{"id":1293,"date":"2010-09-05T01:01:50","date_gmt":"2010-09-05T01:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1293"},"modified":"2010-09-05T01:01:50","modified_gmt":"2010-09-05T01:01:50","slug":"o-patronato-de-alegrete-controle-social-e-formacao-de-mao-de-obra-para-os-estancieiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1293","title":{"rendered":"O PATRONATO DE ALEGRETE: CONTROLE SOCIAL E FORMA\u00c7\u00c3O DE M\u00c3O-DE-OBRA PARA OS ESTANCIEIROS."},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/untitled.bmp\" title=\".Foto do casar\u00e3o do antigo Patronato Dr. Lauro Dornelles. Hoje sede do Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Agropecu\u00e1rias. - Foto:http:\/\/colunapontodevista.com\/2010\/06\/alegrete-prefeitoerasmodecreta.\" alt=\".Foto do casar\u00e3o do antigo Patronato Dr. Lauro Dornelles. Hoje sede do Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Agropecu\u00e1rias. - Foto:http:\/\/colunapontodevista.com\/2010\/06\/alegrete-prefeitoerasmodecreta.\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">.Foto do casar\u00e3o do antigo Patronato Dr. Lauro Dornelles. Hoje sede do Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Agropecu\u00e1rias.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:http:\/\/colunapontodevista.com\/2010\/06\/alegrete-prefeitoerasmodecreta.<\/small><\/figure>\n<p>O presente artigo tem por objetivo conhecer o que foi e pra que servia o Patronato Dr. Lauro Dornelles criado em Alegrete durante a Rep&uacute;blica Velha. Fez-se uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica e chegou-se ao entendimento de que o fen&ocirc;meno em an&aacute;lise fazia parte de uma pol&iacute;tica publica e de Estado, articulada &agrave; expans&atilde;o do capitalismo internacional. Revisando e analisando varias fontes (digitais, bibliogr&aacute;ficas, documentos oficiais e imprensa), e atrav&eacute;s da an&aacute;lise de conte&uacute;do, foi poss&iacute;vel compreender e explicar o Patronato Dr. Lauro Dornelles. Este Patronato n&atilde;o foi um ato isolado e resultado da filantropia e altru&iacute;smo dos governantes e patr&otilde;es locais, mas sim a conseq&uuml;&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica e de Estado no sentido de combater a delinq&uuml;&ecirc;ncia juvenil e formar m&atilde;o-de-obra qualificada para os capitalistas do campo.<\/p>\n<p>Por Anderson Rom&aacute;rio Pereira Corr&ecirc;a.<\/p>\n<p>Membro do Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico de Alegrete.<\/p>\n<p>Alegrete, setembro de 2010.<\/p>\n<p>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O: <\/p>\n<p>No Per&iacute;odo da Rep&uacute;blica Velha (1889-1930), sabe-se que emerge a &ldquo;quest&atilde;o-social&rdquo; no Brasil. Per&iacute;odo em que as contradi&ccedil;&otilde;es entre &ldquo;capital e trabalho&rdquo; e as formas de controle social s&atilde;o reelaboradas. A &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; um dos campos aonde vai operar esta disputa de modelo, m&eacute;todo e inten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. De um lado, os projetos educacionais oriundos das organiza&ccedil;&otilde;es de trabalhadores, que utilizam da educa&ccedil;&atilde;o como meio para a destrui&ccedil;&atilde;o da sociedade de classes e de dom&iacute;nio; de outro lado, os projetos dos patr&otilde;es, que prop&otilde;em o controle social e a reprodu&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais e do dom&iacute;nio. Neste contexto, surgem os Patronatos Agr&iacute;colas. O objetivo deste artigo &eacute; conhecer o que foi e para que servia o Patronato Dr. Lauro Dornelles em Alegrete no per&iacute;odo da Rep&uacute;blica Velha. O presente estudo justifica-se na medida em que o autor foi chamado a colaborar com o Conselho do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico Municipal, o qual pediu a colabora&ccedil;&atilde;o sobre o &ldquo;hist&oacute;rico&rdquo; de um patrim&ocirc;nio que dever&aacute; ser Tombado. O estudo do Patronato de Alegrete tamb&eacute;m contribui para a compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais de Alegrete no Per&iacute;odo da Rep&uacute;blica Velha e abrange aspectos do mundo do trabalho (objeto de pesquisa do autor). A pesquisa desenvolveu-se a partir da constru&ccedil;&atilde;o de um referencial te&oacute;rico, da revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, constitui&ccedil;&atilde;o de um cen&aacute;rio e da interpreta&ccedil;&atilde;o de vest&iacute;gios que possibilitaram compreender e explicar o Patronato Dr. Lauro Dornelles. No primeiro momento, destaca-se o que se publicou a respeito do Patronato Dr. Lauro Dornelles; em seguida, constr&oacute;i-se o referencial interpretativo, o cen&aacute;rio e investiga-se a constitui&ccedil;&atilde;o dos Patronatos no Brasil e em Alegrete. Metodologicamente privilegiou-se o m&eacute;todo indici&aacute;rio e a an&aacute;lise de