{"id":1273,"date":"2010-08-02T19:36:17","date_gmt":"2010-08-02T19:36:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1273"},"modified":"2010-08-02T19:36:17","modified_gmt":"2010-08-02T19:36:17","slug":"coluna-alem-das-4-linhas-semana-de-02-de-agosto-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1273","title":{"rendered":"Coluna Al\u00e9m das 4 linhas, semana de 02 de agosto de 2010"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/futebol-dinheiro.jpg\" title=\"O futebol brasileiro \u00e9 uma f\u00e1brica de p\u00e9s de obra para exporta\u00e7\u00e3o e consegue a proeza de girar fortunas e ver os participantes do jogo cada vez mais desesperados com falta de liq\u00fcidez.  - Foto:edfisicalagoas.blogspot.com\" alt=\"O futebol brasileiro \u00e9 uma f\u00e1brica de p\u00e9s de obra para exporta\u00e7\u00e3o e consegue a proeza de girar fortunas e ver os participantes do jogo cada vez mais desesperados com falta de liq\u00fcidez.  - Foto:edfisicalagoas.blogspot.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O futebol brasileiro \u00e9 uma f\u00e1brica de p\u00e9s de obra para exporta\u00e7\u00e3o e consegue a proeza de girar fortunas e ver os participantes do jogo cada vez mais desesperados com falta de liq\u00fcidez. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:edfisicalagoas.blogspot.com<\/small><\/figure>\n<p><em>Dijair Brilhantes<\/em> &amp; <em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p><strong>Ta demorando a engrenar <\/p>\n<p><\/strong>Passado o per&iacute;odo de Copa do Mundo, os clubes, m&iacute;dias, e torcidas parecem estar demorando um pouco a retomar o foco no campeonato nacional. H&aacute; raras exce&ccedil;&otilde;es, dentre elas se incluem Corinthians, Internacional, Cear&aacute;, e Fluminense que fazem campanhas empolgantes e tem boa m&eacute;dia de p&uacute;blico. Com a abertura da &ldquo;famosa janela&rdquo; que causou tanta pol&ecirc;mica, alguns clubes trouxeram refor&ccedil;os do exterior que estavam sem ritmo de jogo, outros acima do peso, implicando nisso a necessidade de um trabalho exclusivo na prepara&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica em meio &agrave; temporada. Talvez este seja um dos motivos para a falta de qualidade dos jogos e a demora na engrenagem das equipes. Mas o fato &eacute; que a aus&ecirc;ncia de grandes craques que trocam o Brasil, hoje n&atilde;o s&oacute; por grandes times da Europa, mas tamb&eacute;m por equipes sem express&atilde;o alguma no futebol mundial, implica em problema &ldquo;futebol&iacute;sitico&rdquo;, com caneladas e perebices abundantes dentro de campo.<\/p>\n<p>Uma das causas dessa venda exagerada se deve a falta de organiza&ccedil;&atilde;o e planejamento dos dirigentes que presidem os chamados grandes clubes. Outra, com certeza, atravessam a nada republicana conduta e postura da maior parte da cartolagem &ndash; que interm&eacute;dia os investidores dos clubes &ndash; e os procuradores ou representantes legais dos boleiros &ndash; que na sanha de uma comiss&atilde;ozinha iludem a molecada para irem jogar em lugares in&oacute;spitos, com frio absurdo para os padr&otilde;es brasileiros &#8211; mesmo sendo de ga&uacute;chos uma parte do &ldquo;p&eacute; de obra exportado&rdquo;. Assim, terminam por zanzar entre centros inexpressivos, segundas divis&otilde;es europ&eacute;ias, at&eacute; serem repatriados. E, como sempre, algu&eacute;m tira da cartola um coelho de pel&uacute;cia falsificado, garantindo a p&eacute;rola que: &ldquo;A baixa qualidade t&eacute;cnica do futebol nacional sempre acarreta em velhas discuss&otilde;es sobre a mudan&ccedil;a do calend&aacute;rio para os moldes europeus&rdquo;. Quanta baboseira.