{"id":1297,"date":"2010-09-10T19:12:46","date_gmt":"2010-09-10T19:12:46","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1297"},"modified":"2010-09-10T19:12:46","modified_gmt":"2010-09-10T19:12:46","slug":"11-de-setembro-de-2010-coluna-semanal-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1297","title":{"rendered":"11 de setembro de 2010 \u2013 coluna semanal de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/chile1973_la_moneda.jpg\" title=\"Este 11 de setembro de 1973 no Chile \u00e9 uma marca do TERRORISMO DE ESTADO na Am\u00e9rica Latina  - Foto:Omancini\" alt=\"Este 11 de setembro de 1973 no Chile \u00e9 uma marca do TERRORISMO DE ESTADO na Am\u00e9rica Latina  - Foto:Omancini\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Este 11 de setembro de 1973 no Chile \u00e9 uma marca do TERRORISMO DE ESTADO na Am\u00e9rica Latina <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Omancini<\/small><\/figure>\n<p><strong>11 de Setembro: Em um dia sem guerra <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO nono anivers&aacute;rio dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos deveria ser um momento para refletir sobre a toler&acirc;ncia. Deveria ser um dia de paz. No entanto, o fervor anti-mu&ccedil;ulmano que existe aqui, somado a prolongada ocupa&ccedil;&atilde;o militar estadunidense do Iraque e a escalada da guerra no Afeganist&atilde;o (e Paquist&atilde;o), todo este conjunto, alimenta a id&eacute;ia de que, de fato, os Estados Unidos est&atilde;o em guerra com o Isl&atilde;.<\/p>\n<p>O 11 de setembro de 2001 uniu o mundo contra o terrorismo. Todo o planeta, ao que parecia, estava junto aos Estados Unidos, em solidariedade com as v&iacute;timas, com as fam&iacute;lias que perderam seres queridos. Essa data ser&aacute; recordada pelas gera&ccedil;&otilde;es futuras como o dia em que se levou a cabo o infame ato de assassinato em massa coordenado, sendo esta a a&ccedil;&atilde;o mais impressionante do in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI. Mas esse n&atilde;o foi o primeiro 11 de setembro associado com o terror, tivemos outros: <\/p>\n<p>11 de setembro de 1973, no Chile, o Presidente democraticamente eleito, Salvador Allende, morre enfrentando o acionar de um golpe militar apoiado pela CIA. Este dia marcou o come&ccedil;o de um regime de terror comandado pelo ditador Augusto Pinochet (1973-1989) e durante o qual foram assassinados milhares de chilenos. <\/p>\n<p>11 de setembro de 1977, na &Aacute;frica do Sul, o l&iacute;der contra o apartheid Stephen Biko foi brutalmente espancado dentro de uma caminhoneta da pol&iacute;cia, vindo a falecer (decorrente dos golpes que levou) no dia seguinte. <\/p>\n<p>11 de setembro de 1990, na Guatemala, a antrop&oacute;loga guatemalteca Myrna Mack foi assassinada por militares que contavam com o apoio dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>De 9 a 13 de setembro de 1971, na penitenci&aacute;ria de Attica, estado de Nova York, ocorreu uma rebeli&atilde;o de presos durante a qual a pol&iacute;cia estadual assassinou a trinta e nove prisioneiros e guardas tamb&eacute;m ferindo a centenas de outros detentos. <\/p>\n<p>11 de setembro de 1988, no Haiti, mil&iacute;cias de direita realizam um ataque durante missa celebrada pelo Padre Jean-Bertrand Aristide, na Par&oacute;quia de San Juan Bosco, cidade de Porto Pr&iacute;ncipe (capital do pa&iacute;s). Na ocasi&atilde;o s&atilde;o assassinados pelo menos a treze fi&eacute;is e ferem, no m&iacute;nimo, a outras setenta e sete pessoas. Mais tarde, Aristide seria duas vezes eleito presidente, e duas vezes derrubado por golpes de Estado apoiados pelos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Se h&aacute; algo que caracteriza o 11 de setembro, &eacute; o fato de ser um dia para recordar as v&iacute;timas do terror, a todas as v&iacute;timas de todo tipo de terror, e para trabalhar pela paz, tal como faz o grupo &ldquo;Fam&iacute;lias do 11 de Setembro por uma Manh&atilde; de Paz&rdquo;. Composto por pessoas que perderam seres queridos em 11 de setembro de 2001 quando do ataque contra as Torres G&ecirc;meas, sua miss&atilde;o poderia servir como um chamado nacional a a&ccedil;&atilde;o. Em sua p&aacute;gina, eles escrevem: &ldquo;Transformar nossa dor em a&ccedil;&otilde;es pela paz &eacute; nosso objetivo. Ao desenvolver e defender op&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o violentas em nossa busca de justi&ccedil;a, esperamos romper os ciclos de viol&ecirc;ncia engendrados pela guerra e o terrorismo. Reconhecendo nossa experi&ecirc;ncia comum com todas aquelas pessoas afetadas pela viol&ecirc;ncia ao redor do planeta, trabalhamos para criar um mundo mais seguro e com mais paz para todas as pessoas.