{"id":1279,"date":"2010-08-12T17:57:22","date_gmt":"2010-08-12T17:57:22","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1279"},"modified":"2010-08-12T17:57:22","modified_gmt":"2010-08-12T17:57:22","slug":"o-debate-dos-presidenciaveis-no-pais-do-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1279","title":{"rendered":"O debate dos presidenci\u00e1veis no pa\u00eds do futebol"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/1real.jpg\" title=\"Os recursos da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o carcomidos pelo modelo de financiamento e o repasse de quase a metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o para os agiotas com CNPJ. Que democracia \u00e9 essa?  - Foto:bahia not\u00edcias\" alt=\"Os recursos da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o carcomidos pelo modelo de financiamento e o repasse de quase a metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o para os agiotas com CNPJ. Que democracia \u00e9 essa?  - Foto:bahia not\u00edcias\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os recursos da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o carcomidos pelo modelo de financiamento e o repasse de quase a metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o para os agiotas com CNPJ. Que democracia \u00e9 essa? <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:bahia not\u00edcias<\/small><\/figure>\n<p>Quinta feira 12 de agosto de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos pelas costas apunhalados por latifundi&aacute;rios escravagistas, Bruno Lima Rocha, cientista pol&iacute;tico <\/p>\n<p>Na 5&ordf; feira dia 05 de agosto do corrente ano o pa&iacute;s p&ocirc;de assistir ao primeiro debate entre os quatro mais destacados candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Como se sabe, &eacute; da &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; democr&aacute;tico-liberal brasileira que a Rede Bandeirantes inaugure a rodada de embates verbais entre os concorrentes ao Executivo da Uni&atilde;o e dos estados. Simultaneamente a exibi&ccedil;&atilde;o do embate televisivo, a Rede Globo, ainda emissora l&iacute;der, transmitia um jogo de futebol de grande relev&acirc;ncia, a partida de volta da semifinal da Copa &ldquo;Santander&rdquo; Libertadores, entre o S&atilde;o Paulo F.C. e o Internacional S.C. Alegrias futebol&iacute;sticas &agrave; parte, era a cr&ocirc;nica do desastre anunciado.<\/p>\n<p>&Eacute; de praxe afirmar ser o Brasil o pa&iacute;s do futebol, haja vista o n&uacute;mero de horas de programa&ccedil;&atilde;o dedicadas quase exclusivamente para este esporte que movimenta recursos astron&ocirc;micos. No miolo do fen&ocirc;meno do descolamento de pre&ccedil;os, com a alta de sal&aacute;rios e cotas de patroc&iacute;nio, a TV ocupa a base de sustenta&ccedil;&atilde;o dessa ind&uacute;stria do entretenimento desportivo, pagando (e em via de regras de forma antecipada), as cotas de direitos de exibi&ccedil;&atilde;o. O senso comum tamb&eacute;m noz faz ouvir que os brasileiros n&atilde;o se interessam pela pol&iacute;tica em nenhum aspecto. Infelizmente, os n&uacute;meros de medi&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia instant&acirc;nea, organizados pelo Instituto Ibope (o mais contestado em termos de pesquisas eleitorais) em domic&iacute;lios da Grande S&atilde;o Paulo, d&atilde;o a prova material dos ditados populares. Para termos uma id&eacute;ia de propor&ccedil;&atilde;o, para cada ponto contabilizado pelo Ibope temos a equival&ecirc;ncia de 60 mil domic&iacute;lios na capital paulista e sua regi&atilde;o metropolitana. Os n&uacute;meros indicam que o primeiro debate da corrida presidencial oscilou entre 2,5 e 5 pontos; enquanto a partida teve m&eacute;dia de 29,5 atingindo um pico de 33,8 pontos. Nada de novo no front. <\/p>\n<p>Podemos tamb&eacute;m realizar uma ila&ccedil;&atilde;o do fracasso devido ao debate ser insosso. Plasticamente limpo e vazio de conte&uacute;do estrat&eacute;gico. Isto &eacute;, ningu&eacute;m debate a fundo a chave do cofre, n&atilde;o se aponta a &uacute;nica sa&iacute;da prevista para atender todas as demandas do povo brasileiro. Em contrapartida, a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual &eacute; de alta qualidade. At&eacute; onde se sabe, os candidatos s&atilde;o assessorados por competentes profissionais. Receberam treinamento para a m&iacute;dia (os gringos chamam