{"id":1303,"date":"2010-09-22T16:48:50","date_gmt":"2010-09-22T16:48:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1303"},"modified":"2010-09-22T16:48:50","modified_gmt":"2010-09-22T16:48:50","slug":"alem-das-quatro-linhas-edicao-de-20-de-setembro-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1303","title":{"rendered":"Al\u00e9m das quatro linhas \u2013 edi\u00e7\u00e3o de 20 de setembro de 2010"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/grenal_2.jpg\" title=\"A rivalidade dentro de campo n\u00e3o pode e nem deve se transformar para refor\u00e7o do argumento chauvinista de torcedores semi- profissionais devidamente manipulados por cartolas \u201cdesinteressados\u201d. Todo cuidado \u00e9 pouco. - Foto:pensamentos presentes \" alt=\"A rivalidade dentro de campo n\u00e3o pode e nem deve se transformar para refor\u00e7o do argumento chauvinista de torcedores semi- profissionais devidamente manipulados por cartolas \u201cdesinteressados\u201d. Todo cuidado \u00e9 pouco. - Foto:pensamentos presentes \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A rivalidade dentro de campo n\u00e3o pode e nem deve se transformar para refor\u00e7o do argumento chauvinista de torcedores semi- profissionais devidamente manipulados por cartolas \u201cdesinteressados\u201d. Todo cuidado \u00e9 pouco.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:pensamentos presentes <\/small><\/figure>\n<p><em>Dijair Brilhantes &amp; Bruno Lima Rocha <br \/>\n<\/em><br \/>\n<strong>Sirvam nossas fa&ccedil;anhas de modelo a toda terra! Mas, quais delas? <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO dia 20 de setembro &eacute; marca da proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Rio-grandense no primeiro ano da maior guerra civil &ldquo;brasileira&rdquo;. Trata-se de um marco inquestion&aacute;vel na hist&oacute;ria do Rio Grande do Sul, a Revolu&ccedil;&atilde;o Farroupilha, ou a Guerra dos Farrapos, sendo que o partido farroupilha era de linha liberal moderada e se espraiava por algumas prov&iacute;ncias do Imp&eacute;rio Luso-brasileiro. Muito se fala e pouco se entende desta epop&eacute;ia. N&atilde;o bastam as cr&iacute;ticas economicistas, o problema &eacute; de fundo e se relaciona com a identidade de na&ccedil;&atilde;o e regionalidade. N&atilde;o por acaso, a maior influ&ecirc;ncia para a Farroupilha vinha da Prov&iacute;ncia Cisplatina independente e livre da ocupa&ccedil;&atilde;o luso-brasileira. A &uacute;nica chance de vit&oacute;ria militar para o estado-maior composto por liberais monarquistas e republicanos escravagistas vinha da minoria ancorada nos &ldquo;exaltados&rdquo;, a ala liberal radical que vencia as batalhas de a caballo, mas n&atilde;o as ganhava nos bastidores da pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Muito tempo se passara e ainda insistimos em substituir a hist&oacute;ria pelo folclore. Bem ou mal, a guerra (as guerras) fizera deste estado o que &eacute; hoje: a &ldquo;menos pior&rdquo; divis&atilde;o de renda do Brasil, um c&oacute;digo de valores ainda ancorados na id&eacute;ia de luta justa e de defesa de causas e lados, e uma no&ccedil;&atilde;o difusa de tradi&ccedil;&otilde;es (pouco originais em muitos casos) e que reproduz o inverso do ga&uacute;cho platense, peleador, indom&aacute;vel, inimigo da cerca e da propriedade, mais &iacute;ndio do que patr&iacute;cio, mais gaud&eacute;rio que povoeiro e, diga-se de passagem, por influ&ecirc;ncia da col&ocirc;nia de povoamento, o arqu&eacute;tipo coletivo de um povo batalhador, que luta por seus objetivos e se orgulha da hist&oacute;ria (desde que o pov&atilde;o n&atilde;o compreenda muito de nada) e honra suas tradi&ccedil;&otilde;es. De um jeito ou de outro, para al&eacute;m dos galp&otilde;es, a coisa se manifesta no dia a dia de quem n&atilde;o vivencia o &ldquo;tradicionalismo&rdquo; (com o perd&atilde;o de Mart&iacute;n Fierro, pois aqui o puseram numa f&aacute;bula agro-pastoril onde n&atilde;o h&aacute; pampa sem patr&atilde;o e nem destino errante sem capataz!) atrav&eacute;s do futebol! <\/p>\n<p>Neste sentido, de forma alguma h&aacute; um sentimento de superioridade a qualquer outro estado deste pa&iacute;s chamado Brasil, apenas h&aacute; um prazer em viver por estes pagos, prazer este devidamente real&ccedil;ado pela m&iacute;dia da Prov&iacute;ncia do Eucalipto e do