conte&uacute;do, respeitando a heur&iacute;stica. <br \/>\nTodos os textos publicados que foram encontrados sobre o Patronato n&atilde;o respeitavam as m&iacute;nimas normas t&eacute;cnicas da cr&iacute;tica e hermen&ecirc;utica. Nem mesmo o b&aacute;sico, que seria citar as fontes, foi feito, e, quando o foi, n&atilde;o foi feita a critica. <br \/>\nSobre a origem do Patronato Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles, Saul Palma Souto (2004, p.304) referindo-se ao ex-intendente Lauro Dornelles, escreveu: <\/p>\n<p>Terminando o seu mandato, em 1912, mais uma vez manifesta-se sua generosidade: fica-se sabendo que nunca aceitou a remunera&ccedil;&atilde;o que lhe competia como Prefeito do Munic&iacute;pio, destinando integralmente a verba que lhe pertencia para a constru&ccedil;&atilde;o do Patronato Agr&iacute;cola, que, depois, recebeu o seu nome. (grifo meu) <\/p>\n<p>Mais adiante, acrescenta o mesmo autor (Souto), ainda reportando-se ao ex-intendente Lauro Dornelles: <\/p>\n<p>Mais tarde ele destina significativa verba para a cria&ccedil;&atilde;o de um Patronato. O pr&eacute;dio constru&iacute;do para este fim ainda hoje pode ser visto e admirado e sua realidade f&iacute;sica. Situa-se no atual Parque de Exposi&ccedil;&otilde;es Dr. Lauro Dornelles, no bairro Ibirapuit&atilde;. Seu idealizador o destinava para uma escola de forma&ccedil;&atilde;o de jovens, com especialidade em atividades rurais. (Idem) (grifo meu) <\/p>\n<p>No Site &ldquo;http:\/\/Assis Brasil.org\/&rdquo;, o respons&aacute;vel pela edi&ccedil;&atilde;o escreve sobre Dr. Lauro Dornelles: <\/p>\n<p>Estancieiro, foi Intendente (prefeito) de Alegrete de 1909 a 1912, quando abdicou dos seus proventos mensais para comprar uma &aacute;rea (granja) nos arredores da cidade, onde construiu um edif&iacute;cio destinado a uma escola profissionalizante (agr&iacute;cola) para meninos carentes, a qual funcionava em regime de internato. O local era conhecido como Patronato &ndash; e assim o &eacute; at&eacute; hoje. (grifo meu) <\/p>\n<p>At&eacute; aqui, vemos a constru&ccedil;&atilde;o de um mito, a ideia de que o Patronato foi obra de um cidad&atilde;o benem&eacute;rito. O disparate torna-se maior quando, no mesmo Site, a autora apresenta a seguinte narrativa: &ldquo;Palavras do intendente LAURO DORNELLES em seu relat&oacute;rio apresentado ao Conselho Municipal em 20-09-1919, dentre tantas outras afirma&ccedil;&otilde;es (&#8230;)&rdquo;.(Idem) Se algo depois de falecido? Na verdade, o relat&oacute;rio &eacute; de Jo&atilde;o Benicio. S&atilde;o as palavras de Jo&atilde;o Benicio que falam em construir um &ldquo;Patronato&rdquo; e n&atilde;o as palavras do j&aacute; falecido Lauro Dornelles. Para terminar, outra &ldquo;p&eacute;rola&rdquo;: a autora do Site escreve como legenda da foto do casar&atilde;o do Parque de Exposi&ccedil;&atilde;o a seguinte frase: &ldquo;(&#8230;) Casar&atilde;o onde funcionava a escola agr&iacute;cola idealizada por Dr. Lauro Dornelles.&rdquo; (o grifo &eacute; meu) <br \/>\nEm outro trabalho publicado na internet e que corresponde ao texto que integra o material com o &ldquo;Hist&oacute;rico do Casar&atilde;o Dr. Lauro Dornelles&rdquo;, tamb&eacute;m aparece a constru&ccedil;&atilde;o de uma narrativa fant&aacute;stica com inten&ccedil;&atilde;o de construir um mito e que n&atilde;o esclarece o que foi e porque existiu o Casar&atilde;o e o Patronato agr&iacute;cola em Alegrete. Paula Paz escreveu: <\/p>\n<p>E sua origem remonta em 1921, a partir do desejo do ex-intendente Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles de presentear o munic&iacute;pio com uma escola de ensino gratuito, a fim de beneficiar e salvar da marginalidade in&uacute;meros jovens desfavorecidos socialmente, oferecendo-lhes um ensino profissionalizante. (http:\/\/www.al.urcamp.tche.br\/principal\/estatuto\/artigo_historia.pdf) <\/p>\n<p>Em outra passagem, Paula Paz acrescenta: <\/p>\n<p>Em homenagem ao grande idealizador, batizaram-lhe Casar&atilde;o &ldquo;Dr. Lauro Dornelles&rdquo;, como forma de respeito e agradecimento &agrave;quele homem que tanto amou e empenhou-se em desenvolver o crescimento em Alegrete, pois sonhava constantemente com o dia em que seus conterr&acirc;neos n&atilde;o precisassem deixar sua terra, podendo aqui construir suas vida com oportunidade e dignidade. (grifo meu) (Idem) <\/p>\n<p>O Site de uma das maiores empresas alegretenses reproduz, em sua p&aacute;gina, estas falsas verdades inventadas. De acordo com o &ldquo;site&rdquo; da CAAL (Cooperativa Agroindustrial Alegrete Ltda.), o Intendente Lauro de S&aacute; Dornelles declarou: <\/p>\n<p>Diz o intendente, em seu relat&oacute;rio apresentado ao Conselho Municipal em 20\/09\/1919, dentre tantas afirma&ccedil;&otilde;es: &ldquo;Ficou assim resolvido um dos objetivos do meu programa administrativo, ideia que acalentei desde a primeira vez que exerci o meu honroso cargo que ora novamente exer&ccedil;o: a funda&ccedil;&atilde;o de um internato e escola agr&iacute;cola para recolhimento e instru&ccedil;&atilde;o de menores desvalidos. O Patronato j&aacute; est&aacute; funcionando com a matr&iacute;cula de 20 menores carentes que recebem em condi&ccedil;&otilde;es de absoluta gratuidade, ensino de primeiras letras e profissional, casa, alimenta&ccedil;&atilde;o e vestu&aacute;rio .