<\/p>\n<p><strong>Sem recursos financeiros a qualidade &eacute; baixa <br \/>\n<\/strong><br \/>\nComo &eacute; poss&iacute;vel estar &ldquo;pelado, liso, duro, quebrado&rdquo; em meio a um esporte milion&aacute;rio, com cifras astron&ocirc;micas? &Eacute; como um cassino dar preju&iacute;zo (e acreditem, tem alguns que d&atilde;o preju&iacute;zo porque uns espertalh&otilde;es desviam&#8230;), &eacute; inimagin&aacute;vel. A crise de liquidez (n&atilde;o h&aacute; dinheiro em caixa, os pre&ccedil;os est&atilde;o descolados dos ingressos de renda) instalada h&aacute; tempos no futebol brasileiro &eacute; um dos principais motivos da falta de qualidade t&eacute;cnica do campeonato nacional. O problema &eacute; de simples diagn&oacute;stico e de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o no curto prazo. Os clubes seguem o modelo de neg&oacute;cio de vender jogadores como principal fonte de renda. Ressaltamos que, muitos destes boleiros, sequer chegam a jogar no Brasil entre os profissionais. Enquanto n&atilde;o abrem as janelas ou temporadas de contrata&ccedil;&atilde;o, o grosso do caixa &eacute; bancado pela venda (coletiva) dos direitos de transmiss&atilde;o. Na metade da temporada o dinheiro escasseia, porque muitos j&aacute; pediram a antecipa&ccedil;&atilde;o das cotas de TV para saldar d&iacute;vidas. Como h&aacute; pouco dinheiro em caixa e as categorias de base cada vez formam menos (pelo fator indica&ccedil;&atilde;o de conselheiro ou padrinho de peneira; retornaremos ao fato noutras ocasi&otilde;es), se torna quase imposs&iacute;vel formar grandes times. <\/p>\n<p>Alguns clubes, dentre eles Santos, Internacional e Corinthians, buscam como alternativas, participar ou se associar aos &ldquo;fundos de investimentos&rdquo; (como os geridos pelos Grupos Sonda ou o Traffic), para manter ou adquirir jogadores com custos elevados. O problema nesse tipo de neg&oacute;cio acaba sendo que os clubes al&eacute;m de obedecerem as regras absurdas impostas pela TV Globo (como datas e hor&aacute;rios) devido aos direitos de transmiss&atilde;o dos jogos, passam a ser escravos tamb&eacute;m desses investidores, pois s&atilde;o os verdadeiros donos dos atletas. Estas empresas usam o futebol jogado no Brasil apenas como vitrine para futuras vendas e bons milh&otilde;es de euros em suas contas banc&aacute;rias. <\/p>\n<p>Afinal, para que serviu a Lei Pel&eacute;? O objetivo n&atilde;o era libertar os jogadores? Os atletas apenas mudaram de dono, antes eram dos clubes agora s&atilde;o dos empres&aacute;rios. Transformar os clubes em &ldquo;empresas&rdquo; at&eacute; agora na pr&aacute;tica resultou apenas nas frustradas tentativas de obter lucros. Institui&ccedil;&otilde;es como Vasco e Flamengo t&ecirc;m d&iacute;vidas superiores a R$ 300 milh&otilde;es de reais, o que, se auferido com rigores da Receita ou outro tipo de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, causaria a fal&ecirc;ncia de qualquer empresa que n&atilde;o tivesse fortes conex&otilde;es com Bras&iacute;lia e os respectivos governos estaduais. <\/p>\n<p>\n<strong>Paix&atilde;o Cara <br \/>\n<\/strong><br \/>\nExplorar a marca! Esse &eacute; um dos argumentos dos dirigentes e dos departamentos de marketing para impor os elevados valores dos produtos oficiais dos clubes. Uma camiseta oficial da temporada em andamento, produzida pelo fornecedor do