{"id":1264,"date":"2010-07-20T14:30:40","date_gmt":"2010-07-20T14:30:40","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1264"},"modified":"2010-07-20T14:30:40","modified_gmt":"2010-07-20T14:30:40","slug":"copa-do-mundo-para-gringo-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1264","title":{"rendered":"Copa do Mundo para gringo ver"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/cafu.jpg\" title=\"O espet\u00e1culo da Copa torna a ta\u00e7a o maior objeto de desejo dos brasileiros, que n\u00e3o percebem o volume de dinheiro p\u00fablico gasto no futebol. - Foto:Photo Bucket\" alt=\"O espet\u00e1culo da Copa torna a ta\u00e7a o maior objeto de desejo dos brasileiros, que n\u00e3o percebem o volume de dinheiro p\u00fablico gasto no futebol. - Foto:Photo Bucket\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O espet\u00e1culo da Copa torna a ta\u00e7a o maior objeto de desejo dos brasileiros, que n\u00e3o percebem o volume de dinheiro p\u00fablico gasto no futebol.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Photo Bucket<\/small><\/figure>\n<p>20 de julho de 2010, de Macei&oacute;, Rafael Cavalcanti<\/p>\n<p>Mesmo com o fim da Copa do Mundo na &Aacute;frica do Sul, os brasileiros continuam respirando o evento esportivo de maior clamor midi&aacute;tico do planeta. Ser&aacute; assim at&eacute; 2014, quando o Brasil sediar&aacute; o pr&oacute;ximo torneio mundial de futebol. &Eacute; not&oacute;rio que muitos est&atilde;o animados com a possibilidade de acompanhar de perto os jogos que podem levar a sele&ccedil;&atilde;o tupiniquim ao hexacampeonato. No entanto, o pre&ccedil;o da anima&ccedil;&atilde;o &eacute; alto e pode acarretar em s&eacute;rios preju&iacute;zos para a popula&ccedil;&atilde;o, principalmente a de baixa renda.<\/p>\n<p>O or&ccedil;amento do Brasil com infraestrutura, transporte urbano, aeroportos e seguran&ccedil;a para o evento passar&aacute; facilmente de R$ 20 bilh&otilde;es, mais do que o dobro do que foi gasto pelo pa&iacute;s africano na Copa de 2010. Do montante, os est&aacute;dios usar&atilde;o R$ 5,3 bilh&otilde;es. Na medida em que o Mundial se aproximar, a tend&ecirc;ncia &eacute; que a libera&ccedil;&atilde;o de dinheiro p&uacute;blico aumente para deixar tudo pronto aos turistas antes da primeira bola rolar. <\/p>\n<p>O dinheiro da Copa n&atilde;o sair&aacute; apenas dos cofres da Uni&atilde;o. O Governo Federal autorizou por decreto as cidades sedes a ultrapassarem os atuais limites da Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com o evento, permitindo assim que os munic&iacute;pios tenham uma d&iacute;vida equivalente ao dobro do que arrecadam durante os pr&oacute;ximos quatro anos. <\/p>\n<p>Desde 2000, esta mesma lei impedia que os governos estaduais e prefeituras aumentassem os investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, habita&ccedil;&atilde;o e remunera&ccedil;&atilde;o de servidores p&uacute;blicos. Tal incoer&ecirc;ncia deixa claro que a aplica&ccedil;&atilde;o da lei &eacute; vulner&aacute;vel a momentos e interesses de uma elite pol&iacute;tica, que v&ecirc; em um evento de forte mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional a oportunidade de usar os recursos do Estado para fins particulares. <\/p>\n<p>No Brasil, quem controlar&aacute; o uso da maior parte do dinheiro p&uacute;blico ser&aacute; o Minist&eacute;rio dos Esportes e a Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Futebol (CBF). Nenhum dos dois &eacute; confi&aacute;vel. Resgatando o hist&oacute;rico do atual ministro Orlando Silva, chega-se ao esc&acirc;ndalo do cart&atilde;o corporativo, aquele que ficou famoso pela compra da tapioca de oito reais e por garantir dezenas de milhares em gastos pessoais ao homem forte do esporte no Governo Lula. <\/p>\n<p>A CBF, por sua vez, &eacute; uma entidade privada comandada h&aacute; 21 anos por Ricardo Teixeira. Al&eacute;m de mandar e desmandar na Confedera&ccedil;&atilde;o, Teixeira passou por duas Comiss&otilde;es Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) no Congresso Nacional (a do Futebol e a da CBF-Nike), sofreu investiga&ccedil;&otilde;es da Receita Federal por omiss&atilde;o de declara&ccedil;&otilde;es de rendimento nos anos 90 e