{"id":1291,"date":"2010-09-02T08:42:50","date_gmt":"2010-09-02T08:42:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1291"},"modified":"2010-09-02T08:42:50","modified_gmt":"2010-09-02T08:42:50","slug":"a-arte-do-ilusionismo-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1291","title":{"rendered":"A arte do ilusionismo na Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sus.jpg\" title=\"O Sistema \u00danico de Sa\u00fade necessita de recursos advindos do caixa da Uni\u00e3o e dos demais n\u00edveis de governo. Feito isso, a l\u00f3gica participativa e inclusiva do SUS caminha para a auto-organiza\u00e7\u00e3o em termos de estrutura pol\u00edtico-t\u00e9cnica, tornando irrelevantes promess\u00f4metros e baboseiras neoliberais que de tudo fazem para privatizar o sistema de forma indireta.  - Foto:portal de caragu\u00e1\" alt=\"O Sistema \u00danico de Sa\u00fade necessita de recursos advindos do caixa da Uni\u00e3o e dos demais n\u00edveis de governo. Feito isso, a l\u00f3gica participativa e inclusiva do SUS caminha para a auto-organiza\u00e7\u00e3o em termos de estrutura pol\u00edtico-t\u00e9cnica, tornando irrelevantes promess\u00f4metros e baboseiras neoliberais que de tudo fazem para privatizar o sistema de forma indireta.  - Foto:portal de caragu\u00e1\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O Sistema \u00danico de Sa\u00fade necessita de recursos advindos do caixa da Uni\u00e3o e dos demais n\u00edveis de governo. Feito isso, a l\u00f3gica participativa e inclusiva do SUS caminha para a auto-organiza\u00e7\u00e3o em termos de estrutura pol\u00edtico-t\u00e9cnica, tornando irrelevantes promess\u00f4metros e baboseiras neoliberais que de tudo fazem para privatizar o sistema de forma indireta. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:portal de caragu\u00e1<\/small><\/figure>\n<p>02 de setembro de 2010 , da Vila Setembrina de outrora farrapos tristemente comandados por latifundi&aacute;rios escravagistas e vendepatrias, do territ&oacute;rio que j&aacute; fora da Liga Federal de los Pueblos Libres, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Os cr&iacute;ticos do modo de fazer pol&iacute;tica profissional no Brasil cunharam um interessante neologismo. Apelida-se de &ldquo;promess&ocirc;metro&rdquo; o arcabou&ccedil;o de promessas e comprometimentos feitos pelos candidatos aos cargos majorit&aacute;rios e proporcionais. &Eacute; um tipo de comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que, de t&atilde;o usual, ganha ares de conceito, chamando-se de &ldquo;promessa de campanha&rdquo;. O cerne da cr&iacute;tica est&aacute; na efetiva&ccedil;&atilde;o daquilo que &eacute; falado como parte de uma pe&ccedil;a publicit&aacute;ria, e sem a exposi&ccedil;&atilde;o das formas de sua exeq&uuml;ibilidade. Considero v&aacute;lido o neologismo com peso conceitual, embora discorde, e muito, do ponto de vista da maioria daqueles a utiliz&aacute;-lo.<\/p>\n<p>Em geral, os que criticam as ofertas infundadas dos pol&iacute;ticos profissionais (ou aventureiros ao posto) empregam uma linguagem gerencial, quase sempre fazendo analogias na rela&ccedil;&atilde;o receita-despesa como se o Estado, o ente estatal, n&atilde;o pertencesse a res publica e sim fosse um patrim&ocirc;nio privado, S.A. ou Ltda. &Eacute; comum ver estas falas oscilando entre a prega&ccedil;&atilde;o da austeridade atrav&eacute;s de regime de caixa &uacute;nico e a id&eacute;ia de efici&ecirc;ncia, como se os direitos da cidadania fossem um sistema de log&iacute;stica de atacado e varejo empregando o m&eacute;todo do &ldquo;Just in time&rdquo;. Esta cr&iacute;tica da pol&iacute;tica traz embutido um elogio neoliberal, onde o her&oacute;i social &eacute; o executivo-empreendedor e o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o social por excel&ecirc;ncia &eacute; a empresa de tipo