material esportivo custa em torno de R$170,00, independente de ser o 1&ordm;, 2&deg; ou 3&deg; uniforme. De t&atilde;o caro, os detentores do licenciamento (os pr&oacute;prios clubes), resolveram criar a segunda linha de si mesmos. Devido ao valor elevado destas camisas e para evitar a pirataria, foram criadas as pe&ccedil;as alternativas com valores que n&atilde;o chegam &agrave; metade das tradicionais. N&atilde;o contam com os produtos do fornecedor oficial, mas s&atilde;o devidamente licenciadas pelos clubes. Esta medida simples &ndash; para caber no bolso de quem ama muito, recebe pouco e j&aacute; est&aacute; mais que pendurado em credi&aacute;rios e parcelamentos &#8211; acabou aumentando consideravelmente os lucros, pois torcedor paga menos e acredita estar ajudando na receita do time do cora&ccedil;&atilde;o. Em 2009, s&oacute; o Gr&ecirc;mio faturou mais de 10 milh&otilde;es de reais em sua loja (conforme dados divulgado pelo pr&oacute;prio clube) com seus produtos tanto da linha original quanto licenciada. <\/p>\n<p>O futebol custa muito caro ao torcedor de um pa&iacute;s da semi-periferia do capitalismo como o Brasil. Os ingressos saem em torno de R$ 50,00, o que &eacute; muito para uma fam&iacute;lia das classes C e D. Os lugares mais baratos, mais populares nos nossos est&aacute;dios, obrigam o torcedor a ainda sentar na pedra e tomar chuva na cabe&ccedil;a (isso quando n&atilde;o voa o l&iacute;quido quente e amarelo, vindo do anel superior&#8230;). A dificuldade se mant&eacute;m nos hor&aacute;rios em jogos noturnos que chegam pr&oacute;ximos do dia seguinte. As chamadas super-quartas s&atilde;o feitas para her&oacute;is ou jovens cheios de disposi&ccedil;&atilde;o e rec&eacute;m sa&iacute;dos da adolesc&ecirc;ncia. E para completar, parece loucura, mas a busca pela auto-sustenta&ccedil;&atilde;o dos clubes resultou em ainda mais exclus&atilde;o. &Eacute; compreens&iacute;vel a meta de uma grande agremia&ccedil;&atilde;o em querer ao menos zerar as despesas com a receita programada atrav&eacute;s do d&eacute;bito em conta ou do boleto do torcedor associado. Mas, ao criarem o chamado s&oacute;cio-torcedor que paga uma taxa mensal para ter o direito de comprar antecipados os ingressos para os jogos, os clubes inibem o deslocamento e a rela&ccedil;&atilde;o do torcedor mais avulso. O que &eacute; uma excelente id&eacute;ia (o s&oacute;cio-torcedor) termina operando como for&ccedil;a de suc&ccedil;&atilde;o (feito vaca &ldquo;nadando&rdquo; em enchente) no rodamoinho do consumo e do endividamento da popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A l&oacute;gica aparente &eacute; terr&iacute;vel. O poder aquisitivo passando por cima da paix&atilde;o; assim, o amor club&iacute;stico virou sofrimento para pessoas com baixas rendas. N&atilde;o compram produto licenciado, alimentam a pirataria, n&atilde;o conseguem mais pagar ingresso para ir aos jogos e terminam exclu&iacute;das, acompanhando tudo apenas atrav&eacute;s da m&iacute;dia: assistem pela TV e ouvem a cr&ocirc;nica esportiva. Para os clubes mais ricos, a impress&atilde;o &eacute; de que os brasileiros mais humildes n&atilde;o merecem assistir futebol, porque n&atilde;o trazem nenhum lucro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol brasileiro \u00e9 uma f\u00e1brica de p\u00e9s de obra para exporta\u00e7\u00e3o e consegue a proeza de girar fortunas e ver os participantes do jogo cada vez mais desesperados com falta de liq\u00fcidez. 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