{"id":1258,"date":"2010-07-06T17:28:52","date_gmt":"2010-07-06T17:28:52","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1258"},"modified":"2010-07-06T17:28:52","modified_gmt":"2010-07-06T17:28:52","slug":"categorias-fundamentais-para-a-analise-e-incidencia-a-partir-da-organizacao-politica-proposta-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1258","title":{"rendered":"Categorias fundamentais para a an\u00e1lise e incid\u00eancia a partir da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica proposta &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/manifestacion_popular.jpg\" title=\"As manifesta\u00e7\u00f5es do povo em luta s\u00e3o as realiza\u00e7\u00f5es de sujeitos sociais mobilizados e com identidade coletiva fortalecida - Foto:galizacig\" alt=\"As manifesta\u00e7\u00f5es do povo em luta s\u00e3o as realiza\u00e7\u00f5es de sujeitos sociais mobilizados e com identidade coletiva fortalecida - Foto:galizacig\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As manifesta\u00e7\u00f5es do povo em luta s\u00e3o as realiza\u00e7\u00f5es de sujeitos sociais mobilizados e com identidade coletiva fortalecida<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:galizacig<\/small><\/figure>\n<p>06 de julho de 2010, da Vila Setembrina do Continente de S&atilde;o Sep&eacute;, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Nesta nova s&eacute;rie, faremos o exerc&iacute;cio de formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, propondo um m&eacute;todo de an&aacute;lise estrat&eacute;gica aplic&aacute;vel no modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de minoria e de estrutura federalista que tem como atividade-fim o objetivo estrat&eacute;gico narrado at&eacute; aqui nos artigos anteriores. Ou seja, a constru&ccedil;&atilde;o do poder do povo organizado mediante a radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia em todos os n&iacute;veis. Vale observar que esta s&eacute;ria nova representa um ac&uacute;mulo de formula&ccedil;&atilde;o, exerc&iacute;cio, pr&aacute;tica, incid&ecirc;ncia e doc&ecirc;ncia na &aacute;rea da forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e da educa&ccedil;&atilde;o popular que j&aacute; completam dez anos ininterruptos. Deste momento at&eacute; o fim da s&eacute;rie, ressalto que os conceitos s&atilde;o de autoria pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>Categorias para fazer an&aacute;lise de conjuntura com inten&ccedil;&atilde;o de e acumula&ccedil;&atilde;o e c&acirc;mbio <\/p>\n<p>Uma an&aacute;lise pode ser de conjuntura (de momento), de m&eacute;dio, longo prazo ou comum outro tipo de recorte. Mas, sem estipularmos quais categorias utilizamos e consideramos importantes, n&atilde;o d&aacute; pr&aacute; fazer an&aacute;lise alguma. De forma did&aacute;tica e simplificada, vamos listar aqui as categorias fundamentais utilizadas neste trabalho: <\/p>\n<p><u>Processo Hist&oacute;rico: <br \/>\n<\/u>Conjunto de transforma&ccedil;&otilde;es estruturais, mudan&ccedil;as ou altera&ccedil;&otilde;es e o sentido em que se dirigem. <\/p>\n<p><u>Etapa: <br \/>\n<\/u>Per&iacute;odo hist&oacute;rico com um intervalo de tempo pequeno, caracterizado por algumas mudan&ccedil;as em determinadas estruturas sociais. O que se define s&atilde;o as vari&aacute;veis t&aacute;ticas e\/ou estrat&eacute;gicas (de tempo restrito) no processo hist&oacute;rico que distintos agentes podem estar redirecionando. <\/p>\n<p><u>Considera&ccedil;&otilde;es: <br \/>\n<\/u>Em fun&ccedil;&atilde;o da etapa do sistema, conforme suas caracter&iacute;sticas, um coletivo define sua atua&ccedil;&atilde;o. A etapa do agente dominante, portanto, &eacute; importante na defini&ccedil;&atilde;o da esquerda com inten&ccedil;&atilde;o de c&acirc;mbio. Isto se chama intera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica. <\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a de etapa se d&aacute; quando os agentes sociais que operam na sociedade avan&ccedil;am ou recuam, em ofensiva ou defensiva, mas sem alterar a estrutura de domina&ccedil;&atilde;o. Se mudar a estrutura da sociedade, a&iacute;, n&atilde;o mudou a etapa somente, mas sim o Processo Hist&oacute;rico. <\/p>\n<p><u>Estrutura: <br \/>\n<\/u>S&atilde;o