(&#8230;) <\/p>\n<p>Novamente as palavras de Jo&atilde;o Benicio s&atilde;o apresentadas como sendo de Lauro Dornelles. Os memorialistas da cidade afirmam que o Patronato foi uma escola criada pelo Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles que deixou de receber seu sal&aacute;rio de Intendente para construir uma Escola com este dinheiro. Esta mem&oacute;ria faz crer que a constitui&ccedil;&atilde;o do Patronato foi um feito de &ldquo;bondade&rdquo;, de &ldquo;altru&iacute;smo&rdquo; e &ldquo;caridade&rdquo; de um patr&atilde;o e governante, que estava preocupado com o abandono dos mais pobres. A seguir, apresenta-se a investiga&ccedil;&atilde;o que procura compreender e explicar a exist&ecirc;ncia do Patronato Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles, e que comprova as afirma&ccedil;&otilde;es acima &ndash; de que os textos sobre o Patronato s&atilde;o &ldquo;mitol&oacute;gicos&rdquo; e n&atilde;o historiogr&aacute;ficos. <\/p>\n<p>\n2. A EDUCA&Ccedil;&Atilde;O NA REPUBLICA VELHA. <\/p>\n<p>As transforma&ccedil;&otilde;es estruturais que passaram a ocorrer no Brasil e no Rio Grande do Sul na segunda metade do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX n&atilde;o foram situa&ccedil;&otilde;es isoladas. Faziam parte da expans&atilde;o do Capitalismo Internacional como resultado da II Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial com centro difusor na Europa. Essas transforma&ccedil;&otilde;es correspondiam tamb&eacute;m a altera&ccedil;&otilde;es denominadas de &ldquo;modernidade&rdquo;, que tinham por objetivo o desenvolvimento t&eacute;cnico e cient&iacute;fico das rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e da administra&ccedil;&atilde;o dos diversos setores da sociedade. A expans&atilde;o do capitalismo para regi&otilde;es perif&eacute;ricas (como o caso do Brasil e Rio Grande do Sul) tinham como fundamento a produ&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas para os mercados europeus. Para isso, fazia-se necess&aacute;rio dotar essas regi&otilde;es perif&eacute;ricas dos equipamentos tecnol&oacute;gicos necess&aacute;rios para cumprirem com a demanda de produ&ccedil;&atilde;o.(CORSETTI, 2007-a.p.291) <br \/>\nDas contradi&ccedil;&otilde;es inerentes do pr&oacute;prio processo, emergia a &ldquo;quest&atilde;o social&rdquo;. No Rio Grande do Sul, atrav&eacute;s do positivismo, ganhou for&ccedil;a a ideia de &ldquo;incorporar o proletariado &agrave; sociedade moderna&rdquo;, que, de acordo com Corsetti, acontecia &ldquo;limitando seu agir e normatizando sua pratica social&rdquo;. (Ibidem, p.295) <br \/>\nBerenice Corsetti escreve tamb&eacute;m que, no Rio Grande do Sul, no per&iacute;odo da Rep&uacute;blica Velha, os republicanos positivistas utilizaram os projetos de escolas p&uacute;blicas para implementar seus objetivos de expans&atilde;o do capitalismo no cen&aacute;rio rio-grandense. Os regulamentos e regimentos escolares preparavam os jovens para a disciplina, o respeito &agrave;s autoridades, &agrave; hierarquia e ao uso produtivo do tempo.(CORSETTI, 2007- b. p.91) <br \/>\nCabe esclarecer o que se entende por Capitalismo. Segundo Bruno Lima Rocha, o Capitalismo &eacute; um Sistema constitutivo de: <\/p>\n<p>(&#8230;) propriedade privada; a explora&ccedil;&atilde;o; o disciplinamento dos corpos; a modalidade de representa&ccedil;&atilde;o, administra&ccedil;&atilde;o e justi&ccedil;a; um sistema coercitivo e repressivo; e a exist&ecirc;ncia de classes sociais. Ou seja, uma burguesia (em seu sentido gen&eacute;rico), trabalhadores (tamb&eacute;m em seu sentido gen&eacute;rico) (&#8230;). (grifo meu) <\/p>\n<p>A constitui&ccedil;&atilde;o da &ldquo;nova&rdquo; sociedade Republicana implicava a reorganiza&ccedil;&atilde;o de novas formas de domina&ccedil;&atilde;o, que passavam pela quest&atilde;o de como dominar homens e mulheres formalmente livres e iguais? (CORSETTI, 2007 a, p.292) Processou-se uma mudan&ccedil;a nos mecanismos de coer&ccedil;&atilde;o social. O Projeto pol&iacute;tico republicano pensava a Educa&ccedil;&atilde;o com car&aacute;ter profissionalizante para forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra para as novas exig&ecirc;ncias do capitalismo. (Idem) <br \/>\nEm Alegrete, os dados sobre Educa&ccedil;&atilde;o apontam que, de 1897 a 1912, investia-se mais em Seguran&ccedil;a (policiamento e cadeia) do que em Educa&ccedil;&atilde;o. O governo de Dr. Lauro Dornelles foi de 1908 a 1912. O per&iacute;odo em que houve um significativo aumento de