{"id":1271,"date":"2010-07-29T17:52:00","date_gmt":"2010-07-29T17:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1271"},"modified":"2010-07-29T17:52:00","modified_gmt":"2010-07-29T17:52:00","slug":"wikileaks-publica-diario-da-guerra-do-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1271","title":{"rendered":"WikiLeaks publica &#8217;di\u00e1rio&#8217; da guerra do Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Wikileaks.jpg\" title=\"Wikileaks foi o eixo de vazamento de informa\u00e7\u00f5es confidenciais da atua\u00e7\u00e3o dos EUA no Afeganist\u00e3o.  - Foto:topnews\" alt=\"Wikileaks foi o eixo de vazamento de informa\u00e7\u00f5es confidenciais da atua\u00e7\u00e3o dos EUA no Afeganist\u00e3o.  - Foto:topnews\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Wikileaks foi o eixo de vazamento de informa\u00e7\u00f5es confidenciais da atua\u00e7\u00e3o dos EUA no Afeganist\u00e3o. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:topnews<\/small><\/figure>\n<p>29 de Julio de 2010 <\/p>\n<p>O portal wikileaks.org realizou outro feito. Publicou milhares de documentos classificados como secretos a respeito da guerra dos Estados Unidos no Afeganist&atilde;o. WikiLeaks oferece uma plataforma segura aos informantes, aos que aportam informa&ccedil;&atilde;o confidencial, para que enviem documentos, v&iacute;deos e outros documentos e arquivos eletr&ocirc;nicos, mantendo seu anonimato.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o passado, o s&iacute;tio publicou um v&iacute;deo filmado de dentro um helic&oacute;ptero de combate estadunidense que sobrevoava Bagd&aacute;. Na grava&ccedil;&atilde;o, exp&ocirc;s a matan&ccedil;a indiscriminada realizada pelo ex&eacute;rcito dos EUA, assassinando ao menos 12 pessoas, duas das quais eram empregadas da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias Reuters. <\/p>\n<p>Nesta semana (iniciada em 26\/07\/2010), WikiLeaks, junto com tr&ecirc;s s&oacute;cios dos meios hegem&ocirc;nicos &ndash; o New York Times, The Guardian de Londres e Der Spiegel da Alemanha &ndash; publicou 91.000 relat&oacute;rios confidenciais das for&ccedil;as armadas estadunidenses no Afeganist&atilde;o. Os relat&oacute;rios, escritos em sua maioria por soldados no campo de batalha imediatamente ap&oacute;s as a&ccedil;&otilde;es militares, representam um verdadeiro di&aacute;rio de guerra de 2004 a 2009, onde se detalham desde a matan&ccedil;a de civis, entre eles meninos, &agrave; crescente for&ccedil;a da insurg&ecirc;ncia Talib&atilde; e o apoio do Paquist&atilde;o ao ex&eacute;rcito Talib&atilde;. <\/p>\n<p>Depois de que os documentos foram publicados, Julian Assange, fundador e Editor Chefe de WikiLeaks, me disse: &ldquo;A maioria das mortes de civis acontecem em situa&ccedil;&otilde;es em que uma, duas, 10 ou 20 pessoas s&atilde;o assassinadas; as mortes de civis formam a maioria num&eacute;rica da lista de acontecimentos. &#8230;A forma para realmente entender esta guerra &eacute; vendo que h&aacute; uma morte depois de outra, todos os dias, e n&atilde;o se det&eacute;m&rdquo;. <\/p>\n<p>Julian Assange descreveu-me um massacre, que denominou &ldquo;o My Lai polon&ecirc;s&rdquo;. Em 16 de agosto de 2007, soldados poloneses regressaram a um povoado onde, na manh&atilde; daquele dia, eles tinham sofrido um ataque a bomba &agrave; beira da estrada. Os poloneses lan&ccedil;aram morteiros contra o povoado, que explodiram em uma casa onde se celebrava uma festa de casamento. Assange suspeita que os poloneses, em vingan&ccedil;a pelo ataque a bomba, cometeram um crime de guerra, que ficou oculto na linguagem burocr&aacute;tica do relat&oacute;rio: <\/p>\n<p>&ldquo;Atual lista de baixas: 6x KIA (1 homem, 4 mulheres, um beb&ecirc;) 3x WIA (todas mulheres, uma tinha 9 meses de gravidez).&rdquo; <\/p>\n<p>A sigla em ingl&ecirc;s &ldquo;KIA&rdquo; (killed in action), significa &ldquo;morto em a&ccedil;&atilde;o&rdquo;, e as dezenas de milhares de relat&oacute;rios classificados t&ecirc;m uma grande quantidade de KIAs. Assange diz que h&aacute; 2.000 mortes civis detalhadas nos relat&oacute;rios. Outros registros destes mesmos relat&oacute;rios descrevem a &ldquo;For&ccedil;a de Tarefa Conjunta 373&rdquo;, uma unidade de assassinatos do Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos, e que supostamente captura ou elimina pessoas consideradas como sendo membros do Talib&atilde; ou Al-Qaeda. <\/p>\n<p>O governo Obama est&aacute; tentando se proteger e sua