&rdquo; <\/p>\n<p>O est&uacute;dio de &ldquo;Democracy Now!&rdquo; estava localizado a poucas quadras das Torres G&ecirc;meas. Est&aacute;vamos transmitindo ao vivo quando elas ca&iacute;ram. Durante os dias seguintes, milhares de panfletos com as fotos dos desaparecidos voavam por toda a cidade, contendo os n&uacute;meros de telefones dos familiares esperando uma liga&ccedil;&atilde;o para caso algu&eacute;m fosse reconhecido. Recordavam-me os cartazes levados pelas M&atilde;es da Pra&ccedil;a de Maio na Argentina, essas mulheres com len&ccedil;os brancos na cabe&ccedil;a que marcharam valentemente semana ap&oacute;s semana portando fotos de seus filhos desaparecidos durante a ditadura militar que viveu esse pa&iacute;s nos anos &rsquo;70 (1976-1983). <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m recordo a constante corrente de fotos de jovens do ex&eacute;rcito assassinados no Iraque e no Afeganist&atilde;o, e agora, a cada vez mais freq&uuml;entemente (ainda que apare&ccedil;am menos nos notici&aacute;rios) as fotos daqueles que se suicidam depois de terem sido v&aacute;rias vezes convocados ao combate. <\/p>\n<p>Para cada v&iacute;tima dos Estados Unidos ou da OTAN h&aacute;, literalmente, centenas de v&iacute;timas no Iraque e Afeganist&atilde;o cujas fotos nunca ser&atilde;o mostradas e cujos nomes nunca vamos conhecer. <\/p>\n<p>Enquanto uma multid&atilde;o descontrolada e furiosa tenta impedir a constru&ccedil;&atilde;o de um centro comunit&aacute;rio isl&acirc;mico na regi&atilde;o do Baixo Manhattan (em um edif&iacute;cio vazio, ignorado durante anos e deteriorado; local que est&aacute; distante mais de duas quadras da zona zero), um &ldquo;ministro&rdquo; evang&eacute;lico do estado da Fl&oacute;rida est&aacute; organizando para a data de 11 de setembro um &ldquo;Dia Internacional de Queima do Cor&atilde;o.&rdquo; O General David Petraeus afirmou que a queima, que tem suscitado protestos em todo o planeta, &ldquo;poderia p&ocirc;r em perigo &agrave;s tropas.&rdquo; E ele est&aacute; correto. Bem como tamb&eacute;m p&otilde;e em perigo as tropas ao bombardear a civis inocentes e seus lares. <\/p>\n<p>Semelhante ao Vietn&atilde; nos anos &lsquo;60, o Afeganist&atilde;o tem uma decidida resist&ecirc;ncia armada local, com muita capacidade de entrega a sua causa, e um profundamente corrupto grupo em Kabul mascarado como governo central. A guerra est&aacute; sangrando ao vizinho pa&iacute;s, Paquist&atilde;o, assim como a Guerra do Vietn&atilde; se espalhou para o Camboja e Laos. <\/p>\n<p>Pouco depois de 11 de setembro de 2001, enquanto milhares de pessoas estavam reunidas nos parques da cidade de Nova York e mantinham vig&iacute;lias improvisadas &agrave; luz das velas, um adesivo apareceu em cartazes, faixas e bancos de pra&ccedil;a. Nele se lia: &ldquo;Nossa dor n&atilde;o &eacute; um grito de guerra.&rdquo; <\/p>\n<p>Neste 11 de setembro, a mensagem segue sendo dolorosa e &ndash; lamentavelmente &#8211; oportuna. <\/p>\n<p>Fa&ccedil;amos de 11 de setembro um dia sem guerra. <\/p>\n<p>______________________________________ <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <\/p>\n<p>&copy; 2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>\nTexto traduzido da <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/es\/blog\/2010\/9\/9\/11_de_septiembre_un_da_sin_guerra\">vers&atilde;o em castelhano<\/a> e revisado do<a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/blog\/2010\/9\/8\/sept_11_a_day_without_war\">original em ingl&ecirc;s<\/a> por <a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; a &acirc;ncora de Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s e em mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este 11 de setembro de 1973 no Chile \u00e9 uma marca do TERRORISMO DE ESTADO na Am\u00e9rica Latina Foto:Omancini 11 de Setembro: Em um dia sem guerra O nono anivers&aacute;rio dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos deveria ser um momento para refletir sobre a toler&acirc;ncia. 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