de media training), de postura diante do v&iacute;deo (como um diretor de palco), realizaram sabatina pr&eacute;via de perguntas (atrav&eacute;s de memoriza&ccedil;&otilde;es e jogos de mnemotecnia) e passam por algum preparo em orat&oacute;ria e dic&ccedil;&atilde;o. Enfim, estavam tecnicamente preparados para suas performances. O problema pode estar a&iacute;. Mesmo que exista uma disc&oacute;rdia de conceitos e id&eacute;ias-guia, n&atilde;o h&aacute; muita desaven&ccedil;a na forma. Para a maioria do eleitorado, distante da pol&iacute;tica por tr&ecirc;s anos e meio e convocado a decidir sobre temas complexos encarnados nas candidaturas, a rela&ccedil;&atilde;o &eacute; muito desigual. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, dentro das quatro linhas dos gramados, o interesse e a familiaridade s&atilde;o proporcionalmente inversos. No caso, n&oacute;s brasileiros prestamos muita aten&ccedil;&atilde;o e estamos familiarizados com tem&aacute;ticas de alguma complexidade. Desafio um oponente do futebol a provar que se trata de atividade desprovida de intelig&ecirc;ncia. Em geral, uso este exemplo em sala de aula. Uma parte consider&aacute;vel dos brasileiros, para al&eacute;m de paix&otilde;es torcedoras ou &oacute;dios contra cartolas e dirigentes, entende e muito a respeito de temas complexos. Cidad&atilde;os comuns, quando familiarizados com um jarg&atilde;o apropriado e participando de uma cultura pr&oacute;pria, conseguem emitir opini&atilde;o a respeito de estrat&eacute;gia, t&aacute;tica, desempenho dos indiv&iacute;duos, ambiente coletivo, qualidade das lideran&ccedil;as, investimentos em contrata&ccedil;&otilde;es oportunas ou equivocadas e assuntos do g&ecirc;nero. As vari&aacute;veis de possibilidades e as tramas diretas e indiretas s&atilde;o muitas, exigindo no m&iacute;nimo uma mente treinada e um olhar aplicado. <\/p>\n<p>Na pol&iacute;tica poderia acontecer o mesmo, se e caso camadas mais abrangentes do povo brasileiro fizessem a pr&aacute;tica pol&iacute;tica ao longo do ano. Acontece que o &ldquo;excesso de participa&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; visto como algo &ldquo;perigoso&rdquo;, pois aumenta o poder de grupos de press&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o naturalizados como sendo os &uacute;nicos leg&iacute;timos para isso. O fosso est&aacute; justamente na agenda discreta, ou quase indecifr&aacute;vel. Poucos sabem que o PIB brasileiro est&aacute; em torno de R$ 3,143 trilh&otilde;es, dos quais cerca da metade passa pelo caixa da Uni&atilde;o. No or&ccedil;amento executado em 2009, segundo dados do SIAFI, o Brasil gastou 2,8% de sua receita com Educa&ccedil;&atilde;o e &ldquo;apenas&rdquo; 35,57% da d&iacute;vida p&uacute;blica (isso sem contabilizar o refinanciamento). A totaliza&ccedil;&atilde;o dos gastos com os credores financeiros, segundo o Instituto de Estudos Socioecon&ocirc;micos (Inesc), atinge a absurdos 48% do projeto de or&ccedil;amento que foi previsto para 2009. Portanto, &eacute; falsa a pol&ecirc;mica do aumento de despesa da m&aacute;quina p&uacute;blica como causadora de d&eacute;ficit. O rombo est&aacute; na forma de financiamento do Estado brasileiro, e por tabela, do conjunto das pol&iacute;ticas que punem ou beneficiem agentes econ&ocirc;micos e sociais. Esses s&atilde;o os segredos de Estado, e &eacute; isto que deveria ser a prioridade de qualquer debate pol&iacute;tico. <\/p>\n<p>Se fossem compreens&iacute;veis estes n&uacute;meros e estivesse em jogo o modelo de sustentar a sociedade brasileira, n&atilde;o estar&iacute;amos lamuriando a pouca audi&ecirc;ncia de um debate de presidenci&aacute;veis. Enquanto isso n&atilde;o ocorrer, teremos o paradoxo brasileiro de ver a pol&iacute;tica como sazonal e o futebol como permanente. Uma &ldquo;democracia&rdquo; assim tende a pasmaceira ou exaspera&ccedil;&atilde;o. Quem planta colhe. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/08\/11\/o-debate-dos-presidenciaveis-no-pais-do-futebol-315140.asp\">Este artigo teve sua vers&atilde;o original publicada no blog de Ricardo Noblat <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os recursos da na\u00e7\u00e3o s\u00e3o carcomidos pelo modelo de financiamento e o repasse de quase a metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o para os agiotas com CNPJ. Que democracia \u00e9 essa? 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