Fundopem (baita mamata!). N&atilde;o resta pretens&atilde;o de separatismo (at&eacute; porque a alta hierarquia do MTG pro&iacute;be esta posi&ccedil;&atilde;o) e nem sequer se adentra no tema do federalismo para al&eacute;m da redistribui&ccedil;&atilde;o fiscal. Ao que parece, afora panela de ferro e carreteiro de charque, a bravura altaneira n&atilde;o corresponde na grande pol&iacute;tica, como seria de esperar com o povo nas ruas das cidades-p&oacute;lo e capitais a exigir morat&oacute;ria unilateral da agiotagem de banqueiros avalizados por seus fiadores de Bras&iacute;lia. Na aus&ecirc;ncia das guerras pelas quais vale &agrave; pena pelear, resta defender o pago no cantar do hino republicano como um despertar popular no meio da cancha patrocinada, do ataque da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria e da cartolagem sem tr&eacute;gua lan&ccedil;ando-se a cargos de deputado estadual e federal (como dizia o torcedor do Fluminense Chico Buarque: &ldquo;malandro de gravata e capital, malandro candidato a malandro federal&rdquo;). <\/p>\n<p>Sejamos justos e pouco cr&iacute;ticos um dia por fim. No futebol a coisa ainda pega, at&eacute; porque a dupla Gre-Nal abafa o bola do interior e polariza a audi&ecirc;ncia das r&aacute;dios AM replicada em suas vers&otilde;es piratas no FM (sem autoriza&ccedil;&atilde;o da Anatel para reproduzir a mesma programa&ccedil;&atilde;o em duas freq&uuml;&ecirc;ncias distintas). O orgulho dos boleiros vem de longa data e culturalmente temos a fama de &ldquo;bairristas&rdquo;. Isto n&atilde;o &eacute; visto como defeito, e sim como virtude; sempre devidamente aproveitada pelas empresas a investir em nichos de mercado de ga&uacute;chos (a Oi, filha de Carlos Jereissati com S&eacute;rgio Andrade e agora retro-alimentada pela Portugal Telecom, que o diga!). Mas, nem tudo s&atilde;o espinhos no dia a dia da Prov&iacute;ncia. O cidad&atilde;o brasileiro em geral n&atilde;o se sente parte de uma coletividade maior como aqui. O sentimento que atravessa o estado &eacute; de pertencer a algo, mesmo que nessa carro&ccedil;a as melancias se confundam com a indument&aacute;ria e os trejeitos do latif&uacute;ndio. Mas, se todos amassem seu estado como os ga&uacute;chos, &eacute; de certo, viver&iacute;amos num pa&iacute;s melhor. Pelo menos isso. <\/p>\n<p><strong>O orgulho ga&uacute;cho &ndash; ou <em>gaucho<\/em> &#8211; passa por aqui <br \/>\n<\/strong><br \/>\nN&atilde;o se pode negar, o orgulho gauchesco passa sim pelo futebol. Vivemos em um estado onde tudo beira ao extremo, principalmente a rivalidade Gre-Nal. Rivalidade que ficou mais acirrada ap&oacute;s o ano de 2006 quando o Internacional conquistou sua primeira Copa Libertadores (repararam como n&atilde;o colocamos o nome do patrocinador?!) e o t&iacute;tulo mundial. Desta forma, quase se iguala ao feito que o maior rival Gr&ecirc;mio orgulhou-se por longos 23 anos por ser o &uacute;nico do estado a ter os dois t&iacute;tulos. Neste ano corrente, com a segunda vit&oacute;ria na Libertadores, o colorado equipara com os gremistas em termos internacionais (com o perd&atilde;o do trocadilho infame). Faltava para o time do Menino Deus tal feito, afinal tiveram um grande elenco nos anos 70, cheio de gl&oacute;rias e conquistas, um tri campeonato brasileiro, e um octacampe&atilde;o ga&uacute;cho. Mas faltava ganhar algo fora do Brasil, e a partir de 2006 (passada a baixaria de 2005) vieram duas primeiras conquistas para al&eacute;m do pa&iacute;s e a rivalidade ganhou uma propor&ccedil;&atilde;o imposs&iacute;vel de explicar em poucas linhas. <\/p>\n<p>J&aacute; o Gr&ecirc;mio &eacute; conhecido por feitos &eacute;picos. Dois dos maiores exemplos constam na hist&oacute;ria tricolor. A &ldquo;guerra&rdquo; de La Plata na Argentina em 1983 (sendo que jogar na capital da Prov&iacute;ncia de Buenos Aires sempre foi coisa de her&oacute;i ou louco), ano da conquista da primeira Copa Libertadores, e a recente Batalha dos Aflitos no Recife em 2005, quando a imortalidade foi comprovada diante de milh&otilde;es de telespectadores. Neste peda&ccedil;o do mundo onde antes a Pampa corria livre at&eacute; quase a Patag&ocirc;nia, a paix&atilde;o aumenta, os clubes crescem com seus feitos, e o Brasil tende a se orgulhar de ter dois clubes campe&otilde;es mundiais em um mesmo estado. Al&eacute;m disso, o futebol ga&uacute;cho