investimento em Educa&ccedil;&atilde;o foi entre 1902 e 1907; no per&iacute;odo de 1908 a 1912, os investimentos estabilizaram-se ou diminu&iacute;ram. Este &uacute;ltimo per&iacute;odo foi o per&iacute;odo de Lauro Dornelles. (CORR&Ecirc;A, 2010.p.34s) No mesmo per&iacute;odo, tamb&eacute;m houve uma redu&ccedil;&atilde;o nas matriculas em escolas municipais. Aconteceu um aumento nas matriculas e no n&uacute;mero de escolas estaduais. (Ibidem. p.36s) <br \/>\nSe em 1912 havia 15 escolas municipais, 08 estaduais e 05 particulares (28 escolas), no ano de 1914 apareciam no Relat&oacute;rio de Manoel de Freitas Valle 24 municipais, 09 estaduais e 07 particulares (40 Escolas). Praticamente dobrou o n&uacute;mero de escolas em dois anos. Contabilizando somente as Escolas Municipais, o total de alunos passou de 515 para 933. (FREITAS VALLE, 1914. p.15) <br \/>\nEm Alegrete, al&eacute;m das escolas mantidas pelo poder p&uacute;blico, existiram experi&ecirc;ncias de Educa&ccedil;&atilde;o executadas pelas organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores e sua associa&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria. Isto aconteceu desde 1897, quando a M&uacute;tua Prote&ccedil;&atilde;o Oper&aacute;ria mantinha escola noturna para os trabalhadores e os filhos de trabalhadores. No in&iacute;cio, estes projetos educacionais oper&aacute;rios eram mantidos pelos socialistas, que possu&iacute;am outra concep&ccedil;&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o. (CORR&Ecirc;A,op. cit. p.38) Em Alegrete, no inicio do s&eacute;culo XX, evidenciam-se disputas de projetos distintos de sociedade no campo da educa&ccedil;&atilde;o: capitalistas X socialistas. <\/p>\n<p>\n2.1. OS PATRONATOS. <\/p>\n<p>Desde 1910, o Minist&eacute;rio da Agricultura e Com&eacute;rcio era respons&aacute;vel pelo ensino agr&iacute;cola e rural em tr&ecirc;s n&iacute;veis: elementar, m&eacute;dio e superior. (MENDON&Ccedil;A, p.02) Segundo Sonia Regina de Mendon&ccedil;a, a atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Agricultura e Com&eacute;rcio no sentido de fixar o homem no campo e disciplinar a delinqu&ecirc;ncia urbana foram atrav&eacute;s de duas institui&ccedil;&otilde;es: (AAs) Aprendizados Agr&iacute;colas e os Patronatos Agr&iacute;colas (PAs), sempre situados juntos &agrave;s Esta&ccedil;&otilde;es Experimentais, campos de demonstra&ccedil;&atilde;o e Esta&ccedil;&otilde;es Zoot&eacute;cnicas da Pasta. Os Patronatos criados em 1918 eram uma resposta &agrave; conjuntura da Primeira Guerra Mundial. Malgrado a ret&oacute;rica filantr&oacute;pica que os justificavam, eles eram na verdade uma alternativa &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es prisionais urbanas. Formavam um tipo de detento disciplinado e &ldquo;produtivo&rdquo; economicamente, j&aacute; que proporcionavam sua autossubsist&ecirc;ncias e manuten&ccedil;&atilde;o. Os Patronatos disciplinavam (tiravam da &oacute;rbita das contesta&ccedil;&otilde;es sociais), preparavam m&atilde;o-de-obra qualificada para os patr&otilde;es atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos. (Ibidem. p.04) <br \/>\nOs menores urbanos eram um dos grupos sociais que &ldquo;fugia &agrave; regra&rdquo;. Os meios para disciplin&aacute;-los eram coercitivos e at&eacute; mesmo violentos. Procurava-se o ajustamento e a disciplina&ccedil;&atilde;o desta futura for&ccedil;a de trabalho ao meio social rural pelo pr&oacute;prio ensino agr&iacute;cola. Daniel Alves Boeira destaca que: <\/p>\n<p>Atrav&eacute;s do Minist&eacute;rio da Agricultura, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio (MAIC), foram criados em 1918 os Patronatos Agr&iacute;colas. Esta ag&ecirc;ncia do poder p&uacute;blico era especialmente voltada para as quest&otilde;es do campo. Os Patronatos Agr&iacute;colas eram concebidos como uma das alternativas propostas ao campo, associado a mecanismos que fizeram tentativas de &quot;regenerar&quot; a agricultura, esse discurso era embasado pela moderniza&ccedil;&atilde;o. (BOEIRA, p.05) <\/p>\n<p>De acordo com o pensamento pol&iacute;tico da &eacute;poca, os homens do campo (trabalhadores) n&atilde;o possu&iacute;am escolaridade e capacidade t&eacute;cnica para promoverem o desenvolvimento econ&ocirc;mico rural (n&atilde;o sabiam, sequer, ler nem contar). Os patronatos estavam ligados ao Servi&ccedil;o de Povoamento, este inserido no Minist&eacute;rio da Agricultura e Com&eacute;rcio (MAIC). (Ibidem. p.07) <br \/>\nCom a morte do presidente Rodrigues Alves, governou o Brasil, entre 15 de novembro de 1918 e 27 de julho de 1919, o presidente Delfim Moreira da Costa. Em seu per&iacute;odo presidencial, faltou-lhe envergadura para as fun&ccedil;&otilde;es, mas prosseguiu nas expans&otilde;es das vias f&eacute;rreas, reorganizou os Patronatos Agr&iacute;colas e dissolveu a Uni&atilde;o Geral dos Trabalhadores. Em 28\/7\/1919, foi eleito vice-presidente da Rep&uacute;blica na chapa de Epit&aacute;cio da Silva Pessoa, cumprindo o mandato at&eacute; 01\/7\/1920, quando faleceu. ( http:\/\/heloisa_c.sites.uol.com.br\/pres.htm) <br \/>\nEm todo pais, entre 1918 e 1930, os Patronatos saltaram de 05 para 98. Em 1933, os Patronatos passam para a al&ccedil;ada do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a .