{"id":1319,"date":"2010-10-15T16:12:39","date_gmt":"2010-10-15T16:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1319"},"modified":"2010-10-15T16:12:39","modified_gmt":"2010-10-15T16:12:39","slug":"quatro-encruzilhadas-de-marina-e-do-pv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1319","title":{"rendered":"Quatro encruzilhadas de Marina e do PV"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/gabeira_marina.jpg\" title=\"Entre a cruz e a espada, a senadora oriunda das bases de Chico Mendes n\u00e3o pode se aliar, nem tacitamente, aos discursos de devasta\u00e7\u00e3o e agro-neg\u00f3cio a todo custo da senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO) e de outros expoentes da bancada do latif\u00fandio. De sua parte, o ex-guerrilheiro e jornalista Fernando Gabeira, posiciona-se como aliado quase incondicional do tucanato.    - Foto:partidoverdecampos\" alt=\"Entre a cruz e a espada, a senadora oriunda das bases de Chico Mendes n\u00e3o pode se aliar, nem tacitamente, aos discursos de devasta\u00e7\u00e3o e agro-neg\u00f3cio a todo custo da senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO) e de outros expoentes da bancada do latif\u00fandio. De sua parte, o ex-guerrilheiro e jornalista Fernando Gabeira, posiciona-se como aliado quase incondicional do tucanato.    - Foto:partidoverdecampos\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Entre a cruz e a espada, a senadora oriunda das bases de Chico Mendes n\u00e3o pode se aliar, nem tacitamente, aos discursos de devasta\u00e7\u00e3o e agro-neg\u00f3cio a todo custo da senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO) e de outros expoentes da bancada do latif\u00fandio. De sua parte, o ex-guerrilheiro e jornalista Fernando Gabeira, posiciona-se como aliado quase incondicional do tucanato.   <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:partidoverdecampos<\/small><\/figure>\n<p>15 de outubro de 2010, Vila Setembrina dos Lanceiros Negros tra&iacute;dos na covardia de Porongos, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>A senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, &eacute; o fator que pode vir a pendular a decis&atilde;o neste segundo turno. Atingindo a quase 20% dos votos v&aacute;lidos na primeira rodada das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2010, ela e sua legenda, o Partido Verde (PV), encontram-se na inusitada situa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas encruzilhadas. Vejamos os porqu&ecirc;s.<\/p>\n<p>A primeira encruzilhada &eacute; a do constrangimento pol&iacute;tico. Marina, al&eacute;m de haver sido uma militante do Partido dos Trabalhadores (PT) por mais de trinta anos, foi parte ativa do governo de Luiz In&aacute;cio. Ela ocupou a pasta do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente por quase sete anos, vindo a sair por desentendimentos com a chamada ala &ldquo;desenvolvimentista&rdquo; (eu preferiria classificar como &ldquo;Bismarckista&rdquo;) capitaneada justamente pela economista e ex-militante do PDT, a atual candidata ao Planalto, Dilma Rousseff. A acreana tem pretens&otilde;es pol&iacute;ticas e para sobreviver aos quatro pr&oacute;ximos anos n&atilde;o pode dar um passo em falso. Assim, mesmo que ela tivesse (ou tenha) uma inclina&ccedil;&atilde;o para subir no palanque do ex-governador de S&atilde;o Paulo Jos&eacute; Serra, sua trajet&oacute;ria pol&iacute;tica a impediria de cometer tal ato. O mesmo n&atilde;o se d&aacute; numa hipot&eacute;tica ades&atilde;o individual de Marina para a candidatura de sua desafeta dentro do governo. Isto seria toler&aacute;vel para quem acompanha sua carreira pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>A segunda encruzilhada &eacute; na rela&ccedil;&atilde;o entre Marina e a legenda onde entrou h&aacute; pouco, mais especificamente os dirigentes hist&oacute;ricos, que seguraram o partido nos tempos de vacas magras. Mesmo que a senadora tenha condi&ccedil;&otilde;es de al&ccedil;ar v&ocirc;o solo, as li&ccedil;&otilde;es dadas pela tensa rela&ccedil;&atilde;o entre mais da metade da milit&acirc;ncia do PSOL e a ex-senadora Helo&iacute;sa Helen, comprova a tese da necessidade de condu&ccedil;&atilde;o compartilhada. Dentro desta poss&iacute;vel tens&atilde;o entre uma operadora individual num hipot&eacute;tico apoio a Dilma, est&aacute; o fator Rio de Janeiro. No estado fluminense, dois ex-guerrilheiros, atuando no momento como desafetos da legenda de outro ecologista