as partes mais consistentes e est&aacute;veis de um sistema social. S&atilde;o as formas que organizam o conv&iacute;vio coletivo. Da&iacute; que podemos dizer que a sociedade est&aacute; estruturada. <\/p>\n<p>\n<u>Conjuntura: <br \/>\n<\/u>Manifesta&ccedil;&atilde;o da estrutura, institui&ccedil;&otilde;es e dos agentes sobre esta, em uma determinada realidade durante um per&iacute;odo de tempo estipulado (geralmente as an&aacute;lises conjunturais s&atilde;o feitas no momento exato em que se vive). N&atilde;o se pode analisar um cen&aacute;rio conjuntural sem necessariamente ter um c&aacute;lculo do tempo de validade desta an&aacute;lise (ex: qual a estimativa do tempo que este cen&aacute;rio vai ficar sem ser alterado). <\/p>\n<p><u>Cen&aacute;rios Conjunturais: <br \/>\n<\/u>&Eacute; o momento vivido, mas que &eacute; necess&aacute;rio fazer um recorte da realidade para poder interferir sobre ela. S&atilde;o 3 recortes simult&acirc;neos no m&iacute;nimo. Um &eacute; o recorte temporal, ou seja, o per&iacute;odo ao qual nos referimos. Podemos dizer que o per&iacute;odo de tempo estipulado pode partir do pr&oacute;prio planejamento (Curt&iacute;ssimo Prazo = 2 anos; Curto Prazo = 4\/5 anos; M&eacute;dio = 8 a 10 anos e Longo = 12 a 16 ou mais), ou que se est&aacute; analisando a Conjuntura do m&ecirc;s, do bimestre, do trimestre e assim em diante. Tamb&eacute;m podemos afirmar que analisamos o planejamento de algum outro agente (pode ser outro partido pol&iacute;tico, pode ser uma institui&ccedil;&atilde;o de domina&ccedil;&atilde;o), e a&iacute; se utiliza o recorte de tempo que este outro agente estipulou. <\/p>\n<p>Outro recorte necess&aacute;rio &eacute; o do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico. Ou seja, qual terreno estamos analisando. Tanto podemos analisar a conjuntura de uma regi&atilde;o da metr&oacute;pole (ex. a Restinga), como podemos tentar analisar o Rio Grande do Sul como at&eacute; nos uma an&aacute;lise da Guerra contra o Iraque. Simplesmente n&atilde;o d&aacute; para fazer pol&iacute;tica fora do Tempo e do Espa&ccedil;o, portanto estes dois recortes s&atilde;o fundamentais. <\/p>\n<p><u>Conflito:<\/u> Choque entre for&ccedil;as sociais (agentes sociais incidindo sobre sujeitos sociais = setor ou setores de classe organizados) pelo controle de um ou de alguns objetos de disputa (alvos, interesses, espa&ccedil;os, algo para conquistar). Os objetos podem ser bem variados: dinheiro, recursos naturais, opini&atilde;o p&uacute;blica, alimentos, energia, entre outros. <\/p>\n<p><u>Poder:<\/u> &Eacute; a rela&ccedil;&atilde;o que est&aacute; por tr&aacute;s das estruturas. &Eacute; o que constr&oacute;i e d&aacute; estabilidade e consist&ecirc;ncia para as mesmas. O poder quase sempre se origina de uma rela&ccedil;&atilde;o de conflito, desta forma, poder &eacute; o ato de imposi&ccedil;&atilde;o da vontade, das inten&ccedil;&otilde;es de um agente sobre o outro. Imposi&ccedil;&atilde;o esta que pode gerar resist&ecirc;ncias. As formas b&aacute;sicas das rela&ccedil;&otilde;es de poder trabalhadas no documento s&atilde;o: <\/p>\n<p><strong>explora&ccedil;&atilde;o x domina&ccedil;&atilde;o <br \/>\n<\/strong>O conceito de explora&ccedil;&atilde;o remete a uma leitura em que predominantemente &eacute; abordada a rela&ccedil;&atilde;o patr&atilde;o x trabalhador \/ empregador X empregado. Ou seja, l&ecirc;-se a domina&ccedil;&atilde;o apenas segundo o aspecto econ&ocirc;mico. Hoje, sabemos, h&aacute; uma s&eacute;rie de sujeitos sociais &ndash; desempregados, trabalhadores precarizados e informais &ndash; que mostram a supera&ccedil;&atilde;o de uma leitura economicista da realidade. <\/p>\n<p>Utilizar o conceito de domina&ccedil;&atilde;o vai al&eacute;m do n&iacute;vel econ&ocirc;mico, pois considera-o apenas um dentre v&aacute;rios n&iacute;veis de domina&ccedil;&atilde;o. Ou seja, a categoria de explora&ccedil;&atilde;o est&aacute; dentro de uma categoria mais abrangente, que &eacute; a de domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>poder x opress&atilde;o <br \/>\n<\/strong>O Poder e a Opress&atilde;o s&atilde;o indissoci&aacute;veis? No Poder Hier&aacute;rquico, sim. Ele amplia-se &agrave; medida que gera