. Dunga gera, e por isso, com o perd&atilde;o do trocadilho, que ele &ndash; ganhando ou perdendo &#8211; j&aacute; era. <\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio final <br \/>\n<\/strong><br \/>\nDunga e Jorginho passaram do limite de boa conviv&ecirc;ncia com a m&iacute;dia corporativa e isto acarreta uma senten&ccedil;a punitiva. N&atilde;o nos espantemos se estiverem preparando mat&eacute;rias de f&ocirc;lego, cujas pautas de gaveta j&aacute; devem inclusive estar prontas, e apontando no lide a fritura do atual t&eacute;cnico da sele&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, reafirmo que simpatizar com a atitude de Dunga diante da m&iacute;dia corporativa n&atilde;o implica uma ades&atilde;o nem ao seu estilo de jogo (que considero med&iacute;ocre e medroso) e menos ainda uma defesa de sua perman&ecirc;ncia no cargo. Isso sim seria misturar futebol com pol&iacute;tica, elogiando um comportamento rebelde e a partir da&iacute; reconhecendo uma suposta expertise como treinador &ndash; caracter&iacute;stica que n&atilde;o reconhe&ccedil;o de jeito algum. Podemos e devemos elogiar a conduta diante de um dos poderes de fato do pa&iacute;s e n&atilde;o respaldar o desempenho no of&iacute;cio que exerce. Tal &eacute; o caso. <\/p>\n<p>Vejo que o epis&oacute;dio abriu precedente e pode e deve ser repetido sempre que algu&eacute;m sentir-se acuado diante da ind&uacute;stria da m&iacute;dia. E, por se tratar de futebol, a incid&ecirc;ncia e seu efeito did&aacute;tico s&atilde;o imensos. Cabe aos batalhadores da democracia na m&iacute;dia como dos int&eacute;rpretes e analistas do oligop&oacute;lio trabalhar o fato para al&eacute;m do epis&oacute;dico e pontual. Se redescobertas e postas &agrave; p&uacute;blico, as estruturas do futebol brasileiro s&atilde;o insustent&aacute;veis sob nenhum &acirc;ngulo. Eis um bom momento. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33799\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Reis da Costa, o Jorge Kajuru, pol\u00eamico paladino do jornalismo esportivo e adjac\u00eancias no r\u00e1dio e na TV brasileiros; homens como estes n\u00e3o s\u00e3o o padr\u00e3o dos produtores de bens simb\u00f3licos midiatizando as quatro linhas brasileiras. Na aus\u00eancia da valentia, sobra mediocridade e covardia. Faltam Kajurus nas coletivas sem sal da CBF. 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