(MENDON&Ccedil;A,p.06 -08) <br \/>\nMilton Oliveira escreve sobre a legisla&ccedil;&atilde;o que cria os Patronatos: <\/p>\n<p>A presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica era ocupada por Wenceslau Braz e o decreto de no. 12.893, de 28\/02\/1918, tamb&eacute;m assinado pelo titular do MAIC, autorizava a cria&ccedil;&atilde;o de patronatos agr&iacute;colas, para educa&ccedil;&atilde;o de menores desvalidos, nos postos zoot&eacute;cnicos, fazendas-modelo de cria&ccedil;&atilde;o, n&uacute;cleos coloniais e outros estabelecimentos do Minist&eacute;rio. Em 1918, 1919 e na d&eacute;cada de 1920, unidades foram criadas em diversos locais, constituindo uma malha institucional articulada a partir da administra&ccedil;&atilde;o comum, que coube ao MAIC. (OLIVEIRA, p.04) <\/p>\n<p>Milton Oliveira apresenta o exemplo do Rio de Janeiro, onde as primeiras crian&ccedil;as e jovens s&atilde;o retirados das ruas e apresentados pelos chefes de pol&iacute;cia aos diretores dos patronatos. <br \/>\nSobre o Patronato Visconde da Gra&ccedil;a de Pelotas, Magda de Abreu Vicente diz que a exist&ecirc;ncia de um Patronato em Pelotas era consequ&ecirc;ncia do fato de o ministro da agricultura, Jo&atilde;o Sim&otilde;es Lopes Neto, ser de Pelotas. Ainda de acordo com a autora, a maioria dos Patronatos, como acontecia com os investimentos p&uacute;blicos, ficavam nos grandes centros urbanos ou entre S&atilde;o Paulo e Minas Gerais. (VICENTE, p.02) <br \/>\nPara resumir: &ldquo;Em virtude do Decreto n&ordm; 8.319 de 20 de outubro de 1910, que criou o ensino agron&ocirc;mico, fundaram-se entre n&oacute;s as primeiras esta&ccedil;&otilde;es experimentais.&rdquo; Algumas dessas Esta&ccedil;&otilde;es possu&iacute;am um Patronato Agr&iacute;cola. No Relat&oacute;rio do presidente Epit&aacute;cio Pessoa (1921), reportando-se &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de Patronatos Agr&iacute;colas, destacou o presidente: &ldquo;(&#8230;) No Estado do Rio Grande do Sul (&#8230;), subdividindo-se nas se&ccedil;&otilde;es de Bento Gon&ccedil;alves, Cachoeira, Santa Rosa, Bag&eacute;, Alegrete, Julio de Castilhos, Caxias, Rio Grande, Santa Maria, Porto Alegre e Viam&atilde;o.&rdquo; (Epit&aacute;cio da Silva Pessoa) <\/p>\n<p>\n2.1.1 O PATRONATO DR. LAURO DORNELLES. <\/p>\n<p>Pelo exposto acima se percebe que a instala&ccedil;&atilde;o dos Patronatos foi uma pol&iacute;tica de Estado. Existia uma l&oacute;gica administrativa nos projetos do minist&eacute;rio, que passava pela seguinte sequ&ecirc;ncia: Escolas de Engenharia, Esta&ccedil;&otilde;es Zoot&eacute;cnicas e Experimentais e, em seguida, os Patronatos. Isso n&atilde;o significa que em todos os locais que fossem criadas as Escolas de Engenharia seriam tamb&eacute;m fundadas as Esta&ccedil;&otilde;es e os Patronatos. A seguir, apresenta-se mais um ind&iacute;cio que demonstra a longa articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em fun&ccedil;&atilde;o destes investimentos em Alegrete. Existe uma correspond&ecirc;ncia de Manoel de Freitas Valle Filho a Borges de Medeiros, datada de 08\/08\/1916. Nesta missiva, o intendente defende que uma das Esta&ccedil;&otilde;es Experimentais, criada pela Escola de Engenharia, seja em Alegrete. Ainda de acordo com Manoel de Freitas Valle Filho, interessa-lhe que seja seu Diretor o agr&ocirc;nomo Dr. Ernesto de Freitas Xavier, que, no momento, era Diretor de Obras da Intend&ecirc;ncia de Alegrete. (IHGRGS) <br \/>\nNo Relat&oacute;rio do Intendente Major Oscar do Prado Souza, apresentado ao Conselho Municipal em dezembro de 1917, diz ele que em 12 de novembro de 1917 recebeu um of&iacute;cio do diretor da Escola de Engenharia, Dr. Manoel Theofilo Barreto Vianna, pedindo para a Intend&ecirc;ncia de Alegrete o seu concurso para o Estabelecimento de uma Esta&ccedil;&atilde;o Zoot&eacute;cnica em Alegrete. <br \/>\nA constru&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio para o estabelecimento e instala&ccedil;&atilde;o das diversas depend&ecirc;ncias correr&aacute; por conta da E. de Engenharia, a quem cabe tais despesas, mas a mesma Escola por interm&eacute;dio de seu Diretor, interessa-se pela cess&atilde;o do terreno necess&aacute;rio e pede uma subven&ccedil;&atilde;o de 10:000$000 consignada em Lei de or&ccedil;amento para o exerc&iacute;cio de 1918, a fim de atender as despesas do pessoal diarista e material de consumo.