acabou condenado no ano passado pelo epis&oacute;dio do &ldquo;voo da muamba&rdquo;, relacionado ao fato da sele&ccedil;&atilde;o tetracampe&atilde; ter trazido toneladas de bagagens e de compras dos Estados Unidos sem passar pelos tr&acirc;mites legais dos aeroportos. <\/p>\n<p>Ao lado do Minist&eacute;rio dos Esportes e da CBF, est&aacute; a Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Futebol (FIFA), que lucrou 3,4 bilh&otilde;es de d&oacute;lares com a Copa na &Aacute;frica do Sul sem pagar um centavo de imposto. A FIFA tamb&eacute;m teve uma a&ccedil;&atilde;o destruidora no com&eacute;rcio informal dos africanos ao impedir e rastrear a venda de qualquer produto com a marca da Copa do Mundo n&atilde;o autorizada por ela. <\/p>\n<p>Viol&ecirc;ncia garante turismo <\/p>\n<p>Pior do que saber que bilh&otilde;es de reais advindos de recursos p&uacute;blicos estar&atilde;o em p&eacute;ssimas m&atilde;os nos pr&oacute;ximos anos, &eacute; sofrer com a viol&ecirc;ncia estatal. Na &Aacute;frica do Sul, milhares de sem-teto e crian&ccedil;as foram apanhados das ruas e largados em abrigos, quando n&atilde;o foram expulsas de suas casas para dar lugar a est&aacute;dios, ou simplesmente esconder dos turistas a parcela pobre da popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Nos cinco anos que antecederam o Mundial, trabalhadores, em especial da constru&ccedil;&atilde;o civil, realizaram milhares de manifesta&ccedil;&otilde;es para obrigar o governo a corrigir as enormes desigualdades sociais do pa&iacute;s e exigir servi&ccedil;os sociais b&aacute;sicos, como &aacute;gua e eletricidade. A repress&atilde;o por parte do Estado contra os movimentos sociais foi desproporcional a ponto de oficializar a proibi&ccedil;&atilde;o de qualquer protesto durante o evento. <\/p>\n<p>O Brasil j&aacute; viveu uma situa&ccedil;&atilde;o parecida com os Jogos Pan-americanos de 2007. Al&eacute;m do Estado (a n&iacute;vel municipal, estadual e federal) deslocar fam&iacute;lias de suas resid&ecirc;ncias e reprimir qualquer rea&ccedil;&atilde;o civil, o legado do evento internacional foi muito pouco utilizado pela popula&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro. Um exemplo gritante se deu com os pr&eacute;dios da cidade ol&iacute;mpica, que foram entregues &agrave; especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, n&atilde;o reduzindo em nada o d&eacute;ficit habitacional da cidade. <\/p>\n<p>Depois da expectativa, restou aos africanos e cariocas conviverem com promessas vazias dos governantes, desigualdade e criminaliza&ccedil;&atilde;o dos pobres, imagens da candidatura e visitas guiadas para esconder o cotidiano da maioria dos moradores locais, como bem apontou uma carta aberta dos movimentos sociais aos representantes do Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional no in&iacute;cio do ano. <\/p>\n<p>O desvio de dinheiro que a Copa do Mundo trar&aacute; &eacute; s&oacute; o come&ccedil;o de uma s&eacute;rie que vem a&iacute;. At&eacute; 2016, o Brasil sediar&aacute; tamb&eacute;m a Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es, a Copa Am&eacute;rica de 2015 e os Jogos Ol&iacute;mpicos. Ou seja, muita verba p&uacute;blica vai parar nos bolsos de quem s&oacute; est&aacute; preocupado em fazer do pa&iacute;s canarinho um grande elefante branco. Entre os gringos do euro e os suburbanos dos centavos, adivinha quem o Mundial de futebol vai escolher? <\/p>\n<p>O espet&aacute;culo da Copa torna a ta&ccedil;a o maior objeto de desejo dos brasileiros, que n&atilde;o percebem o volume de dinheiro p&uacute;blico gasto no futebol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espet\u00e1culo da Copa torna a ta\u00e7a o maior objeto de desejo dos brasileiros, que n\u00e3o percebem o volume de dinheiro p\u00fablico gasto no futebol. Foto:Photo Bucket 20 de julho de 2010, de Macei&oacute;, Rafael Cavalcanti Mesmo com o fim da Copa do Mundo na &Aacute;frica do Sul, os brasileiros continuam respirando o evento esportivo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1264","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1264"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1264\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}