ainda conta com 4 Copa Libertadores, 2 Recopas , 1 Copa Sulamericana, 5 t&iacute;tulos brasileiros, 6 copas do Brasil. Trata-se de um bom curr&iacute;culo para uma unidade da &ldquo;federa&ccedil;&atilde;o&rdquo; que conta apenas com dois times na primeira divis&atilde;o do futebol nacional. Os mineiros que o digam. <\/p>\n<p>\n<strong>Exagero santista, ou como refor&ccedil;ar um comportamento equivocado <br \/>\n<\/strong><br \/>\nSemana passada, na vit&oacute;ria do Santos sobre o Atl&eacute;tico-GO, outra vez o atacante santista Neymar foi manchete na maioria dos jornais do Brasil. Infelizmente n&atilde;o por sua genialidade em campo, mas por um bate boca em p&uacute;blico com o t&eacute;cnico Dorival Junior. O mais novo milion&aacute;rio do futebol brasileiro parece desconhecer o sentido da palavra hierarquia, e que seu &ldquo;monstruoso&rsquo; sal&aacute;rio n&atilde;o o deixa livre para fazer o que bem entender dentro de campo. Assim ao menos esper&aacute;vamos, at&eacute; que a cartolagem toma uma espinafrada (este termo retiramos da cartola do m&aacute;gico sem coelho!) dos patrocinadores associados no contrato do atacante da baixada santista e a diretoria do clube bi-campe&atilde;o do mundo (1962-1963) tem um comportamento varzeano. <\/p>\n<p>O problema passa pela estrutura de gest&atilde;o. O Santos Futebol Clube, como todos os outros clubes brasileiros, tem um regime presidencialista, e todos os funcion&aacute;rios do clube cumprem ordens. Em tese, porque o problema &eacute; que uns s&atilde;o mais iguais do que os outros. E isso d&aacute; raiva, e muita. &Eacute; certo, Neymar n&atilde;o foi o &uacute;nico a cometer exageros, pois o t&eacute;cnico do clube goiano Ren&ecirc; Sim&otilde;es disse em entrevista que est&aacute;vamos criando um &ldquo;monstro&rdquo; no futebol brasileiro. <\/p>\n<p>Tal declara&ccedil;&atilde;o &eacute; no m&iacute;nimo exagerada. Chamar o atacante santista de monstro mais parece despeito e choro de perdedor. Este termo pode ser dado para a moral da bandidagem, exercida, por exemplo, pelo ex-goleiro do Flamengo o qual n&atilde;o merece nem mesmo ter seu nome citado. O mesmo pode ser dito de diretorias de certo clube carioca (o maior endividado do pa&iacute;s, quem ser&aacute;?) que escalara diretores de torcida organizada para a ger&ecirc;ncia de futebol e, quando o time estava mal ou em crise, fechavam &ldquo;saunas&rdquo; para uma confraterniza&ccedil;&atilde;o coletiva. O &ldquo;menino da Vila&rdquo; est&aacute; longe disso, ao menos por enquanto. <\/p>\n<p>Concordamos que Neymar &eacute; um jovem de talento promissor. Mas, os mimos dados ao atleta o est&atilde;o prejudicando em sua curta carreira. &Eacute; preciso frear a Kombi destrambelhada ladeira abaixo, pois as declara&ccedil;&otilde;es e atitudes pendem para o lado negativo (e estes &ldquo;fatos noticiosos&rdquo; d&atilde;o audi&ecirc;ncia e vendem jornal). Para quem imagina estarmos exagerando, vejamos o caso de Adriano, o &ldquo;ex-imperador&rdquo;. Precisa falar mais? Agora a babaquice do pi&aacute; deslumbrado derruba um t&eacute;cnico vitorioso e que dera jeito num time complicado. Dorival J&uacute;nior ganhou o Paulist&atilde;o desse ano e a Copa do Brasil. Agora, com o &ldquo;professor&ldquo; fora, Robinho mais maduro de volta &agrave; Europa, a tend&ecirc;ncia &eacute; um time em frangalhos, ref&eacute;m dos caprichos do craque e de quem paga seu sal&aacute;rio. Quanto tempo vai durar a lideran&ccedil;a de Ganso dentro de campo? <\/p>\n<p>Neymar n&atilde;o &eacute; Pel&eacute;; at&eacute; porque Pel&eacute; em campo &eacute; muito melhor do que Edson Arantes do Nascimento, que o diga a UNICEF e as criancinhas do Brasil. Quem avisa amigo &eacute;; se bobear vem a&iacute; a mais nova mala marrenta e desestabilizada do futebol brasileiro. <\/p>\n<p><a href=\"mailto:dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com\">Dijair Brilhantes<\/a> &eacute; estudante de jornalismo, <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a> &eacute; editor do portal Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rivalidade dentro de campo n\u00e3o pode e nem deve se transformar para refor\u00e7o do argumento chauvinista de torcedores semi- profissionais devidamente manipulados por cartolas \u201cdesinteressados\u201d. Todo cuidado \u00e9 pouco. 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