(SOUZA, 1918) <\/p>\n<p>Em 1919, Jo&atilde;o Ben&iacute;cio da Silva escreveu que o Intendente Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles declarou, quando havia sido intendente, perante o Conselho Municipal, que desistia de seu subs&iacute;dio em benef&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o de um edif&iacute;cio destinado a uma escola municipal. Como afirma Ben&iacute;cio, de fato ele n&atilde;o recebeu os proventos da fun&ccedil;&atilde;o de Intendente que exerceu, justamente para a constru&ccedil;&atilde;o deste pr&eacute;dio escolar. Jo&atilde;o Ben&iacute;cio da Silva resolve dar execu&ccedil;&atilde;o &agrave; generosa ideia.(SILVA, 1920. P.18s) Nas palavras de Jo&atilde;o Benicio: &ldquo;Pensando em dar execu&ccedil;&atilde;o &agrave; generosa ideia do meu saudoso antecessor, fiz elaborar um projeto de edif&iacute;cio ao lado Sul do pa&ccedil;o municipal, com frente &agrave; Pra&ccedil;a 15 de Novembro (&#8230;)&rdquo; Mais adiante ele acrescenta: &ldquo;Meu plano &eacute; instalar a&iacute; uma escola profissional para o ensino de artes manuais a crian&ccedil;as de ambos os sexos (&#8230;)&rdquo; (Idem) <br \/>\n&Eacute; importante abrir um par&ecirc;ntese para que seja feita a devida an&aacute;lise da atitude de Lauro de S&aacute; Dornelles. No Governo de Lauro de S&aacute; Dornelles (1909-1912), foi adquirida pela municipalidade a &aacute;rea de campo situada onde hoje (2010) encontram-se os Bairros Ibirapuit&atilde;, Centen&aacute;rio, Promorar, parte da Nova Bras&iacute;lia, o Campo que pertencia &agrave; avia&ccedil;&atilde;o (Aeron&aacute;utica) e o Parque de Exposi&ccedil;&otilde;es da Associa&ccedil;&atilde;o Rural. Ele n&atilde;o adquiriu este terreno para o Patronato e Parque de Exposi&ccedil;&otilde;es, mas sim para construir o &ldquo;Matadouro municipal&rdquo;. Parte deste terreno, onde hoje se encontra o Parque de Exposi&ccedil;&otilde;es, foi doado depois da morte de Lauro Dornelles e por outro intendente para a Esta&ccedil;&atilde;o Experimental e Patronato. O terreno do Patronato ficava entre o Matadouro Municipal e a Jararaca. O ex-intendente Lauro de S&aacute; Dornelles deixou de receber seu &ldquo;sal&aacute;rio&rdquo; de Intendente para destinar o dinheiro para a constru&ccedil;&atilde;o de uma Escola Municipal na Pra&ccedil;a Nova (Pra&ccedil;a General Os&oacute;rio). No relat&oacute;rio de 1912, Lauro de S&aacute; Dornelles escreve: <\/p>\n<p>Era meu intuito conforme fiz p&uacute;blico ao aceitar a investidura do cargo com que honrou-me o eleitorado alegretense, desistindo de meus honor&aacute;rios em favor das obras p&uacute;blicas do munic&iacute;pio &ndash; mandar construir, com o produto delas, um pr&eacute;dio que servisse para uma escola municipal na cidade.(DORNELLES, 1912. P.12s) <\/p>\n<p>Em seguida, ele justifica que n&atilde;o havia sido poss&iacute;vel levar a cabo seus objetivos (por&eacute;m, havia deixado os valores de seus vencimentos para o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico). Destaca em que regi&atilde;o da cidade deveria ser constru&iacute;da esta Escola: <br \/>\nEntretanto, com o pensamento ainda na mesma obra, deixo &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio, para aquele fim, os honor&aacute;rios de meus quatro anos, que n&atilde;o quis receber, reservando-os para terem aplica&ccedil;&atilde;o no edif&iacute;cio de uma escola nossa, que desejo seja constru&iacute;da na Pra&ccedil;a General Os&oacute;rio, ou nas suas imedia&ccedil;&otilde;es, onde melhor possa convir (&#8230;). (Idem) <\/p>\n<p>Portanto, Lauro de S&aacute; Dornelles deixou de receber suas subven&ccedil;&otilde;es para que fosse constru&iacute;da uma escola municipal em Alegrete (na Pra&ccedil;a Nova). Atitude que n&atilde;o deixa de ser admir&aacute;vel, por&eacute;m ele nunca falou em Patronato. <br \/>\nSobre a instala&ccedil;&atilde;o da Esta&ccedil;&atilde;o Zoot&eacute;cnica e Patronato Agr&iacute;cola, sabe-se: &ldquo;Pela Lei n&ordm; 92 de 26 de dezembro de 1917 me autorizastes a ceder &agrave; Escola de Engenharia da Capital do Estado a &aacute;rea de 871.200 metros quadrados de terreno para o estabelecimento de uma esta&ccedil;&atilde;o zoot&eacute;cnica e pelo art. 5&ordm; n&ordm; 3 da lei n&ordm; 102 de 04 de novembro de 1918 me autorizastes mais a garantir por dez anos a mesma institui&ccedil;&atilde;o a subven&ccedil;&atilde;o anual de 10.000$000.