resposta t&ecirc;m sido confusa. O General James Jones, assessor de Seguran&ccedil;a Nacional, condenou a publica&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o confidencial, dizendo que &ldquo;poderia p&ocirc;r em risco a vida de estadunidenses e de nossos aliados, e amea&ccedil;ar nossa seguran&ccedil;a nacional&rdquo;. Ao mesmo tempo, o secret&aacute;rio de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs disse &ldquo;n&atilde;o h&aacute; nada especialmente revelador nestes documentos&rdquo;. <\/p>\n<p>Mas este vazamento hist&oacute;rico de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o representa uma amea&ccedil;a para as vidas dos soldados estadunidenses que est&atilde;o na guerra, sen&atilde;o para a pol&iacute;tica que p&otilde;e essas vidas em risco. Com a diminui&ccedil;&atilde;o do apoio p&uacute;blico que j&aacute; tem a opera&ccedil;&atilde;o militar no Afeganist&atilde;o, o vazamento destes relat&oacute;rios s&oacute; fortalecer&aacute; o pedido de p&ocirc;r fim &agrave; guerra. <\/p>\n<p>&ldquo;Tenho esperado isto durante muito tempo&rdquo;, escreveu em seu twitter Daniel Ellsberg, o informante mais famoso dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Ellsberg &eacute; o ex-analista militar que vazou os Documentos do Pent&aacute;gono em 1971, milhares de p&aacute;ginas de um estudo governamental altamente confidencial onde se revela a hist&oacute;ria secreta da Guerra do Vietn&atilde;. Muitos consideram que a a&ccedil;&atilde;o de Ellsberg contribuiu ao fim da Guerra do Vietn&atilde;. Daniel Ellsberg disse-me nesta semana: &ldquo;Estou muito impressionado pela publica&ccedil;&atilde;o [de WikiLeaks]. &Eacute; a primeira vez em 39 anos, desde que entreguei os Documentos do Pent&aacute;gono ao Senado, que vem a p&uacute;blico arquivos desse n&iacute;vel. Quantas vezes em todos estes anos deveriam ter sido publicado milhares de p&aacute;ginas que demonstrassem como nos mentiram para entrar em guerra com o Iraque, o mesmo que ocorreu no Vietn&atilde;, e que mostrassem a realidade da guerra no Afeganist&atilde;o?&rdquo; <\/p>\n<p>Os advogados de Assange aconselharam ao fundador de WikiLeaks que n&atilde;o viajasse a Estados Unidos. <br \/>\nRecentemente, agentes de seguran&ccedil;a nacional foram a uma confer&ecirc;ncia de hackers em Nova York, na qual Assange estava programado falar. Assange cancelou sua participa&ccedil;&atilde;o e disse que o governo de Obama tamb&eacute;m intentou esfor&ccedil;os junto ao governo da Austr&aacute;lia para que o prendessem. Assange falou comigo de Londres, depois da publica&ccedil;&atilde;o dos documentos. Disse-me: &ldquo;N&atilde;o somos pacifistas. Somos ativistas a favor da transpar&ecirc;ncia. Entendemos que de um governo transparente surge um governo justo. Este &eacute; o modus operandi que rege todo o trabalho de nossa organiza&ccedil;&atilde;o: tornar p&uacute;blica toda a informa&ccedil;&atilde;o suprimida, de tal maneira que a imprensa, a popula&ccedil;&atilde;o e nossos pol&iacute;ticos possam trabalhar a partir dessa informa&ccedil;&atilde;o para conseguir melhores resultados&rdquo;. <\/p>\n<p>O Pent&aacute;gono disse que j&aacute; come&ccedil;ou uma investiga&ccedil;&atilde;o judicial para averiguar quem vazou os documentos para o WikiLeaks. Mas isso n&atilde;o &eacute; o que o Pent&aacute;gono deveria pesquisar. Novamente, Julian Assange disse: &ldquo;Por que ser&aacute; que se anuncia uma investiga&ccedil;&atilde;o da fonte, antes de anunciar uma investiga&ccedil;&atilde;o da conduta potencialmente criminosa que se revela neste material?&rdquo; <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <\/p>\n<p>&copy; 2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto traduzido do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/es\/blog\/2010\/7\/29\/wikileaks_publica_diario_de_la_guerra_de_afganistn\">castelhano<\/a> e revisado do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/blog\/2010\/7\/28\/wikileaks_afghan_war_diary\">original em ingl&ecirc;s<\/a> por <a href=\"http:\/\/blimarocha@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a> <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; a &acirc;ncora de Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s e em mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wikileaks foi o eixo de vazamento de informa\u00e7\u00f5es confidenciais da atua\u00e7\u00e3o dos EUA no Afeganist\u00e3o. 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