capitalista, preferencialmente tamb&eacute;m apostando nos produtos do capital financeiro. <\/p>\n<p>Tanto o &ldquo;promess&ocirc;metro de palco e palanque&rdquo; como o elogio da austeridade dos gastos p&uacute;blicos s&atilde;o posturas cujos argumentos s&atilde;o fracos e com dificuldade de defender-se. Vejamos o caso da sa&uacute;de. O Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de &eacute; um apelo permanente dos candidatos majorit&aacute;rios. Afirmam haver feito uma s&eacute;rie de iniciativas, todas com melhoras e amplia&ccedil;&atilde;o dos atendimentos. Em campanha, promete-se outra leva de medidas, como sendo a sa&iacute;da para as dificuldades da popula&ccedil;&atilde;o mais carente e o emprego de uma nova racionalidade para diminuir o sofrimento das filas de espera e o aguardo pelos atendimentos de especialidades. &Eacute; da natureza perform&aacute;tica da pol&iacute;tica profissional entoar essas frases pr&eacute;-moldadas, sempre bem encaixadas na sintaxe que soa como m&uacute;sica para o eleitorado massivo e desorganizado. <\/p>\n<p>Com tristeza afirmo ser esta montagem uma demonstra&ccedil;&atilde;o da arte do ilusionismo. Ora, se houvesse consenso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, dois movimentos teriam sido executados. Um, tem origem na pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o do SUS como sistema e relaciona sua capacidade com a dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria. Para funcionar, &eacute; sabido que o &ldquo;maior plano de sa&uacute;de p&uacute;blica do mundo&rdquo; necessitaria de 30% da seguridade social ou cerca de 10% das receitas da Uni&atilde;o. Apenas como contraponto, o or&ccedil;amento executado de 2009 fechou em 4,64% aplicado na Sa&uacute;de! O absurdo segue, pois o texto regulamentar prevendo as receitas dos artigos 198 e 200 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal at&eacute; o presente momento n&atilde;o foi estabelecido. Isto implica um eterno adiamento de projetos fundamentais, como os contidos na Emenda 29 (h&aacute; dez anos aprovada e sem regulamenta&ccedil;&atilde;o) que destina 10% da receita corrente l&iacute;quida para o setor. A escassez proposital (em fun&ccedil;&atilde;o do endividamento da Uni&atilde;o) vem implicando em aberra&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas como a extinta Contribui&ccedil;&atilde;o Provis&oacute;ria sobre Movimenta&ccedil;&atilde;o Financeira (CPMF) e a ainda viva Desvincula&ccedil;&atilde;o dos Recursos da Uni&atilde;o (DRU). <\/p>\n<p>O ilusionismo de causa e conseq&uuml;&ecirc;ncia &eacute; t&atilde;o grande que at&eacute; os mecanismos decis&oacute;rios estipulados pela Lei Org&acirc;nica do SUS s&atilde;o atropelados. A &uacute;nica promessa v&aacute;lida pelos termos constitucionais e a &uacute;nica exig&ecirc;ncia a ser feita &eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o de receitas conforme previsto e assegurado. O Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de est&aacute; montado de tal forma que, em havendo participa&ccedil;&atilde;o direta e verba correspondente, usu&aacute;rios e trabalhadores das &aacute;reas de sa&uacute;de podem prescindir tanto do promess&ocirc;metro como dos gerencialistas de plant&atilde;o. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/09\/01\/a-arte-do-ilusionismo-na-saude-320664.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sistema \u00danico de Sa\u00fade necessita de recursos advindos do caixa da Uni\u00e3o e dos demais n\u00edveis de governo. Feito isso, a l\u00f3gica participativa e inclusiva do SUS caminha para a auto-organiza\u00e7\u00e3o em termos de estrutura pol\u00edtico-t\u00e9cnica, tornando irrelevantes promess\u00f4metros e baboseiras neoliberais que de tudo fazem para privatizar o sistema de forma indireta. 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