&rdquo; (SILVA, 1920. p.20) <br \/>\nDiz ainda Jo&atilde;o Benicio que o Diretor da Escola de Engenharia, Deputado Jo&atilde;o Simpl&iacute;cio Alves de Carvalho, assinara contrato com a Intend&ecirc;ncia Municipal no sentido de fundar em Alegrete al&eacute;m da Escola Zootecnia um Patronato Agr&iacute;cola e Veterin&aacute;rio para asilo e instru&ccedil;&atilde;o profissional de meninos pobres. (grifo meu) (Idem) <br \/>\nO Intendente Jo&atilde;o Benicio, antes de falecer, pede para que seja feito o c&aacute;lculo dos valores correspondentes ao que seria o sal&aacute;rio do finado Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles, para que seja feita a compensa&ccedil;&atilde;o. Antes, por&eacute;m, de tomar esta provid&ecirc;ncia, foi consultada a fam&iacute;lia do ex-intendente. (Ibidem, p.15) <br \/>\nNo Artigo 4&ordm; da Lei Org&acirc;nica n&ordm; 130 de 16 de dezembro de 1919, o intendente de Alegrete declara que: <\/p>\n<p>Fica ainda o Intendente autorizado a aplicar o saldo or&ccedil;ament&aacute;rio aos seguintes fins: (&#8230;) 4&ordm; &#8211; Em recolher a um estabelecimento banc&aacute;rio a quantia de 28:486$744, import&acirc;ncia dos subs&iacute;dios que deixou de perceber o ex-intendente Dr. Lauro Dornelles e que ficou destinada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um edif&iacute;cio para uma escola profissional, podendo completar com a verba de Obras P&uacute;blicas a quantia necess&aacute;ria para a constru&ccedil;&atilde;o deste edif&iacute;cio.(Lei Org&acirc;nica de Alegrete de 1917) <\/p>\n<p>A verba acrescida de juros foi entregue &agrave; sucess&atilde;o (fam&iacute;lia) de Lauro Dornelles, depositada no Banco Pelotense. O dinheiro foi destinado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;dio do Patronato. A verba correspondia &agrave; metade do valor do referido pr&eacute;dio, tendo a Intend&ecirc;ncia completado os outros 50% que faltavam.(GOLDEMBERG, 1993. p.23) <br \/>\nJo&atilde;o Benicio dizia, em seu relat&oacute;rio de 1920, que o Patronato j&aacute; estava funcionando com matr&iacute;cula de 20 meninos. Segundo ele, as aulas te&oacute;ricas da Zootecnia e do Patronato aconteciam na cidade, na Escola na Pra&ccedil;a General Os&oacute;rio. O edif&iacute;cio do Patronato estava em constru&ccedil;&atilde;o no terreno do Munic&iacute;pio situado &agrave; margem esquerda do arroio Jararaca e em frente ao matadouro P&uacute;blico. (SILVA, 1920. p.20) <br \/>\nPor que os pol&iacute;ticos e administradores municipais tinham interesse em fundar um Patronato em Alegrete? Jo&atilde;o Benicio escreve que, desde seu primeiro mandato (1897), tinha por objetivo a cria&ccedil;&atilde;o de internato e escola agr&iacute;cola para recolhimento e instru&ccedil;&atilde;o de &ldquo;menores desvalidos&rdquo;. (Ibidem, p.21) Em 1920, de acordo com Jo&atilde;o Benicio, existiam &ldquo;(&#8230;) 35 rapazes que recebem instru&ccedil;&atilde;o gratuita e preparam-se para futuros capatazes rurais.&rdquo; (Idem) <br \/>\nNo relat&oacute;rio de Jo&atilde;o Benicio foi poss&iacute;vel identificar 22 meninos internados no Patronato. Destes, 12 eram de Alegrete, 05 de Uruguaiana, 02 Uruguaios, 01 de Quara&iacute;, 01 de S&atilde;o Luis Gonzaga e 01 de Cruz Alta. Dos 22 meninos, 11 eram &oacute;rf&atilde;os. Possu&iacute;am entre 14 e 19 anos de idade. A m&eacute;dia era de 16 anos. (Ibdem. p.96) <br \/>\nErnesto de Freitas Xavier, Chefe da Esta&ccedil;&atilde;o Zoot&eacute;cnica e do Patronato, faz seu Relat&oacute;rio &agrave; Intend&ecirc;ncia. Neste relat&oacute;rio, fala dos animais &ldquo;puros&rdquo; por cruza que est&atilde;o trazendo para os trabalhos no Patronato. Escreve tamb&eacute;m sobre a agricultura e especialmente sobre as pastagens &ldquo;forrageiras&rdquo;. Por&eacute;m, cabe destacar as observa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o feitas em rela&ccedil;&atilde;o aos internados: &ldquo;(&#8230;) antigos abandonados, candidatos aos v&iacute;cios, cujos vermes populam nas ruas da cidade, e que tirados ao abandono e a vadiagem, preparam-se para tornarem-se trabalhadores &uacute;teis, bra&ccedil;os experimentados justamente nos ramos de atividade onde s&atilde;o mais precisos nos trabalhos rurais.&rdquo; (Idem) <br \/>\nDe acordo com Ernesto de Freitas Xavier, os alunos apreendiam: leitura, caligrafia, aritm&eacute;tica, deveres c&iacute;vicos, desenho, gin&aacute;stica, no&ccedil;&otilde;es de geometria, geografia do Estado. No Ensino Profissional aprendiam: servi&ccedil;os diversos nos campos de cultura, trabalhos com arados, cultivadores, grades, solos, ferradores, desintegradores, tratores e debulhadoras. Servi&ccedil;os diversos nos campos de cria&ccedil;&atilde;o, limpeza dos est&aacute;bulos, lavagens, cuidados com os animais, preparo dos animais para os servi&ccedil;os de monta. (Ibdem. p.99) <\/p>\n<p>\n3. CONCLUS&Atilde;O. <\/p>\n<p>O Patronato Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles n&atilde;o foi resultado da bondade dos pol&iacute;ticos e dos patr&otilde;es. O Patronato n&atilde;o foi simplesmente um gesto de filantropia. O Patronato Dr. Lauro Dornelles foi uma Pol&iacute;tica P&uacute;blica do Governo Federal, que contava com a contrapartida dos Estados e das Intend&ecirc;ncias Municipais. Na contrapartida da Intend&ecirc;ncia Municipal de Alegrete foi utilizado o dinheiro que seria do ex-intendente Dr. Lauro de S&aacute; Dornelles, pois o mesmo deixou de receber seus sal&aacute;rios para que estes recursos fossem utilizados em obras p&uacute;blicas. A Intend&ecirc;ncia tamb&eacute;m destinava recursos p&uacute;blicos anualmente para a