depend&ecirc;ncia, aliena&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. No Poder Popular, n&atilde;o. Porque se expande atrav&eacute;s de livre-associa&ccedil;&atilde;o, autogest&atilde;o e independ&ecirc;ncia de classe. <\/p>\n<p>O Poder quase sempre &eacute; resultante de uma situa&ccedil;&atilde;o de conflito e\/ou hegemonia. For&ccedil;as sociais com interesses antag&ocirc;nicos disputam espa&ccedil;o. Aquela que mais expandir sua for&ccedil;a social em detrimento da for&ccedil;a social antag&ocirc;nica &eacute; quem tem o Poder. Podemos cham&aacute;-las de Dominante e Dominada, respectivamente. O Dominante, atualmente, permanece nessa posi&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da estrutura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nio. Para isso, s&atilde;o criadas institui&ccedil;&otilde;es que visam a cristalizar o Poder e, portanto, a posi&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as sociais. <\/p>\n<p><strong>poder e resist&ecirc;ncia<\/strong> <br \/>\nConsideramos que h&aacute;, sim, Poder sem Resist&ecirc;ncia, se entendermos por Resist&ecirc;ncia, n&atilde;o uma a&ccedil;&atilde;o individual, espont&acirc;nea, espor&aacute;dica, mas sim o esfor&ccedil;o coletivo de um ou mais agentes sociais, que realmente configure uma resposta ao Poder, uma for&ccedil;a social em disputa com a for&ccedil;a social dominante. Sendo assim, conclu&iacute;mos que o Poder &eacute; &ldquo;imposi&ccedil;&atilde;o que pode gerar resist&ecirc;ncia&rdquo;, mas que isso n&atilde;o necessariamente acontece. <\/p>\n<p><u>Agentes:<\/u> S&atilde;o as associa&ccedil;&otilde;es de pessoas que incidem no n&iacute;vel pol&iacute;tico (agentes pol&iacute;ticos) e pol&iacute;tico-social (agentes sociais) para atingir a seus objetivos e vontades pol&iacute;ticas al&eacute;m dos interesses materiais. Uma id&eacute;ia mais ampla pode classificar como agente, em diversos n&iacute;veis: social, pol&iacute;tico, militar, econ&ocirc;mico, jur&iacute;dico, religioso, cultural, entre outros Estes &acirc;mbitos ou n&iacute;veis de an&aacute;lise n&atilde;o s&atilde;o totalmente separados e o recorte &eacute; apenas para interven&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><u>Sujeitos Sociais:<\/u> S&atilde;o os setores e segmentos da classe como um todo. Dentro destes, incidindo sobre os sujeitos sociais, est&atilde;o os agentes que os tentam organizar ou controlar. <\/p>\n<p><u>Ator(es):<\/u> Podem atuar em v&aacute;rios n&iacute;veis (ex: pol&iacute;tico, pol&iacute;tico-social, militar, etc.). S&atilde;o os indiv&iacute;duos que incidem mais que nada a partir de sua perspectiva individual\/pessoal. Um exemplo cl&aacute;ssico &eacute; uma lideran&ccedil;a cristalizada, tipo chefe pol&iacute;tico. <\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio final <br \/>\n<\/strong><br \/>\nEspero, com toda sinceridade, que a difus&atilde;o destes conceitos e o amparo de rigor aqui estabelecido possam equivaler a um tijolo a mais no mutir&atilde;o de esfor&ccedil;o conjunto para construir uma teoria de democracia pol&iacute;tica com justi&ccedil;a social e amplitude de direitos individuais e coletivos. N&atilde;o existe pr&aacute;tica pol&iacute;tica sem pr&aacute;tica te&oacute;rica. Nesse sentido, todo e qualquer ato de contribui&ccedil;&atilde;o para o ac&uacute;mulo deste conhecimento e sua necess&aacute;ria aplicabilidade sempre ser&aacute; de grande valor e necessidade. Nesta s&eacute;rie consta meu modesto, mas tenaz aporte de uma teoria brotada da constru&ccedil;&atilde;o coletiva e da incid&ecirc;ncia militante. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=34047\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As manifesta\u00e7\u00f5es do povo em luta s\u00e3o as realiza\u00e7\u00f5es de sujeitos sociais mobilizados e com identidade coletiva fortalecida Foto:galizacig 06 de julho de 2010, da Vila Setembrina do Continente de S&atilde;o Sep&eacute;, Bruno Lima Rocha Nesta nova s&eacute;rie, faremos o exerc&iacute;cio de formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, propondo um m&eacute;todo de an&aacute;lise estrat&eacute;gica aplic&aacute;vel no modelo de organiza&ccedil;&atilde;o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}