que tamb&eacute;m pegara em armas, como Carlos Minc, Alfredo Sirkis e Fernando Gabeira, est&atilde;o mais propensos ao tucanato do que para um apoio cr&iacute;tico da chapa de centro-esquerda. <\/p>\n<p>A terceira encruzilhada previs&iacute;vel &eacute; o problema da pr&oacute;pria organicidade dos Verdes. Quais as condi&ccedil;&otilde;es de coes&atilde;o interna que o PV tem para sustentar a resolu&ccedil;&atilde;o de sua confer&ecirc;ncia nacional de delegados com direito a voto? Nunca &eacute; demais lembrar que esta legenda vinha sendo mantida atrav&eacute;s de alian&ccedil;as movidas pelo pragmatismo e as oportunidades de ocasi&atilde;o. A ocupa&ccedil;&atilde;o de pastas estaduais e municipais do Meio Ambiente em mandatos encabe&ccedil;ados por pol&iacute;ticos muito mais &agrave; direita sustenta esta tese. Surpreendentemente, este ano, apostaram pela n&atilde;o-coliga&ccedil;&atilde;o buscando crescer eleitoralmente na chapa puro-sangue e aut&ecirc;ntica. Tal gesto elevou-lhes a confian&ccedil;a nas pr&oacute;prias for&ccedil;as. Mas, ainda assim, sempre &eacute; prudente recordar que o momento da campanha &eacute; um e as negocia&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-eleitorais &eacute; outro. Sustentar uma posi&ccedil;&atilde;o fechada por toda a legenda inclui o risco das defec&ccedil;&otilde;es. J&aacute; a libera&ccedil;&atilde;o do voto de sua milit&acirc;ncia pode indicar a corrida atr&aacute;s do pote de ouro de diret&oacute;rios estaduais ou mesmo nos municipais. A decis&atilde;o mais indicada seria a do mal menor, a ser avaliado em inst&acirc;ncia nacional. <\/p>\n<p>A quarta e &uacute;ltima encruzilhada aborda um dos mist&eacute;rios da moderna an&aacute;lise pol&iacute;tica. &Eacute; poss&iacute;vel apostar em transfer&ecirc;ncia de votos? Analisemos a partir do caso de Marina. Suponhamos que ela indique o voto para um dos dois candidatos. Dentro desta hip&oacute;tese, com a cren&ccedil;a que tenha uma forte influ&ecirc;ncia sobre seu eleitorado. Estando isso correto, seu voto catapulta a classe m&eacute;dia urbana e mais sofisticada e o voto da pobreza conservadora, identificada por seu discurso moralista e o credo neopentecostal. Qual seria a aprecia&ccedil;&atilde;o realista de transfer&ecirc;ncia de votos? N&atilde;o &eacute; prudente indicar mais de 50% de transfer&ecirc;ncia, o que implicaria um duplo discurso, buscando atingir dois perfis de eleitores e assim se aproximando da marca de 10% dos votos v&aacute;lidos. Isso de por si j&aacute; bastaria para desequilibrar a gangorra eleitoral, mas resta saber qual a moeda de troca exigida por Marina, se e caso, venha a ocorrer o pedido de votos? <\/p>\n<p>Para que a acreana consiga manter sua proje&ccedil;&atilde;o, acumular for&ccedil;as visando os pr&oacute;ximos quatro anos, o apoio deve ser program&aacute;tico. Portanto, caso isso ocorra, &eacute; prov&aacute;vel que uma das coliga&ccedil;&otilde;es se predisponha a abra&ccedil;ar todo o programa do PV na pauta do Meio Ambiente. Mais do que declarar a ades&atilde;o a um programa que n&atilde;o &eacute; seu, esta mesma coliga&ccedil;&atilde;o deve dar garantias de execu&ccedil;&atilde;o do programa, considerando que as alian&ccedil;as t&ecirc;m representa&ccedil;&otilde;es mais do que comprometedoras em termos de desenvolvimento sustent&aacute;vel. Se este conjunto de garantias hipot&eacute;ticas implica num pre&ccedil;o t&atilde;o elevado de compromissos pol&iacute;ticos, a ponto de desarrumar posi&ccedil;&otilde;es j&aacute; consolidadas, pode ser mais vi&aacute;vel torcer por uma declara&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel ou um apoio pouco efusivo da parte de Marina Silva. Isso pode ser bem mais &ldquo;interessante&rdquo; do que predispor-se a pagar o custo do arranjo de uma organicidade desej&aacute;vel em termos eleitorais, mas pouco ou nada exeq&uuml;&iacute;vel nas costuras coligadas. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ibase.br\/modules.php?name=Conteudo&amp;file=index&amp;pa=showpage&amp;pid=2945\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do IBASE <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a cruz e a espada, a senadora oriunda das bases de Chico Mendes n\u00e3o pode se aliar, nem tacitamente, aos discursos de devasta\u00e7\u00e3o e agro-neg\u00f3cio a todo custo da senadora K\u00e1tia Abreu (DEM-TO) e de outros expoentes da bancada do latif\u00fandio. 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