manuten&ccedil;&atilde;o do patronato, mesmo sendo a maior parte dos recursos provenientes do Estado. Com a autoriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia de Lauro Dornelles, foram usados os proventos do ex-intendente pra financiar 50% do pr&eacute;dio onde funcionou o Patronato Agr&iacute;cola. O Patronato Dr. Lauro Dornelles foi o resultado do processo de expans&atilde;o do Capitalismo a Alegrete a partir da pol&iacute;tica dos Republicanos (Castilhistas \/ Borgistas) em oposi&ccedil;&atilde;o aos projetos da Escolas Oper&aacute;rias. Os patronatos eram institui&ccedil;&otilde;es que visavam retirar das ruas menores abandonados e que cometiam infra&ccedil;&otilde;es e delitos (delinquentes). Usando recursos p&uacute;blicos e atrav&eacute;s da instru&ccedil;&atilde;o e disciplinamento os preparavam como m&atilde;o-de-obra qualificada com as novas tecnologias do campo para os trabalhos rurais (para os propriet&aacute;rios rurais). <\/p>\n<p>\n4. BIBLIOGRAFIA E FONTES CONSULTADAS: <\/p>\n<p>BOEIRA, Daniel Alves. Do olhar policial ao trabalhador nacional: os patronatos agr&iacute;colas e a ressocializa&ccedil;&atilde;o da delinq&uuml;&ecirc;ncia juvenil no Brasil. <br \/>\nCORR&Ecirc;A, Anderson Rom&aacute;rio Pereira. Escrita da Hist&oacute;ria: &ldquo;O munic&iacute;pio de Alegrete&rdquo; (1908 -2008). Porto Alegre, Deriva, 2010. <br \/>\nCORSETTI, Berenice. A Educa&ccedil;&atilde;o: construindo o cidad&atilde;o. In: Rep&uacute;blica Velha (1889-1930).Passo Fundo, M&eacute;ritos, 2007 &#8211; a. <br \/>\nCORSETTI, Berenice. Controle disciplinar e atividades escolares nas escolas p&uacute;blicas do Rio Grande do Sul (1889-1930). In: Simp&oacute;sio Internacional de Hist&oacute;ria. Caderno de Resumos. S&atilde;o Leopoldo, Oikos, 2007 &#8211; b. <br \/>\nDORNELLES, Lauro de S&aacute;. Relat&oacute;rio da Intend&ecirc;ncia Municipal de Alegrete. Alegrete, Livraria &ldquo;O Coqueiro&rdquo;, 1912. <br \/>\nFREITAS VALLE, Manoel de. Relat&oacute;rio da intend&ecirc;ncia Municipal de Alegrete. Livraria &ldquo;O Coqueiro&rdquo;, Alegrete, 1914. <br \/>\nGOLDEMBERG, Mauricio. Alegrete de ontem. Alegrete, Gazeta de ALegrete, 1993.p.23. <br \/>\nMENDON&Ccedil;A, Sonia Regina de. Estado e Ensino Agr&iacute;cola no Brasil: da dimens&atilde;o escolar ao extencionismo assistencialismo (1930-1950). <br \/>\nOLIVEIRA, Milton Ramos Pires de. Educar e regenerar: os patronatos agr&iacute;colas e a inf&acirc;ncia pobre na Primeira Rep&uacute;blica. <br \/>\nROCHA, Bruno Lima. A Interdepend&ecirc;ncia Estrutural das tr&ecirc;s esferas: uma an&aacute;lise libert&aacute;ria da Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica para o processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Porto Alegre, mar&ccedil;o de 2009. Tese de Doutoramento UFRGS. <br \/>\nSILVA, Jo&atilde;o Benicio da. Relat&oacute;rio da Intend&ecirc;ncia Municipal de Alegrete. Alegrete, livraria Coqueiro, 1920. <br \/>\nSOUTO, Saul Palma.Breve noticia biogr&aacute;fica. In: SOUTO, Dom Saul Palma e Dom Homero Corr&ecirc;a Pires Dornelles. Fam&iacute;lias do Rio Grande de S&atilde;o Pedro: um contributo &agrave; genealogia sul-rio-grandense. 1&ordm; Volume, Ed. GCI, Porto Alegre, 2004. <br \/>\nSOUZA, Oscar do Prado. Relat&oacute;rio da Intend&ecirc;ncia Municipal de Alegrete, Livraria Coqueiro, 1918. <br \/>\nVICENTE, Magda de Abreu., MAARAL, Giana Lange do. Influencias para instala&ccedil;&atilde;o do Patronato Agr&iacute;cola Visconde da Gra&ccedil;a em Pelotas: 1923. In:A Educa&ccedil;&atilde;o nas mensagens presidenciais (1890 &ndash; 1986). Bras&iacute;lia, INEP, 1987. <br \/>\nInstituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico do Rio Grande do Sul. Fundo Borges de Medeiros. Doc.0105. <br \/>\nArquivo Hist&oacute;rico Municipal de Alegrete. Lei Org&acirc;nica de 1917. <br \/>\nWWW.http:\/\/books.google.com.br\/books?id=x7-zknjoioC&amp;pg=PT59&amp;lpg=PT59&amp;dq=fim+dos+patronatos+agricolas+alegrete&amp;source=bl&amp;ots=T88OsxgGPb&amp;sig=oHBQoIzoJlLrcJeW5NOSUAxZ24g&amp;hl=ptR&amp;ei=SbGqS4SCMoS8lQf6t7XsBA&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=4&amp;ved=0CA8Q6AEwAw#v=onepage&amp;q=&amp;f=false). <br \/>\nWWW. http:\/\/heloisa_c.sites.uol.com.br\/pres.htm. <br \/>\nWWW. http:\/\/assisbrasil.org\/joao\/vultos.htm. <br \/>\nWWW. http:\/\/www.al.urcamp.tche.br\/principal\/estatuto\/artigo_historia.pdf. <br \/>\nWWW. http:\/\/www.caal.com.br\/destaquesDet.php?idDestaque=17.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>.Foto do casar\u00e3o do antigo Patronato Dr. Lauro Dornelles. Hoje sede do Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Agropecu\u00e1rias. Foto:http:\/\/colunapontodevista.com\/2010\/06\/alegrete-prefeitoerasmodecreta. O presente artigo tem por objetivo conhecer o que foi e pra que servia o Patronato Dr. Lauro Dornelles criado em Alegrete durante a Rep&uacute;blica Velha. 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